Grand Chase Heroes
67 Capítulo 63 - Duel, Zero e Aron
Notas iniciais
– Você realmente não pode demonstrar um sentimento nenhuma vez? Nem mesmo longe dos outros? – Sieghart reclamava de Mari.
– Por que isto te importa? – Mari queria levantar dados.
– Eu estava inseguro, mas vou te contar. Uma vez, e uma única vez, eu me apaixonei. Você me lembra meu amor, de uns seiscentos anos atrás...
– “Amor”... Conceito: Aquilo que se dá a pessoa que merece esperando retorno, forma de demonstrar uma gratidão em um nível exagerado.
– Os conceitos do seu HD estão errados. Perdão. O correto é: nenhum conceito está certo. O certo... É o “presenciar”. Apenas isso define verdadeiramente o que é amor.
– Eu não estou te entendendo, senhor imortal. Eu juro. Se eu pudesse, eu mudava, já que este é seu desejo. Mas eu não posso, desde que perdi minha memória sou um mero robô, com dados de computador inseridos por uma placa de metais raros em meu cérebro.
Sieghart riu baixinho.
– Em meus seiscentos anos de vida eu nunca suei tanto quanto agora, que eu lhe contei meus sentimentos. Em troca eu recebo palavras de indiferença. Ironicamente, eu adoro este seu jeito peculiar, Mari.
A conversa parou por aí. Depois de derrotarem tantos anões, o espaço vazio finalmente formou uma nova imagem de inimigo. Ele era estranho, muito estranho. Uma coloração roxa, desta vez tendendo para o azul, formava sua pele. O que era pele e o que era cabelo, era difícil definir. Ele tinha forma de cabelo, mas a cor era exatamente igual àquela presente no resto do corpo. Não tinha expressão maléfica, mas sim uma de justiça. Por que iria inimizar-se, tendo aquelas características?
– Grande-X! – Repetiu uma voz conhecida. Era o mesmo garoto daquela vez, que Elesis queria perseguir após derrotar ZIG. Sieghart já o conhecia!
– Você não vai tirar a eclipse de meu poder.
Um único movimento foi o necessário para o atual inimigo acabar com o garoto que herdou as habilidades da família Sieghart, ainda de nome desconhecido. Esse movimento foi bem observado por Sieghart, ao mesmo tempo que ele ouvia as palavras de Mari.
– Meu computador detectou todos os distintivos da Grand Chase aqui na cidade de Mjolnir. Eles foram para a prisão. Sieghart, precisamos resgatá-los!
– Mas esse cara aqui está disposto a bloquear o caminho.
– Eu não vou interferir. Eu quero apenas uma “coisa”!
Com a informação de Mari passada e a evidência da força do novo inimigo, com Zero caído em uma simples troca de ataques, Sieghart avançou numa investida rápida e silenciosa num ponto cego.
Esperando atingir sem ser notado, o movimento de quem tentava atingir foi mais rápido ainda. Não sabia explicar como, mas ele já havia atingido Mari em um ponto de desmaio em um ponto do local no qual apenas velocidade não poderia fazê-lo atingir, naquele tempo. “Teleporte?”, era a explicação que Sieghart colocava na situação.
Mari não se dava por vencida. Ela continuava acordada enquanto o homem colocava mais e mais pressão no ponto de desmaio.
A última ação de Mari foi clicar na tela cuja imagem era projetada no ar. Algo apareceu na mão de Sieghart que não segurava a lâmina. Já a mão que segurava a lâmina, suava por conta de toda a força que aplicava no objeto. Partiria de uma única vez para cima daquele que estrangulava Mari.
Com a garota da heterocromia desmaiada, ele desapareceu. Sieghart foi inútil contra ele. Então... Quem de fato teria algum tipo de chance contra ele?
– Acorde, garoto. – Sieghart pediu às pressas chacoalhando seu corpo sem cuidado. Teria que ser rápido tirando informações contra o rei dos anões, para poder seguir o inimigo que raptou sua nova paixão.
Zero estava acordado. Olhando no fundo dos olhos de Sieghart, por baixo, lembrou dele.
– Grandark! – Zero deu um súbito salto tocando-a. Estava sob sua posse.
– Relaxa, não fui eu quem foi atrás da espada do outro, quando nos encontramos pela primeira vez.
Sieghart estava certo. Isso também devia ser o motivo de Sieghart carregar uma lâmina diferente da Soluna no presente momento. Protegia daquele que tentara roubar no desfiladeiro incandescente!
– Vamos, precisamos salvar meus companheiros. – Sieghart já dava o comando no novato.
– E quem disse que vou me submeter às suas ordens? – Zero ameaçou.
– Eu. Pois se não submeter-se, será o fim para a Grandark. – A lâmina já estava no pescoço de Zero. Por mais que sua arma não fosse tão boa quanto a Grandark, no quesito de manusear... Ele parecia ganhar de Zero!
Zero ficou com medo. Deveria obedecê-lo?
– Brincadeira. Eu apenas queria ter a certeza... De que eu poderia resgatá-los.
Sieghart já andava em direção à prisão de Mjolnir, a cidade em que estava. Zero, ali parado, abriu a boca:
– Eu sou um guerreiro solitário...
– Tudo bem. Entendo. Com sua licença, vou sair de cena!
– Eu sou um guerreiro solitário... Contudo, eu tenho uma estranha sensação de que não somos inimigos.
Sieghart olhou para trás.
– Se quiser vir, então me dê sua palavra. Você irá me acompanhar? O caminho é relativamente longo, e problemas podem aparecer.
Zero concordou, e começou a correr para acompanhar o imortal. Introduzindo seu nome, indagou se Sieghart conhecia aquele que enfrentara há alguns minutos.
– Não, e você?
– Eu nunca o vi, mas provavelmente aquele é o Duel. Afinal, sempre me contaram que “Duel” era o empunhador da “eclipse”.
– Hm, eclipse... Aquela que se equipara ao “Sol”, à “Luna” e à “Grandark”. A quarta espada lendária! – Sieghart lembrou-se das antigas histórias que lhe contavam sobre o assunto.
– Sim, é estranho ver em um único dia os donos de todas estas espadas. – Zero parecia estar com o olho muito grande para as mãos de Sieghart. Por que não as empunhavam, as espadas que formavam a soluna?
– Tira esse olho de mim! – Sieghart pediu. Zero estava quase tirando ele do sério!
Os dois não se entendiam nas palavras, tudo virou silêncio. Mas suas espadas... Pareciam se entender bem o suficiente para Zero aceitar aproximar-se de outro indivíduo.
– Você continua se focando nas espadas, acima das criaturas vivas. Que tipo de cara é você? – Não se conteve em perguntar.
– Não se atreva a menosprezar as espadas. – Zero falou ríspido.
– Deixa para lá, nem todos são como você. – Alguém falou. Aquela voz feminina... seria a Grandark?
Sim, era a Grandark!
***
– Você me falou que seus amigos estavam presos aqui, mas não que o rei dos anões estava junto! – Zero reclamou.
– Se é para reclamar, não entre em combate. Apenas fique com isto. – Sieghart jogou o bastão que Mari o deu em seus últimos segundos de consciência. Zero seria aquele que libertaria a Grand Chase, e Sieghart aquele que tiraria informações de Aron. Mas primeiro, devia levá-lo a algum lugar distante dos outros.
– Ai! – Grandark gritou.
– Me desculpe, Grandark. – Zero pediu.
– Espertalhão, nenhuma arma consegue quebrar um metal deste porte. Se Mari o deu alguma coisa, ela que é deste continente maluco deve ter um truque para quebrar as grades desta prisão!
Zero estava triste. Uma pequena parte da Grandark rachou. A tristeza era tão grande, que sequer pôde notar em quem falava.
– Não tá me ouvindo? Tira a gente daqui, seu espertal... – Elesis começou, quando Zero passou a olhar por cima, ignorando a rachadura na Grandark. Assim que Elesis enxergou seu rosto, teve certeza. Ela o conhecia! Parou de falar instantaneamente, sem concluir a repetição de sua provocação. Apenas estava aceitando a ajuda agora.
A barra de ferro de Mari atirava um laser diferente, parecia ser o único capaz de derreter a grade da prisão, ainda que o derretimento fosse mais lento do que um orc sonolento! Mesmo quando saíssem dali, teriam que procurar pelas armas de todos os oito membros feitos prisioneiros, sob tutela de pelo menos uma pessoa que estivesse armada.
“A Elesis está alterada desde que o viu”, Amy reparou. “Será se ele tem alguma coisa a ver com o sumiço de Mari?”.
– Ei, garotão. – Amy principiou na tentativa de primeiro saber o nome dele. Uma vez que não foi correspondida, passou para a sua pergunta: – O que houve com Mari?
– Duel a pegou. Iremos atrás dele assim que Sieghart conversar com Aron.
***
– Belos olhos, você tem. – Aron se referia ao fato de Sieghart ter escapado por milímetros de seu ataque explosivo múltiplo.
– Eu já falei. Eu vim aqui apenas para conversar. Por que todos os anões insistem em pedir por ferimentos?
– Decidirei se está apto a falar, ou está me enganando: Machado do destino!
Um machado caiu do céu direto em Sieghart. Sua alma estava gélida, como se quisesse sair de seu corpo. Seu corpo, ardendo de dor.
– Me desculpe. Nunca ninguém antes passou pelo meu machado do destino. Isso significa que você não está mentindo. Vejo uma grande determinação em você!
Precisava daquilo para enxergar a determinação? Sieghart suava pela segunda vez aquele dia – coisa que não costumava fazer – e estava tenso, suas palavras de agora em diante saíam atropeladas.
– Astaroth, nome pelo qual é conhecido hoje, passou por aqui. Ele os contratou para nos atacar, criou algum tipo de conspiração ou os ignorou?
– Astaroth? Eu não sei nada sobre ele. – Aron respondeu. – Meus guerreiros atacaram vocês apenas porque alguém, provavelmente o oficial Talin, da guarda, criou um boato de que seu grupo estaria aliado aos elfos.
– Aliados aos elfos, hein? Que falta de discernimento. Nós já havíamos derrotado alguns elfos, ainda que na área dos anões poucos tenham se infiltrado e nos enfrentado. Dessa forma, ninguém nos vê de uma forma boa. Precisaríamos de pelo menos um grupo nos apoiando, para sobrevivermos até encontrarmos Astaroth.
– Nós temos nossas próprias guerras, não temos estrutura para apoiar um grupo contra alguém que nem conhecemos, enquanto a morte bate à nossa porta!
Sieghart entendia o posicionamento de Aron. Já era difícil conter a guerra, e sua presença agora deu mais um trabalho extra ao Aron, que costumava ficar na área de suprimentos (onde Talin e os dois robôs-sentinelas foram derrotados), e acabou chegando ao centro, da moradia dos anões, para proteger os civis.
– Está bem, me desculpe por causar este alvoroço. Mas eu vou te adiantar uma última possibilidade: Astaroth sempre declarou guerra através de cobaias, para vários lugares. Ele persuadiu pessoas pelo mundo inteiro a fazer isto, e em nenhum ponto alguém imaginou que ele estaria por trás. Simplesmente, imaginavam que um povo inimizava com outro.
Aron ficou impactado, mas ainda não iria proteger a Grand Chase.
– Um último pedido. Concentre-se na defesa nas próximas quarenta e oito horas. Meu plano envolve um tempo aproximado de dois dias, e se algum anão nos seguir na batalha contra os elfos, eu não terei piedade.
– Nossas armas estão recuperadas, Sieghart! – Jin contava, dando chances para escaparem dali, e continuarem o caminho.
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