Grandes Sonhos Nunca Morrem
17 Arrepio.
Notas iniciais
A brisa fria da madrugada fez os cabelos do pescoço de Susana se arrepiarem. Ela passou as mãos pelo rosto e encheu os pulmões ao seu limite, engolindo o choro e disfarçando aquele sorriso animado. Destacou a folha escrita e a dobrou com delicadeza, antes de guardá-la no bolso de seu fino casaco de lã. Sabia que precisava entrar e dormir um pouco, já que em poucas horas o despertador tocaria.
— O que está fazendo aqui fora, Su? — Camilo abriu a porta ao perguntar, assustando-a.
— Céus, homem! Quer apodrecer na cadeia por assassinato? Quase me mata do coração! — disse, colocando a mão sobre o peito.
— Não foi a intenção. Juro! — Ele riu do exagero da esposa e encolheu os ombros. — Ainda não respondeu a minha pergunta. Que diabos está fazendo nesse frio?
— Nada! — Susana deu de ombros. — Pensei em escrever uma história porque eu estava sem sono, mas acho que não sou boa com as palavras como meu amigo da capital.
— Amigo — resmungou, fechando a cara. — Chega dessas ideias tolas por hoje. Entre. Você precisa se aquecer.
— Ideias tolas! Você nem imagina! E se imaginasse, só Deus sabe a enleada que isso traria. — sussurrou, sabendo que ele não ouviria.
Fale com o autor