Greco-romana: O Segundo Lado
10 Prazer em não revê-lo
Notas iniciais
–Vamos até a primeira coorte. — Falei.
Quando chegamos ao local respectivo algumas lembranças me cercaram, fiquei um tempo parada na porta.
–Você está bem? — Tresh me perguntou.
–A...claro. Vamos. — Falei.
–Romana, eu vou ter que usar aqueles coturnos? Sabe, eu não vou usá-los. Olha aquela calça camuflada. Não quero usar.
Jay estava totalmente ao contrário do estilo dali, nós estávamos. Os campistas pareciam militares. Calças camufladas, ou calças que te deixam parecer durão, mais os coturnos, não é o que o acampamento meio-sangue oferece. Lá usamos roupas despojadas de acordo com o que queríamos. Fazia parecer que nós estávamos indo lá para curtir. Mas aqui no acampamento Júpiter é diferente, a forma de se vestir parece que os campistas são realmente soldados. Pelo menos a maioria.
–Damos um jeito.
Quando entrei dei-me de cara com as camas distribuídas, uns três sofás e as costumeiras três cômodas que haviam ali. Logo atrás havia três portas. Uma dava para os fundos, a outra era o quarto que ficavam algumas coisas, e a ultima o banheiro.
–Bem vindo à primeira coorte. — Falei.
–Onde você dormia? — Jay perguntou.
–Naquela beliche da ponta. Em cima. — Apontei para uma perto da porta.
–Craig é daqui? — Tresh perguntou delicadamente.
–Não. Ele é da quarta. Meninos, não tirem a bolsa de vocês agora, é importante não as deixá-las por ai. Já venho, vou ali pegar as blusas para vocês.
Entrei naquele quartinho e peguei as blusas para eles.
–Experimentei essas aqui. — Dei para cada um deles. Ouvi a porta se abrindo.
–Não pode ser! Então é verdade! Romana, é mesmo você? — Era uma voz feminina conhecida. Me virei e vi duas pessoas que eu conhecia.
No acampamento Júpiter eu não me dava muito bem com algumas pessoas, mas eu considerava as duas pessoas parada na porta grandes colegas.
–Lottie? Lottie! — Eu disse me virando. — E Louis! Cara, vocês ainda estão aqui!
Fui para a porta.
–É. E você está viva. Achamos que iria morrer. — Louis disse. Ele era alto, negro e tinha músculos.
–Louis! — Ele me abraçou.
–E como foi lá fora? Como você voltou? Verdade que tem gregos com você? — Lottie era da minha altura e tinha os cabelos loiros curtos e repicados. Ela era toda meiga e delicada.
–Lupa. E houve algumas mudanças. E tenho gregos comigo. Venham os conhecer.
Eu os aproximei.
–Lottie, Louis, esses são Tresh e Jay. Jay e Tresh, esses são Lottie e Louis. — Os dois romanos recuaram por alguns minutos.
–Olá. Eu sou Louis Carson.
–Lottie...Lottie Staurt.
– Jay Wallace.
–E eu Tresh. Sem sobrenome, não tem necessidade.
–Que bom que vocês não querem matar eles.
–Eles estão com você? Porque só assim para passarem por nós. — Louis estava rindo.
–Sim, estão. Esses dois são a melhor coisa que me ocorreu na vida toda.
–E a Romana também. Ela é minha namorada, acreditam? — Tresh estava com um enorme sorriso. Não consegui ficar sem rir.
–Sério? Achei que Craig... — Lottie ia terminar mas Tresh a interrompeu.
–Craig é passado.
–Tresh, segura a onda. — Jay disse.
–Vocês dois. Vão se trocar. — Falei.
–Ai Louis, me arruma um coturno e calças camufladas? — Tresh parecia empolgando.
–Como é? — Falei.
–É maneiro. E quero usar a roupa.
–Desde quando você fala 'maneiro'? — Falei.
–Ãn...eu não sei.
–Ok. Vá se trocar. E você Jay?
–Sem chance. Eu estou bem com minha bermuda de palmeira e meu tênis. — Era o tênis que meu pai havia nos dado na outra missão.
–E ai? O que anda fazendo por esses lado? E onde você estava? — Lottie queria saber de tudo.
–Com eles no outro acampamento. E como foram as coisas aqui?
–Depois da sua fuga isso virou um caos. Pergunte ao Lou. Sorte que não descobriram o nosso plano. — Os dois me ajudaram a fugir naquela noite.
–Você é filha de quem? — Jay perguntou.
–Apolo. E você?
–Apolo. Somos irmãos! Romana, ela me lembra a Alisson.
Analisei Lottie novamente e ela lembrava um pouco.
–Quem é Alisson?
–É uma garota que meio que a gente se estranha. Não vamos falar disso, se eu encanar que você me lembra ela, acredite, vai ser difícil olhar para você do mesmo jeito.
–Ta-dã! — Tresh apareceu pela porta e veio andando em minha direção. Ele estava extremamente sensual com a roupa justa nele. A manga da blusa estava marcando os seus bíceps. Já a calça ficou toda justa sem ser vulgar. E o coturno o deixou ele com um ar de sério. — O que achou?
–Fantástico! — Estava de boca aberta. — Quer dizer...é...legal!
–Eu sou um militar!
–Claro. Em posição, soldado! — Gritei.
Tresh rapidamente arrumou a postura e ficou parado.
–Ótimo soldado. Bater continência!
–Sim sargento! — Ele bateu continência e logo começamos a rir. — Tudo pela sargento mais encrenqueira, mais incrível e mais apaixonante e todos os tempos! — Ele me agarrou e me beijou. Não deixei de curtir aquele momento. Mas fiquei toda vermelha.
–Que fofos! Lou, eu sou uma sargent? — Lottie disse.
–Não. Você é outro estilo. Que tal uma boneca?
–Sério? Você é filho de Marte e me compara a uma boneca?
–Espera. — Falei. — Vocês dois deram certo?
–Sim! Louis tomou uma atitude quando achou que íamos nos dar mal pela aquela noite, sabe...a fuga.
–Marte é quem, Romana?
–É Ares, Jay. — Respondi.
–Olha, eu detesto ser estraga prazer, mas viemos aqui porque Octavian já ficou sabendo da sua chegada. Ele pediu para virmos te chamar.
–Sério, Louis?
–Ahaam. Lottie quase teve um ataque quando soube que estava aqui.
–Fica fria,ta? Vai dar tudo certo. E se você quiser eu e Lou tiramos quem dorme agora no seu lugar.
–Obrigada.
–Oi Romana. Octavian quer vê-la. — Era Kennedy, um outro campista da primeira coorte que eu conhecia.
–Já estou indo. E nem precisa o avisar. Tresh, Jay, vamos. Se vemos mais tarde pessoal.
E saímos na direção ao templo Jupiter Optimus Maximus. Onde Octavian ficava para ler os augúrios.
–Eles são da sua coorte? — Jay perguntou.
–Sim. Os dois são incríveis. Vocês vão gostar.
–Por falar em gostar, eu estou parecendo um Bad-boy?
–Ta mais para quem se alista no exército. — Jay riu.
Não consegui deixar de notar mas Tresh tinha mesmo ganhado um pouco de bunda. Quando Jay falou eu nem havia notado, mas com aquela calça ele estava muito sensual.
–Escutem, — Falei séria — se algo acontecer lá em cima, me desculpem.
–Você e ele se dão tão mal?
–Assim como sua saudade pelo Fred, Jay.
–Xi, a coisa é grande mesmo.
Chegamos na frente do enorme templo e minhas pernas bambearam. A raiva já me subia à cabeça, então decidi entrar logo.
A arquitetura era çinda. E uma estátua de Júpiter enorme. Era o tipo de coisa que te intimida.
Havia um altar cheio de bichos de pelúcias e alguém com um ursinho na mão com uma faca em seu pescoço. Era magrelo e cabelos loiros. Quando se virou vi sua expressão pálida e seu maldito rosto. O qual odiava.
–Ora, ora, ora. A entrada de traidores deveria ser proibida.
–Gente estúpida deveria ser banida do mundo. Nem tudo é como queremos. – Retruquei.
–Então você voltou. O augúrio não me disse sobre isso.
–Porque você é ruim o suficiente para ver algo.
–Rá, não me faça rir. Não me fale em ser ruim. Quem foi que não se adaptou? A, não fui eu. Foi quem? Romana!
–Sua voz ainda está fina. Porque o lance de puberdade não acontece com você?
–Ousa voltar e me desafiar? Saiba que eu lhe mandarei embora e...
–E vai desobedecer Lupa? Acha mesmo que queria ver você, seu espantalho? Francamente, não. Voltei porque ela pediu.
–E os filhotes da Grécia vieram para te defender? Você é bem mais que uma moça indefesa. Você é tudo menos indefesa.
–São meus amigos. Coisas que você não tem, afinal é chato feito uma mula. Desculpem mulas, nada pessoal.
–Outras da suas piadas que tentam ser boas. Seus amigos sabem sobre você? Contou dos quatro mortos? Contou que você é bem perigosa?
–Não. Mas devia ter contado que eu soquei sua cara. Lembra? Fiz você comer essa maldita espuma de urso. Faltou tão pouco para eu te matar, Octavian. – Ele ficou todo vermelho.
–Conta para eles a verdade. Conta! Sabia que a amiguinha de vocês dois acabou...
–Acabou cometendo um crime contra um augúrio magrela! – Me dei conta de que estava com a Adaga na mão e indo para cima dele quando Tresh me segurou e Jay estava segurando meu braço. Estava mais perto de Octavian do que pretendia.
–As coisas mudaram aqui. E você vai sofrer muito.
–Eu vou? – Estava gritando. – Posso sofrer, mas acabo com usa vida, desgraçado! Porque não convoca para um duelo e veremos! Como naquela noite. Dois lutando pela sobrevivência.
–Você é maluca! Você é uma psicopata!
–Talvez eu seja. Vou pegar suas tripas quando te matar e dar aos leões. Não né, eles comem carne de primeira.
–Você não passa de uma rata encurralada no próprio beco. Fugiu, porém voltou para morrer. Porque é o que vai acontecer quando julgarem você. O povo de Roma ainda quer sua cabeça.
–Eles podem pegar a minha. Mas eu terei a sua.
–Tola! Eu estou de olho e você, Romana. E em vocês dois também,gregos. Sumam daqui, agora!
Tresh e Jay me tiraram pelo braço. Jay havia tirado a Adaga de mim. Eu estava chorando de nervoso.
–Ahhhhhhhhhhhhh! – Gritei quando Tresh me soltou. – Eu vou matar aquele desgraçado! – Eu andava de um lado para o outro.
–Romana, calma! – Tresh tentou se aproximar, mas me afastei.
–Não tem como! – Eu solucei com o choro. – Odeio esse lugar. Odeio essas pessoas! Odeio Octavian!
–Está tudo bem agora. Eu e Jay estamos do seu lado. Esqueça aquele idiota por um tempo.
–Não tem como. Ele vai me infernizar até eu dizer chega. Eu não vou agüentar. Vai acontecer de novo. Droga!
–Romana, o que vai acontecer de novo?
–Tresh...Jay... Eu preciso pensar. – Sai correndo dali para qualquer direção.
–Deixa ela pensar. – Jay segurou o pulso de Tresh.
–O que aconteceu com ela?
–Eu não sei. Mas é sério.
–Eu quero ajudar ela, Jay.
–E vamos. Acho que foi por isso que ela não voltou sozinha.
–Romana deve ter matado os campistas...
–Vai confiar nela, lembra? Ela é sua namorada, não precisamos de mais ninguém contra ela. Somos os amigos dela.
–Eu sei! Eu estou com ela e não vou largar ela nessa.
–Então está assumindo o compromisso?
–Sim.
–Ótimo. Temos uma briga pela frente.
–Mas e agora?
–Não sei, Tresh. Eu não sei.
Passaram se meia hora e Tresh e Jay estavam ao meu lado. Eles haviam me achado. Estava no Arsenal do acampamento.
–Ei? Você está melhor? – Tresh se abaixou e toco meus cabelo. Eu á tinha parado de chorar, mas minha expressão era de querer matar alguém. E queria.
–Não.
–Eu sei. Por isso eu estou aqui. E Jay também.
–Obrigada meninos.
Os braços de Tresh me envolveram para perto dele. Uma de suas mão estavam em meu cabelo e ela sussurrava em meu ouvido:
–Vamos assumir sua briga com você. Mas antes precisamos saber da história.
–Não vou contar agora.
–Quando se sentir pronta.
–Romana, seja lá o que aconteceu foi no passado. Você é outra agora, embora tenha as mesma habilidades. Mas somos seus amigos e não iremos te julgar. Não sei quem é a Romana do passado, mas sei quem é a do presente. Estamos nessa contigo. – Jay segurou minha mão.
–Mesmo? – Falei.
–Mesmo. É o seu passado. Vamos te ajudar livrar dele. – Jay retrucou. Tresh não ousou me soltar.
–Estão mesmo dispostos? Porque se sim, vão ter que ter confiança em mim. – Cutuquei Tresh.
–Eu tenho agora, lembra? – Ele me disse.
–Lupa fez certo em trazer vocês para cá.- Falei.
Decidi sair do Arsenal, pois se vissem Tresh E Jay ali iam os interpretar mal. Ficamos lá fora, mas ainda não os tinha contado. E Tresh me manteve nos seus braços.
–Ainda vai me falar do Craig?
–Tresh, você é realmente corajoso. Sua namorada é uma ótima matadora que acabou de sair de uma sala com um maluco querendo o matar, e você se atreve a perguntar sobre o outro caso? – Falei.
–Eu acho que sou mesmo corajoso. – Ele mordeu minha orelha.
–Ei!
–É legal morder a ponta de sua orelha.
–Me poupe.
–Sim senhora, sargento! – Nós três rimos.
Fomos almoçar, pois depois do almoço Reyna iria escolher as coortes que os dois ficariam.
Fale com o autor