Grand Line High School

23 Um sol de liberdade


Notas iniciais
Bem, acho que se eu falar qualquer coisa vocês vão querer me matar, então, NÃO ME MATEM POR FAVOR!!!

Sabo PVO On

Depois de aquilo ter acontecido eu tive que levar a Koala para casa. Ela ainda estava tremendo de mais para fazer quase qualquer coisa, então eu deixei ela subir nas minhas costas e lhe emprestei o meu casaco de uniforme, já que o seu uniforme tinha uma saia. Mesmo sem poder ver o seu rosto eu conseguia sentir que ela ainda estava chorando, e também se aninhando ali.

Seguimos o caminho todo em silencio, mas as vezes eu conseguia escutar ela falando alguma coisa, como ‘’Não me machuque’’, ou ‘’Eu vou parar de chorar’’. Isso me deixava desconfortável de uma maneira que eu não seu explicar. Eu me sentia ainda mais protetor em relação a ela, e mesmo que eu acabe sendo o tempo todo, eu sabia que ela não era do tipo que precisa de proteção. Menos agora. Assim que chegamos em casa, ela desce das minhas costas se enrolando mais no meu casaco, que ficava enorme nela, e fui abrindo a porta (eu já fiz a minha própria cópia da chave, mas ela não sabe), assim que entramos, nos simplesmente nós jogamos no sofás. Só agora que eu estou começando a sentir alguns dos efeitos da luta, mesmo eu tendo batido mais do que apanhado. Eu olho para a Koala e vejo ela abraçando uma almofada, ainda bem amuada.

—Koala- eu a chamo, na esperança de ela me dar algum sinal, mas ela não me responde nada além de uma rápida olhada para mim antes de desviar o olhar novamente- Você quer conversar?

Ela manteve o rosto na almofada, mas fez um sinal de não.

—Mais tarde-disse ela com a voz fraca

—Ok- eu olhei pro lado em pensei em algo para falar pra ela-Quer que eu prepare um banho pra você?

Assim que eu falei isso, senti que deveria ter falado qualquer outra coisa, menos isso. Olhei para Koala e ela tinha tirado o rosto da almofada. Seus olhos estavam muito inchados, e suas bochechas extremamente coradas. Não saberia dizer se foi por causa do choro ou do meu último comentário. Ela desvia o olhar rapidamente.

—U-um banho seria ótimo.

Eu concordei com a cabeça e me dirigi ao segundo andar. Sabia que Koala tinha uma banheira no banheiro do quarto dela. Chego lá jogo alguns produtos na banheira e ligo a água, que começa a fazer espuma. Eu escuto alguns passos subindo as escadas e vejo Koala entrando no quarto abraçando meu casaco junto ao peito.

—Ei, a banheira já esta cheia-falo e ela assente com a cabeça- Vou te esperar lá embaixo- falo e deixo o quarto rapidamente em direção a cozinha. Olho para um espelho que tinha na sala e vejo que estou em péssimo estado. Não me recordo de muita coisa da luta, mas eu tinha um inchaço na minha bochecha que estava ficando roxo, e meus cabelos pareciam um ninho de pássaro. Se eu me visse na rua provavelmente eu iria atravessar ou dar meia volta.

Sigo em direção a cozinha, abro o frízer e tiro uma bolsa de gelo lá de dentro e coloco no meu rosto. Começo a dar uma olhada em volta e sinto meu estomago roncar. Acho que a Koala também deveria estar com fome, então começo a procurar nos armários alguma coisa para eu poder cozinhar e acabo achando um macarrão, e optei por aquilo mesmo já que minhas habilidades culinárias não são incríveis, coloco um avental que estava ali e começo a cozinhar. Depois de um tempo o macarrão ficou pronto e escutei Koala descendo as escadas com um moletom velho eu uma bermuda jeans, e parecia melhor do que estava antes.

—Que cheiro é esse? -pergunta ela chegando na cozinha

—Hey, eu fiz macarrão, achei que estaria com fome- Ela olha pra mim e dá um sorriso e desvia o olhar

—Sim, obrigada Sabo-kun...

Depois nós nos sentamos no sofá mesmo e começamos a comer em silencio. Ela parecia um pouco nervosa, como se estive querendo dizer algo mas tinha mil coisas em sua cabeça ao mesmo tempo. Eu não sabia se quebrava o silencio ou se esperava ela falar.

—Então, seu tio chega hoje?

—Não, ele chega amanhã a noite- ela para como se estivesse juntando coragem para dizer algo- Tem como você passar a noite aqui, dessa vez convidado?

—Sim, claro- digo sem pensar duas vezes

Ela sorri pra mim a com um olhar de alivio e volta a comer. Assim que nós acabamos de comer colocamos os pratos na mesinha de centro. Eu olho para Koala e ela está mexendo as mãos nervosamente.

u p-Koala você quer conversar agora?

Eu percebo que ela para de mexer as mãos e a cor some do seu rosto, então ela suspira pesadamente e concorda com a cabeça.

—Sim, eu vou te contar sobre tudo. Porque eu tenho claustrofobia, porque moro com meu tio, porque tenho mania de limpeza e porque eu não gosto do meu aniversário.

Eu concordo com a cabeça sentindo um frio na barriga. Ainda no sofá, ela se vira de costas para mim e começa a tirar o seu moletom. Sinto meu rosto pegar fogo, desvio o olhar, mas acabo olhando de novo. Ela ainda estava de costas e em suas costas está estampado um gigantesco sol vermelho. Eu junto coragem e coloco meus dedos levemente no desenho e vejo que ele é muito familiar. É o mesmo símbolo que todos os amigos do senhor Tiger tinham tatuado.

—Esse sol é uma cobertura- começa Koala com a voz fraca e enquanto coloca de volta o moletom –Eu tinha outra marca no local.

—C-como você conseguiu essa marca?

Ela se virou pra mim, dessa vez olhando dentro dos meus olhos, sem desviar. Isso fez um calafrio subir na minha espinha.

—Vou ter que contar a história do começo de tudo. Minha mãe nunca foi casada com o meu pai, mas eles moraram um tempo juntos, mas quando eu nasci as coisas começaram a ficar complicadas. Meu pai sempre brigava com a minha mãe, eles discutiam o tempo inteiro, eu não lembro muita coisa, só o que o meu tio me disse. E quando eu fiz cinco anos meu pai saiu de casa, no dia do meu aniversário. Minha mãe enlouqueceu- agora ela desviou um pouco o olhar, mas voltou a me encarrar nos olhos- Ficou gritando comigo que era minha culpa, que se eu não tivesse nem nascido meu pai ainda iria estar ali com ela ao invés de sozinha com uma criança.

Ela ficou alguns segundos em silencio como se estivesse procurando as melhores palavras para continuar ou para conseguir mais coragem.

—Eu não tinha entendido nada direito naquela época, na verdade eu ainda não entendo, só sei que ela queria descontar as frustrações dela em mim. Então ela me agarrou pela gola da camisa e começou a me arrastar para o porão da casa e me trancou no quarto de vassouras e falou que eu só poderia sair de lá quando eu entendesse o que eu tinha feito. Claramente eu passei a noite inteira lá chorando, porque eu simplesmente não entendia o porquê. Na manhã seguinte ela me tirou de lá e perguntou se eu tinha entendido. Eu disse que não e que estava com medo, e perguntei quando meu pai ia voltar. Isso deixou ela furiosa, ela começou a me bater e gritar que eu estava me fazendo de boba, estão ela me largou no chão e subiu as escadas rapidamente, e voltou com um ferrete quente na mão. E foi assim que eu ganhei a minha primeira marca.

Agora ela tinha desviado completamente o olhar estava tremendo um pouco. Eu queria muito abraçar ela mas antes que eu pudesse ela volta a falar.

—Depois disso minha vida virou um inferno, eu já não ia mais a escola, e quando os vizinhos perguntavam sobre isso, minha mãe dizia que estava me educando em casa, o que era uma tremenda mentira. Ela me obrigava a realizar todas as tarefas domesticas, e se eu chorasse ela me batia e jogava coisas em mim. Nessa mesma época ela começou a beber e fumar muito, e tinha a mania de apagar cigarros em mim. Mas foi graças a isso que eu consegui sair desse inferno. Um dia depois de minha mãe ter bebido demais e desmaiado eu consegui ligar para a polícia pedindo ajuda. Algumas horas depois eles chegaram e viram aquela cena toda. Eles prenderam minha mãe e a levaram depois para um hospital psiquiátrico, já que seu advogado convenceu o juiz que ela não era mentalmente estável. Como eu não tinha nenhum outro parente vivo, eles conseguiram me arrumar um tutor legal, o tio Tiger.

Eu fiquei meio surpreso, já que eu genuinamente acreditava que Tiger era o tio biológico dela.

—Eu demorei bastante para me acostumar naquele ambiente novo, mas assim que eu cheguei aqui eu fui recebida de braços abertos. Bem exceto pelo Arlong, mas ele se mudou para a Florida pouco tempo depois. Mas eu encontrei uma saída do inferno com esses caras e todos eles passaram por algo parecido, e cobrem essas cicatrizes com essa tatuagem, por isso eu fiz esse sol. Ele diz que o que estava no passado não vai mais definir quem eu sou e que eu podia seguir em frente sem esse peso nas costas

Eu não sabia o que dizer. Era muita coisa para eu processar de uma vez só. Acho que meu cérebro não sabia processar tanta informação de uma vez só. Mas eu olho novamente para seu rosto e vejo várias lagrimas silenciosas rolando pelo seu rosto. Em um impulso eu me aproximo dela e a envolvo em meus braços. Ela me abraça de volta, tentando segurar o choro, mas soluçando bastante.

—Nada disso vai acontecer de novo com você- falo enquanto deposito um beijo no topo da sua cabeça-Eu não vou deixar

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.