Notas iniciais
– Ainda não acredito. – A ruiva falou, enquanto olhava um jovem loiro, guardar uns objetos de cima da mesa que se encontrava a alguns metros de distância da sua, numa caixa.
– Nem eu senhorita Meytlin. – Disse o jovem estagiário que se encontrava ali, a pouco mais de um mês.
Mesmo estando há tão pouco tempo na empresa ACE (Astronomia e Ciência Enterprise). Ele sentia falta do Dr. Jowrd.
– Sabe Michael, — começou a senhorita Meytlin, tirando os olhos do jovem loiro, para encarar o estagiário. – Se ele estivesse aqui agora diria: “Não se lamente, não vai adiantar. Apenas fique feliz”.
Michael a encarou atônito.
– Não estou entendendo senhorita Meytlin, — exclamou confuso. – Ele queria que ficássemos felizes por sua morte?
A ruiva sorriu com a incompreensão do jovem. Ela agira de modo igual, quando o Dr. Jowrd falara aquela frase. Mas quando ele explicou...
– Devemos ficar feliz por termos o conhecido, não porque ele faleceu.
– Ah! – O jovem olhou para o jovem loiro, escondendo a cor que tomava conta de seu rosto. – Aquele jovem é filho do Dr. Jowrd?
– Talvez seja, acho que vi fotos dele na mesa do... – foi interrompida por uma voz.
– Sim, Richard Jowrd. E tem a Roselly, são gêmeos. O Steven sempre teve orgulho deles.
– Senhor...
– Mike, — interrompeu novamente o dono da voz, — pela enésima vez me chama de Dredzel, okay?- Certo senh... – parou abruptamente, quando viu o olhar de Dredzel, fazendo a senhorita Meytlin rir. – Certo Dredzel.
– Obrigado! – Agradeceu unindo as mãos de modo exagerado. A ruiva divertiu-se novamente. – E você senhorita Clarice, — disse apontando o dedo para a garota. – Deve me chamar de Dredinho.
Clarice explodiu em gargalhadas, sendo acompanhada por Michael. Era difícil se manter serio com ele por perto. Dredzel era muito bonito, possuía cabelos loiros acobreados, e um par de belos olhos azuis. Seu físico era pouco visível por causa da roupa que usava na empresa, não mostrava os músculos conseguidos ao longo dos anos, durante a série de exercícios diários.
Seu estilo brincalhão agradava a todos, bem quase todos. O renomado cientista Dr. Edgar, vice-presidente, um dos donos da empresa, jamais o suportara. Dredzel só estava na empresa por causa de seu amigo que era presidente, e também acionista majoritário.
– Creio que não seja uma boa opção senhor. – Replicou Clarice com dificuldades de se recuperar do pequeno ataque de riso.
– Não acredito. – Ele pôs a mão na boca de modo surpreso. – Meu charme não funcionou? Não, isso impossível.
Se Clarice queria controlar o riso, perdeu todo o progresso que tinha feito, pois caiu em risos novamente. Michael parecia um espectador invisível, se não fossem as risadas que soltava.
– Esse senhor a importuna, senhorita Meytlin? — O som da voz do Dr. Edgar fez Clarice interromper o riso subitamente.
– Edgar, Edgar, Edgar... – Repetiu Dredzel, enquanto meneava a cabeça em modo de negação. — Quando alguma pessoa está sendo aborrecido tornar-se carrancuda, se ela estiver sorrindo está bem. Então logo, estávamos indo as mil maravilhas, até você, vulgo estraga prazeres nos interromper.
Dr. Edgar cerrou o punho, na tentativa controlar a cólera. Movimento que não passou despercebido. Deixou passar poucos segundos antes de se dirigir a Clarice.
– Ele está a aborrecendo senhorita?
– Ah, não Edgar. Sério que vai fingir que não me ouviu? – Dredzel interferiu novamente.
– Não senhor Edgar. – Respondeu rapidamente Clarice, observando que poderia surgir uma seria discussão.
– Tem certeza senhorita Meytlin? – Contestou Dr. Edgar.
– Cara! – Exclamou Dredzel enquanto saía andando. — Melhor fazer o meu trabalho. Vem Mike, trabalho a fazer. – Deteve-se de repente, se virando para dizer: — Concluímos essa conversar em um jantar, – completou após ver o rosto de fúria de Edgar. – Não fique com ciúmes Ed, é com você esse jantar. Tenho o dever de li explicar sobre expressões corporais e faciais.
Depois de dito isso continuou seu caminho, enquanto Michael seguia atrás segurando para não explodir em risos outra vez.
– Esse moleque é insolente. – Rugiu Dr. Edgar. – Não deveria trabalhar aqui, não respeita ninguém.
– Dr. Edgar precisa de alguma coisa? – Procurou desviar do assunto. – Algum relatório? Ou fiz algo errado?
– Não Clar... Não senhorita Meytlin. Não preciso de nada, no momento. E não fez nada de errado. Vim apenas verificar se necessitava de ajuda.
– Obrigada pela atenção Dr. Edgar, mas não tinha obrigação. – Articulou sem emoção alguma, retendo sua atenção a uma pasta em sua mesa.
– Sendo assim. Com sua licença? – Proferiu um tanto desanimado, enquanto afastava-se.
– Toda. – Respondeu Clarice com um suspiro, quando o Dr. Edgar já se encontrava distante.
–--
A garota encarava o fogo, era morena e aparentava ter seis anos. Ela estendeu a mão o tocando, era quente, mas não queimava como todos diziam. Ouviu sons de passos, afastou-se do fogo velozmente. Quem quer que fosse não poderia descobrir a existência desse poder.
– Venha Akally! — A garota seguiu a voz, até um homem, o qual não era possível ver o rosto.
– É meu pai? Que me procura?
Ele acenou confirmando, evitando encarar a garota.
– Eu vou... – parou, procurando a palavra certa. – Mudar?
– Sim, Akally.
– Mas por quê? Porque não posso continuar como estou?
O homem ficou em silencio, começando a deixar a garota irritada. Deteve-se repentinamente, e sua forma foi alterando-se. A pequena criança deu lugar a um homem forte, cuja mão foi de encontro à garganta do companheiro silencioso.
Tudo que Akally queria, era que ele olha-se pra ela, poucos segundos e tudo estaria explicado. A garota arfou quando foi jogada no chão por uma mão que a pegou por trás. Esteve tão concentrada em capturar olhar que não ouviu as pequenas vibrações
– Demoraram muito. – Ela sabia de quem era a voz, apenas uma pessoa conseguia derrota-la. — Imaginei que alguma estava errada. E estava certo. – A garota voltou ao seu corpo normal, o homem sorriu. – Afinal você tem meu sangue.
A jovem acordou irritada já estava cansada desse sonho. Levantou-se e foi ao banheiro jogar um pouco de água no rosto. Ao olhar-se no espelho se viu ruiva, com um rosto diferente do seu.
Fale com o autor