Greco-Romana
24 Achamos o pentelho.
Notas iniciais
Quando chegamos lá no saguão não sabia para onde ir. Era simplesmente enorme.
–Que lado ir?-Perguntei a Tresh.
–Vasculhamos a área. Não vamos nos separar.
–Ta.-Virei a garrafa de espumante na boca.
Andamos em meio as máquinas e um monte de pessoas. Por mais que o local parecesse estar com super lotação dava para andar livremente lá dentro.
–Olha!-Gritei quando vi uma máquina de jogo livre.-Sempre quis jogar esse jogo!
–É do que?-Tresh perguntou,enquanto me seguia até a máquina.
–Matar monstros.
–Romana,deixa isso para lá. Matamos monstros de mais.
–Só cinco minutos. Cronometra ai.
E dei inicio a partida. Tresh ficou do meu lado olhando.
–Cinco minutos,vamos embora?-Ele disse.
–Calma,eu tenho que matar a Medusa.-Dei um longo gole no whisky.
–Isso é bom?
–Assim como eu sou grossa. Sim,é bom.
Tresh coçou a cabeça e pegou a garrafa de mim. Bebeu um gole.
–Isso é forte. Mas é bom. Assim como você.-Ele colocou a garrafa no chão.
–Ãn...o que?-Por um momento achei que ele tivesse me elogiado ou coisa do tipo.
–Nada. Tem uma máquina livre ali. Vou jogar.
–Cinco minutos,em!
–Cinco minutos.-Ele retrucou.
Após ficar vidrada na máquina me deu uma sede repentina. Peguei a garrafa de espumante que estava no chão e levantei para beber. Quando fui colocar a garrafa no chão vi um aparência que eu conhecia de algum lugar.
Olhei de novo e dessa vez o reconheci. Era o menino dos meus sonhos. Olhei em volta e Tresh estava concentrado em seu jogo. Sacudi minha cabeça com força e precisão. Me belisquei. Dei mais uma olhada em volta. O que eu estava fazendo ali mesmo?
A criança. Uma voz me disse.
Peguei aquela garrafa de espumante e joguei toda em mim.
–Uol!-Gritei. Um pouco do líquido entro no meu nariz e momentaneamente ardeu.
Me aproximei de Tressh e ele estava jogando.
–Minha nossa! Eu passei essa fase!-Ele gritou.
–Cara,achei o nosso alvo.
–Achou? É jogo novo?
–Tresh,olha aqui.
–Espera ai.
Eu olhei para trás e a criança ainda estava lá. Puxei Tresh da máquina e gritei com ele.
–Acorda!
–Vou jogar,calma.
Dei um tabefe na cara dele.
–Ai! Por que fez isso?
–Porque a gente foi distraído. Eu achei a criança.
–A não!-Tresh sussurrou passando a mão no rosto.
Saímos correndo a até a criança. Eu estava segurando ainda a garrafa de whisky.
–Ai garoto,você vem com a gente.
–Ãn? Mas eu acabei de chegar.-Ele nem dirigiu o olhar para mim.
Puxei o rosto da criança para o meu rosto.
–É ele.-Virei para Tresh.
–Então é hora de irmos.
–Não vou a lugar nenhum com vocês.-A criança disse.
–Não?
–Não.-Ela retrucou.
–Ok.-Peguei a criança no colo dei para Tresh.-Segura ele e não solta. Se soltar e ele fugir,você apanha!
–Tenho segunda opção?
–Tem? Vai lá fora.
–O que vai fazer?-Tresh me perguntou. A criança se debatia e gritava.
–Tributo a Mercúrio. Pelo tênis.
Tresh não quis ir mas fiz ele ir de qualquer maneira.
Cheguei no balcão de bebidas e subi em cima dele.
–Ai galera.-O cassino não parou. As pessoas não olharam para mim.-Ok,tentei avisar.
Havia uma tocha como decoração e ela estava acesa. Peguei a garrafa de whisky e joguei no chão.
–O que está fazendo?-Perguntou um barmen.
–Homenagem ao meu pai.-Peguei aquela tocha e atirei no chão.-Por Mercúrio!-Gritei.
Em questão de segundo houve uma correria e uma grande lastra de fogo se espalhava. As pessoas corriam em desespero para a saída. Fiz uma coisa bem mais útil do que fazer uma oferenda a meu pai. Salvei muitas pessoas de um transe eterno.
Saí disparada a saída e Tresh estava com uma expressão proucupada e a criança se debatia.
–Por Zeus! Achei que nunca ia sair de lá.
–Eu fiz o possível.
–Me soltem! Eu sou perigoso. Vou machucar vocês!
Eu comecei a rir.
–Vai? Qual suas habilidades?
–Eu não sou uma criança normal.-Ele retrucou.
–E você acha que somos?
Ele pensou por algum instantes.
–Como vamos embora?
–Tênis voadores.-Falei.-Vamos até um ponto de ônibus.
–Mas não temos mais dinheiro.-Falei.-Eu tive um plano.-Olhei para o garoto.
Depois de mais ou menos meia hora eu e ele voltamos com a bolsa com uma quantia de dinheiro.
–A claro,dois filhos de ladrão. Porque não pensei nisso antes?
O garoto ainda parecia na defensiva mas não me contrariou mais.
Pegamos o garoto. Eu por um braço e Tresh por outro.
–Nos leve até um lugar que passe ônibus para Nova York.-Eu e Tresh batemos os calcanhares e saímos voando.
–Bater os calcanhares e falar a onde você vai não é tipo,meio que,ãn...Dorothy?-O menino perguntou enquanto estávamos no céu escuro.
–Mas em?
–Você sabe...O mágico de Oz. Você nunca ouviu falar?
–Garoto,-falei- não vou discutir com você aqui em cima. Não to afim de comer mosquitos.
–Tudo bem.
Dorothy?O Mágico de Oz? Eu mereço. Eu tinha ouvido falar da história,claro,mas não sabia que tinha essa coisa bater calcanhares.
Paramos em um terminal rodoviário.
–Vamos embora,enfim?-Tresh disse.
–É...acho que por fim. Vamos comprar as passagens.
Não queria sair nenhum minuto longe de Tresh,não queria que nada mais desse errado.
Nosso ônibus por sorte chegaria daqui quinze minutos.
–Quem é você,então?-O garoto por fim disse.
–Sou uma pessoa que veio designada a te ajudar. Precisos de informação. Qual seu nome?
–Não é da sua conta.-Ele retrucou.
–Se vocês forem irmãos,é de família ser mal educado.-Tresh riu. Ele estava atrás de mim. Simplesmente dei um tapa na sua barriga e ele se calou.
–Tudo bem. Me conte como você chegou ao cassino.
–Porque?
–Amigo,você não ta facilitando...-Tirei minha Adaga da cintura.
–Uol!-Ele disse. E aquilo me pareceu familiar. Ele me lembrou eu mesma falando aquilo.-Sem pressão,eu falo.
–Ótimo!
–Eu estava em uma...Espera,se eu contar vocês não vão acreditar.
–Que você é um semideus? Que se pai é um deus romano? Que você veio de um acampamento chamado Acampamento Júpiter?
–Como você...? Você é da mesma espécie que eu?-Ele parecia surpreso.
Fiz um gesto que fez parecer óbvio.
–Nossa! Voltando,eu estava em uma missão pelo acampamento e acabei topando com isso.
–O que dizia a missão?
–O augúrio do acampamento tinha me dito que eu tinha que encontrar uma garota. Mas eu iria falhar,ia ficar em uma prisão por cinco anos e essa mesma garota que eu iria procurar iria me salvar. Imagina,cinco anos? Logo irei achar a garota e não vejo a hora de dizer a eles que não fiquei preso.
–Você sabe em que ano estamos,não é?
–2009,certo?
–Por Zeus,Romana!-Tresh me olhou nervoso.
–Zeus?-Ele perguntou.
–História longa. O fato é que não estamos em 2009,amigo. Estamos em 2013. Você ficou em uma prisão,o cassino. Eu sou Romana,e esse é Tresh. Fomos enviados para te salvar.
Ele pareceu confuso. Ele estava com uma cara de que alguém tivesse amarrado o cérebro dele.
–Você...Isso é impossível!-Ele estava pasmo.
–Não é! Me da a passagem.-Falei para Tresh- Olha a data. E se passaram três dias desde que eu e Tresh entramos no cassino.
–Você então é a menina que...Você é minha irmã?
–Eu não sei...Só sei que tive que te salvar e...
–Minha irmã! Você está viva! Como...como...Os lobos me disseram sobre você e na carta também...
–Opa,opa e opa. Que carta?
–Da nossa mãe. Ela me deixou uma carta. Olha aqui.
Ele tirou a carta e me deu.
–Adoraria a ler mas tenho dislexia. Letras para mim são um saco.
–Eu leio.
–Não tem dislexia?
–Não. Só TDA.
Então ele começou a ler a carta.
“Meu querido Brayn,sei que sou totalmente errada por te abandonar,eu sei. Um dia espero que me entenda. As vezes as pessoas tem que fazer sacrifícios para o próprio bem de uma pessoa amada. No meu caso são duas.
Fique sabendo que você não está sozinho no mundo. Você tem uma irmã muito linda. O nome dela é Romana. Ela é um ano mais velha que você. Espero que o destino de vocês os liguem.
Quando for mais velho vai entender porque eu não pude ficar com você. Espero que do fundo do meu coração mortal você me perdoe. Simplesmente não tenho como lutar contra isso. Você vai ser um menino muito esperto e corajoso. Assim como sua irmã está destinada a ser.
Adeus meu pequeno meio-sangue. Que minha alma de mãe esteja sempre contigo,pois é com uma enorme dor no coração que deixo você com os lobos. Eu te amo. E Romana o ama também.
Espero um dia ver vocês dois juntos,meus bebes.
Com amor e carinho,mamãe Trina”
Trina,o nome da minha mãe. Então o garoto é mesmo meu irmão. Eu estava chorando. ‘Meus bebes’ ‘Mamãe Trina’.
–Mãe...-Eu comecei a chorar mais um pouco. Tresh se aproximou de mim.
–Quer conversar? Precisa de um abraço?
–Eu estou emocionada,não sem rumo.-Retruquei.
–Só quis ajudar.
–Romana...Esse é o nome da minha irmã...-Eu estava de pé segurando a carta. Queria ler algo mas minha cabeça confundia tudo. Era quase impossível.
Senti os braços de Brayan por trás de mim. Meu irmão estava demonstrando afeto comigo.
–Romana!-Ele estava chorando.-Eu esperei tanto por esse momento.
–Olha,eu não sabia da sua existência até algumas semanas atrás. Mas isso não vai afetar em nada. Enquanto eu estiver por perto ninguém vai lhe fazer mal.
–Do que está falando?-Então contei sobre os caras daquela tal Máfia.
Embora ele seja um ano mais novo que eu,ele aparentava ter dez anos. Aquele tempo no cassino retardou o se envelhecimento. Então,meu irmão era um jovem com quatorze anos com aparência de dez. Estranho.
–Vamos.-Disse quando o ônibus chegou.
–Para onde vamos?
–A outra parte da história te conto no ônibus.
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