Green

2 Verdes


Notas iniciais
Considero esse capítulo o início de tudo realmente.Tentei expor mais os sentimentos de Taylor e suas primeiras impressões em relação a Sofia.Tenho certeza de que vocês vão gostar! ^^

O carro esperava Taylor do lado de fora da escola.Seu pai colocou-lhe no carro e colocou a cadeira de rodas no porta-malas.Taylor estava radiante.

_Taylor_Chamou o pai, sem obter resposta_Taylor!

_Ahn?Ah, oi pai.

_Já te fiz a mesma pergunta duas vezes e você continua olhando pela janela.

_Ah, desculpa, eu estava distraído.

_Perguntei como foi o primeiro dia de aula.

_Foi ótimo...foi ótimo.

_Você tá tão estranho...tem garota aí no meio, não tem?

_O nome dela é Sofia.

_Sabia!

_Mas não tem importância, ela namora e eu com certeza seria a última opção dela.

_E porque você seria última opção?Com toda essa beleza que, modéstia a parte, veio de família.

Taylor riu.

_Porque ela só é uma das garotas mais lindas do colégio, pai, e claro, o namorado dela anda com as próprias pernas.

_Pode parar, meu filho!Você sabe que isso não pode ser motivo para você esquecer que é adolescente.

_Não precisa fingir que eu posso ter uma vida normal, qual é!Quantos caras virgens de dezenove anos você acha que existem por aí?

_Se ela for a garota certa, vai acontecer.Chegamos, se prepare para as mil e uma perguntas da sua mãe.

Taylor levou a cadeira até a porta e seu pai a abriu para que ele passasse.

_Taylor!Como foi a aula?Já fez amigos?E amigas?

_Foi bom, mãe, foi muito bom_Disse Taylor olhando para o seu pai, que estava com cara de "eu te disse".

_E tem algum lugar com falta de acessibilidade?

_Mãe, foi tudo ótimo, viu?Fica tranquila!Vou subir para o meu quarto.

_Não mesmo!Não antes de almoçar!

_Não, valeu, to sem fome.

_Por favooor, filho!Fiz sua comida predileta!

Esse por favor estendido e aquela expressão de "mãe abandonada" amoleciam sempre o coração de Taylor.

_Tá bem, mãe...

E depois de dar uns pulinhos foi arrumar a mesa.

_Malcolm, querido, pode me passar o sal?

_Aqui_Disse estendendo-lhe o saleiro.

_Filho, você mal tocou na comida!Quer que arrume o adaptador?

_Não, mãe, eu já acabei.

Entrou no elevador e foi para o seu quarto.Seu pai foi logo atrás para colocá-lo na cama.

_Obrigado.

_Nada, qualquer coisa me chama.

Taylor fechou os olhos e pensou em cada traço de Sofia: os olhos verdes, os cabelos loiros, as sobrancelhas arqueadas e o ar de menina moça que ela carregava.

_Sofia...

Não muito longe, Sofia fazia o mesmo, até o celular tocar.

_Alô?

_Oi gata, tô do lado de fora da sua casa, sai daí, vamos dar um perdido nos seus pais.

_Ben, eu tenho que estudar,e...

_Que estudar o quê, gata!Desce daí logo, prometo que é rápido, depois você estuda!

_Ok, ok, me espere aí então, beijo, tchau.

Rapidamente vestiu um vestido solto e sapatilhas.

_Mãe, pai, eu vou dar uma saída a Lindsay e a Tiffany, ok?

_E vocês vão aonde?_Perguntou o pai.

_A gente deve ir na sorveteria, daqui a pouco estou de volta.

_Tudo bem, mas volte antes do jantar!

_Pode deixar, mãe.

Sofia fechou o portão e uma mão cobriu a sua boca, enquanto outra lhe puxava pela cintura.Tentando se soltar, sacudiu pernas e braços e tentou gritar, até que ouviu a risada de Ben.

_Seu idiota!Quer me matar de susto?

_Calma, princesa!Foi só pra esquentar o clima!

_O que você quer?

_Meu irmão viajou.

_E eu com isso?

_Isso significa que eu estou sozinho em casa..._Disse beijando o pescoço de Sofia.

_Eu não...

_Ah, qual é, Sofia?A gente já fez isso antes, pensei que você só ia encanar assim da primeira vez!Não vai ficar de caretice, vai?

_Não...não vou.

_Essa é minha garota!

Sofia subiu na garupa da moto e ambos seguiram para o apartamento imundo, apesar de sofisticado, de Ben.

_A gente...pode ir devagar?

_Claro, gata, você que manda_Disse puxando sua blusa com voracidade e colocando a camisinha.

Começou a passar a barba mal feita pelo seu pescoço, colocou as mãos em suas nádegas e ambos se jogaram no sofá.Ele enfiava as mãos nela antes mesmo que Sofia pudesse tirar completamente as calças.

_Você...você tá me machucando.

Ben parecia um animal durante o sexo, nunca ouvia o que Sofia tinha a dizer ou pedir e fazia questão apenas do próprio orgasmo, fazendo com que ela sempre se arrependesse de ter aceitado.

_Uol!Você sabe mesmo como me dar prazer, Sofia...você é muito gostosa.

_Tire a mão dos meus seios, Ben, eu quero ir embora.

_Mas já?A gente só fez uma vez!

_Você fez uma vez.

_Peraí, eu não to te entendendo, e aquela carinha de quem tava gozando?

_Olha, eu só quero ir pra casa, ok?

_Tudo bem, você que sabe...ah, posso contar com você de novo semana que vem?É a final do jogo de basquete e eu vou estar muito tenso...vou precisar de você pra dar uma relaxada.

Argh!

_Tchau, Ben.

_Eu te levo.

_Não!Eu vou sozinha!

Sofia não sabia porque, mas sempre chorava depois de fazer sexo com Ben.Não sabia o porquê dele ter mudado tanto desde o início do namoro, ou melhor, desde a primeira vez que fizeram sexo.

Eu sou uma vagabunda.

_Tiffy, sou eu.

_Oi, Sofiz!Que voz é essa, tá tudo bem?

_Eu tô indo pra sua casa, você se importa?

_Claro que não!Você tá chorando??

_Quando eu chegar aí te explico,beijo, tchau.

Sofia tocou o interfone.

_Pronto?

_Tiffy, sou eu...

_Tá aberto, pode subir.

_Sofiz, o que aconteceu??_Disse Tiffany correndo para o abraço da amiga.

_O Ben...

_O que ele fez?Senta aqui, vamos conversar.

_Sua mãe tá em casa?

_Não, somos só nós duas, pode falar.

_Eu e o Ben transamos.

_Ué, e daí?Vocês já não transaram antes?

_Eu sei, é que...sei lá, deve ser bobagem minha, eu tô me sentindo tão mal...

_Ô amiga...isso é coisa da sua mãe com aquele fanatismo pela religião.

_Não, é que eu me sinto violada quando nós transamos, ele não me escuta, não me respeita...eu tô toda dolorida, Tiffy

_Dolorida?Ele te machuca?

_E não era pra doer?

_Amiga!!Claro que não!!

_Sei lá, eu só fiz sexo com o Ben até hoje, pensei que doesse porque é muito grande ou algo assim.

_Você sabe quantas meninas naquela escola queriam estar no seu lugar?Você não tem que chorar, tem que morrer de felicidade!O Ben é o astro do basquete da escola, se veste magnificamente bem, é lindo de morrer e...

_E daí, Tiffany?Ele tem sido um babaca sem tamanho!Não viu o que ele fez com o Taylor?

_Que Taylor?

_O cara novo lá da escola.

_Ah, mas vamos combinar...ele não consegue por um jaleco sozinho!É um desperdício, porque ele é lindo, uma beleza até comparável com a do Ben, mas ainda assim... muito esquisito.

_Você fala igualzinho a Lindsay às vezes, Tiffany...

_Não, meu bem!Eu estou sendo realista!O Ben foi um babaca sim, mas eu também fiquei com pena de você.

_Pena de mim?

_É, ter que fazer dupla com esse garoto até o fim do ano.

_Quando eu fazia com o Ben, fazia tudo sozinha, ele nem sequer olhava para a pesquisa.

_Ah, e esse menino olha?

_Ele é inteligentíssimo...e olha, tá na minha hora, minha mãe pediu pra voltar antes do jantar.

_Ok então, miga, você tá bem?

_To sim, Tiffy, obrigada_Agradeceu sem ter certeza pelo quê.

_Qualquer coisa conta comigo, viu?

_Eu sei...

Sofia chegou em casa e tentou passar despercebida pela cozinha, sem sucesso.

_Venha, Sofia, Madeleine já preparou o jantar.

_Mãe, eu não tenho fome...

_Agora, Sofia!

Contrariada, Sofia sentou-se a mesa.

_Bom, vamos fazer a oração, sim?Todos deem as mãos e fechem os olhos.

_Mary, isso é necessário?_Perguntou o pai.

_Ernest!Faça silêncio e agradeça ao senhor conosco!

Depois da comida empurrada, da oração forçada, Sofia estava exausta.Cansada de ser nada mais que uma marionete e então pensou em Taylor, pensou que no dia seguinte o veria e que tudo ficaria bem.

_

_Filho, está na hora!

Taylor abriu os olhos mais do que depressa.Seu pai o colocou na cadeira de rodas e o levou até a suíte, colocou o adaptador em suas mãos, encaixou a escova de dentes elétrica, ajudou em sua higiene pessoal e depois o vestiu.Ele não disse nada durante todo o caminho até a escola, não que fosse de falar muito, mas hoje estava especialmente calado.

Dessa vez ele havia chegado mais cedo e todos ainda estavam no corredor.Enquanto passava, alguns olhavam com ar de reprovação, pena e outros ele não conseguiu decifrar.Rodava por alí em busca de um rosto conhecido, ou de um lugar para se esconder, até ver o rosto dela, colorido, destacando-se na multidão cinza de olhos que julgam.Lá estava ela, coberta de bajuladores e amigas fúteis fazendo com que ela sentisse que seu lugar poderia ser qualquer um a não ser aquele ali.

O sinal tocou, ele observava de longe o semblante perdido de Sofia, como se estivesse procurando alguém, e então torceu para que fosse ele.

_Bom dia a todos.Sou a professora Kimberlly de Arte e gostaria que vocês formassem duplas.

Lindsay agarrou o braço de Sofia, mas ela e Taylor se olharam na mesma hora.

_Você faz comigo, amiga!

_Não, Lindy, acho que hoje vou fazer com outra pessoa.

_Outra pessoa??

Sofia se aproximou de Taylor sem se importar com os olhares incrédulos das amigas.

_É...você já tem uma dupla?

Taylor apenas sorriu e eles se juntaram na última mesa da sala.

_Olha, desculpa mesmo pelo Ben, eu sinto muitíssimo, não sei porque ele tem que ser tão babaca...

_Por que está se desculpando?Ele é seu namorado, não a parte ruim da sua personalidade, até porque...

_Até porque...?

_Até porque eu duvido que ela exista.

_Acredite, ela existe.

_Eu duvido.

_Como pode duvidar?Tem dois dias que você me conhece!

_Acredita que quando algo é tirado de uma pessoa, outra coisa compensa?

_Não entendi...

_Eu não tenho músculos que funcionem direito, mas e se eu dissesse que isso foi compensado na forte intuição que eu tenho sobre as pessoas?

_Acredito que nada tenha sido "tirado" de mim, mas minha insignificante opinião de uma pessoa com músculos normais me diz que você é um cara legal, Taylor.

Ambos riram e pararam no mesmo momento, um olhando o outro por alguns segundos.

_Bom_interrompeu a professora_quero que trabalhem com toda a imaginação possível nessa folha em branco.Poucas pessoas são capazes de retratar a própria alma, e é isso o que eu quero de vocês.Estão se sentindo angustiados?Felizes?Apaixonados?Retratem o que sentem agora.E devem ter observado que dei só uma folha por dupla, quero que façam uma linha em seu centro, coloquem a folha em pé, e cada um represente em seu respectivo lado.Lembrando que vocês não precisam dar um significado ao que fizeram e nem dizer o que retrataram.Podem começar.

Sofia traçou o meio da folha e pegou um lápis roxo.Começou pintando quase toda a folha.

_Quer alguma cor emprestada?

_Não, eu não consigo segurar o lápis e não tenho coordenação motora.

_Como faz para anotar o que é dito em sala?

_Deixo um gravador ligado e estudo pela voz do professor.

_Do professor e de mais todos os idiotas que não ficam quietos um segundo.

_É, tem esse inconveniente.

_A partir de hoje é só me pedir.Tiro xerox do meu caderno para você.Já devia até ter pedido antes.

_Ah não, não quero te deixar com esse compromisso, tá tudo bem.

_Eu insisto.E se teimar eu coloco dentro da sua mochila mesmo assim.

_Sendo assim, obrigado então_Disse rindo.

_E vamos lá, de que cor está sua alma agora?

E então ele olhou bem no fundo de seus olhos e respondeu:

_Verde.

Ela pegou sua mão esquerda, a que tinha um pouco mais de movimento, e colocou o lápis verde.

_Não adianta, eu não consigo segurá-lo.

_Mas eu consigo.

E guiando sua mão traçou tudo o que ele descreveu.Taylor só conseguia olhar para ela.

_Essa foi a coisa mais linda que já fizeram por mim.

_Não, com as minhas mãozinhas de "fada" tenho certeza de que qualquer um faria melhor_Disse torcendo para que não notasse que ela corou.

Ele não foi capaz de dizer mais nada por alguns minutos, até que ela quebrou o silêncio.

_Você disse que foi compensado na intuição, o que pensa que minha alma diz?

Taylor olhou para a folha e viu um pontinho verde claro em meio a uma imensidão preta e roxa.

_Minha intuição é boa para rostos, ainda falta mestrado e doutorado até conseguir ser um bom desvendador de almas, não vou arriscar.E o que acha da minha?

Ela analisou o verde começava do claro para o mais escuro.

_Acho que você gosta muito de verde,não arrisco nada além disso.

_Pode ser_Ele disse com meio sorriso no rosto.

E então o sinal para o intervalo tocou e eles mal o ouviram.Só depois de quase todos saírem da sala, resolveram tomar a mesma iniciativa.Quando se aproximavam da porta Lindsay a puxou pelo braço, deixando Taylor para trás.

_Sofiiiiiz!Você tá ficando maluca?Quer acabar com a sua reputação?

_Acabar com a minha reputação?

_Amiga, para!Sei que você gosta de fazer amizade com todos, de ser simpática, mas isso já está passando dos limites!Vai que ele entende errado e se apaixona por você?

_Acha que ele pode se apaixonar por mim?_Foi a única coisa que ela ouviu.

_Claro, amiga!Quem não se apaixona por você, aliás, por nós?Hello!

E Sofia só pensava no momento em que suas mãos estavam em cima da dele.

_Sofia?Você tá bem?

_Oi?

_Eu to falando com você!Não ouviu nada do que eu disse?

_Ai meu Deus...ela gosta dele!_Disse Tiffany, fazendo Sofia perceber que nem havia notado sua chegada.

_Eu...eu não gosto dele!A gente se conhece há dois dias!

_Você fica abobada perto dele, Sofiz!Tá todo mundo comentando!Que história foi aquela de segurar a mão dele uma aula inteira?

_Cara, você viu os dedos dele?

_CHEGA!_Gritou Sofia atraindo todas as atenções para ela.

_Sofiz...o que foi?Você nunca gritou assim!

Então, sem dar nenhuma explicação foi até a mesa de Taylor, que viu tudo de longe, beijou seu rosto e se sentou ao seu lado.Nem todas as reações foram ruins, os professores e mesmo alguns alunos os olhavam com ternura.Ben não tinha aparecido na escola, o que não era novidade, então além da fofoca que já rolava, nada demais aconteceu.Lindsay e Tiffany olharam chocadas.

_O quê...por que fez isso?

_Porque minhas amigas são umas imbecis.

_Mas isso pode realmente acabar com a sua reputação aqui... a gente pode conversar só durante as aulas, eu não me importo!

_Eu quero que a reputação se foda!

_Você é demais, sabia?

_Eu sei!_Disse forçando uma expressão superior.

Ambos riram.

_Posso te perguntar uma coisa?

_Claro!

_Como você faz para...comer, se vestir, coisas assim?

_Não vou ser hipócrita e dizer que sou independente e me viro sozinho, porque não sou, mas tem o adaptador que me ajuda em muitas coisas, tipo:escovar os dentes, comer,usar o computador...

_Adaptador?

_Sim, é um negócio de metal que envolve o talher, ou seja lá o que eu queria segurar e o prende na minha mão.

_E no computador?

_É quase a mesma coisa, só que tem duas partes pontiagudas parecidas com canetas que me permitem apertar uma tecla só.

_E porque não tenta isso com os lápis?

_Eu já tentei, mas com a musculatura de todas as articulações afetadas eu não tenho os movimentos mais finos, como o de traçar letras.O adaptador facilita para que eu segure as coisas com firmeza, mas não me ajuda muito na movimentação.E claro, agora já tenho minha adaptadora oficial.

Sofia corou.

_Quer tomar um sorvete comigo depois da aula?Tô chamando porque sei que você nunca ia chamar.

_Eu...

_Você...?

_Eu não tô com o adaptador aqui, eu...ia fazer maior sujeira, nunca tento sem o adap...

E então sofia colocou o indicador de leve em seus lábios para que ele parasse de falar.

_A gente pode pedir um milk shake gigante e dividir, o que você acha?Sabe, com canudo...

Sofia não conseguiu decifrar a mensagem nos olhos de Taylor.Talvez fosse incredulidade, receio, ou talvez nem ele soubesse.

_Vamos, é claro que vamos!

E então um sorriso branco e sincero brotou nos lábios dele, talvez tenha sido o mais largo que Sofia havia visto até então.

Tocou o sinal da última aula e os dois se olharam até o último minuto, se pedissem para que ambos fizessem um resumo de tudo o que foi dito pelos professores não sairia uma vírgula sequer.

Verde no azul, azul no verde, a melhor mistura para Sofia e Taylor.

Dessa vez ela foi mais rápida que nunca para juntar o material.

_Vamos?

_Vamos!

E ambos seguiram para a sorveteria que ficava há apenas meio quilômetro da escola.

_Boa tarde, posso anotar o pedido?

_Você tem algum milk shake verde, por acaso?

_Ahn...temos o de pistache e kiwi.

_Traz um de pistache gigante pra combinar com a alma do meu amigo, dois canudos.

O garçom pareceu completamente confuso e os dois caíram na gargalhada.

_Sabe uma coisa que eu gosto em você?_Começou Taylor.

_Hmm, o que?

_Gosto do jeito que você anda do meu lado e não empurrando a cadeira.Ah, e acho bem legal você ter menos de um metro e meio, assim não me sinto tão baixinho.

_Ei!Eu tenho um e cinquenta e dois de altura!

_Nossa, desculpa, jogadora de basquete!

Ela riu por um momento e quando parou mostrou um semblante sério.

_O que foi?Falei algo que não devia?

_Não!Não...eu só...já ficou rodeado de pessoas e mesmo assim se sentiu sozinho?_Disse com os olhos marejados.

_Sou expert nessa sensação.

Ela apenas deu um sorriso quase imperceptível enquanto duas lágrimas rolaram pelo seu rosto.

_Ei, você não está sozinha_Ele disse debruçando na mesa para chegar mais perto dela.

_Eu só tenho certeza disso quando estou com você, o que é louco, porque nós nos conhecemos há dois dias e...

_Pega minha mão_Ele disse estendendo-a na mesa, e ela a agarrou com força_Você é uma garota incrível.O que você fez na frente dos seus amigos, você...você não tem vergonha de estar aqui, comigo, não tem vergonha de dizer o que quer.E se está assim por causa de suas amigas, não fique!Elas não são suas amigas se não respeitam suas escolhas.

_Não é só por causa delas, Tay, é também por causa do Ben, por causa dos meus pais que nem se olham, nem se tocam e só lembram de vez em quando da minha existência, é por causa do futuro profissional que eu sou obrigada a seguir, por tudo!

_Eu sinto como se te conhecesse há muito tempo, Sofia...pode contar comigo, sempre.

Taylor olhou para o seu rosto e com as costas da mão com mais mobilidade, enxugou as lágrimas que insistiam em cair.

_Com licença, o milk shake.

_Obrigada/Obrigado.

Sofia tirou os canudos do plástico e colocou-os no milk shake.

_Uau, isso parece um balde.

Ela assentiu sorrindo.

_O seu cabelo, está entrando no olho_Ela disse afastando as mechas do seu cabelo da testa.

_Obrigado_Ele disse num sussurro.

Ela continuou alisando seus fios lisos e escuros.

_Você acreditaria se eu te dissesse que não mudaria nada em você?_Ela disse.

_Hmm, não...

_Tá me chamando de mentirosa?_Ela fingiu um tom zangado e ele sorriu_porque é a mais pura verdade.

_Eu poderia dizer o mesmo, mas acredito que ninguém mudaria nada em você.

_Então porque estão o tempo todo querendo me moldar, me dizer o que fazer ou deixar de fazer?

_Porque a perfeição incomoda.

_Eu não sou perfeita, Tay...posso te chamar assim?

_Gosto que me chame assim.

_Ótimo.Então, Tay, eu queria saber mais sobre você

_Sobre mim?Ahn...mas não tem muito pra falar de mim.

_Então quero ouvir o pouco que tem.

_Bom, passo a maior parte do tempo lendo, sou apaixonado por Stephen King, gosto de Folk, teatro, de vez em quando pinto algumas telas...

_Pinta?

_Dou graças a Deus pela minha boca não ser paralisada também.

_É sério?Você coloca o pincel na boca e pinta?Isso é incrível!E o que você pinta?

_Gosto muito de desenhar olhos, bocas, animais, pinturas surrealistas...nunca pintei um rosto inteiro.

_E por que não?

_Não acredito que eu seja capaz de capturar a essência de alguém, não é tão simples...

_Queria ver algumas de suas pinturas...o que mais você faz no seu tempo livre?

_Fico olhando através da luneta.Ela é minha melhor amiga quando fica insuportável.

_Quando o quê fica insuportável?

_Viver, eu acho.

_Você não parece fazer o tipo depressivo.

_E não sou, acredite!Acho que não existe nada mais lindo que a vida, mas eu fraquejo.E tem noites que todos os músculos do meu corpo doem, é uma dor insuportável, então peço para que o meu pai me coloque na cadeira e eu fico na janela olhando as estrelas e contando números primos.

_Números primos?

_É_Ele riu_é uma técnica minha pra esquecer da dor.

_Imagino que funcione...

_Não, nunca funciona, mas eu prefiro fingir que sim.

Terminaram o milk shake com mais algumas doses de risadas e desabafos, olhares e suspiros.A vida jamais havia sido tão doce para nenhum dos dois.