Grandes Sonhos Nunca Morrem
19 Pedaço a pedaço.
Notas iniciais
Olá, Susana.
Há tantos motivos pelos quais eu demorei para respondê-la, mas nenhum é desculpa para isso. Perdoe essa pobre alma que mal tem tempo para almoçar.
Quando li sua carta, imediatamente peguei o papel para dizer todas as minhas impressões a respeito de suas palavras, mas o pouco de consciência que me resta disse que nem tudo o que se pensa deve ser dito — ou escrito, no caso.
Há palavras que devem ficar guardadas para o momento certo. E se esse momento nunca chegar, que sejam o veneno que nos leva para a cova. Você bem sabe disso, não é?
Não é minha intenção provocá-la. Se bem que eu adoraria ver seu rosto cheio de sardas ficando cada vez mais vermelho.
Mudando de assunto (antes que você rasgue essa breve carta), a dona Chiquinha é uma peça! Nunca imaginei que ela ainda se lembraria de mim e com tanto afeto.
Recentemente, comprei um vaso de alabastro em um antiquário, idêntico aquele que ela tinha e eu quebrei.
Lembra que eu tentei colar os cacos? Desde então venho descobrindo a cada dia que cacos não são tão impossíveis de se juntar. Essa é uma lição que você também deveria aprender.
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