Green And Silver
6 Chapter 5
Notas iniciais
Bjoos ♥
Encolhida em uma poltrona qualquer no frio Salão Comunal verde e prata, Astoria tinha seus olhos sobre um livro, embora há muito desistira de tentar lê-lo realmente. Sua mente estava em outro lugar, em outro momento, com uma pessoa específica.
E quando se deu conta que estava pensando novamente em Draco Malfoy, Astoria fechou o livro com força, o baque surdo provocou eco pelo vazio do Salão Comunal e a tirou do transe.
Ela piscou os olhos com força, encolhendo-se mais na poltrona macia. O fogo verde que crepitava na lareira á sua frente não era o bastante para aquecê-la.
Tudo estava silencioso e vazio, todos certamente estavam na festa secreta que ocorria na Sala Precisa, amanhã a maioria estariam embarcando no trem de volta á suas casa. E por que não planejar uma festa para comemorar as tão esperadas férias de verão? Dissera Blaise semanas atrás.
Daphne concordara quase que imediatamente e tentou empurrar sua irmã também, sem qualquer sucesso.
Não havia nada a ser comemorado para Astoria. Férias de verão significavam chegar em sua casa, sentir-se em casa, e estar reunida á família. A exceção se aplicava á Astoria. Não restara nenhum parente á ela e Daphne, a não ser sua avó Amélia que agora estava quase constantemente presente na vida das irmãs. Mas nem mesmo a presença da avó tornaria a mansão Greengrass à mesma de antes.
Astoria voltou novamente á realidade com outro baque surdo, sentindo seus olhos úmidos e seu coração acelerado devido ás lembranças. Piscou rapidamente e respirou fundo, sentindo as batidas de seu coração se estabilizar. E então, virou-se para trás olhando para a fonte do baque.
Blaise Zabine desceu as escadas, cambaleante rindo consigo mesmo. A garrafa de absinto pendia em sua mão e o líquido verde sacudia-se conforme seus tropeços.
- Olá, Tory... – murmurou ele soluçando e rindo ao mesmo tempo, sem querer soltando outro odiado apelido de Astoria – Por que não faz uma visitinha ao Draco lá em cima? Ele está tão sozinho... – um brilho de malícia correu pelos seus olhos negros enquanto cambaleava em direção á ela.
- Eu não faria uma “visitinha” á ele nem que estivesse morrendo... – ela murmurou, sua voz vacilando e aquilo não passara despercebido por Blaise.
- É mentira – ele a cortou em um tom sério mas ainda carregado de malícia. Astoria manteve-se calada por que no fundo sabia que era mesmo mentira e sabia que dissera aquilo por hábitos antigos, que não se iriam tão cedo.
- Eu estou lendo... – ela rapidamente abriu o livro em uma página qualquer.
Blaise tirou o livro de suas mãos e o jogou por sobre o seu ombro, sorrindo de orelha a orelha. O livro caiu em um lugar qualquer, provocando outro ruído que ecoara mais alto pela masmorra.
- O que está fazendo aqui? – ela perguntou, irritada – Não devia estar em sua festinha de comemoração? – fez falsa animação sem abandonar sua expressão de indiferença.
- Vim pegar isso aqui – ele sacudiu mais o absinto, o líquido verde aguado respingou no chão. Blaise se enrolava cada vez mais nas palavras e não conseguia se manter em pé e parado ao mesmo tempo – Do mesmo jeito... – ele embolou novamente – Estamos falando de você... Suba e converse com ele.
- O que há de errado com ele? – ela passou por Blaise, olhando para o chão escuro á procura de seu livro mas aquilo era apenas uma desculpa para esconder seu estranho nervosismo e certamente, olhar para Blaise denunciaria aquilo.
- Tomou chuva ontem... – ele apoiou-se na parede ao ver que não conseguiria se manter em pé sem cambalear, abraçando a garrafa de absinto possessivamente, como uma criança com um ursinho. E a cena de Blaise abraçado á uma garrafa de absinto era estranhamente cômica – E acho que pegou um resfriado. Aliás... Ele perguntou de você.
Astoria localizou o livro no mesmo instante que seu coração acelerou drasticamente fazendo-a perder o pouco de oxigênio que lhe restava. Ela pegou o livro do chão, com as mãos trêmulas e virou-se lentamente para Blaise, tentando manter sua expressão habitual de indiferença.
- Ele... Perguntou de mim? – ela engoliu a seco.
Blaise parou de contemplar o líquido verde aguado e fixou seus olhos em Astoria. Por fim, esboçou um sorriso malicioso.
- Não, mas você caiu... – comentou maldosamente – Está vermelha...
- Não estou vermelha! – exclamou ela virando-se para o grande espelho atrás de si, perto das estátuas de Salazar. Sua pele continuava no mesmo tom pálido de sempre, e então, se deu conta de que caíra novamente na cilada de Blaise. Tarde demais.
Ele alargou mais o seu sorriso.
- Por que está tão preocupada, minha cara Astoria? – ele desencostou-se da parede – Vamos, suba. Converse com ele. Draco está solitário...
- Eu estou lendo... – ela falou entre dentes, a voz letal e perigosa que não intimidou o sonserino.
Blaise novamente tomou o livro das mãos de Astoria e o jogou por sobre o seu ombro. O livro caiu novamente em algum canto escuro da masmorra.
- Não me faça fazê-la ir á força... – ele voltou a tropeçar nas palavras, o absinto novamente respingou no tapete serpentino do Salão Comunal – Vamos... Só uma conversinha...
Ela bufou virando-se inexpressivamente para a escada, embora ela sentisse por dentro que se seu coração continuasse a bater daquela maneira, teria um infarto.
Ao pisar no primeiro degrau, pôde ouvir a risada de Blaise e logo em seguida, o barulho que indicava que a passagem secreta do Salão Comunal se abrira e voltou a se fechar.
O local ficara tão silencioso que novamente, Astoria pôde voltar a ouvir as batidas aceleradas de seu coração como nunca ouvira antes.
Ela andou lentamente por entre os corredores do dormitório masculino e lembrou-se das várias vezes que Daphne a puxava junto para o dormitório de Blaise e então, facilmente localizou a porta.
Sem relutância, ela abriu a porta lentamente espiando dentro do quarto e sentindo uma fragrância conhecida no ar. Menta.
Astoria adentrou lentamente o quarto, olhando para todas as camas vazias. Nenhum sinal de Draco. Talvez Blaise estivesse tão bêbado que imaginara coisas.
Mas mesmo assim, Astoria continuou parado na porta observando cada detalhe e absorvendo cada vez mais o cheiro de menta que lhe lembrava tão nitidamente a imagem de Draco Malfoy.
- Perdeu alguma coisa? – uma voz soou repentinamente, fazendo-a se sobressaltar e virar-se rapidamente para o lado, de onde a voz fora ouvida.
Ela piscou os olhos apertando com mais força a maçaneta, quando Draco entrou em sua visão. Ele estava sentado em uma poltrona no canto do quarto, que Astoria não reparara. Tinha em suas mãos, o mesmo livro que ela tentara ler há poucos minutos atrás.
- Não... – ela gaguejou, sentindo-se extremamente estúpida – Eu estava apenas...
- Entrando no dormitório masculino para me visitar? – um sorriso de escárnio enfeitava os lábios de Draco, ele fechou o livro levantando-se da poltrona. Astoria se encolheu, dando um passo para fora do quarto – Devo convidá-la á entrar? – seu tom cínico continuava.
Astoria o viu se aproximar e engoliu a seco, dessa vez mantendo-se parada.
- Á que devo a honra de sua visita ao meu humilde dormitório, Greengrass? – murmurou ele desviando-se dela indo em direção á janela.
- Blaise me disse que... Estava resfriado ... – “o que há de errado com você?!” ela gritava para si mesma, perguntando-se aonde estava sua frieza e seu sarcasmo para enfrentar Draco Malfoy.
- É... – ele riu amargamente – Se não se lembra, ontem você me prendeu na chuva narrando o conto de fadas que sua vida era e como se tornou um monstro... – ele bufou – Francamente...
Ela abriu a boca para retrucar, irritando-se com o tom que ele usava para dizer tudo aquilo, machucando-a cada vez mais. Astoria sentia a cicatriz em seu peito ameaçar se abrir novamente. Mas por fim, fechou a boca não encontrando as palavras certas.
A mesma pergunta continuava a gritar de dentro de si, buscando a frieza e a indiferença que ela usaria contra Draco, sem sucesso.
Draco abriu a janela, o vento frio da noite adentrou o quarto, ele apoiou-se no parapeito e suspirou. Astoria deu outro passo para dentro do quarto, fechando a porta atrás de si.
Logo, ela se viu ao lado dele observando o Lado Negro logo abaixo deles.
- Por que não me deixou morrer naquele dia? – ele sussurrou com amargura. Ela o fitou, seus olhos bem abertos mas mesmo assim, inexpressivos – Eu poderia me livrar de tudo isso... Eu poderia tirar toda essa agonia... Morrendo.
- O que você disse não fez sentido algum... – ela balançou a cabeça, o seu famoso sorriso cínico se permitiu aparecer em seus lábios – Morrer para se livrar de uma agonia passageira?
- Essa agonia nunca vai passar – a voz de Draco se embargou, como se estivesse prestes á chorar. Astoria voltou a fitá-lo, para ter certeza disso mas nada era expressado no rosto pálido de Draco, a não ser agonia e sofrimento.
- Como pode ter certeza?
- Por que meus pais estão mortos – falou bruscamente – E eles não irão mais voltar, assim como toda a agonia e o sofrimento nunca irão embora.
As palavras fugiram novamente de Astoria, quando ela queria apenas poder chingá-lo.
- Como pode ser tão fraco? – ela desviou os olhos para a noite. Draco levantou os seus á ela, com arrogância.
- O que...
- Estou dizendo que se fosse realmente forte, agüentaria tudo isso com sua maldita arrogância e frieza. Como eu agüentei! – ela balançou a cabeça novamente – Você é fraco, Draco.
Astoria foi pega de surpresa ao sentir mãos apertarem seus braços e suas costas irem de encontro á parede, mas não demonstrou espanto em seu rosto. Ela o fitou com os olhos semicerrados.
- Repita! – ele exclamou, a fúria envolvia seus olhos, agora, negros como chamas – Repita isso, Greengrass! – cuspiu.
Ela abriu um sorriso cínico, sentindo sua frieza e indiferença voltar aos poucos.
- Você é fraco, Malfoy... – murmurou lentamente, aproximando seu rosto do dele – Uma garotinha indefesa, medrosa, tão fraca que a única saída para ela é o suicídio.
As mãos de Draco intensificaram mais o aperto nos braços de Astoria, mas ela continuou com a indiferença e o sorriso cínico enfeitando seus lábios.
- Como se você nunca houvesse ponderado a idéia de se suicidar também, minha Astoria – falou ele com a voz contida e insana, rindo com escárnio pronunciando o nome dela com nojo.
- E eu nunca pensei, meu querido...
- É mentira – ele a cortou – Eu sei que você já pensou em se suicidar, você nunca foi como é agora. Você já foi a garotinha indefesa e medrosa, se lembra? A garotinha alegre e saltitante, de cabelos negros e olhos igualmente escuros.
A respiração de Astoria pareceu pesar mais que o normal. Ele estava certo, ela já pensara naquela idéia.
- É passado – concluiu por fim – Me solte, agora.
Draco alargou mais o seu sorriso, intensificando seu aperto nos braços de Astoria deixando evidente de que não a soltaria tão cedo.
- O que esconde, minha Astoria? – perguntou ele, o tom de escárnio acentuando-se sempre nas últimas palavras – O que mais esconde? Você realmente é como aparenta?
Ela agora sentia as lágrimas ameaçarem transbordar de seus olhos, sua garganta se fechava aos poucos.
- Ou a garotinha alegre e saltitante ainda está aí dentro? – o sorriso de Draco já não lhe parecia mais hostil. Astoria piscou os olhos, confusa.
- Ela morreu...
- Tem certeza? – insistiu ele.
- O que está insinuando?
- Que se a garotinha de antes realmente houvesse morrido, você não estaria aqui... Você não teria me salvo naquele banheiro e nem mesmo, teria prometido á si mesma que não me deixaria tirar minha própria vida... – ele deitou a cabeça de lado, o sorriso adorável e cínico ainda pairava por seus lábios – Ela morreu mesmo, Astoria?
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