Greco Schmidt - Em Uma Viagem Sem Destino

1 Capítulo 1 - Perdido Em Lugar Nenhum


Era como se o mundo tivesse apagado e acendido em 1 segundo. Eu estava na cama dormindo, agora estou no meio de um deserto quente. Eu não estava sonhando de jeito nenhum, fiz aquele método antigo de beliscar, só o que consegui, foi ganhar uma marca vermelha no meu braço esquerdo.

Acho que era meio-dia, poderia fritar um ovo na areia, e mesmo assim, queimaria a boca de vez. Nada a vista, a não ser escorpiões e cobras, passando pelo meus pés, o que me fazia ficar com mais medo ainda.

Eu poderia gritar, mas e se alguém que eu não quisesse ver, aparecesse? Acho que deveria continuar andando, até não conseguir mais. Eu via miragens, via coqueiros, via tudo o que eu queria naquele instante, talvez um prato de frango com batata, com o cheiro do que minha mãe fazia, talvez um enorme copo de suco de laranja, quase congelando minha boca. Eu sei que era idiota pensar naquilo no meio do deserto, mas talvez, eu poderia beber qualquer coisa.

Eu andei até não conseguir mais, a areia ardia feito fogo, o que não é nenhuma surpresa, quando se esta no meio do deserto, num dia muito quente e com o sol estalando la no alto. Mas uma hora eu iria desmaiar, e quando eu cai de joelhos no chão, a quentura da areia me fez subir, me acordando de vez, para o que eu estava vivendo.

Para não desmaiar ali mesmo, eu ficava pensando em como eu tinha ido parar aqui, no meio do nada, mas nenhuma coisa, nada, nada vinha em minha mente que me desse algum alívio, eu só tivera dormindo e acordado aqui, como acontece com todo mundo, não é?

Depois de andar mais um pouco — na verdade, eu andei mais alguns quilômetros — eu avistei um pequeno lago, que na primeira vista, eu pensei que fosse mais uma miragem, das tantas que eu já vira hoje. Mas eu percebi, que ela brilhava muito mais, quando o sol batia nela, do que nas outras miragens, então, eu corri feito uma criança, quando vê o brinquedo que ela quer. Eu corri muito rápido, e quando eu cheguei la, cai por inteiro no lago, como se fosse a primeira vez, que estivera visto água.

Bebi muita água, brinquei, pulei, mergulhei, fiz tudo o que se pode fazer com água, e quando eu estava cheio, eu sentei na beirada do lago, com o sol batendo em meu rosto e com as pernas, até mais ou menos os joelhos, mergulhadas na água do pequeno lago.

O sol, fazia meus olhos fecharem, e abrir aquele careta, de quando o sol bate no seu rosto. Eu queria ver o que tinha de tão escuro no outro lado do lago, algo que reluzia ao sol. Quando abri os olhos, arregalei-os, eu vira algo que não foi muito agradável.

No outro lado do lago, não se encontrava mais deserto nenhum, e sim, uma enorme área gélida, coberta por árvores sem folhas, cheias de neve, a grama era branca, o céu cinza, devido ao excesso de nuvens de tempestade. E o frio de lá, agora parecia me gelar daqui, era um lugar triste e sombrio.

Bem no interior da área, havia um enorme castelo negro, rodeado por enormes corvos pretos, que na luz do sol daqui, parecia azul-escuro. O castelo era monstruoso, brilhava do ponto de vista daqui, e parecia estar em grande conflito. Havia várias torres sem portas, contendo apenas janelas no topo, em cima, uma série de arcos feitos de concreto negro. Algo de arrepiar.

Para chegar ao castelo, havia uma passagem através de uma pequena floresta negra, repleta de árvores. Deveria ser muito corajoso para passar por lá, e aquilo, não estava nos meus planos, e eu apenas observei o castelo brilhar pelo sol do deserto. E na torre mais alta do castelo, localizada bem no meio, havia uma mulher na janela, ela tinha uma espécie de par de chifres de minotauro, e quando eu olhei para ela, ela sumiu para dentro do castelo. Acho que ela esperava minha visita.