E aqui estou eu,na colina do acampamento meio-sangue, de volta. Esperando Tresh. Ele vinha me encontrar aqui em cima,pois ia fazer quase um ano e meio que não nos viamos.

Porque? Eu não sei! Eu quis matar ele,o que ele estava escondendo de mim?

Antes dele ficar fazendo greve de mim, depois do meu primeiro ano letivo com o tio Sandy minhas férias no acampamento meio-sangue foram tão...tão...demais!

Vamos por parte. Primeiro minha vida antes de ir para aquelas férias. O ano letivo começou e eu estava matriculada em uma escola pública por perto do bairro. Eu e tio Sandy estavamos nos conhecendo.

Ele era o tipo que mudava de humor. No começo foi difícil, mas logo peguei o jeito. Ele tinha era baixo e era moreno. Havia cabelos enrolados e era meio calvo. O mercado dele era no frente do nosso pequeno apartamento.

A escola era um saco,mas eu tinha orientação especial porque tinha Défict de atenção e Dislexia. A senhora Meason era minha orientadora e me ajudava. Em vez das minhas notas serem 3 e 4,com a ajuda dela era 5 e 6,as vezes um 6,5.

Então logo minha férias chegaram e eu cheguei no acampamento. Essa foi a ultima férias em que vi Tresh.

Quando eu cheguei ao chalé onze e coloquei minha bolsa em cima da minha nova cama,que agora é fixa,vi que havia um colchonete bem abaixo dela. Minha primeira reação era brigar com quem fosse o dono.

–Raios! Ninguém vai dormir aqui,não tem cabimento.

–Esse é meu lugar,sinto muito.-Era Tresh.

Ele estava um pouco mais alto que ta ultima vez. Emagrecera pouca coisa,mas ainda era o gordo Tresh.

–Tresh!-Eu fui em sua direção querendo abraçá-lo,mas algo me parou. Ficamos cara a cara.

–Sei que quer um abraço,mas se recusa. Faço isso por nós dois!-E então aquele aconchegante abraço novamente.-Senti sua falta.

–Eu senti a sua. Pouca coisa,mas senti. Cadê o pessoal? Jay,Brayan,Verona. Cadê?

–Tenho noticias.-Tresh disse saindo do chalé. Eu o acompanhei.-Seu irmão voltou para o acampamento Júpiter.

–O que? Como? Porque?

–Os lobos vieram atrás dele.

E a insegurança tomou conta de mim. Se eles voltaram para pegar meu irmão e levá-lo de volta,eu seria a próxima.

–E eu?-Falei.

–Não sei. Mas não pense nisso. Jay está com treinando junto com Tyler.

Tinha esquecido de Tyler.

–Ele está melhor?

–Sim. Parece que voltou a sorrir.

Mal podia esperar para ver Jay. Eu fui correndo para vê-lo.

–Romana!-Ele largou a espada e correu para cima de mim todo suado.

–Minha nossa! Você fica cheiroso até suado!-Essa foi a hora em que ele me ergueu no colo e me girou.

–Que saudades,encrenca!-Ele me beijou no rosto.

Eu vou resumir,vou falar as coisas que me marcaram. No terceiro dia Jay e Tyler e Meridia,que enfim fiquei sabendo que também era filha de Apolo iriam sair em missão. Quase tive um troço quando fiquei sabendo que meu melhor amigo ia correr risco de vida.

Tradução,nas primeira semana quase não fiquei com Jay porque ele ia se dedicar aos treinos.

No dia da despedida dele para sair em missão foi uma droga. Eu estava chorando muito.

–Não chora. Eu tenho que ir porque tenho que fazer isso por Apolo. Lembra? Ele me ajudou a ficar vivo. Tenho que honrá-lo.

–Volte vivo,Jay. Só isso.

–Ei,eu irei tentar.-Ele me abraçou. Algumas lágrimas foram caindo de seus olhos.

–Você está chorando?

–Romana,isso são purpurina em forma de lágrimas.-E começamos a rir.

Ele havia ido e aquelas férias foi só eu e Tresh.

A parte que as minhas férias teve graça,foi daqui para frente.

Cada vez que eu e ele vivíamos alguma coisa naquelas férias era motivo de nos aproximarmos.

Por exemplo,as vezes em que o chalé todo dormia e eu saia lá fora.

–Quando vai perder esse costume? Se alguém te ver você vai se dar mal. Vamos dormir.-Ele falava enquanto eu ficava sentada na escada do chalé na madrugada. Ele tinha um extinto protetor.

Teve também naquelas férias as aulas com espada. Sou péssima com elas,vocês devem saber.

–Romana,já disse,mantenha ela erguida. Nunca se abaixa sua lâmina,se não o peso vai junto.-Ele sempre dava um jeito de me ajudar.

Tresh também começou a ajudar vários outros campistas com espada,pois ele era um dos melhores. Alguém sempre o pedia ajuda.

Quando íamos dormir,ele dormia bem abaixo de mim,então várias vezes conversávamos. O chalé onze depois de se recolher nunca dormia. Ficávamos de conversa ou guerra de travesseiros.

Houve a situação do captura a bandeira. Eu e Tresh ficamos no mesmo time e nesse dia eu estava com minha camisa roxa do outro acampamento.

O pessoal do time adversário acabaram me rendendo,eles estavam em seis. Eram do chalé de Ares. Seis garotos. Eles me colocaram em uma árvore alta e me amarraram. Tiraram minha camisa e me deixaram só com meu simples sutiã petro e em baixo da árvore onde me amarraram queimaram minha camisa.

A noite veio e eu ainda estava lá em cima. Ouvi alguém caminhar.

–Ei! Me ajudem! Eu estou presa!-Por mais que eu gritasse ninguém ia me ouvir. Só se passassem e me ouvissem. E ouviram.

–Romana? Onde você está? Eu estava te procurando. Cadê você?

–Aqui em cima!

–Estou indo te ajudar.-Falei.

Eu não ia contar que estava seminua. Ia ser embaraçoso. Mas que se dane. Ele me ajudou quando eu estava em um hospital. Não liguei. Com muita dificuldade ele subiu na árvore.

–Quem fez isso?

–Seis filhos de Ares.-Falei.-Amanhã eu me vingo.

–Sem morte,lembra?-Tresh tinha feito eu prometer que não ia matar ninguém no acampamento.

–Quem disse que vai se morte? Vou dar o troco. Amanhã você verá.

–Que tipo de troco?-Ele subiu os olhos e me viu sem blusa.

–Romana! Por Zeus! Eles fizeram algo de ruim com você...

–Não. Fica tranqüilo. Só queimaram minha camisa.-Ele me desamarrou e nós descemos.

Ele tirou a camiseta dele e deu para mim.

–Não precisa.-Falei.

–Veste logo,ou não te deixo sair daqui.

–Tresh...

–Romana,vai logo.

Aquela barriga redonda e seus pequenos seios eram engraçadas,mas fofa ao mesmo tempo.

E aquela maldita sensação de nervoso de novo. Tresh algumas vezes me deixava nervosa. Eu não sabia o que era. Talvez soubesse, mas ainda guardava.

Depois disse fui buscar uma camisa para ele.

No dia seguinte,porém:

–Galera,os garotos do chalé seis estão nús!-Fred,o filho de Deméter anunciava.

Tresh logo olhou para mim e saiu para ver. Eu fiquei sentada. Quando ele voltou logo me perguntou:

–Você? Não vai ver o resultado?

–Já vi. É pequeno. Um ou dois tem vantagens e...

–Não to falando disso!

–Desculpe.-Fiquei vermelha.

Foi inevitável me controlar. Eles estavam todos encolhidos com as mãos nas partes intimas. Algumas garotas estavam babando por eles.

–Se eu fosse elas,-falei- não perderia tempo. Já disse que são pequenos.

–Você viu mesmo?-Tresh me perguntou.

–Vi,tudinho. Vamos,você ainda tem que me ensinar a empunhar uma espada direito.

Na arena de combate depois do treino nós ficamos sozinhos.

–Romana,já disse,não deixa ela cair!

Aquela droga de espada vivia caindo.

–Vou te ensinar.

Ele me deixou mais nervosa quando ficou atrás de mim segurou meus braços firmes e começou a falar com firmeza:

–Força nos seus braços. Na mãos também.-E aquela mão macia escorregou sobre a minha. Quando ele saiu de trás de mim,ele comentou:-Obrigada por não me bater.

–Sem...problemas.-Falei. Maldito Tresh,ele me deixava com os nervos a flor da pele.-To indo.-E deixei ele lá.

As vezes eu tentava me afastar dele porque eu não queria sentir o que eu pensava que estava sentindo. Me aproximei do Fred.

–Você é uma ótima amiga para Jay.-Ele me falava. Fred era bonito. Magrelo,mas bonito.

Mas lá estava ele vindo atrás de mim. Todo machucado.

–Tresh,quem fez isso?-Me agitei.

–Treino. Luta de corporal.-Tresh era péssimo nisso. Ele estava todo ralado e sangrando.-Esquece.

–Sabe que se não falar,eu vou descobrir e vai ser pior.

–Finn.

–O que eu deixei nú?

–Foi você?-Fred perguntou.

–Segredo. Desgraçado de um filho de Ares.-Que bom que me seguraram porque eu estava disposta a causar um estrago no garoto. Ele podia ser alto mas não era mais rápido que eu.

–Legal me defender.-Ele falou quando estava no colchonete.

–Eu sei.-Ri.

–Mas para. Fica pior.-Ele também riu.

Nas ultimas semanas das férias Tresh estava me deixando louca. E enfim,eu assumi que estava tendo sentimentos por aquele garoto gordo.

Não sei o que me atraiu. O cabelo bagunçado,a forma de me tratar,ou o hálito de morango. Será que foi o quão bonito era o seu sorriso? Não sei. Ele me deixava nervosa e queria saber o que ia ser de mim.

Foi na noite em que estávamos treinando. Antes de tomarmos banho e de jantarmos.

–Ta vendo!-Ele disse.-Você conseguiu manter a espada alta!

–Meu professor talvez seja bom.

–Ele gosta da aluna. Só isso.

–E gosta das outras alunas também?

–Talvez por essa ele tenha um carinho especial porque ele viu ela sem blusa,ajudou ela em um hospital,fez ela dormir e etc.

–Só isso?

–Talvez ele ache a aluna bonita.

Coloquei a espada no chão.

–Desculpe Romana. Sei que odeia quando eu falo essas coisas de você.-Ele disse quando me aproximei dele.

–Nos vemos no jantar.-Foi quando meu nervosismo tomou conta de mim e acabei dando um selinho em Tresh. Foi rápido e infantil,mas foi algo legal de se fazer. Sai andando o mais rápido possível de lá.

Na mesma noite,na fogueira me dispersei do pessoal e fiquei em um lugar sozinha. E lá estava Tresh,vindo atrás de mim.

–Porque se isolar?-ele perguntou.

Eu estava nervosa. Me sentei,senti minhas pernas bambas e o maldito nervosismo de novo. Não o respondi.

–Você é uma caixinha de surpresa.-Ele se sentou ao meu lado. Ainda não disse nada.

–Eu posso pegar na sua mão ou vai me bater?-Não respondi. Mas queria que ele pegasse minha mão.

‘Ande Romana,diga a ele!’ Uma voz em minha cabeça falava.

E aquelas mãos macias pegaram a minha.

Não ousei olhar para ele. Entrelacei meus dedos com os dele.

–Vamos,antes que sintam a nossa falta.-Ele se levantou e me levantou com ele.

Ele ainda não soltou minha mão.

–Espere.-Ele disse após darmos dois passos.

E ficamos cara a cara. Eu estava sentindo o meu coração acelerando.

E aquele hálito de morango estava mais perto. Tresh soltou minhas mãos e selou seus lábios aos meus. Minha mãos foram de encontro com seu ombro e as dele se fixaram em minha cintura.

–Eu...Tresh...

–Acho que temos o mesmo sentimento.

Eu confirmei.

E ele com toda a precisão juntou nossos lábios que agora não era um simples beijo. Era um beijo com troca de saliva e ainda com direito a mordida nos lábios.

Ele parecia estar planejando aquilo a muito tempo,pois não me ousou soltar e nem parar de me beijar. Muito menos eu. Paramos só quando estávamos sem fôlego.

–A meu Zeus!-Eu disse enfim.

–Achei que você tinha ficado muda.-Ele retrucou.

–Não seja idiota. Tresh,se a gente for mesmo continuar com isso tem que...

–Estou a fim de continuar com isso. Mas não pode ser agora. Temos que ir dormir.

E então só restava cinco dias para voltarmos para casa. Eu e ele estávamos cada vez mais embalado a dar corda nessa brincadeira de casal.

Ele me dava flores especialmente colhida por algumas filhas de Perséfone. Eu em troca não fui mais grossa com ele.

–Não sabia que seu lado apaixonada era assim.

–Não é meu lado apaixonada. Seu bobo.

–Suspeito que seja.-Ele riu.

No dia em que fomos embora foi o dia de esclarecer tudo.

–Então somos o que?-Falei.

–Não sei o que você pensa. Mas para mim,você é minha namorada.

–Então,somos namorados?-Falei.

–Somos.-Ele me deu um beijo.

Depois voltei ao mundo mortal. Pensando nele a cada instante e pensando em Jay que ainda não tinha voltado da missão.

Fiquei duas férias sem sentir o cheiro de Tresh. Recebia algumas cartas dele que diziam:

‘Não me mate. É uma surpresa.’

‘Sinto sua falta.’

‘Não me troque por outros meninos.’

Isso era o que o tio Sandy lia para mim.

Decidi ir atrás dele em Manhattan,na loja de seu pai. Antes de ir embora ele havia me dado o endereço para ir a loja do pai dele, caso quisesse ou precisasse. E fui.

Era nove da manhã. Havia perdido as três primeiras aulas de propósito.

Quando cheguei na entrada da loja,com meu uniforme da escola pública que estudo (ainda não fora expulsa),me senti estranha. Minha calça do moletom do uniforme estava larga e minha blusa do uniforme agarrada. Não sei que impressão ia causar ao pai de Tresh.

Entrei na loja e tinha algumas pessoas. Poucas,mas parecia muito pelo horário.

Não soube para onde ir. Mas um cara alto e bonitão apareceu entre a porta e foi ao balcão me perguntar:

–Quer ajuda,moçinha?-Ele Tinha cabelos castanhos e barba castanha. Parecia ter uns vinte e poucos anos.

–Só estou olhando.-Falei.

–Se está matando aula,espero que não me encrenque.-O bonitão disse.

–Não estou matando aula.

–Pois parece que sim. Já sei,veio ver o bonitão aqui?

–Perdão?

–Geralmente umas garotas vem aqui só para me ver. São poucas as que querem ver jogos e etc.

–Eu quero falar com Tresh. Conhece ele?

–Quer falar com o gordinho que mora aqui em cima? Com o Tresh Slaterton?

Slaterton? Esse era seu sobrenome?

–Slatertorn é o sobrenome?

–Sim,e não sei se ele está.

–Posso ir ver?-Eu fui atrevida,eu sei.

–Mas quem é você?

–Amiga dele. Você o conhece? Olha,eu posso falar com o pai dele?

–Qual o assunto?

–Não vou falar. Só falo com Tresh ou o pai.

–Pois bem,fale com o pai dele.

Ele saiu e voltou de novo.

–O pai dele também não está?

–Está. Pode falar.

–Ãn?

–Eu sou o pai dele,ora!

O que? Tresh tinha um pai lindo,e extremamente sensual e era...Daquele jeito? Nada contra,Tresh é meu namorado,mas...Eu estava pasma.

–Eu sei. Todo mundo faz essa cara. Porque um cara como eu não pode criar um filho gordo? Tresh é bom garoto,e eu o amo. Aquela bolinha me da tanto orgulho!

–Inusitado.-Falei.

–Eu sei. O que quer com meu filho?

–Quero falar com ele.

–Veio em vão. Ele não está. Escuta,você veio aqui alguma vez?

–Não.-falei.-Onde ele está?

–Já sei! Você é a garota da foto!

–Mas em?

–É! Tresh tem uma foto que a garota queria bater nele. É você! Italiana...né?

–Romana!

–Você também é a namorada de Tresh!

–Ele te contou?

–Eu ele somos mais que pai e filho. Meu filha gosta muito de você.

–E porque ele sumiu?

–Isso é você e ele. Ele te deixou uma carta.