Greco-romana: O Segundo Lado

12 Sem sinal para ser julgada


Notas iniciais
Galera, a música que o Tresh canta quando está com a Romana é do Ed Sheeran, mas eu vou passar para vocês a versão da Birdy. O link está aqui em baixo. Espero que gostem do cap.

Lonk da música: http://letras.mus.br/birdy/1848196/#traducao

Acordei com Lottie me chamando.

-Romana, acorde. O pessoal daqui a pouco vai acordar de uma vez e você fica sem usar o banheiro. – A voz dela era de sono.

Havia esquecido que a cama era beliche e que estava dormindo em cima. Fui colocar o pé no chão e acabei me desequilibrando e caindo no chão.

-Droga! – Não me machuquei, mas a pequena queda doeu um pouco.

A coorte ainda estava com a janela fechada, então estava escuro. Peguei minha bolsa que estava em baixo da cama e fui para a porta do banheiro. Passei por uma cama e bati meu dedinho.

-Ahh! Mas que droga!

Continuei andando bati o osso do quadril em uma das camas. Essa foi a que mais doeu.

-Espero que isso não seja sinal de um dia ruim.

O quarto ficou mas claro, e quando vi Louis tinha aberto ela.

-Bom dia!

-Bom dia Lou!

Lottie estava usando o banheiro, na fila tinha três campistas na minha frente. Sentei na fila e fiquei esperando. Após ter feito tudo o que era necessário guardei minha bolsa e sai lá fora. Jay estava me esperando.

-Bom dia!

-Bom dia! Eu apanhei de objetos, aquelas coisas não tem vida, e eu perdi para elas. Vergonhoso, Jay.

-Imagino.

-Dormiu bem?

-Sim, e você?

-Sim, e sem sonhos. Cadê Tresh?

-Ele foi o último da fila do banheiro. Ele falou para esperarmos ele na porta da quinta coorte.

Chegamos na quinta coorte e alguns campistas estavam saindo. Minutos depois Tresh saiu com o rosto inchado e coçando o olho.

-Oi, galera. Bom dia! – Ele bocejou. Tresh me deu um beijo e pegou na minha mão.

-Você está com voz e cara de sono. Não dormiu bem?

-Não. Tive um sonho, e foi com você.

Fizemos silêncio. Olhei para Tresh, Tresh olhou para mim. Olhei nervosamente para Jay que nos fitou.

-E...? – Falei.

-E que o que eu vi foi torturante. – Ele olhou para trás. – Não sei se é passado ou futuro. Me assustei.

-A gente vai conversar sobre isso. – Falei.

-Vamos mesmo. Isso me assustou. – Ele me abraçou. Dava para ver no rosto de Tresh que ele estava preocupado. Como é típico dele, logo mudou de assunto dele para não me deixar preocupada.

Depois do café da manhã Lottie disse que as coortes seriam divididas para fazer algumas tarefas e treinamentos.

Nossa coorte ficou no primeiro turno vigiando as fronteiras mágicas. A coorte de Tresh fez algumas tarefas em Nova Roma. A coorte de Jay estava treinando com espadas.

-E ai, cara! – Craig cumprimentou Jay.

-E ai. – Jay balançou a cabeça. Era um dos momentos em que ele agia como homem.

-Você é amigo da Romana, certo?

-É.

-Vamos lutar?

-Tudo bem.

Craig queria testar Jay. Ele sempre fazia isso. Craig é o tipo de pessoa que fala com a outra pela capacidade de luta dela. Era como se fosse um teste de amizade. Jay se saiu bem na luta e ele aceitou isso bem.

-Você é bom. – Craig disse.

-Obrigada. Fui bem treinado, só isso.

-Sou Craig.

-Jay.

-Ai, vamos dar uma olhadas nas meninas?

-Você ainda diz que quer voltar o namoro com Romana dizendo essas coisas?

-Qual é? É legal ver elas lutando.

-Não sou do tipo que gosta.

-De ver elas lutando?

-Não. Eu sou comprometido.

-Ela é brava?

-Ela? Está brincando comigo? É ele.

-Você é...

-Gay? Aham. Eu sou a garota dele e ele meu garoto.

-Eu não sabia que eles aceitavam tão bem lá no seu acampamento...

-Aceitar bem? O que quer dizer com isso? Acha que aqui não tem gays? Meu bem, pelas minhas contas quatro gostam de meninos. Se toque.

-Quem?

-Sem nomes, e nem os conheço. Com licença. — E Jay saiu de perto de Craig.

Depois desse horário a coorte de Jay teve que ficar de vigia nas fronteiras. A primeira e a quinta coorte estavam em horários livres. Sentamos afastado das atividades do campo Marte.

Eu e Tresh estávamos sentados um de frente para o outro. Ele estava quieto e me olhava atentamente.

-Quer falar sobre o seu sonho? – Perguntei.

-Por favor, vamos.

-Ótimo. Me conte o que viu.

-Ta. No começo nós estávamos de mão dada aqui no acampamento, mas a imagem logo mudou. Vi você em cima de alguém. Você estava com muita raiva e estava batendo com toda a força na pessoa. Depois vi você com sua Adaga e um menino na sua frente, estavam perto dos estábulos. A ultima coisa que vi era você em uma estrada.

O olhar de Tresh parecia estar vago.

-É o seu passado, não é?

-É. Me desculpe, a culpa não foi minha ter visto aquilo.

-Sei que não, acontece. Está tudo bem, de verdade. Romana, fiquei com medo de perder você.

-Ei, já disse que isso não vai acontecer. – Segurei o queixo dele.

-Eu sei. Mas aquela imagem me deixou assustado. Quando vai nos contar?

-Em breve, eu acho.

Tresh se mudou para ficar ao meu lado, me envolveu em seus braços como se não fosse me soltar por nada. Ele estava cantando algo.

- Come on skinny love just last the year Pour a little salt we were never here My, my, my, my, my, my, my, my Staring at the sink of blood and crushed veneer (Vamos frágil amor, apenas dure o ano Coloque um pouco de sal, nós nunca estivemos aqui Meu, meu, meu, meu, meu, meu Encarando a poça de sangue e aparência esmigalhada) – Nunca tinha ouvido Tresh cantar, mas sua voz era suave.

-De onde veio a música?

-Um cantor britânico. Chama Skinny Love. Você é meu frágil amor, Romana. Quero que dure o ano, não só esse ano. Nunca estivemos juntos aqui nesse acampamento. Minha, minha, minha, minha, minha, minha. Encaramos muitas poças de sangue.

-É triste.

-É sim. Lembro de você em algumas partes da música.

-Isso é bom?

-Em partes. And I told you to be patient And I told you to be fine And I told you to be balanced And I told you to be kind In the morning i'll be with you But it will be a different "kind" 'Cause I'll be holding all the tickets And you'll be owning all the fines ( Eu te disse para ser paciente Eu te disse para ficar bem Eu te disse para ser equilibrado Eu te disse para ser gentil De manhã estarei com você Mas será de um jeito diferente Porque eu estarei segurando todas as multas E você estará assumindo todas as contas).

-Irei assumir todas as contas, Tresh. Mas não vou te deixar segurar as multas.

- Come on skinny love... (Vamos frágil amor).

-Acha que sou frágil?

-De jeito nenhum. – Tresh riu. – Não vou cantar o resto. Isso me deixaria atordoado. As partes da música diz sobre ir devagar na separação. Não quero pensar nisso.

-Que bom. – Eu ri.

Depois dele ter cantado Skkiny Love tivemos uma conversa bem legal. Eram sobre nós e sobre partes de nossas vidas. Era bom conversar com Tresh, além de ser meu namorado ele era meu amigo. E sabia que eu era isso dele também. Em meios aos beijos sempre sorridente esqueci por um momento de tudo que vim fazer no acampamento Júpiter.

O terceiro horário minha coorte teve que cuidar dos animais. Não foi também não foi tão ruim. O dia foi bem cheio e tivemos bastantes atividades para fazer. Não tivemos muito tempo para batermos papos. Ficamos um pouco distante naquela tarde.

Não havia nenhum sinal de Octavian querer falar comigo novamente. Também não teve sinal da Reyna me chamando para conversar. A demora para ter o tal julgamento me preocupava.

Dois dias se passaram e nós estávamos envolvidos em todas as atividades e as levando muito a sério. Nesses dois dias nos vimos bem pouco. Reparei que Jay estava se sentindo sozinho, e no terceiro dia o chamei para conversar comigo. Era de tarde.

-Ta se sentindo sozinho, não é?

-Sim. As pessoas da quarta coorte são legais, mas nada substitui vocês dois.

-Que bom você dizer isso. Está melhor da saudade?

-Não. Eu estou com muita saudades dele. Romana, aqui é moda o pessoal usar o lençol da cama deles como túnica?

-Sim. – Eu ri. – Embora não seja um lençol.

-Parece. Eu estava lembrando de quando eu te beijei. – Ele começou a rir.

-Achava que íamos namorar. Eu sabia que nunca ia ter chance com você. Loiro, alto e bonitão. Ta longe...

-Longe? Alto, moreno, e bonitão. – Ele se referiu ao Tresh — Longe do que? E você sabe que se eu gostasse de meninas e se eu gostasse de você pelo outro lado iríamos namorar.

-É. Jay, você é meu amigo, posso te falar uma coisa?

-Pode e deve.

-Jay... Sei que me apaixonei pelo Tresh gordo, sei que ele sempre correspondeu, mas não sei porque depois dele ficar um bonitão ele ficou comigo. Sabe, entre vocês dois eu sou a única sem graça. Não me acho bonita, me acho chata, e a maioria das vezes eu quero bater em alguém.

-Acha que Tresh está com você porque ele se sente obrigado?

-Não, sei que ele gosta de mim. Mas antes achava. Me sinto com uma enorme responsabilidade.

-Se você se preocupar vai ficar louca. Sabe que Tresh gosta de você. “Jay eu estou bonito hoje? Acha que ela vai gostar de mim com essa roupa?” – Ele fez imitando a voz de Tresh não muito bem.

-Ele se preocupa com isso?

-Sim. E eu sempre digo: “Querido, eu te pegaria se eu não namorasse, e se também você não fosse o garoto da minha amiga”.

-Fred tem sorte.

-Eu sei que isso é extremamente gay, mas eu me imagino com túnica grega, com um louro atrás da orelha e uma coroa de flor, em cima de um cavalo branco, e Fred. Sim, ele me esperando em algum lugar.

-E dizendo: “Sunshine”. – Eu estava rindo.

-Não, eu sou princesa, meu bem.

-Às vezes tão macho, às vezes tão gay.

-Romana, você é a melhor. Eu tive sorte de ter uma amiga como você!

-E você é meu homem preferido, embora se comporte como uma moça.

-Lembra que eu disse que me casaria com você só para te ver feliz?

-Lembro.

-Ainda é verdade. Se nós dois nos dermos mal no amor, somos saída um do outro.

-Com certeza! – Eu e Jay estávamos abraçados e rindo. Ele parecia bem melhor.

Tresh estava vindo com as mãos para trás.

-Que bom que você é gay. – Ele disse.

-E ai bonitão!

-Jay, para de me chamar assim. Romana, olha ele...

-Mas você é bonitão! – Falei.

-Mas ele está me assediando! – Tresh e Jay eram mais próximos do que antes, então eles criaram a intimidade de ficarem brincando assim. Mas Tresh me dizia algumas vezes que tinha medo que Jay o agarrasse, mesmo sabendo que ele não faria isso. – Trouxe isso para você.

Ele tirou as mãos de trás das costas revelando uma margarida.

-Tresh, é linda! Obrigada! – Me levantei e fui o abraçar.

-Legal não é? Eu achei legal te dar.

-Eu gostei.

Depois de passar à tarde com Jay e fim de tarde com os meninos reunidos, e isso incluía Brayan, fomos jantar. Depois da tradicional dispersão após a janta fizemos o de sempre. Levamos Jay à quarta coorte e depois eu ia com Tresh até a quinta.

-Boa noite, Tresh! – Fui dar um beijo. Mas ele recuou e deu um sorriso ligeiro.

-O que foi?

-Shiu. – Ele me deu selinho. – Vem aqui.

Tresh me pegou pelo braço e me levou para trás da quinta coorte.

-O que você está aprontando?

-Romana, eu estou sentindo sua falta. Três dias distantes só com um beijinhos. Temos que passar um tempo junto.

-Mas na hora de dormir?

Tresh colocou a mão em minha cintura e a outra mão segurou meu rosto.

-Você quem sabe... – Ele segurou meu lábio entre os dentes sem machucar.

-Mudei de ideia. – Deixei que Tresh me conduzisse ao beijo.

Ele me colocou encostada na parede e me beijava com a sua clássica delicadeza, porém dessa vez as mãos de Tresh não ficaram em minhas costas. Ele as escorregou para meu quadril. De certa forma isso fez nosso beijo acelerar. Tresh me trouxe para mais perto dele e queríamos estar mais perto um do outro.

Suas mãos saíram de meus quadris, ele me encurralou na parede com suas mãos em baixo de meus braços. Ele segurava a parede, e parecia bem agitado pela forma que me beijava. Tresh deu um paço à frente me deixando literalmente contra a parede. Eu levantei meus pés para poder ficar a sua altura. E mais um passo dele, até que os botões de minha bermuda bateram nos botões de sua calça fazendo um barulho. Era o mais perto que eu e ele havíamos chegado um perto do outro. A ponto de nossos botões se tocarem.

Nós dois recuamos.

-Me desc...

-Sem desculpas. Está tudo bem. – Eu estava rindo.

-Porque está rindo?

-Foi engraçado! Estou nervosa. E foi engraçado.

-Foi, eu confesso. E quente.

-Sim.

Tresh voltou a me beijar, mas com a mesma calma de antes.

-Achei! – Era Lottie. Paramos de nos beijar. – Desculpe atrapalhar. Romana, temos que ir dormir, você sabe.

-É. – Falei.

-O que é uma pena. – Tresh disse me dando um beijo no rosto. – Até amanhã.

-Até.

Sai dali com Lottie.

-O clima ali, como estava?

-Esquentou... Falamos sobre isso outra hora. – Não quis falar nada. Só pensar o quão agitada estava por passar aquilo com Tresh.

Uma hora ou outra isso ia acontecer. Somos um casal e isso é normal. Aquilo chegou a ser um amasso? Não sei. Fui dormir com o barulho de nossos botões se batendo.