Green Eyes
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Octavian ficou parado no meio da rua, e levou a mão nos lábios, que pareciam queimar depois do toque dela. A embalagem vazia de café em suas mãos caiu no chão.
Ficou um bom tempo lá, apenas parado, encarando o nada.
Ela me beijou. Na boca. Rachel Elisabeth Dare me deu um... selinho?
O pensamento martelava em sua cabeça, e ele só saiu do transe quando Reyna simplesmente brotou em sua frente, estalando os dedos diante de seus olhos.
–- Hey. Acorde!
–- Ah. Ah, desculpe. Eu estava… distraído.
–- Onde está Rachel?
–- E eu deveria saber?
–- Estava com ela. Obviamente você deveria saber.
Octavian revirou os olhos.
–- Ela já foi.
Reyna o encarou, deixando-o vermelho. Os dois começaram a andar de volta ao acampamento.
–- Vocês estão muito próximos ultimamente... – ela disse.
Octavian corou, e praguejou silenciosamente por isso.
–- Não precisa se envergonhar. Ela é muito legal e bonita.
Mais uma vez. Reyna tinha o dom de deixar as pessoas sem reação.
–- Ela... não é tão ruim quanto eu imaginava.
–- Não tente me enganar, por favor. Ainda que meus galgos não estejam aqui, eu sei como perceber quando alguém está mentindo.
–- Não estou.
Reyna bufou.
–- Eu ainda tenho esperanças no plano de Annabeth... – ela murmurou.
–- Perdão?
–- Esqueça. Spoilers...
Octavian a encarou, confuso, mas resolveu ignorar. Reyna tinha um leve sorriso nos lábios, ainda que sua expressão estivesse tensa.
–- O que é tão engraçado?
Ela o encarou.
–- Vocês dois. Tudo.
Octavian se sentiu corar.
–- Não há o que debochar. Você me forçou a confraternizar com os graecus, e é isso o que eu estou fazendo.
–- Você sorriu.
–- Como?
–- Você está exatamente na mesma situação que eu. Antes, impenetrável e irredutível. Agora, passa por cima de seus próprios conceitos apenas por causa de uma pessoa.
Ele ajeitou a toga, desconfortável.
–- Desculpe, não sei do que está falando.
–- Você sempre diz isso. – ela revirou os olhos. – Não tenha medo de assumir. O peso disso vai te consumir pouco a pouco, até não restar nada. Vai por mim, experiência própria.
–- Ela... Eu não sei. – Octavian encarou o céu estrelado. – Nem sei mesmo o que sinto.
Reyna suspirou.
–- De certa forma eu entendo.
–- Mas o que... Por que estou falando essas coisas com você?
–- Porque já começou. Se liberte, Octavian. Boa noite. – ela disse, e se virou, sem dizer mais nada.
–- Hã... boa noite.
Octavian caminhou para seu dormitório pensativo. Realmente, tudo o que Reyna falara era verdade, mas tinha medo. Sim, estava com medo. Medo de ela lhe lançar um olhar de censura, e se recusar a sequer olhar para ele pelo menos por esse século inteiro. Medo de não ser correspondido.
Colocou seu pijama e se jogou na cama. Ainda com muitos pensamentos e “e ses” martelando em sua cabeça, finalmente conseguiu pegar no sono.
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Rachel corria como nunca tinha feito em toda a sua vida. Um sentimento de alegria a preenchia por completo e ainda não acreditava de onde tinha tirado coragem de beijar Octavian. Certo, fora um beijo estalado e extremamente rápido, mas ela sentia como se fosse o ponto alto do encontro dos dois.
Finalmente alcançou o grupo, e se misturou à todos, tentando disfarçar sua respiração ofegante. Todos entraram num ônibus de viagem, e Rachel os seguiu. Ao subir, deu de cara com Annabeth, que crispou os lábios, e a encarou com uma expressão preocupada.
–- Mas onde é que você estava? Procurei você por toda parte! – ela disse, e Rachel baixou os olhos. O que ela não sabia é que Annabeth sabia exatamente onde ela estava, pois estava os seguindo há alguns minutos atrás.
–- Desculpe Annie. Eu perdi a noção do tempo...
–- Claro. – ela relaxou sua postura, soando mais descontraída. – É absolutamente normal perder a noção de tempo e espaço quando se está apaixonado.
–- Apaixonado? E quem disse que eu estou ap...
Annabeth lhe lançou o melhor de todos os olhares de incredulidade já lançados.
–- O que... eu e Octavian? N-não, nós somos só... hã, nem amigos. Apenas nos conhecemos melhor. Com todo esse clima de reconciliação, não ia ser legal ter duas pessoas brigando e tal...
–- Oh, claro, com toda a certeza... – Annabeth disse, com certa ironia na voz, que Rachel resolveu ignorar.
–- O que houve com Percy e Jason? – Rachel disse, mudando de assunto.
–- Bêbados com uma bebida de flor de lótus, dá pra acreditar nisso?
–- Flor de lótus... do Cassino?
Annabeth assentiu, irritada.
–- Não faço ideia de como os Stoll arranjaram isso, só sei que fizeram uma parceria com os filhos de Baco, que fizeram a bebida. Meus deuses, eles não tem nada na cabeça!
Rachel riu.
–- Não acredito que perdi essa cena! – Rachel riu, e Annabeth deu um sorrisinho malicioso.
–- Aposto como estava muito mais agradável com o Octavian. Não pra mim, obviamente.
–- Annie! – Rachel corou.
–- Vai dizer que não?
–- Ora, não tem como eu saber. Eu não tenho como comparar.
–- Ele parece diferente.
–- Diferente?
–- Ele era muito pior na primeira vez quando nos conhecemos, no meio da missão. Pode-se dizer que você causou uma melhora impressionante nele.
–- Hum, até comigo ele está diferente.
–- Não acredito na veracidade das escolhas de Afrodite, mas dessa vez tenho que dar o braço a torcer.
–- NÓS. SOMOS. SÓ. AMIGOS! – Rachel disse pausadamente. – Quantas vezes terei que repetir isso?
–- Pode repetir quantas vezes quiser. Eu duvido que você não sinta nada por ele também.
–- Também? Ele nem gosta de mim como eu g...
Annabeth deu um sorriso vitorioso.
–- Era o que eu queria ouvir! Quanto a isso, não se preocupe. Ele está caidinho por você.
Rachel corou violentamente, ainda não recuperada do deslize.
–- É melhor a gente conversar sobre isso depois.
–- Como quiser, hahaha! – Annabeth sorriu, encorajando-a.
Meus deuses.
Rachel queria cavar um buraco no chão para enfiar sua cabeça.
Mas agora que Annabeth descobrira tudo, não ia mais adiantar fugir. Aliás, precisava mesmo se abrir com alguém sobre isso, porque a culpa e a ansiedade estavam consumindo-a.
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