Greco-Romana

6 Defendida pelo Namorado


-Isca? Tipo, te usam quando tem alguma coisa que precisam de distração?

-Sim.- Ela confirmou passando a mão no cabelo.

-É bom saber. Seu nome, é nome de um lugar na Itália, não é?

-Sim. É porque Verona foi o local onde aconteceu a história de Romeu e Julieta. Meu pai disse que minha mãe quis colocar esse nome por isso. Meu pai só concordou.

-Legal. Mudando de assunto, mas voltando ao mesmo. Você sabe que fazer isso, tipo, não fazer nada e ainda ficar parada nas atividades, bem, isso da a vocês uma fama de fúteis.

-Eu sei. Mas o azar é deles se acham que eu sou assim. Sou tão perigosa quanto uma filha de Ares.-Eu comecei a rir.- Romana, para de rir!

-Desculpa, mas você não parece ser durona. Lá as filhas de Vênus...

-Afrodite. -Ela me corrigiu para a versão grega.

-É. Continuando, lá eu quero dizer, no acampamento romano, as filhas de Afrodite não são tão molengas.

-E como sabe que somos molengas?

-Jay me contou alguns fatos sobre alguns semideuses.

-Jay?-Ela deu um leve sorriso. -O que ele disse de mim?

-Disse que era legal e que não gostava de fazer muitas atividades por aqui.

-Ele me elogiou?

-Bem-eu pensei, mas ele não tinha dito nada sobre ela-acho que não.

-Entendi...

-Você é afim dele?

-Não. Talvez. Mas eu acho que eu queira só...

-Não tem que me contar. Mas pode, ok?-Ela só enrolou sobre o assunto. No fim só entendi que ela tinha algum desejo por ele.

Depois que saímos de lá fomos para nossos chalés. Decidi que ia sair para dar uma volta até que não tivesse nenhum a fazer.

-Ei!- Tresh me chamou quando estava indo em direção ao Arsenal. – A onde está indo?-Disse ele colocando a espada de lado.

-Eu estou indo no time de futebol.

-Onde?

-Arsenal. Nunca ouviu falar?

-Arsenal...Espera...

-O time que tem um canhão na blusa. Por isso chama Arsenal, por causa das armas.

-A, claro! Não jogava muito com esse time. Na verdade não jogava muito video-game de futebol. Você está indo ao Arsenal com quem?

-Só eu estou indo lá.

-Sem acompanhante? Acho que tem que ir com alguém. Tipo alguém que tenha mais tempo.

-Ta se oferecendo?

-Não. Mas já que falou, agora eu vou.

-A claro.- Falei em um tom de indiferença. Fomos caminhando- O que te faz ser bom com a espada?

-Eu não sei. Eu sempre gostava de ver desenhos, neles apareciam alguns movimentos, eu só copiava.

-Você parecia ter uma vida normal.

-Parece por algumas histórias. Mas eu sempre fui atormentado em sonhos. Teve uma vez que a moça da cantina da escola me atacou com a geladeira. Ela tinha levantado ela, e arremessou em mim.

-Desviou como?

-Me joguei no chão. Ai ela começou a jogar umas coisas em mim.

-Fogão? Doces?

-É. Quase isso.

-A claro. Ei seu gordo, morra entupido com a bala maligna.

-Sua representação merece um Oscar.

-Obrigada. Mas o que aconteceu depois?

-A, eu ataquei ela com alguns canos que estavam perto do banheiro. Estavam reformando aquela época. Ai o diretor chegou na hora, ele achou que ela não tinha feito nada. Me expulsou.

-Clássico.- Entramos no Arsenal. Fique espantada com o tanto de armas.-Nossa! Olha aqui essa lança!

-Não encosta.

-Se veio para me controlar, pode ir embora.

-Só estou dizendo para não mexer. Grossa. Estava te achando educada demais.

-Desculpe. Eu queria te matar agora a pouco e agora estamos conversando. Estou ligando os pontos disso tudo. -Nem olhei para ele, sai andando em meio aquele salão da tentação.- Quantas espadas, pena que eu odeio manuseá-las.

-É fácil, não tem segredo. Eu acho a melhor arma em campo ou em batalha. Você vai gostar.

-Vou. Mas quando eu resolver treinar, no qual não vai ser agora. Meu Deus! Olha esse estoque de facas e Adagas! -Sai correndo e comecei a pegar todas na mão. Eu segurei uma faca firme e atirei na parede.- Essa lâmina é bem potente!

-Sua mira é ótima!-Disse Tresh surpreso-Você é boa.

-Eu sei.

-Como aprendeu?

-Sobrevivência.

-Explica melhor.

-Eu conto se achar que devo.

-Me lembra de nunca mais te acompanhar em um lugar.- Ele disse virando as costas.

-Espera. -Corri atrás dele.- Quero testar essa Adaga.- Passei em um rápido movimento a Adaga em seu braço. Uma pequena porcentagem de sangue.

-Ai! Qual seu problema?- Tresh me empurrou.

-Eu to testando. Isso nem doeu.

-Não foi em você.

-É, não foi em mim!-Virei para guardar a Adaga. Tresh pegou com força no meu braço.-Ai! Me solta, você está me machucando.

-Em mim não está doendo. -Ele soltou meu braço. Eu dei um tapa nele. Ele revidou. Eu revidei outro tapa, ele fez o mesmo. Dei um soco no ombro dele.

-Ei!-Ele me beliscou.

-Ou!-Eu apertei sua teta.

-Ai! Porque todo mundo ama a teta dos gordos?

-Eu não sei, mas é legal. -Apertei de novo. Agora eu ri.

-Eu não sou uma vaca leiteira. Aqui não sai leite, desculpe. -Ele riu.

-Bocó.

-Magrela.

-Gordo.

-Filha de Roma!

-Grego.

-Parecem crianças-Disse Jay entretanto. -Não dou as costas e você arruma alguma entriga. Você é uma verdadeira meio-sangue.

-Seu amigo chegou, não precisa mais de mim. Tchau.- Tresh simplesmente saiu.

Não deu nem tempo de que eu e Jay conversássemos, pois Tyler entrou com pressa no Arsenal.

-Jay, Jessy atingiu alguém em uma luta. Estão precisando de você na enfermaria.-Jay saiu correndo. Eu deixei a faca na parede, a minha curiosidade foi maior.

-O que aconteceu? Quem foi?-Eu disse quando um filho de Apolo me barrou na entrada da enfermaria.

-Ela acertou Meridia. -Disse Tyler atrás de mim. Meredia. A pequena garotinha que me recebeu tão bem. Não ia deixar que aquela grandona, filha de Ares, no qual tinha seu nome atendido por Jessy machucar a pequena garota.

-Jessy! Porque atingiu Meridia? -Eu estava quase gritando. Ela estava um pouco perto da enfermaria, foi fácil acha-la.

-É da sua conta?

-Passou a ser quando machucou ela.

-Saiba que eu machuquei ela porque ela me provocou.

-Mesmo assim. Olha o seu tamanho. Olha o dela.

-Os monstros não observam isso quando lutam.

-É. Você é um monstro por fazer isso! Você é grande, mas não é duas. Então, chega de adiar o que você quer e vem bater em mim!

-Até que em fim alguma adrenalina, tampinha. -Ela abaixou, pegou pela gola da minha camisa e me levantou. Fiquei cara a cara com os seus olhos negros. Meus pés balançavam no ar.

-Nossa, a visão é bem legal daqui de cima.

-Não vai ser quando eu acertar seu olho. Não vai mais ver o dia.

-Olha...-Ela estava comigo em suas mãos, literalmente. Comecei a me debater.

-Acha mesmo que você vai sair? Ou melhor. Acha mesmo que eu vou te soltar?

-A gente tenta. Acaba logo com isso e me bate. Mas já aviso, é desvantagem porque me segurou.

-Vou te bater. -Ela tirou uma das mãos e fechou.

-Pera, pera. Eu estava brincando. Me bater? Que isso, bem? E seus olhos? Lindos né. Me coloca no chão ai gente pode igualar a luta.

-Só nos seus sonhos.- Ela ia me bater, tive que pensar em algo.

-Por falar em sonho, você consegue babar? Tipo, eu consigo. Tenho facilidade, olha.- Tombei a cabeça para o lado e minha baba começou a escorrer.

-Não vai ser só baba que vai escorrer de você.

-Não, espera, olha. -Tirei a língua para fora e minha baba escorreu mais, da forma em que chegou nas mãos de Jessy.

-Que...que nojo. -Ela me largou.

-Eu sei. Quer ver eu vomitar sangue?-Perguntei limpando meu rosto. Eu lembrei do eu conseguia fazer, tipo vomitar sangue. Até tinha esquecido da luta.

-Não. Eu vou te bater!-Ela fechou a mão e acertou um soco no meu estômago. Fique sem força. Abaixei para ver se diminuía, mas foi em vão. Ela me colocou de pé pelo meus cabelos. -E agora? Quem vai bater em quem?-Minha mãos passaram para trás para pegar a mão dela. Ela segurou em meu pescoço. O que foi um erro. Mas que depressa tirei minha Adaga da cintura e cortei o braço dela. Ela soltou meu pescoço para amparar o ferimento com a mão. O corte pegou quase o braço todo, o ferimento foi fundo e sangrava muito. Analisando o estrago, ia ter que dar alguns pontos.

-Quem vai bater em quem?-Eu falei. Meu estômago ainda doia, mas agora tendo a satisfação de corta-la eu nem estava ligando.- Já disse. Você é grande, porém, não é duas. Ela avançou para cima de mim. Tyler entrou na frente.

-A senhorita vai parar com isso.

-Tyler, sai da minha frente. Olha o que ela fez.

-Eu já tinha falado a respeito das suas encrencas. Para com isso! Vai arrumar briga não só com ela.

-Vai se bandear a ela também?

-Não. Mas você está passando dos limites. Você está chata. Sua rebeldia vai te custar uma enorme cicatriz. Você feriu Meridia. Você não se toca?-Eu via Tyler gesticular. Eles estava dando uma bronca nela.

-Tyler...sai da minha frente, ou...

-Ou o que? Vai me machucar? Pode vim. Ta na hora da gente sair no braço mesmo. Qual é o seu problema? Porque ta agindo assim?

-Amor...-Disse Jessy- me desculpe...mas...mas eu não sei o que está acontecendo. Simplesmente não gosto de ter uma filha de Roma aqui, entende?

-Não. Eu não entendo. Romana está tentando ser legal. Ela quis defender Meridia. Eu nem sei o que houve entre vocês. Mas o que a gente tem, acaba aqui.-Ai Tyler saiu andando da minha frente para um lugar sem rumo.

Amor? O que a gente tem acaba aqui? Eles eram namorados? Ela era bonita, tudo bem. Claro, com a boca fechada. Ele era bonito também, mas era pouca coisa menor que ela. Como um cara legal como ele, namorava uma menina mala? Eu sei que não sou uma simpática de pessoa...Não eu sou a simpatia em pessoa, mas...Mas ela? Menos um da minha lista de namoro aqui nesse acampamento. A última coisa que quero é roubar namorado das outras.

-Amor, amor! Volta! A gente tem que conversar!-A voz dela não era mais aquela voz autoritária. Era uma voz de cuidado. De medo. Então, ela saiu correndo atrás dele. Não sei porque, mas eu fiquei chocada de saber que eles namoravam.

-E eu que achava que ela nunca ia desencalhar. Que vida bandida!

-Quase temos patê de Romana!-Disse Tresh cruzando os braços na minha frente.

-Você estava olhando? E não fez nada?

-Sim e sim. Mas se você fosse apanhar, eu te ajudaria.

-Porque?

-Porque ia ser covardia.- Ele me deu a mão para me ajudar a levantar.

-Da para acreditar que eles são namorados?

-Da. Eles são um nojo junto.

-São? Porque não os vi junto?

-Ele devia estar tocando alguma coisa. Sério, quando ve-los juntos você vai pedir para que nunca tivesse visto.

-Porque?

-Porque eles são tão melosos que enjooa.

-Diz isso porque não tem namorada. Pessoas grudadas são fofas.

-É. Não tenho namorada. Mas se tivesse, não ia lamber ela.

-Mas são fofos, eu acho.

-Lamber, eu digo literalmente. Uma vez a gente tava indo comer, quando eles foram para a mesa, ele passou a língua na bochecha dela. Ta certo, eu teria minha namorada e a lamberia, mas não na frente dos outros.

-Ai não é para tanto. Lamber alguém? Tresh, vem aqui, vou te lamber.

-Ai Romana, sai.-Ele riu quando o segurei.

-Não vou te lamber, a menos que você tenha gosto de bacon.

-Vou te contar algo. Sou muito gostoso e tenho gosto de bacon. Me lambe infinitamente. -Ele riu.

-Não. Obrigada.

-Sabe como eles deram certo? O que me contaram é que ela acabou quebrando a perna dele em uma das atividades. Ai ela ficou com dó dele. Depois disso ela ia ver como ele estava. Acabou que ela se declarou para ele.

-Mas ele largou dela.

-Largar? Me poupe. Eu duvido que ele largue dela. A ultima vez que ele disse isso, ninguém dormiu no acampamento porque ele ficou cantando na porta chalé cinco. Ela perdoou ele depois dele que ele fez ciúmes para ela com uma outra garota. A garota apanhou. Mas eles voltaram.

-Quando foi isso?

-Duas semanas atrás.

-Ta aqui já faz duas semanas?

-Sim, e mais algum tempo. Ainda não fui reclamado.

-Você pode ser meu namorado, o que acha? Todo mundo aqui tem um namorado. Verona ta de olho no Jay, com certeza eles vão dar certo e...

-Romana, é afim dele?

-Não, ele é meu amigo. Não quero mais te namorar.

-É sim. Olha para você. Olha esse brilho no olhar. E eu também não quero te namorar. Não gosto de meninas grossas.

-Não gosto de você. Lembra que eu disse que queria te lamber? Era mentira.

-Ta.

-Ta.

Virei as costas e entrei na enfermaria. Agora já haviam me liberado para ve-la.