Grave
1 Capítulo 1- Remember
Notas iniciais
"Emma observava o corpo inerte sendo levado na maca, as lágrimas não deixavam seu rosto, o desespero, aparentemente, seria eterno. Sua mãe e seu pai, ali ao seu lado, tentavam confortar-lhe, em vão. O amor da sua vida partira, levado pelas trevas do coração dela. Ela não estava livre para amar, nunca estaria.
– Vai ficar tudo bem, querida. — Mary Margaret tomou a filha em seus braços enquanto a mesma chorava compulsivamente. — Vai ficar tudo bem. — Sussurrou mais uma vez, tentando trazer, ao menos, um pouco de conforto para Emma.
Nunca ficará tudo bem! Fora o único pensamento da loira antes de cair de joelhos no chão. O que antes era tomado pelas trevas agora era ocupado pela tristeza e pelo sofrimento.
– Mãe! — Emma pôde escutar a voz de Henry — em um murmúrio distante — enquanto seu corpo desfalecia.
Ela não suportaria aquilo mais uma vez.
***
Rapidamente, ela o tirou daquele poço onde Zelena o havia jogado. Por mais que dissesse que não, mais estava convencida de que nutria algo pelo pirata.
– Hook. Hook, acorde!– Balançar o corpo dele parecia não adiantar muito, afinal, estavam lidando com magia. — Killian.– O apelo em sua voz se fez presente, um tom a mais, gritos de desespero, clamando para que ele voltasse. — Killian, volte para mim.
Ela fez uma clemencia aos céus, seguida de um xingamento direcionado à mulher que os colocara naquela situação. Percebendo que não o teria de volta de forma alguma, seguiu exatamente o que Zelena planejara.
Emma beijou os lábios dele, deixando que a magia se esvaísse de seu corpo. Sentindo isso, o chamou mais uma vez.
– Hook. Volte para mim.– Um sussurro quase inaudível.
O homem a sua frente engasgou e expulsou a água dos pulmões, arfando muito antes de conseguir proferir alguma palavra. Emma parecia prestes a chorar, um tanto de tristeza por perder a magia e um tanto de alegria por tê-lo de volta.
– Swan?– Ele levou a mão aos lábios, repreendendo-a com aquele olhar arrebatador. – O que você fez?
Por um minuto, ela achou que ele a odiaria, mas não se importou, afinal, ele estava bem.
***
Emma o observava se enganchar e tentar levantar a espada presa a sua cintura. Isso não é o meu Killian. Ela conseguiu pensar entre sorrisos.
– Está me dizendo que, nessa outra realidade, sou um especialista nessa arma?– O tom de surpresa e brincadeira não deixava a voz dele, o que a fazia querer rir.
– Você é tipo um Jack Sparrow.– Emma deixou escapar, como se falasse para alguém de sua antiga realidade.
– Isso é bom?– Hook deixou transparecer a confusão em seu rosto.
– Deixe-me te mostrar como usá-la.– Caminhando para ficar atrás do corpo dele, Emma se posicionou, guiando a mão dele junto a sua até a bainha da espada, ajudando-o a empunha-la logo em seguida. — Dizem que quando nos tronamos especialistas, o subconsciente assume nossas ações.– Continuando com os movimentos de manuseio da espada, ela sentiu o olhar dele sobre ela. — No meu mundo, chamamos de memória muscular.
Emma ouviu o arfar dele e ouviu sua própria voz ser tomada pela rouquidão. Pondo de volta a espada na bainha, eles ficaram frente a frente, quase tendo seus corpos colados.
– Conte-me mais sobre essa realidade, para a qual você quer tanto voltar.– A loira sentiu seus joelhos fraquejarem ao vê-lo olha-la nos olhos. — Nós, por exemplo. Sinto que somos...– Emma sorriu, percebendo que ele começara a gaguejar. — Talvez próximos.
– Muito.– Um sorriso de malícia tomou o rosto dela, e o dele foi tomado pela falsa surpresa.
– Sério?– Um tom de voz um tanto exagerado. Emma afastou-se, percebendo que aquilo começara a constrangê-la. — Uau, estou começando a ter ciúmes do outro eu.
– Vamos ver que comida Henry conseguiu. Estou faminta.– Ela desconversou, começando a caminhar em direção ao portal de pedras.
Aos poucos passos que foram dados, uma confusão se instalou no local. Lily, David e Mary, apareceram, claro, cada um a seu modo naquela realidade.
Hook, dois passos atrás de Emma, desembainhou a espada, pronto para um confronto. Emma não estava segura quanto àquela luta. Um dos guardas avançou em Hook, o mesmo foi defendido pela loira.
A rainha pareceu reconhecer a Salvadora, mas não do modo que Emma pensou, uma conversa fora iniciada. Algo sobre esperança.
– Matem-nos.– Mary ordenou, ignorando toda e qualquer palavra que Emma proferira anteriormente.
– Esperem.– David apontou para o portal de pedras. — Ali está ele.– Referiu-se a Henry.
Emma lutava uma batalha interna, Killian a ergueu daquele confronto.
– Vá! Salve o Henry.– Ele pediu, ainda não tendo o olhar dela para ele.
– Killian, você não pode com eles.– Sussurrou, vendo os guardas, David e Lily erguerem suas espadas.
– Se eu conseguir fazer tudo voltar ao normal, o que acontece comigo não importa, certo?– Jones finalmente conseguira a total atenção dela. Olhando-a nos olhos continuou. - Agora vá salvar o garoto.
Emma não se demorou muito, deixando Killian para trás. Encontrou com o filho, cheio de pacotes de comida nos braços, na entrada do portal de pedras. Ela não teve coragem de deixar seu amor sozinho, ela o observava lutar bravamente, seus movimentos com a espada não eram precisos e muito menos profissionais, mas conseguia dominar a situação.
O confronto acontecia entre Killian e David. Se estivessem em outras circunstancias, Emma poderia brincar, dizendo que aquilo seria o desafio que seu pai impusera para Killian finalmente poder namorá-la. Mas não era o momento certo.
– E quanto a você, Vossa Majestade? Devo ser rápido...– Jones tentou uma piadinha em meio a batalha, logo depois de dar as costas para David. A pior das ideias.
– Não!– O grito escapou da garganta de Emma ao vê-lo ser empalado com a espada de David. Mais uma vez, tudo estava acabado. Em um impulso ela avançou um passo em direção ao pirata, sendo impedida por Henry.
– Mãe! Temos que sair daqui, mãe.– Ela não escutava, apenas via seu pai torcer a espada no corpo de Killian.
Ele estava morto, e a prova foi dada quando seu corpo caíra no chão, nenhum movimento a mais.
– Hook!– Aquele nome transpassou seus lábios como um gemido de sofrimento. Mas ela não teve tempo para pensar, a Rainha possuía magia e estava prestes a lançar-lhes uma bola de fogo.
***
Abrindo os olhos, pode perceber que estava em sua cama. Estava normal, sua pele não estava tão pálida e suas roupas eram normais, aquilo tinha um significado bom, mas também possuía o pior de todos os significados: Killian Jones, o homem que ela ama, estava morto.
Em um movimento brusco e rápido, deixou o lençol, que cobria-lhe o corpo, em cima da cama, embolado de qualquer jeito. Levantou-se e colocando a jaqueta vermelha de couro, pôs-se a caminhar em direção a saída da sua casa — aquela que deveria ser deles.
– Para onde vai? — Emma escutou a gentil voz de Regina.
– Eu... — Ela não tinha palavras para responder, então virou-se na direção da mulher.
– Emma... — Regina chamou-a para sentar no sofá, mas a loira preferiu ficar em pé. — Isso vai ser difícil de falar.
– Apenas diga. — A indiferença em sua voz fez com que Regina se retesasse.
– Nós já o enterramos.
Aquela era a resposta que Regina havia pedido. Agora ela sabia para onde Emma iria quando bateu a porta ao sair.
***
Ajoelhada defronte aquele túmulo de pedra, Emma deixava as lágrimas molharem seu rosto. Pouco importava se alguém a visse daquela forma, ela estava chorando pelo seu amor.
As flores rosas, depositadas por ela, em um vaso, seriam o símbolo de que ela nunca desistiria do amor deles. Ela estava disposta a encontrá-lo. Sempre estaria."
"I lost everyone. I can't lose you too."
– Emma Swan.
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