Greco Schmidt - Em Uma Viagem Sem Destino

11 Capítulo 11 - O Aglomerado de Blooglonian


Acho que adormeci por muito tempo, porque pelo que vi, alguns pássaros cantavam lá fora, e o cheiro de café, era deliciosamente gostoso.
Roxye dormia na cama do outro lado da pequena cabana. Ela estava aconchegante de baixo das cobertas, e na lareira, pedaços de madeira, deixavam a cabana com um cheiro de casa.
Ouvi a voz de um rapaz, devia ter mais do que minha idade, uns 19 anos.

— O café está pronto — Disse o rapaz — Quero fila. Uma fila decente.

Barulho de sapatos batendo na terra, tomou conta do local, o que me fez acordar definitivamente. Levantei e me espreguicei. Sentia uma leve dor na cabeça, o que me fez levar a mão até ela. Roxye ainda dormia, e meu estômago estava roncando, fazia tempo que eu não comia. Minha ultima refeição foi quando ainda estava com Porch, ou pelo menos achava que era ele. Sai em direção a porta de madeira.
O local era bem agradável. Ele parecia escondido de tudo, pois árvores enormes contornavam o acampamento. As árvores davam ideia de uma parede, como se estivéssemos trancados em uma sala ao ar livre. Muitos pássaros cantavam, centenas de pessoas passavam de lá pra cá, mas eram só meninos, não tinha meninas.
Eu não sabia para onde estava indo, meu estômago estava me guiando pelo meio de todos aqueles meninos, que pelo que percebi, eram bem maiores que eu.

— Ei! Cuidado por onde anda, pivete — Disse um grandalhão de cabelos pretos. Que me encarou, como se quisesse me ver morto.

Cheguei até uma fila onde vários garotos estavam esperando para tomar o café da manhã. Eu entrei na fila imaginando o que deveria ter para comer, mas logo depois, uma voz me chamou.

— Greco? O que está fazendo aqui? — Era um rapaz careca, de olhos castanhos e mais alto que eu. E então notei que era a voz que eu ouvira na cabana, dando ordens pra fazer uma fila — Disse pra Roxye tomar conta de você.

— Ela tomou — Respondi — Mas ela é como todos nós, precisou dormir.

— Bom, tudo bem — Disse o rapaz — Meu nome é Phillip. Sou o Chefe dos Recrutas.

— De todos esses? — Perguntei a Phillip, olhando em volta, vendo todos aqueles meninos.

— Da maioria — Respondeu ele sorrindo — Alguns tem cargos maiores no Aglomerado.

— Mas se você é o Chefe dos Recrutas — Continuei — Quem é mais do que você?

— Alguns são vices-diretores de tarefas — Explicou Phillip — E eu, também sou um recruta, só que, tenho mais permissões.

— E o que seria exatamente esse acampamento? — Perguntei a ele.

— Acho que o Aglomerado de Blooglonian, não é necessariamente um acampamento — Disse Phillip — Aqui, esses meninos, são treinados para lutarem contra os Bruxos Maiores. Eles são trazidos pra cá, pelos pais, quando algum Bruxo manda-os trabalharem para eles. Aí, os pais inventam um desculpa, e trazem eles aqui, para crescerem e sobreviverem.

— Mas eles não vem pra cá com essa idade — Disse eu — ou vem?

— Não — Disse Phillip, escondendo um riso — Os menores, vão para outro lugar, precisam estudar ainda, só depois dos 13 anos, eles são trazidos pra cá.

— E onde eles ficam? — Perguntei.

— Naquela escola — Ele apontou para uma enorme casa, ela era bem grande mesmo — E lá, eles estudam tudo que explica a como construir coisas, como batalharem, como curarem, lá é uma escola pra vida, na verdade.

— E quem é o diretor? — Perguntei a ele — Ele está aqui?

— Sim — Respondeu Phillip — Venha. Vou te levar até ele.

Seguimos para a escola onde Phillip me disse que os meninos menores estudavam, até terem 13 anos. No caminho, eu fiz mais algumas perguntas.

— Quem achou esse lugar, Phillip? — Disse eu.

— Foi o próprio diretor — Disse ele — Ele estava cansado de viver as custas dos Bruxos, e resolveu criar o Aglomerado. No começo foi difícil, ele mesmo disse, mas depois, ele conseguiu arrumar Recrutas.

— Mas ele não achou esse lugar com todas essas cabanas e com essa escola — Disse eu a ele.

— É verdade — Concluiu ele — Mas, mesmo sem ter essa escola, os alunos foram ensinados a construir coisas. Ai, depois de uns anos, os próprios Recrutas, fizeram essa escola.

Chegamos em um corredor, onde só tinha uma sala, e a porta de entrada, ficava no fim do corredor.

— É aquela sala ali — Apontou Phillip, para a única porta do local — Deixo você aqui, Greco.

— Obrigado — Disse a Phillip.

— Mais alguma dúvida? — Disse ele, sorrindo.

Sacudi a cabeça, como um sinal de não. E ele se virou e foi descendo as escadas, e eu fui para frente, eu direção a porta. No corredor havia somente uma sala, mas nele tinha estátuas de mármore também. Todos eram de homens segurando alguma coisa. Uma mostrava um menino de uns 14 anos, segurando um elmo. Dizia embaixo da estátua: Prown Mustarck: Elmo de Kastian. Outra, mostrava um garoto de 17 anos, forte, escrito: Sobrun Aglaung: Anel de Kirina. Então cheguei até a porta, e bati. Uma voz de um homem, disse:

— Entre!

Abri-a silenciosamente, e me dei de cara com um homem, pelo que vi, um tanto comum.

— Esperava sua visita, Greco — Disse o homem — Prazer, sou o diretor do Aglomerado. Meu nome é Ambar. Ambar Tecksoon.

— Muito prazer — Disse eu, dando a mão pra ele — Eu sou o Greco Sch...o senhor já sabe.

— Sim — Disse Ambar, sorrindo — Bom, meus meninos foram bem de acharem você e Roxye.

— É verdade — Respondi, educadamente — Eu acabei desmaiando, devido ao meu poder...

— Sim, Thorino te deu mais do que uma benção, Greco — Disse Ambar — Ele te deu uma parte de toda sua força. E por alguma razão, ele quer que você destrua minha família.

Nessa hora, eu pensei que poderia ser um Bruxo Maior. Talvez até Blacko, o Místico. Ele poderia ter matado Ambar. Mas então ele riu, e falou:

— Sei o que você está pensando. Eu não sou Blacko, ou nenhum outro Místico — Disse ele — Eu sou filho de.... acho que Roxye está vindo, consegue ouvir os passos?

Então eu pude ouvir os passos, eles não caminhavam, eles corriam. E uma garota de cabelo negro, vestindo uma roupa suja e usava, entrou na sala e correu até mim.

— Não saia mais sem me avisar, ouviu? — Disse Roxye, me abraçando — Eu quase matei aquele moleque. Ele tentou me segurar.

Então, um menino de uns 15 anos entrou na sala, ele parecia constrangido e confuso.

— Sr. Tecksoon...ela...ela me chutou — Disse ele inquieto — Eu não consegui conte-la.

— Tudo bem, Sr. Turner — Disse Ambar — Obrigado mesmo assim. A sra. Ruschel está bem.

— Tudo bem — Disse o menino — Você é Greco? Muito prazer, meu nome é Auff.

— Prazer — Disse eu, dando a mão pra ele — Você já me conhece.

— Sim...como você conseguiu fugir do castelo de Lunia... — Disse Auff, mas parou quando viu a cara de Ambar — O.k, depois conversamos — E saiu da sala, fechando a porta.

— Desculpe pela minha falta de educação senhor — Disse Roxye, mais calma agora — Sou Roxye Ruschel.

— Tudo bem, senhorita — Disse Ambar — Sou Ambar Tecksoon, o diretor daqui.

Roxye soltou um sorrisinho, mas ainda estava grudada em mim, até que se sentou na cadeira do lado.

— Phillip me contou que o senhor sonhou que a verdadeira espada de Conrad, estaria no castelo de Lunia, isso é verdade? — Perguntou Ambar.

— Sim, diretor — Disse eu — Eu...eu primeiro sonhei com Ouro e com... e depois sonhei com os Bruxos Maiores, pelo menos com 4 deles. Blacko e Kastian, não estavam na sala.

— Eu sei o porque — Disse ele — Estão procurando um novo corpo para Blacko. Depois daquele ataque, ele não poderia ficar mais no corpo de Porch por muito tempo.

— E por que não, senhor? — Perguntou Roxye.

— Depois que um Místico, qualquer um, até mesmo que seja um Bruxo Maior, assumi que é um Místico, uma maldição toma conta dele, e ele precisa sair do corpo — Explicou Ambar — Essa maldição foi imposta pela própria Bruxa Tarantêla.

— Mas o que aconteceu com o verdadeiro corpo de Blacko? — Perguntei a Ambar.

— Bom, Blacko foi destruído pelo pai de Roxye, e para não morrer, Kastian o tornou um Místico. Tarantêla depois disso, teve uma briga séria com o irmão Blacko, e até com Kastian. Ela odeia Místicos, e Lunia, ficou do lado da irmã — Disse Ambar — Bom, já o corpo foi perdido quando Conrad fincou a espada no peito dele. Mesmo os Bruxos sendo quem são, eles não são imortais para os heróis e nem para as pessoas que Thorino dá a benção. E é por isso que todos os outros morrem de medo deles, eles são invencíveis para nós.

— Mas o senhor continua com esse Aglomerado, por que senhor? — Disse Roxye.

— Uma única vez, sra. Ruschel — Disse Ambar — Thorino concedeu a benção para mais de uma pessoa. Essa pessoa foi a Melizza, e ela não era uma herói. Ela se sacrificou pelo seu pai. Ele era o homem pela qual ela amava, mas ver seu amor partir, foi a pior coisa que ela já pensou, então ela passou na frente do ataque de Blacko. E foi assim que, surgiu a força pro seu pai. Blacko matou seu irmão Místico, e matou Melizza. E isso, deu a Conrad, uma força e um raiva incontrolável.

— Ambar — Disse eu — Se pros heróis e pras pessoas que Thorino dá a benção, os Bruxos não são imortais, por que Thorino não dá a benção paraa todo mundo?

— Greco — Disse ele — Você ainda tem muito que aprender. Thorino não pode sair por aí despejando bençãos em todos. Ele também tem seu poder, e cada benção, o torna mais fraco. Ele deu muito poder a você, e deve estar mais fraco do que nunca.
É como você correr. Cada vez que você corre mais, você não cansa? Então, cada vez que Thorino da poder a alguém, a energia dele vai acabando.

— E por que os Bruxos não destroem ele? — Perguntou Roxye.

— Thorino não pode ser morto — Disse Ambar — Ele só vive nos sonhos dos heróis agora. Quando Aleto fez Thorino viver de novo, ele preferiu ajudar somente os heróis, e foi viver nos sonhos deles. Mas ele pode ser libertado, caso ocorra a morte de todos os Bruxos Maiores.

— Senhor — Disse eu — A espada está no castelo de Lunia, mas como eu vou saber onde está?

— Todos aqui sabem que você deve ir buscá-la — Disse Ambar — Mas eu não sei onde está. E isso com certeza será uma armadilha.

— Que tipo de armadilha, senhor? — Perguntou Roxye.

— Eu não sei — Disse Ambar, parecendo triste — Eu consigo ver algo no futuro, mas isso não há luz. Não consigo ver nada no castelo de Lunia.

— É por isso que você sabia que eu era o Greco, é por isso que você sabia que Roxye estava vindo, é por isso que você sabia o lugar onde a espada estava. Você é Mecano. O filho de Septus, com uma prostituta.

— Isso, Greco — Disse Ambar — Pensei que iria demorar mais pra compreender. Mas não sou nenhum Bruxo Maior. Eu apenas fui um erro, que os Bruxos chamam de Erréo. Eu tinha que ser o sétimo Bruxo, mas deu errado, e fui criado por uma família qualquer. Eles não me mataram, porque se não, toda a Perínfina iria saber. Mas, sinto-me feliz por não ser, e herdei apenas a função de ver o futuro.

— Isso é bem confuso — Disse eu — Mas o senhor pode nos ajudar?

— É claro, Greco — Disse ele — Vocês terão que ir para o castelo de Lunia, mesmo que isso seja ruim. É o seu futuro. E pelo que vejo, você terá que levar 5 Recrutas...mais a sra. Ruschel.

— Mas precisamos de um plano — Disse eu — Como vamos fazer isso?

Ambar sorriu e assoviou. Então, barulhos de patas batendo no piso, ecoaram pela sala de Ambar. Um cão, do meu tamanho, se ficasse de pé, surgiu na sala. Ele era cinza, como as nuvens de chuva, e tinha os olhos de raio, brilhando, sua língua era branca, e parecia ser muito forte.

— Rolliver — Disse Ambar — Chame os Recrutas... — e baixou a voz para falar no ouvido do cão.

Rolliver soltou um latido, era como se o céu balançasse com trovão. Então, ele saiu da sala, com a mesma rapidez que entrou.

— Um dos cães de Septus — Disse Ambar, vendo eu e Roxye boquiabertos — Foi a única coisa que roubei dos Bruxos Maiores. Peguei ele ainda pequeno, e treinei. Rolliver, gostaram do nome?

Não deu tempo de responder, mais passos ecoaram na sala de Ambar, e depois de um tempo, cinco jovens entraram na sala. O mais novo devia ter minha idade e o mais velho deveria ter uns 19 anos. Eu conhecia 2, pelo menos.

— Esses são os Recrutas que ajudarão vocês na busca da espada no castelo de Lunia. Ontem a noite fora decidido os 5 que iriam, e todos eles querem. Esse é Phillip, vocês conhecem, o Chefe dos Recrutas. Esse é Auff, o que trouxe — e Ambar fez aspas com os dedos — Roxye até a minha sala, agora a pouco. E esses três são Tirano, Cuco e Alogan.

Os três meninos eram enormes, e tinham quase a mesma idade. Cuco era negro e se mostrava ser ágil. Alogan era o menor dos 3, e Tirano parecia dar medo. Eles me deram a mão, e a Roxye também. Não pude deixar de ver Tirano olhando para Roxye, o que tinha me deixado zangado, e o que me fez prestar atenção em Ambar.

— Vocês terão que pegar a espada, e voltar correndo para cá — Disse Ambar — E preciso que não arranjem encrenca no caminho. Ela terá um exército pronto, mas vou tentar atordoá-la com meus pensamentos. Ajam devagar, não cheguem lá acabando com tudo. A porta da barreira, se encontra no meio da parede transparente.

— E o plano, senhor? — Perguntou Phillip.

— O plano é simples — Disse Ambar, com malícia — Matem Lunia, e me tragam os chifres dela.