Grazie.
2 A noite de abertura (parte 1)
18 de junho de 2014
...
—Louise? Ei, Louise! Acorde, o sol está tão lindo!
Eu ouvia sua voz alegre e sentia seus longos cabelos negros em volta do meu rosto. Sorria, murmurando um "já vou", virando para o lado e voltando a dormir.
—Levante, Louise! Você precisa aprender a apreciar mais os dias belos como o de hoje!
Ela me sacudia, até que decidi levantar e fazer que ela havia pedido. Olhei pela janela, era realmente um belo dia, não tanto quanto ela havia dito, mas ainda sim um belo dia.
—Não te disse?
Ela sorria
—O sol não brilha tanto assim todos os dias.
Sua mão encostou na minha, enquanto eu a observava sorrir. Era o mais belo sorriso
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18 de junho de 2017
...
—O dia está horrível hoje! Como é possível um lugar tão belo ter manhãs tão feias?
Tony reclamava, enquanto caminhava pelo apartamento recolhendo as sobras de festa da noite passada. Olhei pela janela, as nuvens cobriam o sol quase que por completo.
—Não está tão ruim.
Discordei logo voltando aos trabalhos. Tony sentou-se ao meu lado.
—Então, tudo pronto para a exposição hoje à noite?
Quase havia me esquecido, era a noite de abertura de um novo projeto, eu havia parado de pensar sobre isso no dia em a vi no festival de primavera e logo após naquele vagão de trem. Minha mente não me deixava pensar em outra coisa que não fosse o motivo que a trazia para a Itália novamente.
—Louise? Acorda, estou falando com você!
Tony estalava os dedos a minha frente, fazendo com que eu voltasse para a realidade.
—Ah, a exposição...É, está tudo pronto! Vai dar tudo certo hoje à noite.
O silêncio tomou conta do apartamento quase que vazio, Tony me encarava enquanto eu encarava meus pés, até ele resolver quebrar aquele gelo.
—Você está pensando naquela garota, não está? Louise, você precisa parar com isso! Você tem tudo que uma pessoa pode querer, tem estabilidade, fama, apoio de pessoas que te amam e...
Eu o interrompi, —Não diga Suzane.
—E Suzane, uma pessoa maravilhosa que te apoiou desde que aquela lá foi embora.
Suspirei, ajeitando meu corpo no sofá
—Tony, Suzane é uma pessoa maravilhosa. Eu realmente acho, só não sinto o mesmo que ela sente por mim... eu a vejo como uma ótima amiga, uma pessoa que está sempre por perto, mas não sinto o mesmo. E depois que, como você mesmo diz, aquela lá, me deixou, já não consigo me sentir da forma que me sentia pelas pessoas antes. Seria péssimo envolvê-la nessa situação.
Tony revirou os olhos e soltou um longo suspiro
—Olha, é sua vida, eu sei. Só queria que você soubesse que não precisa agir como se estivesse sozinha, você tem pessoas maravilhosas ao seu redor e que te amam demais.
O silêncio voltou a tomar conta do local, fazendo com que pensamentos aleatórios sobre meu antigo amor voltassem à tona. A mesma pergunta se repetia. Por que ela estava aqui?
Em meio ao silêncio absurdo entre eu e Tony, foi possível ouvir a campainha sendo tocada
—Graças a Deus! Já não aguentava mais esse silêncio horrível.
Sorri, observando Tony caminhar até a porta. Ouvi uma voz familiar cumprimentando Tony e senti seu perfume invadir o cômodo.
—Olha quem está aqui, Louise!
Era Suzane, ela estava sorrindo como sempre.
—Bom dia, Lou!
—Olá, Suzane. Como estão os trabalhos?
—Tudo ótimo, tenho mais uma sessão de fotos amanhã. Contrato com uma nova marca local.
Suas palavras eram sempre acompanhadas por um belo sorriso. Suzane era, de fato, uma pessoa maravilhosa, tanto por dentro quanto por fora. Seu maior sonho envolvia passarelas, concursos de beleza e ensaios fotográficos
—E você? Está ansiosa para a nova exposição?
A última coisa em que eu queria pensar era nessa maldita exposição, não que eu estivesse infeliz com isso, mas a inúmera quantidade de pessoas reunidas em um só lugar para avaliar meu trabalho me deixava um pouco incomodada
—Pra ser sincera, não do modo bom...
Suzane se sentou, podia sentir seu perfume com mais clareza naquele momento
—Bom, acho que vou deixar as duas conversando mais um pouco e ver se alguém precisa de mim no atelier. Até mais tarde, meninas. Prometo chegar antes do discurso de abertura, Lou!
Antes que pudesse dizer alguma coisa, Tony saiu sem dar a oportunidade de resposta. Eu sabia exatamente qual era seu plano ao me deixar sozinha com Suzane
—Lou... Tony me contou sobre o que você viu no festival de primavera e no trem...Eu sinto muito.
Ela chegou mais perto, tocando meu ombro de uma forma que me deixou sem reação
—Tudo bem, Suzane. Carla disse que a possibilidade de que realmente fosse ela, é bem pequena...
—Se você disse que a viu, eu acredito em você.
Virei-me em sua direção e vi aquele sorriso novamente, o mesmo que acompanhava suas palavras, ele estava ali mais uma vez
—Sério? Você não acha que isso pode ser só uma brincadeira da minha mente comigo?
—Louise, a possibilidade pode ser pequena, mas não é impossível. E se ela resolveu voltar? Talvez ela não tenha desistido dos sonhos dela, talvez esteja visitando algum amigo que mora por aqui...
Seu sorriso desapareceu, seus olhos agora procuravam os meus
—Talvez ela queira se comunicar com você novamente, Louise...
Eu sabia como Suzane se sentia em relação a mim e eu odiaria alimentar esse sentimento que seria dificilmente correspondido, mas ao ver o modo em que ela me olhava ao falar sobre meu passado, eu sentia um estranho aperto no peito
—Suzane...
Aos poucos, seu semblante alegre voltava, mas eu ainda conseguia ver a tristeza em seus olhos
—Está tudo bem, não se preocupe. Então... que tal se começarmos a te preparar para sua grande noite de abertura?
—Agora? Suzane, o evento é só às 20h
—E?
Apontei para o relógio na parede. 13h30min
—E? Vamos, você precisa ser mimada. Hoje o dia é seu, quero que esteja maravilhosa e relaxada para sua grande noite.
—Não é minha primeira exposição, Suzie. Eu já passei por isso antes e nunca precisei de um dia sendo "mimada"
—Você acabou de me chamar pelo meu apelido?
Ela sorriu me puxando do sofá, fazendo com que ficássemos de frente uma para a outra
—Sim, chamei. Foi só o hábito, o costume de ouvir todos te chamando assim. Só isso.
Ela ria, o motivo do espanto era que eu raramente achava alguém por apelidos. Só havia chamado duas pessoas. Uma delas era Tony, mas bom, ele havia se apresentado dessa forma, até ele assumir que seu nome não era Tony, eu já estava acostumada. E a outra pessoa, bem, acho que não é difícil de imaginar quem pode ser
—Bom... espero que isso aconteça mais vezes, seria ótimo ser uma das suas exceções para alguma coisa.
—Não conte com isso, Suzane.
Ela sorriu, pegou minha mão e saímos do apartamento, quando questionei aonde iríamos ela apenas sorriu, como de costume.
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