Gravity

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Notas iniciais
Oie, pessoas lindas do Nyah!!!;D Bom, faz algum tempo que não escrevo uma songfic, mas estou completamente viciada nessa música e ela me lembrou muito Rose/Scorpius, então eu tive escrever essa. Espero que gostem!!! *--* Música: Gravity (Sara Bareilles)

GRAVITY

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As fotografias antigas se encontram largadas no chão frio, ao lado de cacos de vidro e rosas mortas. A garota ruiva as ignora, mantendo os olhos fixos na janela aberta, enquanto observa os flocos de neve caírem de forma tão lenta e silenciosa quanto as lágrimas que escorrem por seu rosto. O dia acabou de nascer e tudo a sua volta parece dolorosamente calmo. De uma forma quase doentia, ela sente falta dos gritos, das palavras ríspidas e do estalado de objetos se quebrando. Sente falta da voz dele lhe dizendo que é louca e, bom, ela não pode negar que esse fato é verdade. Se há algo que Rose Weasley aprendeu nos últimos dois anos é que a sanidade a abandonou. É a única explicação racional para, depois de tudo o que aconteceu, ainda estar com Scorpius Malfoy.

Eles não funcionam. Discordam por tudo, brigam pelas coisas mais idiotas, fazem cenas ridículas por ciúme (muitas vezes infundado) e parecem sentir um estranho prazer em provar que o outro está errado. As brigas não podem ser piores, ou mais constantes. No geral, as pessoas parecem pensar que todos os problemas se devem ao fato de serem muito diferentes, mas não sabem como estão enganados. É justamente o contrário. Scorpius e Rose são parecidos demais. Ambos são teimosos, orgulhosos, levemente egoístas e incrivelmente inseguros. Talvez você não perceba isso à primeira vista, mas está ali e, de certa forma, foi aquilo que os uniu. Quão irônico é pensar que provavelmente será aquilo que irá separá-los?

Ela sabe que é ridículo tentar manter um relacionamento que esteve fadado ao fracasso desde o princípio. Malfoys e Weasleys, sonserinos e grifinórios não se misturam por uma razão óbvia: não dá certo. Qualquer pessoa com um mínimo de sensatez perceberia isso, mas Rose e Scorpius resolveram quebrar as regras e investir no proibido. Era a história mais antiga, clichê e trágica do mundo, mas, para ser sincera, eles gostavam da ironia.

De qualquer forma, nem precisavam das famílias, ou amigos para atrapalhar o relacionamento, faziam isso muito bem sozinhos. As brigas e términos constantes eram uma prova disso. Ainda assim, por mais estranho e insano que possa parecer, Rose sempre acaba voltando para Scorpius. É mais forte do que ela e não importa o quanto tente fugir, ou dizer a si mesma que está presa em um relacionamento tóxico e doentio, algo sempre a leva de volta ao Malfoy.

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“Algo sempre me trás de volta para você

Isso nunca demora muito

Não importa o que eu diga ou faça

Eu ainda sentirei você aqui

Até o momento que eu partir”

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A garota suspira, se ajeitando na poltrona em que se acomodou há horas. O fogo crepita na lareira, mas ela sequer parece perceber. Tudo o que consegue pensar é nos olhos cinzentos de Scorpius, em seus cabelos loiros e despenteados, seu sorriso sarcástico e suas mãos quentes e pesadas percorrendo agilmente seu corpo. As lembranças fazem seu coração se apertar. O silêncio é quase enlouquecedor e torna ainda mais óbvio que ela precisa dele. De que adianta resistir? Há algo em Scorpius que a puxa de volta a ele, uma estranha gravidade que a atrai, aprisiona e não lhe deixa escolha.

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"Você me segura sem o toque

Você me prende sem correntes

Eu nunca quis tanto algo

Quanto afogar no seu amor

E não sentir a sua chuva"

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Ela sabe que isso é doentio, que insistir no relacionamento é um dos maiores erros que pode cometer e que ela e Scorpius só fazem mal um ao outro. Ela sabe que se afastar é o certo e que aceitar o desfecho inevitável evitará mais dor e sofrimento. Ainda assim, isso não muda sua vontade de correr de volta para o rapaz e se jogar em seus braços. Não muda em nada tudo o que sente por ele, ou faz, ainda que por um único segundo, desejar se afastar verdadeiramente.

Ela fecha os olhos, encostando a cabeça o sofá. O perfume dele permanece em seu corpo e cada canto do apartamento está impregnado de memórias. Scorpius está em todo lugar. Está marcado em sua pele como uma tatuagem, impregnado em seu coração, presente em cada instante de sua vida.

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“Liberte-me, deixe-me estar

Eu não quero cair mais uma vez

Na sua gravidade

Aqui estou e eu estou tão erguida

Assim como eu deveria estar

Mas você está em mim e ao meu redor”

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Se ela fosse esperta o deixaria partir. Perceberia como esse relacionamento a destrói diariamente e é qualquer coisa menos saudável, mas simplesmente não consegue abrir mão do Malfoy. Ela precisa dele, com todas as suas qualidades e defeitos. Precisa dele de uma forma tão absurda que chega a doer. Nunca quis ser uma dessas garotas tolas e dependentes, mas foi justamente o que se tornou. Ela precisa dele como um viciado precisa de heroína e assim como um viciado tem consciência de que aquilo a destrói lentamente, mas não consegue evitar. É um vício. É uma doença.

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“Eu vivo aqui de joelhos

Tentando fazer você ver que você é

Tudo que eu penso

Mas você não é aliado nem inimigo

Embora eu não consiga te deixar ir

E a única coisa que ainda sei

É que está me mantendo no chão”

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A consciência a abandona aos poucos e depois de uma noite inteira de briga, lágrimas e solidão, Rose finalmente adormece. Está mais cansada do que consegue perceber, cansada de viver em uma guerra, cansada de insistir em um relacionamento fracassado, cansada de amar alguém que não lhe faz bem. Mas nada disso muda o fato de que o sentimento ainda está ali. Ela o ama e sabe que voltar correndo para os braços de Scorpius é inevitável. Cedo ou tarde ela irá ceder àquele sentimento que a consome e se entregará a estranha gravidade que cerca o rapaz. É insano, doentio e tóxico, mas ela não consegue evitar.

“Algo sempre me traz de volta a você

Isso nunca leva muito tempo”

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado!!! Curtinho e reflexivo assim mesmo! Beijinhos... Thas
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!