Grand Chase Heroes

76 Capítulo 72 - Berkas


Notas iniciais
Este capítulo me deu um trabalhão, e é por isso que agora que conclui a escrita desta fic, considero este meu capítulo preferido. Espero que vocês também gostem, que não achem confuso.

– Irmão? – Lass chorava. – Por que está me contando isso?

– Se Caxias realmente nos reuniu aqui neste momento, ele devia saber que nos encontraríamos. Parece... Destino?

“Só agora estou percebendo, Arme, que estamos ligadas por um laço mais forte que o destino. E se você está disposta a perseguir seu sonho dando o seu máximo, sem desistir, eu hei de mantê-la na linha, com a ajuda de Elesis. Aquele que chora pelos seus companheiros é dito fraco, mas o mais fraco é aquele que desiste de seu companheiro preso à memórias passadas”, Lire citou o que havia dito na Torre Sombria.

“Mais forte que o destino”? Lire gostaria de alterar o pensamento de Lupus, pelo jeito.

– Se realmente esta equipe tem uma ligação mais forte que o destino... Comecei a entender o motivo de estar aqui. Lass. Eu sempre tive um ódio em saber que você existe. Mas agora percebi que... Você é um irmãozinho para mim. E se esta sensação ridícula que estou tendo se confirmar, por favor, aceite isso. – entregou algo que gostaria que Lass deixasse no bolso por enquanto. Uma carta explicando o que não pôde.

O eclipse chegou à ápice. A escuridão se propagava pelo ar com os ventos que a todos assolava. Uma nova visão, porém ainda escura, se formou.

– O território de Berkas? – Lupus estava nervoso. – Isso não é só uma ilusão. Isso é mal... Pessoal, saiam daqui!

Tum... Tum... Tum. – Lupus sentia seu coração pulando. Forte e lento, como quando finalmente se deu conta da força de Berkas, na primeira vez. Toda a tremedeira ainda não parecia instinto o suficiente para Berkas. Mesmo morrer do coração seria normal. Nenhum instinto era forte quando se tratava daquele monstro. O que realmente surpreenderia... Seria ficar natural, sem tremedeira nem nada, na presença dele.

– Irmão... Você está tremendo? – Lass reparou e começou a tremer junto.

– Saiam daqui! – Lupus repetiu. Não enxergava nada agora que a escuridão somou-se a algumas de suas primeiras lágrimas.

– Sem chance. – Elesis falou.

– Cazeaje... Thanatos... E agora Bardinar. Enfrentamos todos eles e não perecemos. Não espere que escutemos suas palavras, caçador de recompensas. – Sieghart encarou.

– É fácil para um imortal falar isso. Maldição, escutem-me! – caiu de joelhos, e caiu de novo ficando de quatro. Não queria ser responsável pela morte daqueles companheiros, que lhe acolheram, mesmo em tão pouco tempo. Que não o julgaram por seu estilo solitário, e continuaram aceitando-o.

“Rexion está indo ao encontro de Berkas? Então este é o dragão lendário do qual Rexion se originou. Se Rexion será um inimigo, o ideal é retorná-lo à dimensão da magia de armazenamento de Arme”, Sieghart julgou.

– A cauda dele apareceu. Todo seu enorme corpo já se completou, então ele oficialmente apareceu e já vai começar a atacar.

“Se eu e o imortal não seremos os sacrifícios para que a equipe fuja, eu preciso mandar a informação para eles, mas não teremos tempo para conversar os dezesseis de uma única vez, daqui para frente. Na ausência da tal Mari, como eu poderia mandar informações?”, o pensamento de Lupus explodia, explodia tanto, que um mero neurônio seu era capaz de fazer frente aos socos de Jin em seu ver.

Algo em seu bolso vibrava. Era seu novo distintivo, da Grand Chase.

Brilhava, e ao encostar sentiu sua alma passando todos seus sentimentos para ele. Em seguida o distintivo dos colegas também vibrou. Conforme encostavam nele, sentiam cada pensamento de Lupus.

“As armas? Ah, entendi!”, Lin foi correndo até uma delas quando Berkas começava uma longa preparação para fazer o primeiro movimento.

“Não, Lin, espere! Eu sou o único que enfrentei Berkas antes, então meu plano será o melhor sem dúvidas. Ele exige um preparo especial”.

E as tais “armas” que Lupus disse, que na verdade eram “engenhocas”, foram divididas.

A primeira engenhoca, a balista, havia em dois pontos do mapa: os extremos. Elas seriam manipuladas por Elesis e Ronan, cada um em uma delas.

Atrás da balista estaria Lire, dando suporte de longa distância ao time, atraindo atenção enquanto alguém atacar de perto.

Alguém precisaria proteger Lire, em sua excepcional função. Lin foi a encarregada.

Lass cuidaria da engenhoca “escudo”, para proteger a função dos outros colegas (escudo para as outras engenhocas).

Ryan e Arme cuidariam de um único supressor. Ele era de vital importância, e se algum dos dois fosse atingido, o outro estaria em pé para continuar a ativá-lo. O supressor, basicamente, desativava toda a defesa de Berkas, e isso tinha que ser feito nos mais oportunos momentos.

A catapulta estaria sob cuidados de Zero, que teve esta função designada pelo fato de ser aquele que Lupus menos tinha informações do estilo de combate.

Lupus e Sieghart agiriam ofensivamente. Dio e Rey estariam ali para agir às escondidas: atacar quando pudessem, desviar atenção, ou apenas “serem úteis” para aqueles dois que realmente estariam atacando.

Amy, Jin e Azin iriam conter os “problemas extras”, que Lupus falou que logo entenderiam do que se tratava.

Holy, para fechar, cuidaria da divisão dos grupos ofensivos (Amy, Jin e Azin/Lupus, Sieghart, Dio e Rey) estando exatamente na metade deles, para poder enxergar ambos os lados e oferecer o suporte de cura necessário.

E assim, Grand Chase dividiu as tarefas.

Toda a divisão ocorreu em instantes. Isso mostrava o desespero de Lupus! Berkas ainda não fez seu primeiro movimento, mas estava prestes a. Além disso, o inimigo era maior que o Deus da Luz ou Thanatos em sua última forma, e muito mais comprido!

Locomoção. Estratégia. Junção de ataques. Velocidade. Suporte. Sobrevivência. Dividindo tudo, ainda mostrava-se falhas em todos os pontos, mas era o único plano razoável para a tarefa.

Sieghart ainda sabia que Lupus estava, agora que conhecia melhor seu irmão, protegendo-o. Por que afinal colocaria ele para cuidar dos escudos? Se Lupus lhe dissesse para proteger Lire, Lass notaria que estava tentando protegê-lo com uma tarefa menos difícil. Então uma posição daquelas era ideal. E como soube há poucos minutos que Lupus era seu irmão mais velho, Lass só gostaria de obedecê-lo, aparentemente.

– Agora! – Lupus gritou e todos correram tomar suas posições.

Aconteceu que a tomada de posições e o primeiro ataque de Berkas ocorreram ao mesmo tempo.

Mesmo que já estivesse no supressor, Arme foi quem deu a primeira salvação, numa magia de longa distância cujo alvo era Lupus, o mais próximo de Berkas em termos de distância.

– O ataque inteiro foi refletido? – Arme não acreditava. Esperava que só uma parte fosse. Olhou para suas próprias mãos. Parece que sob pressão, sua magia teve um potencial que nunca descobriu antes.

“Este teria destruído todos com exceção do imortal”, Lupus teve certeza.

– Ele sequer se queimou com seu fogo refletido? – Elesis também estava impressionada com a última cena. Todos estavam.

Uma explosão de porte inigualável que derrotaria qualquer quantidade de humanos foi contida, e mesmo voltando-se contra seu dono nada aconteceu. O pior é que a batalha estava apenas começando. Seria apenas uma amostra, quando o pressuposto é de que com aquilo a batalha teria chegado ao fim?

– E é por isso que todos tiveram uma tarefa específica. – Lupus falou, deixando claro a alguns (como Elesis) que mesmo a esquisita tarefa de um único membro fazia toda a diferença.

Todos estavam em posição! O clima estava pesado.

– Atacar! – Lupus comandou.

Começou atirando em Berkas várias e várias balas de sua scarlet. Sieghart empurrou Lupus livrando-lhe do ataque e em seguida trocou sua arma para a soluna, separando em duas e criando ataques baseados em velocidade.

Berkas reconheceu o rosto de Lupus. Mesmo distanciado por um empurrão, não poderia escapar da sua pata amassando-o.

– Tempestade Uivante Ilimitada! – gritou, direcionando desta vez seu ataque para cima (ao invés dos dois lados, o usual) e não deixando seu ataque acabar. Eram tantas balas perdidas, que agora ele dava graças à magia de Arme, ou então ele já teria cessado seu ataque carregando a scarlet.

“O ataque deste cara só está pressurizando a pata para cima, para ela não conseguir pisar nele. Nunca vai distanciá-la de verdade. Se o caso é pressurizar, eu tenho a resposta”, Holy conjecturou se metendo entre Lupus e o pé do bicho.

– Escudo da pressurização. – uma círculo à sua volta não deixava, mesmo com toda a força de Berkas, que ele esmagasse os dois ali.

Assim como Sieg fez mais cedo, Holy deu um empurrão no Lupus para que escapasse do ataque. Também sumiu da área de acerto, agora desfazendo a magia.

– Eu não sabia que mesmo um demônio do submundo era capaz de suar frio assim. – Sieghart desafiou Lupus, e logo foi arremessado longe pela pata do dragão.

“Hunf, eu já falei que este não é o lugar para se conversar”, Lupus pensou já focando na defesa do próximo ataque.

Holy corria disparada. Estava preocupada. Mesmo tendo decorado só agora o nome, já gritava:

– Sieghart, por favor! – nervosa, preparava uma magia de cura. Sieghart se levantou.

– Se tem alguém com quem nunca deve se preocupar, é o Sieghart imortal. Por favor, proteja os outros!

“Uma brecha”, Ronan viu, agora que seu papel na balista serviria ao propósito. Atirou ela.

Lembrava do que Lupus disse a ele e Elesis mais cedo, quando explicou o propósito de cada um na divisão das tarefas. A balista coube a eles porque tinha tremenda força bruta, com uma agilidade razoável. A balista, atirada corretamente, se prenderia por várias e várias correntes ao corpo de Berkas, que teria grande parte do corpo limitado em termos de movimentos. Toda a operação partiria daí.

Não obstante o pequeno tempo que estaria preso pelas correntes da balista, ele era forte o suficiente para quebrá-la, e assim que essa sensação surgisse, ele e Elesis deveriam puxar a corrente à base da força bruta, para que pudessem usá-la novamente.

Com o corpo de Berkas permitindo correta angulação, Ronan o acertou na parte da frente. Seu rosto estava completamente preso, e uma grande parte dele tinha uma menor possibilidade de locomoção.

– Dio, Rey, saiam do rabo! Ele ainda poderá usá-lo para atacar. Arme, ative o supressor. Lass, aguarde a quebra das correntes para ativar o escudo.

Rey pegou a mão de Dio e flutuou o mais alto que pôde até chegar do outro lado. Arme já havia ativado o supressor.

“Eu devia usar meu 'ressuscitar', mas não parece nada favorável... Ainda vamos enfrentar vários oponentes esta noite”, Ryan matutava. Ele não era o único que estava nervoso ali.

Com o supressor ativado, o primeiro ataque de Sieghart com a soluna causou um corte muito leve em Berkas.

– Até agora todos os ataques que trocamos se voltaram contra nossas próprias armas. Eram elas que levavam o dano, enquanto Berkas continuava intacto. Com o supressor ativado, os ataques funcionarão. Mas a troca de golpes está só começando. – Lupus explicou na mente de cada um, pelo distintivo, enquanto continuava suas táticas de guerrilha.

– Desta vez tem meu consentimento para me lançar longe. – Dio brincou com Rey, que como sempre o arremessou a metros de distância. – Esfera das trevas!

A gigante esfera que a tudo puxa e em seguida repele causando dano agora parecia uma esferinha, menor do que uma simples bola de fogo de Arme. Parecia pequena na visão do dragão, na verdade. Dio sentia-se inútil.

“Ele está constantemente medindo forças contra a corrente. Ela não vai aguentar muito mais”. Ronan apertou o botão de retirada da balista, que retornou à sua engenhoca.

Com seus movimentos restaurados, Lupus tinha uma grande certeza de que o próximo movimento seria para tentar destruir a balista. Para isso, Lass ativou o escudo das engenhocas. Funcionaria por aproximadamente noventa segundos, até sua energia acabar e necessitar de restauração.

Lupus estava errado. Os noventa segundos de escudo das engenhocas foi em vão. O movimento seguinte não foi ofensivo em direção ao Ronan, não. O verdadeiro ataque pretendeu tomar a área do campo que correspondia aqueles que lutavam – Amy, Jin, Sieghart, Azin, Lupus, Dio e Rey.

– Hellfire? Cuidado, é o fogo do inferno! – Lupus disse as últimas palavras que esperava dizer em vida. Ao menos, seus amigos ele gostaria que sobrevivessem.

Zero teve uma pontaria que pasmou a todos. Agora que Berkas estava voando para atirar o tal “Hellfire”, ele acertou a catapulta em Berkas!

A catapulta teve sua função instantaneamente ativada. Berkas caiu desajeitado com seu corpão, duro como pedra. Até se levantar, demorariam algumas dezenas de segundos. Era a chance para atacar? Não. O supressor de Arme, que por míseros segundos desativava a defesa, teve seu tempo esgotado e agora recuperava-se para a reativação.

– Holy, o Jin. – Lupus estava atento, mesmo atacando inutilmente Berkas tentando fazê-lo demorar mais (sem conseguir) para levantar.

Holy já iria ajudar Jin quando o mesmo desviou de um ataque dizendo: “não se preocupe”.

Era difícil acreditar em Jin estando deitado e desviando. Parecia estar em seu limite. Mas ele realmente se esforçava, em pé outra vez.

Jin, Amy e Azin estavam acuados, os três um de costas para os outros, numa formação de defesa. Os tais “problemas extras” indicados por Lupus estavam claros agora.

O tempo todo naquele lugar mais e mais subordinados nasciam. Eram como lagartos. Os mais magros, com seus machados. Os maiores, com uma armadura completa. Belos adversários para os três, que eram especializados em lutas corporais. Ainda tinha um pequeno dinossauro que estranhamente não atacava, mas sempre corria o máximo possível e dava um trabalho igualmente cansativo aos três.

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Mesmo tantos e tantos morrendo, só agora ficava claro o que estavam fazendo ali: Os dinossauros com sua velocidade pareciam querer servir de escudo ao Berkas nos momentos que suas defesas eram desativadas. Os outros planejavam destruir as engenhocas enquanto o seu mestre estava preso por uma balista ou caído por ser pego com a catapulta, no ar.

Falando em ser pego por catapulta, no ar, lá estava Berkas se levantando.

Metade da duração do escudo de engenhocas já se passou. A maior parte da restauração do efeito do supressor também.

– Ryan, por favor, não use seu ressuscitar. – Arme tentava discutir com ele. – Você vai simplesmente morrer!

O que seria de Lire sem Ryan, ainda mais agora?

– E por quem você acha que eu quero me sacrificar? Pelos meus colegas... E pela minha namorada! – Ryan se encheu de orgulho. Desperdiçaria ele logo quando criasse a própria morte.

Ao mesmo tempo três coisas aconteceram: Berkas não estava mais caído, Ryan começou a correr para o meio do campo na área que seu inimigo estava, e Arme ativou o supressor que novamente deixou a defesa do bichão instável.

Com a intenção de Berkas clara, de sair voando para ativar o “hellfire”, Elesis que estava mais perto dele agora foi quem disse:

– Não vou deixar! – e arremessou a balista com as correntes.

Berkas balançou a cauda quebrando as correntes antes de prenderem ele, e inutilizando a engenhoca. Agora, segundo Lupus, Elesis se reuniria com Ronan para manter em dobro a concentração na balista restante.

Já alçou voo. Zero também não estava com paciência para o bichano. A catapulta atingiria ele.

Ele deu uma pequena mergulhada para baixo sem encostar no solo para pousar, mas sim levantando um voo ainda mais alto depois da mergulhada. Era o momento de ativar seu ataque supremo, e acabar com todos. Zero também foi enganado.

– Todos os meus ataques até agora não o feriram. – Lire tentava não se sentir inferior aos amigos, ou estaria retrocedendo ao nível em que Arme e Elesis a impressionavam, e a deixavam com baixa auto-estima. – Então esse é o lance: minha hora chegou. Preciso manter os ataques em grande frequência para cegá-lo enquanto estiver no ar. Para isso, Lin, proteja-me. Eu não poderei manter o foco no que acontece aqui em baixo.

Lin continuava de frente para Lire, agora olhando com olhar de desafio aos lagartos de armadura que ali chegaram.

Lire não cessava os ataques por motivo algum. Continuaria centrada em acertar os olhos de Berkas, que pareciam não se ferir – mas pelo menos os mantinha fechados.

Com os olhos fechados, era óbvio que não conseguiria ver o alvo. Só que aquilo não era uma intimidação. Não para Berkas, pelo menos. Ele atacaria por todos os lados se precisasse, desde que uma hora ou outra acertasse os inimigos.

Os ataques aleatórios causados pela perda de visão eram tão ameaçadores quanto seriam se ele enxergasse. Todas as chamas criadas em uma fração de segundo já demonstrariam em seguida seu poder.

– Não importa quanta coisa essa equipe tenha passado, essa é a verdadeira hora de dizer: “estamos condenados”! – Lupus pensou por um momento em desistir. Não poderia.

Lupus desistiu de desistir ao mesmo tempo em que Ryan chegou perto dele e a primeira chama de Berkas saiu. Teria Ryan força suficiente para ressuscitar todos?

Agora que as flechas de Lire não foram poderosas o suficiente para impedi-lo de atacar, ela focou sua visão na amiga que esforçava-se para protegê-la, e logo mais à frente viu Ryan se metendo entre os amigos. Para ela, a atitude de Ryan era bem óbvia.

A primeira lágrima de Lire escorreu com o único pensamento: “eu não vou chorar”.

“Eu não posso morrer em vão. Tormentas de tiros”, Lupus realizou um último ataque superior, atingindo o Berkas acima.

– Redenção! – a voz feminina disse.

Não foi Ryan quem salvou os amigos. Foi Holy! Sua magia era capaz de negar o fluxo de vida e morte temporariamente, pegando toda a vida de inimigos tirada em batalha (incluindo a do momento, pois a redenção causou um dano em Berkas que estava na área de acerto acima dela) e doando-a aos amigos, semi-mortos ou recém-mortos, para lhes conceder a vida novamente no exato momento de passagem de mundos.

– Estamos todos vivos. – Sieghart estava alegre. Holy estava cansada, mas não iria se render. Apenas ofengante, mas em pé.

Rey, Dio, Holy, Ryan e Lupus também estavam vivos, além do já esperado Sieghart. Por pouco, Berkas atingiu também seus próprios homens e quase Azin, Jin e Amy.

Se em uma fração de segundo Berkas matou tantos de seus próprios homens assim, imagina o que faria em dois ou três segundos. Provavelmente todos com exceção de Sieghart morreriam, e as engenhocas seriam destruídas também!

Berkas caiu. Ninguém viu a velocidade que Zero atirou a catapulta. Com o fim do tempo de ativação do supressor muito próximo, era a chance de darem os últimos ataques juntos no dragão caído.

– Estrela da morte! – Dio aproveitou.

– Esferas gravitacionais! – Rey intercalou ataques.

– Sino da morte. – Sieghart completou.

Lupus, por alguma razão, não atacou. Estava tão preocupado com o rápido dinossauro que passou por ele, que deixou Berkas para depois.

O dinossauro pulou e encostou em Berkas sem que Lupus conseguisse pará-lo antes disso. Uma vez que encostou, todos os cortes – minúsculos, que provavelmente tinham ferido bem pouquinho – foram curados naquela região do corpo.

Azin, Jin e Amy, que sofriam com sua tarefa a ponto de deixar um dos dinossauros escapar, agora estavam recebendo ajuda de Ryan, que realmente não ajudou com ressurreição por confiar a tarefa a Holy.

Ryan, assim como Lupus e talvez os outros, estavam com uma queimadura de grau máximo, mesmo após ser ressuscitado pela paladina. O fato de não sentir uma queimadura daquele nível provavelmente se devia por ser ressuscitado após a mesma queimadura matá-lo. É como se a queimadura fosse neutralizada, mas aparentemente ainda a tinha.

Lire ao longe, com sua visão de arqueira, imaginava que Ryan estava muito mal.

– Você tem que ficar aqui. Ordens do Lupus. – Lin não deixou ela sair correndo.

Após a falha do caçador de recompensas o tempo de vulnerabilidade de Berkas foi minúsculo. Rey atingiu o olho de Berkas para que ele focasse nela, e Lupus aproveitou para atacar sem ser visto.

– Eliminar. – Abriu uma ferida pouco menor do que aquela que foi curada pelo dinossauro de antes. Berkas estava invulnerável outra vez.

– Uma rajada de fogo! – Elesis apontou. Ronan criou sua defesa mágica.

Toda a rajada de fogo, indescritível de tão poderosa, foi criada pelo mero respirar do nariz de Berkas.

“Ele pretende acabar com a balista restante. Seria a hora perfeita para usarem ela”.

A balista estava quase destruída. A defesa mágica de Ronan só protegera ele e a colega Elesis porque a rajada era muito pequena. Se pequena era forte, a grande ninguém imaginava.

Berkas voltou a voar. Zero não conteve o inimigo por estar sendo pressionado pelos capangas lagartos dele.

Voando, criou uma tempestade de ventos.

– Windstorm? Todos vocês, abaixem-se! – Lupus ordenou.

Os capangas de Berkas, que sabe-se lá de onde saiam, voltaram a morrer pro próprio ataque do chefe deles. Abaixados, os guerreiros da Grand Chase se protegiam apenas parcialmente. A tempestade de ventos carregava a todos e cortava sem limites.

Holy, Sieghart, Rey e Arme foram exceções. Rey e Arme usavam seus diferentes teleportes. Sieghart estava impossibilitado de ser movido por algo além dele próprio, por um poder que chamava de “Provocação fatal”. Holy negava os ventos com o ataque de antes, o “escudo de pressurização”.

Berkas, que voltou ao solo, completou a tempestade de ventos acertando uma longa cabeçada e em seguida um rugido ensurdecedor para deixar os sentidos menos apurados.

Lupus foi o alvo. Não enxergava bem, não ouvia bem, não sentia nada e ainda caia daquela altura em que esteve, acertado pela cabeça, direto no solo sem ninguém para protegê-lo na situação – é, o vento não deu tempo suficiente para que os outros voltassem a se mexer.

Sua barriga estava aberta. Perdera algum órgão ou era apenas sangue? Não sabia, sequer sentia a dor.

Lupus ergueu-se e andou em direção ao dragão.

Lass no canto esquerdo do lugar estava tão assustado. Não percebeu que o escudo de engenhocas podia ser reativado após todo esse tempo. Apenas correu em direção ao seu irmão.

Com Lass correndo até Lupus, o grupo de Amy, Jin, Azin e Ryan julgou que o melhor seria se juntarem. Com Sieghart, Dio, Holy e Rey lá também, Zero à direita também quis se juntar. Elesis e Ronan no canto à frente de Berkas fariam a mesma coisa, logo mais.

– Precisamos atirar a balista. – Elesis falou enxergando a oportunidade. Berkas foi realmente pego.

Elesis saiu correndo. Ronan ficou, pois, os poucos monstros que não foram derrotados pelo grupo de Amy foram quebrar a engenhoca da balista.

Ronan os derrotou rapidamente, mas a balista foi quebrada. Agora, segurava firmemente a corrente com sua própria força. Medindo força com Berkas, sabia que não aguentaria muito. A quebra da engenhoca de Ronan foi realizada apenas agora por causa de não estar protegida, pela engenhoca-escudo que Lass cuidava mais cedo. A única vez que Lass a ativou já havia impedido a destruição, mas ele poderia ter impedido outra vez.

“Eles atiraram logo agora a balista. E Ronan está com problemas em manter as correntes. Acho que isso será necessário”, Arme pensou colocando toda sua magia na engenhoca para acelerar a restauração. A aceleração era uma suposição, não uma certeza. Funcionou. Berkas estava mais uma vez atingível.

Arme foi correndo. Elesis e Lin já se juntaram. Não demorou muito para Arme chegar, agora restando apenas Ronan e Lire, com Lire no suporte a longa distância.

– Centro gravitacional. – Rey começou a atacar Berkas, que logo afrouxou a tentativa de se livrar da corrente por conta da dor que começou a sentir de leve, e foi se acumulando conforme outros atacavam.

– Círculo da morte! – Elesis complementou de outro lado do corpo, fazendo Berkas começar a perder o senso de direções, que gradualmente foi aumentando a cada novo ataque em nova parte do corpo que recebeu.

– Espírito indomável! – Jin não deu espaço para Berkas.

– Martelo demolidor. – foi a vez de Holy.

– Lâmina eterna. – o imortal deu sua contribuição.

– Inversor de correntezas. – Azin acrescentou dano no mesmo lado que Jin havia machucado.

– Explosão final. – Lin criou um de seus primeiros ataques presenciados.

– Explosão de energia. – chegava ao longe o ataque de Lire.

– Turbilhão de chutes! – Amy concentrou-se em quantidade para que Berkas continuasse sentindo dor por muito tempo ao invés de logo sentir uma folga.

– Ataque de gelo. Toque final. – Arme usou toda a magia restante para criar não só um, mas dois ataques.

– Corvo celeste! – Ryan testou um ataque relativamente novo.

– Esquife de ossos. – Dio juntou.

– Erupção de ferroadas! – Zero e Grandark surpreenderam com seu potencial.

– Lâminas mortais! – Lass completou os ataques, com Lupus sorridente.

Berkas estava quase morto, Lupus enfim daria o golpe final.

– Eu não aguento mais. – Ronan caiu. Mesmo com a corrente na pele de Berkas, ele não estava mais preso a ninguém que o puxava. Seria sua vez de atacar.

Berkas deu soltou uma longa rajada de fogo ainda deitado. Aquilo acabaria com todos!

– Obrigada, Holy. – Arme agradeceu.

Holy soltou seu “ataque demolidor”, que quebrou o chão e ergueu a terra criando uma parede de terra, que se derreteu em troca de proteger ao grupo.

Lupus soltou sua varredura crescente assim que voltou para perto de Berkas, imaginando que ele estaria morto ao fim do ataque.

Berkas não morreu. Pelo contrário, já de pé, queria amassar Lupus como tentou mais cedo.

Lupus recuou por conta própria desta vez e Berkas inclinou o corpo concentrando todo seu poder no rabo. Deixando-se acertar pelo mesmo rabo que arrancara seu braço antigamente, o já queimado Lupus deu seu último e mais forte ataque, “Disparo final”.

Berkas enfim estava morto.

– Lupus... Lupus! – Lass tentava acordá-lo.

– Irmãozinho... Eu sempre quis acabar com você e com este mundo de merda. Acho que meu método nunca foi correto. Agora que você não tem um irmão para matar, é a tarefa de “acabar com o maldito mundo” que lhe resta. Sei que vai encontrar uma resposta.

Aquelas palavras dele mesmo... Lupus esperava que não fossem para Lass tão atormentadoras como foram a de seu pai para ele, na noite em que descobriu ter um irmão.

– A culpa é minha. – Ryan falou, sabendo que não o ressuscitou por medo de causar sua própria morte.

“Se a culpa fosse sua, você não iria pelo menos tentar usar sua magia élfica de ressurreição aquela hora. Ryan, é a intenção que conta. Ou acha que não estamos todos igualmente amedrontados?”, Arme pensou.

No círculo formado por todos os guerreiros da equipe GC, Jin era o único que olhava para trás. Sabia que aqueles passos apressados eram de Lire e que ela estava tão preocupada com Ryan, como todos estavam com Lupus. Jin imaginou se desta vez Lire se soltaria a ponto de dar um beijo teatral ao invés de um beijinho envergonhado, mas logo voltou o foco ao Lupus. Jin era o único que não parecia preocupado com ele. Ele sabia, que como sempre, os amigos dariam um jeito de salvá-lo.

– A culpa não é sua! – Lire enfim chegou correndo ao Ryan, e apenas o abraçou por trás.

Era tanto choro que não acabava mais. Choravam por todos os motivos, mas acima de tudo pelo grande amigo que Lupus se tornou nesses poucos dias que o conheceram. Estaria imortalizado como herói, pelo distintivo que lhe dava o nome de “ex-membro oficial” da segunda geração da equipe mais aclamada da história.

– Eles não estão aptos a continuar, Sieghart. – Jin viu que o imortal estava longe. – O que faremos?

– Temos que continuar. É só esperar.