Greco Schmidt - Em Uma Viagem Sem Destino

8 Capítulo 8 - Aquecendo Para a Grande Batalha


Quando saímos daquele buraco sem fim, eu soube que não iria encontrar nenhum Blacko, ainda não estava na hora. Saímos em uma espécie de lago, onde na volta, só havia enormes árvores, o cheiro não era muito agradável, mas deu pra pular na água e sair na margem.

— Preferia ser pego pelos Bruxos Maiores — Disse-nos Roxye — Olha isso!

— Não fale assim, Roxye — Disse Porch — Você vai acabar atraindo eles.

Ninguém entendeu o porque dele falar aquilo, mas ninguém se pronunciou sobre aquilo também. Chegamos na margem do pequeno rio, e tentamos nos secar com algumas folhas enormes de árvores. Depois, ficamos um pouco em silêncio sentados na margem, sem saber o que fazer.

— Precisamos de ajuda — Disse eu a Porch e Roxye — E tem que ser agora!

— Como vamos ir pra Paraízzo, se os Bruxos estão indo para lá? — Disse Porch

— Mas se ficarmos aqui — Disse Roxye — Não vai ajudar em nada. Eu sei onde conseguir ajuda, mas preciso chegar até Paraízzo.

— Vamos andando — Disse eu — Precisamos fazer algo.

Então, levantamos e andamos através das árvores. Roxye e Porch, sabiam onde estavam indo, eles deviam ficar muito na floresta, tentando fugir de Bruxos, ou qualquer outra coisa. Aquela floresta, dava diretamente para Paraízzo, e acho que os Bruxos Maiores, não sabiam dela, ou achavam que não estaríamos ali. Chegamos ao final dela, e dessa vez não encontramos Místicos, ou nem mesmo escorpiões, ainda bem. Paraízzo não era tão incrível como parecia do alto da montanha, quando se saía da floresta de Carybin. Ela não era um lugar feliz, e as pessoas, não estavam felizes, elas andavam de um lado pra outro, trabalhando muito. Galinhas, porcos, vacas, bois, esses animais eu conhecia, mas alguns eu nem sabia o que era.

— Por aqui — Disse-nos Roxye — A casa não é tão longe.

— Pra onde nós estamos indo? — Perguntei a Roxye.

— Madame Norma, ela pode nos ajudar — Respondeu Roxye.

Andamos silenciosamente através das casas, e felizmente, não encontramos nenhum Bruxo Maior, e ninguém de Paraízzo nos viu. Chegamos a uma casa, na verdade, era uma tenda do tamanho do nosso quarto no Caneca dos Ladrões. Uma placa escrito: Madame Norma — Entre no seu futuro, estava colocada no topo da tenda. A tenda era azul e rosa, com uma porta de vidro na frente. O lugar estava deserto, somente uma mesa no cento da sala, não tinha bolas de vidro, nem cartas, e nem velas, como sempre tem nos lugares de cartomantes, o lugar era frio, mas não era inverno, e tinha um cheiro de pão assando.

— Madame Norma? — Disse Roxye — Alguém?

De repente, uma mulher de cabelos vermelhos encaracolados, olhos verdes, brincos, pulseiras, colares, e usando muita maquiagem, surge atrás de uma cortina.

— Bem vindos, meus jovens — Disse a mulher — Madame Norma, a seu dispor.

— Ah, olá — Disse Roxye — Bem, meu amigo, é...ele precisa saber o que terá que enfrentar na sua jornada.

— Olá Greco — Disse Madame Norma — E, olá rapazinho — Disse ela, olhando para Porch.

— Ela sabe meu nome — Sussurrei para Roxye — Mas, como?

— Sim, eu sei meu jovem — Disse-me Norma — E sei que você é o herói.

— Madame Norma, ele precisa encontrar a verdadeira espada de meu pai, Conrad — Disse Roxye — Ele foi o único que conseguiu derrotar um Brux...

— Roxye Ruschel, não é? — Disse Norma — Borbon que fugiu, do castelo de Lunia, parabéns, você fez um ótimo negócio.

— Madame Norma — Disse Porch — Não temos tempo, ajude Greco rápido, por favor.

— Muito bem — Falou Norma — Sente-se garoto — Apontando para mim

Sentei na cadeira, e quando olhei para os olhos de Norma, eu pude ver mais além do meu reflexo, eu pude ver meu futuro. Eu estava segurando uma espada de vidro, suja de sangue, e estava apunhalando uma pessoa, ela não era um Bruxo Maior, eu não conseguia distinguir quem era. Mas ela não parecia tão humana, ela parecia uma espécie de holograma, quase humana.

— Você tem que pegar essa espada, Greco — Disse Norma — E ela não está muito longe.

— Como assim, Madame? — Disse eu a ela — Eu...eu não faço ideia de onde ela está.

— Você só precisa descansar — Continuou Madame — O seu maior tesouro, Greco, é poder sonhar.

— Mas...eu não consigo entender...

— Você deverá sonhar, Greco. Só assim, poderá derrotar todos os Bruxos Maiores.

A partir daí, eu comecei a entender mais. Eu deveria sonhar para derrotar os Bruxos, ou para conseguir a espada, espero que no próximo sonho, eu saiba mais sobre isso. Ouvimos gritos, e correria para o lado de fora, então, nós quatro — Eu, Porch, Roxye e Madame Norma — fomos para fora, com intuito de ver o que acontecia. Era uma correria, e o céu estava ficando tempestuoso.

— Ryan? Ryan? — Disse Madame Norma, apontando para um menino de uns 11 anos — O que aconteceu, filho?

— Norma, Madame Norma, quer dizer — Disse Ryan — Os Bruxos, eles chegaram a Paraízzo.

Olhei para Roxye e Porch, e então corri, corri tão rápido, que nem eu me reconhecia. Roxye e Porch fizeram o mesmo, mas pareceu que não era o bastante.

— Greco Schmidt — Disse a voz de uma mulher, que tinha a voz de uma bruxa mesmo — Apareça querido.

— Olá Greco — Disse a voz de Lunia a minha frente — Bom ver você. Ah e olha, minha Borbon preferida. Roxye.

Então, Lunia apareceu em nossa frente, com seu vestido preto até os pés, unhas de gavião, e os chifres de minotauro. Aquela outra voz, riu novamente, e uma mulher, do tamanho de Lunia, apareceu em nossa frente. Ela tinha o cabelo enorme, até a panturrilha, ele era cinza, como nuvens de chuva. Ela usava um vestido azul, até a coxa, e um sapato com um salto enorme, azul. Ela usava fones de ouvidos enormes, e seus olhos eram verde, como o mar.

— Finalmente — Disse a mulher — Prazer, Greco. Sou Tarantêla.

Meus olhos arregalaram, duas Bruxas Maiores ali, e eu nem tinha a espada de Conrad verdadeira. Roxye tirou uma flecha da aljava, Porch pegou uma faca, e eu, tirei a espada do meu cinturão.

— Ora, ora, ora — Disse Lunia — Vocês vão querer mesmo morrer aqui, agora.

— Heróis não aprendem nada — Continuou Tarantêla — Vocês não sabem que somos melhores.

— E vocês Bruxos Elementares, não sabem a hora de caírem fora — Eu olhei para Roxye e Porch, como um sinal de atacar — AGORA!

Saímos em disparada contra as Bruxas, que desapareceram feito névoa, e reapareceram do outro lado. Tarantêla, lançou um jato de água em Porch, afinal ela era a Bruxa da água, Porch cambaleou para trás. Roxye lançou uma de suas flechas em direção a Lunia, mas ela só mexeu a cabeça, e a flecha bateu em um de seus chifres, e caiu no chão. Eu ataquei a minha espada em Tarantêla, mas ela estava preparada, e quando ataquei com a espada, a espada parecia água, não conseguiu fincar em Tarantêla.

— Belo congelamento — Disse Lunia, sorrindo para Tarantêla.

Então percebi, que Tarantêla também era a Bruxa do gelo, ela congelou o corpo. Porch atacou Lunia, que agora estava um pouco desprevenida, sua faca cortou o vestido de Lunia, e pegou em seu braço, mas segundos depois, o vestido parecia intacto, e então eu percebi o porque que eu deveria pegar a verdadeira espada de vidro negro de Conrad, os Bruxos eram imunes a qualquer arma, somente eram fracos contra o próprio sangue, o próprio sangue de Bruxo.

— Roxye — Gritei em direção a ela, que estava tentando acertar flechas em Tarantêla — Precisamos fincar, finque.

Roxye fez que sim com a cabeça, então chegou mais perto de Tarantêla, mas não teve jeito, Tarantêla congelou o chão embaixo de Roxye, e ela escorregou e caiu no chão, deixando sua aljava espalhar flechas por todo o lugar. Eu pensei em como acabei com aqueles seis Cavaleiros de Chardes no vale, atrás do castelo de Lunia. Fechei os olhos, me concentrei, então pedi a alguém, que eu não sei quem seja, pedi força. O céu ficou mais cinza, trovões e raios agora se mostravam para nós, no céu. As árvores balançavam, então eu lancei um grito, um enorme grito, e a espada na minha mão grudou na minha pele, como se quisesse que eu usasse ela, então avancei contra as Bruxas, e quando me dei conta, estava parado no meio do lugar onde as Bruxas nos pegaram, o lugar estava vazio, somente com Roxye e Porch me olhando, boquiabertos.

— Você...você fez as Bruxas recuarem, Greco — Disse-me Roxye — Você tem o poder que meu pai possuiu.

— Como...como assim? — Disse eu a ela, olhando para Porch, que estava com os olhos arregalados.

— Ele possuiu a força de Thorino, não como você, você possui mais.

— Thorino? Quem é Thorino?

— Thorino, o pai dos Bruxos Maiores. Você é o único, que pode derrotá-los. Precisamos da verdadeira espada de Conrad.