Green & Yellow
3 Dor
— Olhe para mim.
Lentamente Freed levantou os olhos.
— Não esperava isso de você. Por que você fez isso?
— E-eu...
Um silenciou tomou a guilda. Todos olhavam para os dois. Freed estava assustado e com medo. Laxus estava contendo sua raiva. Ninguém estava entendendo direito o que estava acontecendo. Mais alguns segundos e Laxus não resistiu.
De forma bruta, Laxus explodiu, liberando sua raiva sobre o rosto do garoto de cabelos verdes. Seu corpo foi longe, e para todos aquilo passava em câmera lenta. Freed jogado no ar, enquanto sua fita caía de seu cabelo, que voava sobre o ar de forma descompensada. Caiu em um impacto forte, fazendo um grande barulho. Elfman o acompanhou com os olhos, e no momento que ele caiu, despertou, já pedindo desculpas, dizendo que lhe entregar não era uma coisa de homem.
Freed estava estirado no chão, com dor. Seu cabelo estava espalhado pelo chão e um pouco sobre seu rosto. Sua boca sangrava um pouco. Ele encarava o teto da guilda. Seus olhos marejavam. Não pela dor.
Na verdade sim, pela dor.
Mas pela dor que sentia em seu coração.
Todos começaram a cochichar e Laxus viu que não deveria ficar ali. Em passos pesados e largos, mostrava toda sua raiva. Passou por Freed sem ao menos olhá-lo, parando ao seu lado para dizer:
— Você não merece nem apanhar de mim.
E saiu, deixando Freed ali estirado. Antes de passar para fora do hall da guilda, ouviu um grito.
— PARE! – Mirajane chorava no balcão, e saiu dele correndo em direção á onde Freed estava.
Laxus voltou a caminhar, sem olhar para trás. Mirajane passou por Elfman, que a olhou com tristeza e um pouco de desprezo. Ela começou a chorar mais ainda. Passou por ele, se ajoelhando ao lado de Freed.
— Ah, me perdoe Freed. Eu não queria-
— Saia daqui.
Os olhos de Mirajane tremeram devido ao tom de voz de Freed.
Era frio.
Era doloroso.
Era triste.
- Freed?
— Saía daqui.
— Por favor, Freed, me deixe explicar tudo a você!
— SAIA DAQUI! – Seu grito ecoou.
Mirajane entendeu que aquela não era a hora. Chorando mais do que antes, levantou-se lentamente ainda olhando para os olhos de Freed. Já Freed permanecia na mesma posição, sem tirar uma única vez os olhos do teto. Elfman pegou Mirajane pelo braço, levando ela até o subsolo. Mirajane olhava para trás enquanto era puxada pelo seu irmão.
Ambos estavam tristes pela amizade que acabou.
Makarov assistiu tudo, sem tirar os olhos de Freed. Mesmo sem contar para Freed, sabia que ele gostava de seu neto. Não tinha muitos problemas com isso, mas também não se metia. Makarov nunca contou a ninguém, já que ninguém confirmou aquilo para ele. Mas mesmo que confirmasse, ele não iria falar para ninguém. Depois daquilo, teve certeza do que aconteceu.
Makarov desceu do balcão e andou até Freed.
Estendeu-lhe a mão.
Freed pela primeira vez moveu os olhos desde que caíra. Não podia ignorar o mestre. Ele pegou a mão de Makarov que o puxou devagar.
— Está com dor?
Já sentado, Freed respirou fundo e falou:
— Não muita. Obrigado mestre.
— Se levante e vá para casa. Se quiser não precisa vir amanhã. Eu conversarei com Laxus.
Nesse momento Freed arregalou um pouco os olhos. Percebeu que Makarov sabia de seu sentimento. Por um segundo pensou que todos sabiam, ou que Evergreen e Mirajane contaram para todos. Aquilo acelerou seu coração e uma dor o tomou. Mas aquilo não era possível. Foi o que o acalmou no segundo seguinte. Depois ficou com medo de que Makarov falasse para Laxus de seus sentimentos. Não pensou duas vezes antes de abrir a boca para falar: “Não conte nada a ele, por favor.” Mas nem isso conseguiu. Makarov foi rápido dizendo:
— Eu não vou falar nada a ele. Não se preocupe. – Deu um sorriso para Freed.
Aquele sorriso melhorou um pouco a dor que Freed sentia. A dor que ainda sentia no peito. Levantou-se e Makarov lhe deu as acostas, abanando para que ele fosse embora. Makarov gritou para que todos voltassem a fazer o que estavam fazendo e assim fizeram.
Freed abriu um pequeno sorriso. Virou-se e andou em direção á saída. Ao passar pelo portão da guilda, não conteve as lágrimas. Seu rosto estava tomado por elas novamente. Por que tudo aquilo aconteceu de uma só vez? Era demais para ele.
Andava pelas ruas chamando a atenção de quem passasse por ele. Não via a hora de chegar em casa, mas suas pernas estavam doloridas. Ele caminhava devagar por isso. Estava péssimo. Pensava se Laxus desconfiou de seus sentimentos, ou se Mirajane contou para ele. Ele também pensava em como Mirajane foi capaz de fazer aquilo com ele. Logo ela, que o ajudava tanto. Seria um deboche? Seria ele o motivo das risadas na guilda? Não saberia responder.
Chegou em casa e logo foi para o quarto se deitar. Agora desabava em um choro desesperado. Apenas soluços o interrompiam. Seu travesseiro ficou molhado e ele decidiu trocá-lo. Engoliu o choro antes de se levantar. Sentou-se na cama e decidiu: “tudo vai voltar ao normal amanhã”. Foi trocar a fronha do travesseiro, mas viu que não adiantaria. O colocou num canto para secar, enquanto retirava outro de um armário velho em seu quarto. Jogou em cima da cama, e tornou a retirar sua roupa habitual. Colocou uma roupa mais simples e foi para a cozinha preparar alguma coisa para comer. Depois de comer lavou o prato e os talheres, junto com o copo de suco que tomara. Foi para o banheiro e viu seu rosto horrível no espelho. Quase foi vencido novamente, sentindo as lágrimas virem. Mas foi forte e as segurou. Segurou a pia forte. Olhou em seus olhos no espelho, e em alguns segundos depois saiu dali. Deitou-se e dormiu. Dormiu mal, mas dormiu.
Era o único momento em que não estava sobre a pressão que o mundo lhe causava.
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