Gray
4 Chapter Three - Green Brings Hope
O não havia uma nuvem no céu, apenas o majestoso azul celeste e seu grande astro, o Sol. A brisa suave balançava as folhas das árvores, quebrando a quentura daquela tarde. Enquanto alguns permaneciam dentro de pequenos cubículos trabalhando, outros aproveitavam o dia para ir ao parque.
Sentada em um balanço debaixo de uma grande árvore, uma menina de cabelos castanhos, trajando um vestido de alças na cor branca com o desenho de margaridas, ria das piadas contadas por seu amigo.
– ‘O elefante caiu na lama’! – A pequena gargalhou alto, enquanto o menino usando o uniforme verde, igual ao do seu super-herói favorito, a olhava observando sua reação, para em seguida rir também.
– Lee, isso foi genial. – Comentou entre um riso e outro.
– Eu sei! – Respondeu de modo convencido, abrindo um grande sorriso. – Agora que tal brincarmos de pega-pega? – Indagou levantando-se e batendo a mão na roupa para tirar os resquícios de terra.
– Sim. – Em um leve impulso já estava em pé. – Você vem Neji? – Inquiriu para o outro sentado sobre a grama. O garoto desviou os olhos por um breve instante do que fazia para negar levemente com cabeça.
– Já que é assim, está com você Tenten! – Gritou Rock correndo.
– Eu vou te pegar... – Avisou a voz infantil com um largo sorriso nos lábios.
– Não vai! – Rebateu e depois riu.
A corrida se intensificava a cada segundo, iam de um lado para outro, já não sabiam quantas vezes trocaram de posição na corrida de gato e rato, mas se divertiam como nunca. Voltaram para o ponto de partida contornando a árvore, deixando o amigo levemente irritado.
– Vocês poderiam correr em outro lugar? – Perguntou de mau humor.
– Desculpe Neji, não queríamos te atrapalhar. – Tenten o respondeu ofegante parando para tomar folego. – Lee, que tal darmos um tempo?
– Legal, então vou tomar sorvete. – Falou sem um pingo de cansaço, correndo outra vez para a barraca de sorvete ali perto. A garota de cabelos castanhos sentou-se ao lado do amigo sério e concentrado, olhando para o livro que ele lia com tanta atenção.
– Neji, poderia ler um pedaço da história para mim? – Pediu com a voz curiosa. O menino a fitou por um instante.
– Talvez você não entenda. – Explicou, passando os olhos perolados sobre a tão conhecida obra de Antoine de Saint-Exupéry, para depois voltar a fitar a amiga.
– Mesmo assim leia, por favor! – Insistiu.
– Tudo bem, eu leio. – Concordou e a pequena bateu palminhas de felicidade...
"- Adeus... — disse ele.
– Adeus — disse a raposa. — Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
– O essencial é invisível aos olhos — repetiu o principezinho, para não se esquecer.
– Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
– Foi o tempo que perdi com minha rosa... — repetiu ele, para não se esquecer.
– Os homens esqueceram essa verdade — disse ainda a raposa. — Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
– Eu sou responsável pela minha rosa... — repetiu o principezinho, para não se esquecer."
O menino Neji concluiu a leitura esperando uma reação de Tenten, que estava pensativa, com a mão no queixo.
– Então, eu sou sua rosa. – Disse simplesmente como se concluísse algo muito importante.
– Ãnh? – Ele rebateu confuso arqueando a sobrancelha.
– Ou será que é o contrário? – Perguntou retornando a posição inicial.
– Tenten, não estou estendendo! – Falou o garoto de modo a chamar atenção.
– Ah, desculpe. Mas pelo visto não entendeu, se somos responsáveis pelo que cativamos, então... Você é responsável por mim, quer dizer, não tenho certeza, talvez eu seja responsável por você. – Disse contraditória. Neji ponderou por um breve instante.
– Acho que eu não ficaria bem como uma rosa, por tanto, eu deixo que seja a minha. – Ele disse e a garota esboçou seu sorriso encantador, o mesmo que o fazia se sentir bem.
~FlashBack Off~
– Seu idiota... — Sussurrou ela, limpando as lágrimas que desciam por seu rosto teimosas. — Seu grande idiota, você se esqueceu da nossa verdade...
O café agora estava vazio, a noite já vinha recolher o que sobrara do dia e Mitsashi aproveitara para fechar o estabelecimento, perguntando-se quanto tempo não havia se passado desde que ele fora embora ela resolveu ligar para o único capaz de resolver algo, o único a quem Neji ouviria.
[Alô?]
[Lee? Oi, é a Tenten.]
[Fala, pequena. Como é que foi por ai?]
[Ele... Bem, ele não disse nada.] — Pode-se ouvir um suspiro pesado do outro lado da linha. Tenten podia imaginar Rock Lee massageando a testa, andando de um lado para o outro no pequeno escritório, ela podia ouvir seus passos pesados, poderia até mesmo imaginar o que ele pensava naquele momento.
[Eu, provavelmente, já sabia que seria assim...]
[Ele não se lembra de nada, Lee, nada. Nem sequer, nem se lembra do meu rosto, da minha voz...] — Sua voz estava chorosa, as suas lembranças a estavam torturando, mas saber, ou melhor, comprovar que Neji não se lembrava dela doía ainda mais.
[Eu vou ver, vou ver-]
[Ele tinha me prometido... Ele me prometeu, Lee!]
[Eu sei, eu sei... Fique calma, okay?]
[Ele disse preferir conversar com um psicólogo do que comigo, me chamou de estranha e-]
[Ele não se lembra, Tenten, você sabe que desde aquele dia sua memória foi afetada.]
[Mas ele me prometeu!]
– Por que você tem que ser tão teimosa? — Rock Lee perguntou encarando o telefone mudo.
Será que aquilo estava certo? Quer dizer, Lee sabia mais do que ninguém que aquilo estava perturbando Neji, mas também não podia deixar que a sua irmã de coração sofresse tanto e por tanto tempo. Ele jugou que quando eles se encontrassem tudo se resolveria então levou seu amigo até o Café que a Mitsashi havia acabado de abrir mas, parece que tudo apenas piorou, para os dois lados, mesmo depois de tanto tempo frequentando o lugar, mesmo depois de todo esse tempo Neji não conseguia se lembrar. O que ele deveria fazer agora? Sua cabeça estava latejando devido a pressão que impunha a si mesmo, ele tinha que resolver isso e o faria agora, sim, agora. Pegou o telefone e discou o número que há muito memorizou.
O pequeno celular prateado começara a tocar, no visor o nome do amigo piscava, mas Neji não queria atender, ele não podia, não no estado em que se encontrava. Deixou que o celular caísse em uma poça para enfim se sentir liberto. A garoa corria pelo seus longos cabelos para depois chegar ao seu rosto pálido e cansado. Quando foi a última vez em que conseguira de fato dormir? Ele não se lembrava. Mas que importância isso tinha agora? Nenhuma, não, nenhuma, então ele apenas continuou a andar sem rumo, sem saber aonde iria, sem um caminho, pelo menos até avistar uma certa árvore.
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