Greco-romana: O Segundo Lado
29 Reencontro
Notas iniciais
Quatro anos depois.
Meia noite, em Vegas. Descendo as escadas do hotel e cassino. Um movimento enorme ali naquela hora. A cidade do pecado estava fervendo.
Cabelos soltos, delineador e rimel preto. Batom vermelho. Salto alto pink. Vestido dourado de franja. Sensualidade exalando. Uma vadia.
Sento-me na mesa.
-Alguma coisa, senhorita?
-Whisky. – Coloco minha pequena bolsa em cima da mesa. – Por favor, o mais forte, e o melhor da casa.
-Tudo bem. – O garçom se retira com um olhar de desdém para mim.
Mordo os lábios. Ele pisca para mim.
-Ora, Ora, Ora! Eu peço uma prostituta e me mandam uma deusa especialmente do Moulin Rouge? – Um homem loiro, forte, aparência linda. Camisa roxa e calça preta.
-Cale a boa. Viemos a negócio, certo? – Falei.
-Viemos. Quanto você cobra?
-Trinta dracmas.
-Justo. Você está extremamente gostosa. Quer algo para beber?
-Pedi Whisky.
-Certo, eu vou de espumante. – Ele chama o mesmo garçom, que traz meu whisky e pede um espumante. – Voltou quando?
-Não é da sua conta. Vim aqui apenas fazer programa para você, não dialogue comigo.
-Saiba que agora sou masoquista.
-Vou adorar te bater, Octavian.
Ele sorriu. Não era mais o sorriso maníaco. Era um sorriso sexy.
-Que bom que a puberdade te afetou. – Dei um gole.
-O mesmo com você. Vocês está tão...atrativa sexualmente.
Outro homem se aproximava. Era maior que Octavian e estava de terno.
-Você por aqui? – Ele não parecia surpreso.
-Disse que viria. – Me levantei e o abracei.
-Se quiser fazer contato com ela, pague. Ela é exclusivamente minha essa noite. – Octavian disse.
-Cale a boca. Vim a trabalho, também. – O homem disse.
-Você não é um prostituto, é? – Perguntei.
-Não. Vim pelo boato da criança de Zeus. Os romanos também estão de olho nela, afinal, ela está perto de seus domínios.
-Certo. Não siga o meu caminho.
Brayan sorriu. Os cabelos enrolados estavam lindos curto.
-Boa sorte. – Ele me abraçou, me deu um beijo e passou a mão nos meus cabelos. – A gente se tromba.
-Com certeza. – Sorri. E vi-lo sair.
-Sente-se de novo. – Ele estava com o espumante na mão.
-Você pode estar super lindo, mas ainda é insuportável. – Bebi meu whisky.
-Vai mudar de ideia quando subirmos.
-Espero que sim. – Mordi os lábios novamente.
-Hora de subir. – Ele virou a taça de uma vez.
Eu me levantei.
-Vou chamar os seguranças.
-Sei me cuidar, Octavian. Não se esqueça de quem eu fui.
Ele revirou os olhos. Fui bebendo meu whisky até meu quarto.
Cheguei lá correndo. Apressada.
-Harry, sai de cima da cama!
-Porque?
O certo Harry estava sentado na cama comendo pipoca.
-Harry sai logo!
-Quem está vindo? O cliente?
-É!
-A, deuses. Estou indo.
Ele saiu correndo para o outro quarto.
-Harry, suas calças!
-Desculpe! – Ele a pegou. – Ele me deu um beijo no rosto. – Cuidado, Romana!
-Ta.
Escuto o toque na porta. Vou abri-la.
-Vamos começar logo com isso! – Fechei a porta.
Tirei meu salto e me pendurei em seu pescoço.
-Eu sabia que todas que um dia me desprezaram um dia ficaria louca por mim.
-Estou sendo paga por isso, benzinho. Cadê o pagamento?
-Já está na conta do quarto.
Desci as mãos para o botão de sua calça. Beijei o pescoço dele. O jogo em cima da cama. Subo em cima dele.
-Tira a camisa. – Falei.
-Já? E as pré eliminares?
-Tira a camisa!
-Ta, estou tirando.
Quando ele tirou fiquei cara a cara com ele. Eu beijei Octavian. Segurei em seus cabelos e nos beijamos rapidamente.
-Ahhhhhhh! Me bate, vádia! – Ele gritou.
-Claro. – Sorri.
Dei um tapa. Ele grita de excitação. Bato de novo e ele pede mais. Dei um soco em seu nariz.
-Ai, você apelou!
-Cale a boca! – Gritei.
-Adoro mulheres que bancam a mandona na cama.
-Não mando só na cama! Me fale, o que sabe sobre a criança de Zeus? – Segurei o cabelo dele.
-O que?
-A criança de Zeus! Me fale sobre ela!
-Você também quer ela?
-Porque acha que estou vestida assim?
-Porque você é uma prostituta de Vegas? Puta, que tal uma vagabunda de luxo?
-Otário. Isso é um disfarce.
-Mas e o serviço?
-Vai ficar sem, e eu com dracmas.
-Vadia! – Ele tentou sair, mas eu mantive o controle.
-Me fale da criança!
-Porque todo mundo quer ela? Eu não sei dela, e nem quero saber. Sou romano, dane-se uma cria grega!
Um trovão sacudiu o prédio.
-Me fale. – Tirei minha clássica Adaga que estava em minha perna.
-Não vou falar para você!
-Você vai! – Coloquei-a em seu pescoço.
-Ta. Ela foi vista aqui.
-Eu sei! Me fale o que sabe.
-Ele está fugindo, não sei muito. São boatos do acampamento Júpiter.
Escuta- se uma explosão lá de fora.
-O que foi isso? – Octavian se perguntou.
-É o meu pagamento! – Larguei Octavian.
-Harry!
-Eu ouvi. – Ele estava comendo camarão. – Vamos.
-Você estava com um homem?
-Artigo de luxo. – Eu ri. Harry deu um tapa em minha bunda e fomos correndo para fora.
No fim do corredor havia fumaça. Assim que viramos havia uma criança encurralada.
-Achei você! Como se chama? – O levantei e coloquei-o na parede.
-Me largue!
-Como você chama?
O ameacei com a Adaga.
-Charles. Não me mata!
-Porque está fugindo filho de Zeus?
-O que ?
-Você, filho de Zeus!
-Mais um com essa história?
-Como é, pirralho?
-Acham que eu sou filho de Zeus? Meu pai é Hefesto! Aqui não tem um filho de Zeus.
-Não?
-Não!
-Mas e os raios?
-Eu não sei! Devem ser porque usam o nome dele em vão, e por isso os raios.
-Quer dizer que não tem cria do senhor dos céus?
-Aqui? Nem pensar.
-E porque está fugindo?
-Porque minha mãe quer me mandar para um acampamento.
-Garoto, vá para lá. É o que se faz. E suma daqui, você vai atrair monstros. – Falei o soltando.
-Ta. E você é uma gata!
-Me poupe! – Me virei e Harry estava comento outro saco de pipoca.
-Foi em vão?
-Harry, comendo de novo? A onde quer parar?
-To com fome! – Ele cuspiu pipoca.
-Vamos voltar.
Estávamos passando pelo na volta para irmos ao nosso quarto. Eu estava descalço e havia guardado minha Adaga.
-Octavian deve ter saído correndo. – Harry riu.
-Deveria ter trancado ele lá dentro. Essa é boa, achar que sou puta.
-Você estava parecendo.
-Eu sei.
Enquanto passamos dois garotos de programas passaram por nós, algo me chamou atenção.
Um era alto e tinha cabelo castanho. O outro um pouco menos e loiro. Ambos de roupas sensuais. Uma calça social, uma gravata borboleta no pescoço, sem camisa e descalço.
-O barulho veio de lá. –O loiro falou.
Eles olharam para mim, mas nada aconteceu.
Uma semana depois, em Nova York.
A cidade que nunca dorme estava frenética, como sempre.
Estava em um bar luxuoso. Com shorts curto, camiseta polo, all star verde e relógio de ouro. Sentada na mesa da calçada esperando Harry. Entrei lá dentro para escolher minha bebida.
-Eu quero um drink. – Espero alguns segundos e o garçom coloca para mim no balcão.
Estava indo lá para fora. Mas eu vi duas pessoas que me chamaram muita atenção.
-Perdão, já não nos vimos antes? – Falei para eles.
Eles me olharam.
-Você também me lembra alguém. – Um deles disse.
-Certo.
Por alguma razão sai andando e voltei para minha mesa.
Eu continuei os fitando. Eles viravam direto para olhar para mim. Liguei os pontos. Eles também.
Foi questão de segundos para os dois se levantarem e eu fazer o mesmo.
-Me digam que vocês são quem eu acho que é! – Falei.
-Me diga você se é quem eu quero. – Um deles falou.
-Eu sou Romana. – Falei.
-Deuses, é ela! – O que disse abriu o sorriso. O outro sorriu junto.
-Eu não acredito! – E eu estava jogado nos braços do homem loiro. Jay Wallace. Meu antigo amigo.
-Faz muito tempo! Eu... minha nossa! Você está linda!
-Obrigada, Jay! Mas olha você! Olha que loiro maravilhoso você continua sendo! – Meus olhos estavam cheios de lágrimas.
Nós nos soltamos e agora eu estava encantada com o outro homem. Ele sorria muito, e era um sorriso lindo e bobo.
-Tresh...?
-Eu senti sua falta! – Ele me abraçou tão forte que fiquei sem ar, mas eu resisti, porque o abraço de Tresh me lembrou de todas as coisas boas que passamos antes.
Ambos mudaram, ficaram mais alto. Mas tinha algo diferente no rosto, algo que não reconheci. Mas olhando bem dava para saber que era eles.
-Eu também senti sua falta! – Disse em meio ao abraço. – Sentem-se comigo. Vamos.
Eles me acompanharam até a minha mesa.
-O que te trás a Nova York? – Jay perguntou.
-Trabalho. Fui convocada pelos semideuses da Irlanda para investigar um caso aqui. Ouviram falar da criança de Zeus? – Falei.
-Em Vegas?
Confirmei.
-Nós estávamos no caso. – Ele se referiu a ele e Tresh.
-Sério? Estavam de disfarce?
-Adivinha? – Tresh disse. – Éramos garotos de programa.
-Eu também era. Acabei trombando com meu irmão. Ele estava na missão também. Octavian também estava lá, mas duvido que ele estivesse atrás da criança.
-É, vimos ele saindo de um quarto correndo furioso.
-Quando?
-Semana passada, quinta.
-Eu estava lá! Ele estava saindo do meu quarto! Eu peguei ele. No caso, ele me pagou achando que eu fosse uma prostituta, acabei rendendo ele.
-Você viu o quão gato Octavian está?
-Vi. Até provei. Fazia parte do trabalho. – Justifiquei.
-Espera, você era aquela prostituta de vestido de franja dourado? – Jay disse. – Confirmei.
-Você estava, tão... Ual! – Tresh riu.
-Obrigada.
Eles riram.
Falamos sobre essa missão alguns minutos, até meu celular tocar. Sim, celular.
Fora criado um chip desenvolvido especialmente para semideuses, ante-monstros, e realmente foi útil.
-Um minuto, meninos. – Atendi. — O que Harry? Eu estou onde combinamos! Eu já estou te esperando, o atrasado aqui é você. Harry, é a terceira a direita. Ok, eu não vou sair daqui! – Desliguei. – E como vai à vida amorosa de vocês?
- Ainda estou com Fred. – Jay riu.
-Sério?
-Sim! Nós meio que tivemos uns desentendimentos no passado, mas depois que reconciliamos estamos firme e forte.
Tresh estava olhando Jay, parecia desanimado.
-O que foi Tresh? – Perguntei.
-Tresh terminou um namoro de dois anos a uns dois meses.
-Jay, não era para falar.
-Por quê? – Falamos em uníssono.
-É por que... – Tresh gaguejou.
-Tresh teve alguns transtornos depois que você se mudou, ele realmente ficou mal. – Tresh ainda não falava. – Ele demorou dois anos para achar uma garota. Quando achou, ficou um bom tempo, ai largaram.
-Foi à primeira namorada depois de mim? – Perguntei.
-É... Não vamos falar sobre isso. E você?
-Achei você! – Harry disse. – Poderia ter dito que estacionou quatro quarteirões para baixo!
Que bom que Harry havia chego. Eu não queria dizer que depois de Tresh eu virei uma menina que pegava os garotos em baladas.
-Até que em fim. Qual o seu problema em seguir coordenadas?
-Não vou te responder essa.
-Sente-se. – Falei.
-Boa noite. E vocês são...? – Harry disse sentando.
-Ah! Lembra que contei sobre meu namorado e sobre o meu melhor amigo aqui de Nova York? São eles. Nos encontramos aqui, e olha que nem foi combinado. – Falei.
-Sério? Vocês são Tresh e Jay? Tipo, os que a Romana nunca parou de falar?
-Bom, acho que sim. – Jay riu.
-Falava da gente, Romana? – Tresh perguntou.
-Sempre. Ela falou de vocês semana passada, acreditam nisso?
-Acredito. Romana nunca para de falar, é uma tagarela. – Tresh falou.
-Sim! Ela é exatamente assim. – Harry concordou.
Não mencionei a aparência de Harry, mas ele era da minha altura, ou seja não era alto. Tinha cabelos até o queixo, lisos e sedosos, pretos como carvão. Ele tinha a pele meia bronzeada e olhos escuros.
-O que andam fazendo da vida? – Perguntei.
-Eu estou estudando. – Tresh disse.
-Eu estou trabalhando em alguns projetos humanos e de semideuses. – Jay falou. – Já você sabemos o que faz.
-Sabem?
-Qual é? Nós assistimos programas de TV. Vimos à revelação do Judô irlandês feminino. – Tresh riu.
-Fico feliz que esteja fazendo algo. Isso parece te deixar feliz. – Jay disse.
-E deixa, eu sou meia agressiva, então desconto isso lá.
-Meia? – Harry me perguntou. – E a vez do caco de vidro no meu braço?
-Aquilo foi sem querer! – Falei.
-Conhecemos o seu sem querer, encrenca. – Jay sorriu.
-Uma curiosidade que me move à muito tempo. Como foi sua vida quando se mudou para a Irlanda?
-A Jay, foi difícil largar o que se ama. Lá tinha uma republica para semideuses na estrada, nunca quis ir para lá. Acabei contando a tio Sandy depois de dois anos sobre mim. Ele aceitou, embora tivesse me pedido desculpas por ter me tirado de Nova York, sendo que aquilo tudo não era de fato minha culpa.
-E por falar nisso, como vai ele? Tio Sandy é uma figura! – Tresh riu.
-Bem, ele morreu. Foi à dois anos. Foi uma perda bem ruim para mim, para os filhos também. Acabei indo morar com um deles, o mais velho. Depois eu fiz dezoito anos, como tinha parte do dinheiro dele para mim, comprei uma casa.
-Sentimos muito. – Jay pegou em minha mão.
-Tudo bem.
-Você sabe que poderia ter nos ligado. – Tresh me disse.
-Eu sei, mas eu estava conturbada.
-E depois nós nos conhecemos. – Harry me deu um beijo na bochecha.
-Como se conheceram? – Tresh perguntou.
-Em uma balada. Romana estava dançando. Acabamos nos enrolando e ai somos o que somos hoje. – Harry estava sorrindo.
-Harry me ajudou muito. E ele também é um semideus. – Falei.
-É? Filho de quem? – Jay perguntou.
-Hermes. Mas o grego, sei que ela é do pai romano.
-E lá tem essa divisão de gregos e romanos? – Tresh falou.
-Não. Na república moramos todos juntos, não importa a origem. – Harry respondeu.
Conversamos um bom tempo, então deu a hora de irmos.
-Meninos, eu adoro ir em uma balada, e amanhã eu e Harry vamos em uma. Que tal irem também?
-Amanhã é sexta? – Tresh perguntou para Jay.
-É. Cara, eu estou livre, Fred vai estar no acampamento. Eu estou dentro.
-Eu estou livre também. Iremos ir. – Tresh sorriu.
Trocamos números de celulares e fomos embora. Eu estava feliz por reencontrar eles.
Tresh me deu o endereço de seu apartamento e de noite Harry e eu fomos até lá para irmos para a balada.
Eu estava com um vestido curto e um salto alto preto.
O apartamento dele era grande e bem chique.
-Ual, é lindo mesmo! – Falei.
-Obrigado! Verona que decorou. – Tresh estava com uma calça jeans justa, e uma blusa verde.
-Ela tem bom gosto. — Disse.
-Já estou pronto. – Jay disse saindo de um quarto. Ele estava de calça jeans, blusa branca e uma jaqueta de couro por cima.
-Vocês moram juntos?
-Não. – Jay falou. – Mas fui usar os perfumes de Tresh. Ele sendo filho de Afrodite tem uns ótimos gostos. Eu adoro.
-Vamos? – Tresh disse.
-Sim! – Falei.
-Romana, me leva até a porta? – Harry falou.
-Ué, mas você não vai? – Tresh perguntou.
-Tenho que resolver uns problemas. Cuidem dela. E ligue e eu venho te buscar.
-Ok. Cuidado. – Falei.
-Sim senhora, anjo.Vamos. – Harry pegou minha mão e fomos lá fora.
Voltei sorrindo e estava animada a ir para sair com meus antigos amigos.
Chegamos lá e fui direto pegar algo para eu beber. Nós três pegamos energéticos. Andamos pelo local e tinha muita galera legal. Homens lindos.
-Isso é uma tentação para quem namora. – Jay disse fechando os olhos.
-Realmente. – Ri.
Dançamos por algumas horas. O que me deu cede, e decidi recarregar minha bateria. O que foi um erro. Em baladas eu geralmente encho a cara e volto muito bêbada. Dessa vez não foi diferente.
-Ela está caindo, não se agüenta em pé. Vamos embora. – Tresh disse me pegando no colo.
Eu não agüentava nem falar, tudo estava girando. Isso acontecia quando eu passava dos limites com bebidas.
-Como ela chegou nesse estado? – Jay perguntou entrando dentro do carro e se sentando ao lado de Tresh.
-Eu não sei. Mas ela mudou muito. Viu as roupas que ela usa? Eu nunca achei que fosse ver ela de salto alto.
-E roupas que quase mostram a bunda dela.
-Principalmente essa.
Eu estava jogada no banco de trás completamente inconsciente.
-Pega o celular dela, vamos ligar para o Harry ir buscá-la.
Jay foi pegou meu celular e ligou.
-Romana? – Ele atendeu.
-Oi, Harry. Tem como vir buscar ela?
-Romana, sua voz está diferente. – Harry disse.
-Não, não é ela aqui é o...
‘-Ual, como você fica sexy de cueca!’
-Você já está pronta? – Harry perguntou para a voz através do telefone.
‘-Mais que pronta!’ – A voz feminina disse.
-Já vou. — Harry disse.
-Quem está ai? – Jay perguntou.
-Romana, pode falar.
-Harry, não é a Romana...
‘-Você me pagou para eu ficar de langerie e você no telefone?’
-Só um minuto. – Harry disse a ela. – Quem é, então? – Ele se dirigiu ao celular agora, mas logo voltou à voz da mulher. – Ei, vai com calma. Você já vai fazer isso? Ah minha nossa... – Harry começou a gemer no telefone.
-Tresh, é melhor você escutar isso. – Jay passou o meu celular a ele.
-O que? – Tresh colocou o celular na orelha. Ele ficou muito bravo ao ouvir o que estava acontecendo. – Harry? O que você está fazendo? Fale comigo. – Sem resposta. – Já chega! – Tresh desligou o celular.
-O que vai fazer? – Jay perguntou.
-Fazer o que deveria ter feito com ela desde quando a vi de novo. levá-la para minha casa.
Cheguei carregada por Jay. Estava com um pouco da consciência recuperada.
-Tenho que ir no banheiro. – Falei com aquela voz de bêbada.
Quando cheguei no banheiro não agüentei e vomitei toda em mim. Por sorte Jay tinha me colocado no chão antes.
-Deuses, Tresh! Seu piso.
-Jay, tira a roupa dela e a de um banho.
-Porque eu?
-Porque você é o gay. Eu vou pegar umas coisas para limpar meu chão.
-Merda! Tresh, cortei minha mão. – Jay gritou.
-Como? – Tresh foi até a porta do banheiro.
-Ela ainda anda com a Adaga, e pelo visto hoje ela afiou. – Ele estava com a mão cheia de sangue e a outra com minha Adaga.
-Me dê isso. – Tresh a pegou a guardou. –Coloque ela dentro do box e vai limpar isso. – Tresh falou.
Ele me colocou sentada em uma cadeira dentro do box do banheiro. Eu estava desmaiada até o momento.
Quando Jay ligou o chuveiro e soltou meus cabelos acordei resmungando e gritando. Depois parei com o vexame assim que ele desligou o chuveiro.
Mas ai aconteceu de eu vomitar novamente, só que agora em cima de minha langerie. Tresh teve que limpar o chão de novo, eu tomar outro banho e dessa vez nua.
-Vista ela com isso. – Tresh me deu uma blusa sua cinza e uma cueca branca.
Jay terminou de me arrumar e saiu do banheiro.
-Agora é com você. Ela disse que quer o Harry e não sai de lá. Boa sorte.
-Obrigada Jay. – Tresh disse.
-Não me agradeça. Ela ainda é nossa amiga.
E assim Jay desceu indo embora.
Tresh entrou no banheiro e eu estava debruçada no vaso sanitário.
-Vamos dormir?
-Não. – Minha voz saiu abafada e mole.
-Vamos sim. – Tresh se abaixou e passou as mãos e meu cabelo.
-Harry... – Chamei.
-Nao. Tresh. O Harry não é um cara bom para você, ele é um imbecil.
-Tresh...? – Chamei agora o nome dele.
-Pode falar, estou aqui. Eu sempre estive aqui.
Eu olhei para ele meia perdida, não sabia o que estava acontecendo. Mas me arrastei até ele o abraçando.
-Você mudou muito. – Tresh me disse. – Bom te rever. Senti muito sua falta. – Ele beijou meu cabelo molhado.
E eu mal me encostei nele e havia dormido.
-Tudo bem, eu te levo para cama.
Harry acabou me ligando, o que fez Tresh brigar com ele.
-Você não pode vir buscar ela. Ela agora está dormindo em minha cama, e comigo. Amanhã você se resolva com ela. E a partir das dez! – E desligou meu celular.
Eu e ele dormimos na mesma cama. Tresh e eu dividimos a mesma coberta, o que fez ele ficar sem, pois a peguei toda para mim no meio da noite.
Na manhã seguinte acordei com um cheiro forte de bacon. Não era só o bacon que estava forte, mas também a dor em minha cabeça. Não entendi nada, não sabia onde estava.
Assim que sai do quarto a claridade bateu em meu rosto. Coloquei a mão para me defender, meus cabelos estavam soltos e armados. Vi Tresh de samba canção, sem camisa. Ele estava com uma caneca vermelha na mão e lendo um jornal.
-Tresh...? – Falei.
-Bom dia! Fiz café da manhã, vem tomar.
Fui andando até a mesa da cozinha.
-O que aconteceu? Eu tomei um porre?
-Sim. – Ele riu.
-Porque eu estou com essa roupa? Nós dois...
-Não. Você só vomitou na outra. – Tresh disse.
Me sentei, ele se levantou para pegar uma tabela de remédio, água, um prato que estava no microondas e um suco.
-Sua cabeça deve estar te matando.
-Sim. – Falei. Bebi o remédio e comi um pouco de bacon. – Tresh... – Bati a mão em meu corpo.
Me levantei e sai revirando o quarto, depois o banheiro.
-Está tudo bem?
-Minha Adaga!
-Calma, eu guardei ela. – Ele a tirou da gaveta minha adaga e meu celular, os colocando em cima da mesa.
-Obrigada. Como consegue ler o jornal?
-As letras grandes. Só leio elas. Os em negritos, também.
-Vou ligar para Harry. Ele deve estar preocupado.
-Espera! – Tresh disse. – Tenho que te falar uma coisa.
-O que foi? Aconteceu algo?
-Sim.
-O que?
-Harry.
-O que aconteceu com ele? – Meu coração deu uma leve disparada.
-Ele meio que não é o que você merece.
-Ãn?
-Ele te traiu, Romana.
-O que?
-Ontem, quando eu liguei para ele vim te buscar ele estava com uma prostituta no seu quarto.
Eu comecei a rir.
-O que foi?
-Tresh, eu e ele não somos namorados. Harry é meu amigo.
-Mas...Mas vocês parecem namorados.
-Tresh, eu e Harry se pegamos no começo, depois ele e eu viramos amigos. Tipo eu e Jay. Harry meio que parte para os dois lados.
-Bi?
-É. Ele me contou isso depois de dizer que eu e ele não podíamos ter um caso, pois ele era livre. – Obrigada por me avisar. – O abracei.
-Me desculpe. Ai que vergonha! – Ele riu.
-Não precisa ficar nervoso.
-Como você... — Ele olhou para as próprias mãos e ai ele soube que nunca havia esquecido aquilo.
-Te conheço, Slaterton.
As semanas foram passando e eu estava em Nova York não só pela missão – já terminada – da criança de Zeus, mas também, tirar férias. E estava fazendo isso com meus amigos. Em alguns dias eu iria voltar para a Irlanda e renovar um contrato de Judô.
Jay sempre que podia sai conosco. Mas era sempre Tresh e eu que íamos aos lugares. Harry sempre estava por ai, se envolvendo com os nova iorquinos.
Tresh fez questão de me levar em um jogo de basquete, com tudo pago e na área vip. Eu berrei muito no jogo. Naquela ocasião eu estava com um uniforme completo do time.
-Foi um bom jogo, mas poderia ter sido melhor, não acha? – Perguntei a ele.
-Acho. Na verdade, eu não sei. Não entendo tanto quanto você. Mas que eles poderiam ter sido melhor, isso sim.
-Obrigada por você ter me levado. Eu adorei.
-Sei que sim. Você ama basquete.
Foram dias muito legais em Nova York, mas eu e Harry teríamos que ir embora.
-Você tem mesmo que ir? – Tresh e Jay estavam em nosso apartamento alugado.
-Sim, eu não tenho onde ficar.
-Você então não tem necessidades de ir agora?
-Não, Tresh.
-Fica no meu apartamento. Simples!
-Sério? – Falei.
-É. Olha Romana, pode ir. Vamos?
Acabei aceitando e então passaria mais alguns dias lá.
Em uma das noites em que eu e ele estávamos sentados no sofá de sua sala vendo TV, acabamos lembrando de situações nossas juntos.
-Teve a vez que eu quase morri quando te bateram... Achei que ficaria louca sem você.
-A luta com a Amanda também. Você me deixava maluco com suas brigas.
-Tenho que te pedir desculpas por simplesmente ter saído da sua vida e não ter ligado nos quatro anos.
-Porque nunca mandou mensagem de Íris? E porque nunca atendeu as minhas?
-Tresh, era o melhor a se fazer. Nós dois iríamos sofrer. Me perdoe por ser egoísta.
-Eu fiquei bem magoado. Mas isso é passado. Temos nossas vidas.
-É. – Falei.
-Melissa, minha ex namorada me procurou. – Tresh disse.
-E o que ela queria?
-Voltar. Ela disse que sentia minha falta, e que não sabia como estava vivendo sem mim.
-Vai voltar com ela?
-Não. Ela é muito... Muito filha de Afrodite sabe? Embora ela seja mortal parece que estou com uma meia irmã minha. É um saco ter que ouvir a Melissa falar todos os dias das drogas de sapatos novos que comprou. Isso me deixava bravo, muita frescura. Larguei dela quando me machuquei e ela ficou com nojo de limpar meu machucado.
-Que inútil.
-É. Ai eu falei que se fosse você, você se tingiria com meu sangue para me limpar, ou me salvar.
-Como a vez da briga no camp Júpiter... Verdade.
-Ai discutimos porque ela disse que nunca seria você. Ai falei: “Esse é seu erro, nunca vai ser ela”. E terminamos. Romana, a verdade é que nunca superei ter te perdido.
-Eu também não. Eu ficava com vários caras lá em Mullingar, mas nenhum tampava o buraco que você deixou. Sabe, eu quis muitas vezes usar os tênis alados para te ver, mas eles não era tão potentes para tal distância. Tudo lá foi minha válvula de escape.
-Pois é. Antes se nós estivéssemos juntos provavelmente estaríamos agarrados. – Tresh riu.
-É. E agora você falaria: pare de beber, pare de usar essas coisas muito curtas.
-Eu falaria mesmo.
-Mas as coisas curtas são para chamar atenção, se eu tivesse namorado eu não usaria.
-Não sei se estou certo disso... Mas sou filho da deusa do amor, tem que dar certo...
Ele se aproximou de mim. Me deitou em seu sofá e me beijou. Tudo o que sentia por ele agora havia voltado. Me senti quente outra vez, me senti amada outra vez. Senti a antiga Romana voltar.
O beijo foi lento, calmo e caloroso. Sincero, também.
-Tresh, você...
-Na vida dos semideuses não existe destino. Tudo é feito para acontecer.
-O que pretende com isso?
-Quero tentar voltar, tipo, namorados, sabe?
Nos levantamos.
-Tresh, eu não quero te magoar de novo. Sabe que tenho meu contrato para renovar e por enquanto vivo disso. Eu quero muito voltar, mas e se...
-E se eu trancar minha matricula dos estudos aqui e continuar lá? Se me disser sim, eu vou para Mullingar com você.
-Tem certeza que quer abrir mão de tudo aqui?
-Não é de tudo, é dar um tempo. Temos que tentar. Por nós! Por favor!
-Quer mesmo fazer isso?
Ele confirmou.
-Então arrume a mala, filho da beleza. Vamos para Mullingar.
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