Freed sentiu o abraço forte de Lucy. E sentiu seu ombro molhar com suas lágrimas. Freed nunca foi muito próximo de Lucy, mas percebeu que isso não importa. Todos da guilda eram seus amigos. Mesmo falando menos, ou falando mais, eram todos amigos. E Lucy trouxe isso ao entrar na Fairy Tail.

Erza se emocionou e começou a chorar também. Evergreen tinha uma poça a sua volta. Bickslow ainda estava um pouco confuso. Makarov assistia tudo com um sorriso.

Esses malditos cresceram e se tornaram ótimas crianças.

E Laxus... Saiu de seu devaneio, retomando seu olhar indiferente para Freed. Encontro os olhos azuis e apenas se virou, em direção á saída da guilda.

— Não pense que suas lágrimas ou as lágrimas de qualquer outro me façam lhe readmiti-lo na Raijinshuu. Se você sair ou não da guilda, tanto faz. Isso quem decide é o mestre. Espero que tenha isso em mente.

Erza deixou uma raiva subir pelo seu rosto ao ver a indiferença no comentário de Laxus. Mas ela conseguiu se segurar. Aquele comentário ecoou, fazendo as lágrimas de quem estava chorando pararem. Freed se sentiu excluído novamente, mas ao ver Lucy falar baixinho "não ligue para ele" não se preocupou mais. Ele estava rodeado de amigos, e isso o faria feliz.

Essa era a vida que escolheu.

Essa era a vida que teria.

Essa era a vida que a Fairy Tail lhe proporcionava.

Após esse evento, Erza e Lucy se aproximaram de Freed, porque perceberam que ele gostava de Laxus. Iriam ajudá-lo a esquecer isso, já que essa era sua meta agora. Foram até em missões juntos. Evergreen e Bickslow sentiam-se mal, mas Laxus não permitiu que eles fossem em missões com Freed. Laxus já estava a procura de alguém para substituí-lo, mesmo sabendo que perdeu um ótimo mago. Mas isso não podia ficar assim. Evergreen e Bickslow uniram forças para convencer Laxus á trazer Freed de volta.

— Laxus! Ele era o capitão da Raijinshuu! Sem ele a Raijinshuu não existe!

— Se é esse o problema, você acaba de se tornar a nova capitã da Raijinshuu, Ever.

— Para com isso! Você me entendeu muito bem.

— É Laxus! Traga Freed de volta! (Traga Freed, traga Freed) – Bickslow e suas bonecas acabaram por irritar mais Laxus.

— Eu não vou fazer isso, e se vocês insistirem, sintam-se livres para saírem da Raijinshuu também.

Temendo isso Evergreen e Bickslow pararam de insistir. Sempre acabava com essa ameaça, e por isso não conseguiram convencer Laxus. Ele era orgulhoso a esse ponto. Não iria voltar atrás.

Pelo menos não desse jeito.

Era tarde, e Mirajane estava na sala de jogos, tentando arrumar um pouco da bagunça. Ela estava na mesa de sinuca, tirando as bolas das caçapas, se lembrando vagamente do que acontecera ali com Laxus.

Porém ela não esperava se lembrar de um frasco. Frasco que achou dentro de uma caçapa, como se tivesse caído ali. Olhou o rótulo e se tratava de uma droga que mexia com os sentidos de quem usasse. As descrições batiam com o que ela sentia aquele dia. As tonturas, a fraqueza, a sensibilidade. Isso desencadeou uma série de lembranças.

Flashback On

Eu estava indo pegar um vinho para Ever, e quando estava voltando com a garrafa, vi o pessoal que estava jogando sair da sala. Eu entrei para ver o que tinha acontecido, mas não havia nada de estranho. Laxus era o único na sala, e me chamou com o dedo indicador. Eu ri, e andei até ele.

— O que você quer, Laxus? – Sorri.

— Você vai levar esse vinho para quem?

— É para Ever. Ela já está até bêbada.

— Ah, então é para ela. Quem sabe nós não a poupamos de uma ressaca mais forte e bebemos esse vinho por ela?

— Ah, não seja besta Laxus. – Eu ri. Ele estava com um sorriso estranho.

— Tem alguns copos aqui em volta. – Ele foi pegar dois. – Toma, serve.

— Tá, tudo bem, mas é só um gole.

— Ahn?

— O que foi?

— Acho que alguém ali fora. Vê quem é.

Eu fui até a porta, mesmo não tendo ouvido nada. Lembro de um som de garrafa abrindo. Achei que era a de vinho. Me virei e os copos já estavam cheios. Laxus me entregou um e eu bebi. Os efeitos começaram quase que de imediato. Ele riu. Foi até a porta e a fechou. Tirou algumas fitas do bolso e me vendou. Eu estava muito tonta e não conseguia raciocinar direito. Ele colocou uma mordaça em mim, e amarrou minha mãos.

Depois ele me estuprou. Eu tentava gritar, mas estava sem forças. Tentava me debater, mas infelizmente não conseguia. Lembro de ouvir a porta abrir, mas não conseguia ver quem era já que estava vendada. Me lembrou de derrubar o frasco logo depois. Deve ter caído na caçapa. Depois de um tempo, Laxus me colocou em cima da mesa de sinuca, tirando as fitas de meus olhos, boca e mãos. E disse algo como "não se preocupe, você não vai lembrar de nada". Quando dei por mim, estava gritando para Laxus não bater em Freed.

Flashback Off

Quando me lembrei de tudo isso, eu tive que sorrir. Precisava contar para Freed. Peguei o frasco e fui para casa. No outro dia, cheguei no horário de sempre. A guilda sempre abria ás seis horas, e eu sempre tinha que estar lá para atender as pessoas. Esperei ansiosamente pela chegada de Freed. Me lembrei que desde que saíra da Raijinshuu, ele chegava mais tarde, por volta das dez horas.

As horas passaram lentamente. E cheguei a pensar em ir até a casa dele, mas eu precisava ficar na guilda. Era a única atendente. Makarov percebeu que eu estava estranha, e perguntou o que houve. Consegui me esquivar dele, suspirando de alívio ao vê-lo acreditar.

Finalmente Freed chegou. Eu quase corri em sua direção, mas tive que ser discreta senão Makarov desconfiaria novamente. Eu o chamei até o balcão, e o levei até a sala de jogos. Ele estava nervoso, acho que ainda se sentia mal ao lembrar do que viu. Não ia para o andar de baixo desde o dia. Chegamos na sala e eu coloquei o frasco em cima na mesa de sinuca. Me virei e comecei a desabafar. Finalmente tinha me dado uma chance.

— Freed! Aqui está a prova de que eu não tive culpa! Esse frasco é de uma droga que Laxus colocou na minha bebida para poder me estuprar. Ele insistiu para que eu tomasse vinho, e eu só dei um gole. Foi o suficiente para que ficasse zonza e fraca. Ele me colocou as fitas porque não queria que eu me soltasse ou gritasse! Eu achei esse frasco nessa caçapa e eu lembrei de tudo o que aconteceu naquela noite. Eu me sinto tão frustrada e arrependida. Mas não foi minha culpa. Por favor, Freed! Acredite em mim. Eu te peço, acredite em mim, me perdoe! – Eu não consegui segurar minhas lágrimas. Notei que Freed ainda estava um pouco assustado.

— Você foi... Drogada?

— Sim, Freed! Você... Você acredita em mim agora?

— Laxus não faria isso... É...

— Cruel? Sim! E você se tornará como ele se continuar a fazer isso comigo! Você está sendo cruel comigo! Eu não tenho mais o que fazer, além de pedir que você acredite em mim! – Sentia minhas lágrimas correrem desesperadamente.

— Mirajane, eu não sei o que dizer. Eu não sei se acredito. É tão difícil de saber...

— É verdade, Freed! – Eu vi suas lágrimas descerem quando eu disse isso.

— Me desculpe, Mira! Eu espero que isso seja verdade, porque eu tinha a sensação de que não pudesse confiar em mais ninguém! Eu quero acreditar de novo, que eu posso confiar em você! Que eu posso confiar nos outros! – Suas lágrimas estavam caindo sem hesitar.

— Ah, Freed!

Nada mais foi dito. Não precisávamos de banalizações com outros tipos de explicações. Eu só o abracei forte, e senti ele corresponder. Depois disso eu expliquei exatamente o que houve. Ele chorou algumas vezes ao provavelmente pensar que Laxus quem fez isso. O Laxus que ele admirava. Conversamos um pouco, e ele me pediu desculpas por me tratar daquele jeito. Na verdade, eu entendia o que ele sentia. Qualquer um ficara com raiva ou triste por causa do que aconteceu. Mas Freed não. Freed era forte. Freed sempre foi forte. Ele aguentou ver seu amado com várias mulheres, e até com sua amiga. Ele suportou lágrimas de dor que deveriam corroer qualquer um. Corroer os sentimentos e a alma. Mas Freed não. Freed era forte. Freed sempre foi forte. E depois disso, eu pude confirmar: ele ainda é.

Quando nossas lágrimas secaram,

E deram lugar aos sorrisos,

Eu percebi que...

Eu recuperei meu amigo.