Great Power, Great Responsibility.
1 Capítulo 1 - Family.
Notas iniciais
– Você sabe que a festa de aniversário do meu pai é daqui a três horas, certo? – A judia do outro lado da linha encarava o relógio digital ao lado de sua cama, os números marcavam cinco e quinze. –
– Claro que eu sei, e eu vou estar lá. Sim, eu peguei o guarda-chuva para caso chover. Eu também te amo. – A voz saindo abafada pela máscara, a loira guardou o celular na calça de lycra. Se levasse um tiro, um soco ou um golpe com uma barra de ferro, já era. –
A sirene no carro de uma viatura em perseguição chamou sua atenção de um dos arranha-céus mais altos de New York, e logo ela jogou-se do prédio, prendendo uma teia em outro e lançando-se em direção a confusão no meio das ruas movimentadas.
Essa é a vida de Quinn Fabray. Ou melhor, Berry-Fabray.
Aos dezesseis anos em uma excursão escolar em um dos laboratórios da Oscorp, uma aranha geneticamente modificada acabou escapando e mordeu a garota nerd que era ignorada e excluída, apenas lembrada quando iriam trancá-la no armário ou jogar raspadinha na sua cara. Ciente de seus poderes e responsabilidades, Quinn Fabray criou sua segunda identidade, também conhecida mundialmente como Spider-Girl.
Com poderes vem aqueles que querem tirá-lo de você ou tomá-los para si, por isso, inúmeras vezes a garota viu a vida passar diante de seus olhos, mas apesar de tudo, conseguiu montar uma família como uma pessoa comum. Com o tempo arranjou uma namorada, e depois de enfrentar todas consequências de sua identidade como heroína, acabaram casando-se e tiveram uma filha, a pequena Charlie.
A loira caiu de pé em cima do vidro do carro, e o motorista mascarado quase bateu o veículo.
– Cara, você dirige muito mal. Tipo, muito mal mesmo! – Ela agachou-se de modo que ficasse de cara com o vidro, que refletiu as cores azul, preto e vermelho de sua roupa. O motorista disse algo para o outro sentado no banco do passageiro, e ele assentiu. –
Logo sacando uma arma que por anos de experiência a loira identificou como uma Magnum calibre 44, disparando contra o vidro, uma marca de bala foi feita quando a aranha humana caiu para trás. Os dois sorriram, apenas para deixarem os risos maldosos morrerem assim que a mulher aranha apareceu ao lado da porta do motorista.
– Foi mal caras, ainda não se livraram de mim. Agora encosta aí. – Ela pediu gentilmente, batendo fraco no vidro do motorista. –
O ladrão logo prensou a porta do carro contra um caminhão do seu lado, e a aranha saltou para a lateral do veículo, um suspiro cansado veio por trás da máscara vermelha.
– E eu ainda insisto em pedir ... – Ela lançou várias teias em direção as rodas traseiras do veículo provavelmente roubado, que logo começou a dançar na pista e em um giro, bateu contra o muro de uma loja de roupas. –
Os dois ladrões saíram do carro e começaram a disparar em direção a Quinn assim que a loira pulou do caminhão, novamente suspirou cansada e deu um mortal para trás, desviando de duas ou três balas que vieram em sua direção com uma velocidade incrível.
– Olha, eu realmente tenho um horário marcado ... Então, podem tentar outro dia, tipo, quando forem soltos? –
– E quem vai nos prender? Uma garota idiota numa fantasia ridícula que sabe realizar truques baratos de circo? – Um deles gritou, e por dentro da máscara, uma sobrancelha foi arqueada. –
– Cara, eu acabei de bater o seu carro com meu ‘truques baratos’. E além disso, a fantasia é bem da hora. – A mulher mascarada defendeu-se, e quando o da direita ameaçou apertar o gatilho, ela lançou uma teia em direção a arma e puxou-a para sua mão. – Sabe, é perigoso andar por aí com isso. – E jogou a Magnum em um bueiro aberto não muito longe dali. –
Quando o da esquerda foi atirar em sua direção, ela lançou uma teia em um prédio posicionado atrás do homem, logo balançando-se em direção ao local onde a teia prendeu-se, chutando com força a mandíbula do mascarado no processo.
O outro foi tentar correr, mas a Spider-Girl lançou uma teia em suas costas, puxando-o de volta.
– Qual é, a gente acabou de começar a festa e já vai embora? – Ela amarrou os dois juntos em um bolo de teias e prendeu-os em um poste, logo apertando a bochecha de um dos bandidos. – Seja um bom garoto, se comporte e vá dormir as nove. Eu te amo. – Disse com uma vozinha infantil, e assim que a sirene da viatura alcançou seus ouvidos, ela prendeu uma teia em um prédio não muito longe e com impulso foi balançando entre as construções da cidade que nunca dorme, até parar ao topo de um arranha-céu. –
Quando retirou a máscara vermelha, os cabelos loiros caíram até seus ombros, e respirando fundo, sorriu ao ver a cidade assim. Aos seus olhos, parecia mais segura com ela ali.
Estalando o pescoço, perguntou-se mentalmente se Rachel algum dia a deixaria trazer Charlie ali. Na adolescência, as duas costumavam passar grande parte da noite em cima dos prédios, observando a cidade ou algumas vezes encontrando-se em situações mais íntimas. Ainda faziam isso de vez em quando, antes de conceberem Charlie em um desses encontros.
‘Oh meu Deus, Rachel!’ E então lembrou-se do compromisso, o aniversário do sogro. Rachel a mataria se se atrasasse de novo, afinal, dizer para a família que sempre que a loira se atrasava era por alguma reunião de emergência não dava mais.
Novamente com a máscara, ela jogou-se do prédio e pegou o celular para conferir as horas. Seis e vinte, droga! Em uma velocidade absurda comparada as patrulhas diárias, ela foi fazendo o caminho até sua casa, um dos apartamentos mais caros de New York. Rachel era uma diva da Broadway, Quinn um prodígio da biomedicina, suas condições não poderiam ser melhores.
Assim que a loira caiu na sacada da sala, entrou correndo em casa, tomando o máximo de cuidado o possível para não topar com Rachel. Porém, ela acabou encontrando Charlie, a garotinha de um ano de idade riu bobamente da mãe, uma vez que ela já estava acostumada com uma ‘aranha humana’ saindo e entrando de casa toda hora.
– Hey baby girl, como vai? – Indagou, agachando-se ao lado da filha, enquanto retirou sua máscara e pegou a criança no colo. –
A garotinha loira riu novamente e pegou a máscara da mãe em mãos, admirando fixamente o pano vermelho com o desenho de teias e duas lentes brancas. Assim que Rachel apareceu na sala com o celular prensado entre o ombro esquerdo e a orelha enquanto anotava algo em uma agenda, Quinn engoliu em seco e sorriu sem graça. Quem eram Doutor Octopus ou o Rino comparados a uma Rachel Berry irritada?
A morena logo despediu-se de quem quer que seja e desligou o celular, diferente do que Quinn esperava, beijou-a normalmente e sorriu, pegando Charlie no colo.
– O que? – Indagou, assim que notou que sua esposa encarava-a como se fosse louca. –
– N-nada, nada! Absolutamente nada! E-eu vou me trocar! – Ela sorriu fraco e apontou para o corredor, logo indo em direção ao quarto, deixando uma Rachel confusa para trás. –
A judia deu de ombros e logo voltou a atenção para a televisão, onde o noticiário local informava que a Spider-Girl tinha pego mais uma dupla, e a atriz sorriu orgulhosa, ainda com Charlie em mãos, a garotinha apertando a máscara da mãe loira contra o peito.
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