Green & Yellow

20 Sensação


— Meu... Cabelo...

Freed se agachou e pegou alguns de seus fios, se levantando novamente. Deu uma risada ironicamente triste. Sentiu seus fios serem levados pelo vento novamente. A rajada forte de vento vinha do homem da adaga. Agora, ao invés de ter a postura de um monstro virou realmente um.

Uma aura negra encobria o homem. Seus olhos vermelhos realçavam a silhueta de um demônio. Suas mãos se tornaram grandes, e suas unhas cresceram como garras, com o objetivo claro de matar. O homem foi rápido, chegando perto de Freed em segundos. Suas garras apontadas para a face do garoto pareciam laminas.

Com um gesto rápido, Laxus empurrou Freed, que caiu no chão novamente. Laxus se defendeu do homem com seus braços esquerdo. Virou seu rosto lentamente. Seus olhos mais do que o demônio a sua frente. Uma luz amarela correu o corpo do mesmo, que caiu paralisado. Do céu, um imenso feixe desceu veloz em direção ao corpo do homem. Destruindo boa parte da rua em um estrondo ensurdecedor. Quando a luz se dissipou, o demônio era homem novamente.

Freed, assustado, olhava para Laxus, se distanciando.

— Não tenha medo, Freed.

Sua voz soou fria para Freed, mas mesmo assim, não era o que Laxus queria. O monstro dentro dele... Laxus se tornou um monstro novamente?

— Freed, não me olhe assim! — Gritou suplicante.

Laxus, perdendo a paciência, se aproximou de Freed. Agarrou o pulso do garoto, o puxando para perto de si. Apoiou sua testa na dele, e sussurrou olhando em seus olhos intensamente:

— Eu ainda estou aqui.

O medo de Freed se dissipou como um sopro. O olhar medroso tornou-se atordoado e confuso.

— Eu só quero protegê-lo.

A voz acolhedora de Laxus fez Freed voltar à realidade. Tudo aquilo passou. Ninguém mais é um monstro aqui. Freed sentiu seus questionamentos voltarem. Por que quer me proteger? Você me ama? O que...O que você sabe?

— O que você sabe?

A voz de Freed soou trêmula. Temia pelo o que ouviria. Mas não ouviu nada. Laxus apenas o largou, se afastando. Quando distante, disse:

— Nada, Freed. Nada.

Laxus não pretendia responder aquela pergunta tão cedo. Precisava esperar. Mas seu tom impaciente na fala, mostrou o que queria. Não queria que Freed acreditasse no que disse, e conseguiu.

Sabe sim. Sabe de alguma coisa. Mas o que é?

Ever se aproximou quando Laxus pegou o corpo do saqueador estirado no chão. Ainda parecia assustada.

— Freed, seu cabelo!

— Ah! – Freed se lembrou deste detalhe.

— O que você vai fazer.

— Eu não posso fazer nada. – Pareceu desanimado. – Tenho que esperar crescer.

— Vai deixar seu cabelo assim?

— O que tem?

— Está horrível! Precisa de um corte. Vem.

— Ever! O que você está faz-

Freed não pôde terminar a fala. Ever estava o arrastando para um cabeleleiro no outro lado da rua. Freed suspirou. Não acredito que você vai me obrigar a fazer isso… Laxus e Bickslow iam levar o saqueador até o padeiro e pegar suas recompensas.

Freed se sentou em uma cadeira, e uma mulher – que não era bem uma mulher – lhe perguntou como queria o corte. Só disse para cortar as pontas, que estava todas desregulares e feias. Ever assistia tudo. Ao final, o cabelo de Freed estava praticamente igual. Qual a diferença?

— Perfeito! –Evergreen sorriu.

O cabelo de Freed estava em uma altura pouco acima dos ombros, desfiado. Ainda tinha sua franja – agora menor – encobrindo parte de seu rosto no lado direito. Não tinha mais as ondulações nos lados – estava completamente liso – e a parte da frente, nos dois lados, tinha alguns fios separados pelas orelhas, que iam até pouco abaixo delas.

Saíram de lá e foram ao encontro do resto do grupo. Tinham em mãos a recompensa , então foram direto para a guilda. Freed andara com Evergreen, que dizia o tempo todo que seu cabelo estava maravilhoso. Laxus andou ao lado de Bickslow. Conversavam sobre alguma coisa.

Chegaram na guilda em pouco tempo. Todos se surpreenderam por causa do cabelo de Freed. Logo a Raijinshuu se separou. Freed ficou conversando com Lucy e Erza em uma mesa perto do balcão. Erza começou:

— Freed, você sabe que daqui quatro dias vai começar o festival das flores, não sabe?

— Sério? Já estamos na primavera?

— Parece que você perdeu a noção do tempo. – Lucy deu uma risada tímida.

— Sim, nós estamos na primavera! E primavera é sinônimo de festival das flores para nós da guilda, você sabe!

— Claro que sei. Todo mundo adora festivais aqui!

— Pois eu e a Lucy somos responsáveis pela organização do festival, que vai acontecer na árvore do portão sul.

— Aquela em que Natsu e Gajeel marcaram de enfrentar Laxus?

— Essa mesma! Queríamos te convidar para nos ajudar.

— E se você quiser, pode convidar Laxus… — Lucy fez uma cara de pervertida.

— Eu não sei se-

— Ah, que ótimo que você aceitou! – Erza o abraçou.

— Mas eu não-

— Vamos. – Lucy o puxou. – Vá e convide Laxus! – O empurrou.

Freed então, procurou Laxus com os olhos. Viu que ele não estava no primeiro andar. Foi em direção ás escadas do lado esquerdo da guilda, que davam para o segundo andar. Procurou Laxus novamente, e o viu em um canto com pouca claridade.

Laxus estava andando entre as mesas em um canto escuro. Queria ficar sozinho. Ouviu a voz de Freed, e olhou para trás. Freed sorriu. O que é isso?

— Laxus! Eu tenho um recado para você.

Meu coração está...

— Recado?

Acelerado?

­­— Na verdade um convite.

Por que eu estou...

— Que convite?

Tão nervoso?

— As garotas me falaram sobre o festival das flores e...

O que é essa esperança?

— E elas queriam que eu as ajudasse na organização.

O que é essa sensação?

­— Pensei que você pudesse me ajudar. — Freed sorriu novamente.

Esse sorriso... Por quê?

— Er, eu não sei se... — Laxus coçou a cabeça.

Eu estou com... Vergonha?

— Claro que se você não puder, não pr-

— Não! Eu quero te ajudar sim! — Freed surpreendeu-se com o tom nervoso de Laxus em sua fala. Como que estivesse angustiado ou apressado.

O que foi isso, Laxus?

Por que você está assim?

Controle-se!

— Que ótimo, então! Quando precisar de ajuda, posso contar com você?

— Claro. — Laxus sorriu timidamente.

Freed desceu as escadas. Laxus o acompanhou com os olhos. Após isso, foi se acalmando lentamente. Se sentou em uma mesa perto.

O que foi isso?