Grand Chase Heroes

32 Capítulo 30 - A real guerra


Notas iniciais
Maior capítulo até agora. Espero que gostem, pois julgo que seja o clímax da primeira, de duas partes. Ainda haverá apenas mais um momento tão importante quanto este na estória!

Lire notou que o Gorgos que se partiu em dois não espirrou sangue e sumiu. Instantaneamente passou pelo portal que se abriu e seguiu Elesis que passou por um segundo portal. O portal atrás dela se fechou. Lire agora presenciava a risada maligna de Cazeaje.

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– Sim, sou eu “mesma”. – falou a voz grossa.

“Eu queria poder falar com Arme e Ryan, mas nada que eu faça adianta”, Lire se esforçava para tentar descobrir como se comunicar através dos distintivos.

Instantaneamente – ainda que Lire não soubesse disso – o distintivo de Arme vibrou e setas foram apontando para onde deveria ir. Arme levitava Ryan para levá-lo junto, não deixá-lo exposto em campo inimigo.

– O que você fez com meu pai, revele agora! – Elesis exigia explicações.

“Elesis permanece sempre tão indiferente, mas alguns momentos como esses últimos... Dão a entender que ela tem algum tipo de amor. Não posso imaginar o tipo de vida que ela teve. Seja como for, Lire, eu espero que nunca chegue o dia que Elesis se irrite de verdade, ou chore. Talvez seja o fim do mundo”, a arqueira lembrou-se das palavras da maga do início da jornada. Ela endeusava Elesis pelo poder dela, parecia. E se realmente fosse verdade que, fora do sério a amiga seria capaz de tudo, Elesis provavelmente mostraria seu verdadeiro poder agora.

– Vai saber. – foi a única resposta.

Elesis realmente estava furiosa. Pulou atravessando uma grande área e pegando no ar Cazeaje, jogando-a contra a parede e segurando-a pelo pescoço. Preparava para fincar sua espada.

“Ela parece um homem”, Elesis surpreendia.

– Não, você parece um homem. – Cazeaje falou. Mas o que houve? Ela não estava mais nas mãos de Elesis, presa.

Elesis olhou de onde vinha sua voz. Cazeaje já estava atrás. Desapareceu como uma sombra.

– Não me diga que você... Você agiu este tempo todo como a “sombra” para me atentar.

– Sim, eu sou a “sombra”. – Cazeaje riu maleficamente.

Elesis não podia acreditar. Foi enganada todo esse tempo... Por Cazeaje!?

– Diga agora mesmo onde está meu pai! – Elesis atingiu o ápice da raiva.

***

Todos lamentavam o que acontecia enquanto Elesis chegou onde antes se encontrava a nuvem que propagou aquela mensagem. Dois ou três esquadrões, que demoraram a chegar, carregavam o corpo de cada membro do grupo do meu pai. No entanto, a pergunta que todos faziam era: “cadê Elscud?”.

Foi uma noite longa, e demorou para chegar em casa. Todo o tempo que esteve na rua, o povo cochichava passando adiante os boatos sobre o grupo que foi morto ali por perto. O pior era ouvir que alguém falou: “Aquela criança tinha um futuro tão promissor. Uma pena não ser nada sem seu pai”.

***

– A nuvem roxa, “a neblina da morte” de Canaban. Era a voz da verdadeira Cazeaje que soou por lá. Não pense que não pesquisei exaustivamente sua vida, como confrontá-la. Não pense que eu não sei cada ponto fraco seu. Diga agora mesmo o que fez com meu pai, ou vai se arrepender.

– Arrependimentos são para fracos. – A voz grave prosseguiu. – Jamais sentirei isso. Contudo, devo dizer. A cada encontro, fico mais impressionada. Então, você era filha de Elscud Sieghart. Isso explica muita coisa.

– Como isso? – Elesis perguntou, mais uma vez agarrando a mocinha de seu tamanho, com olhos roxos e armadura pesada. Era realmente de surpreender, estava conseguindo atacar aquela que todos julgavam intangível!

– Exato. Você não teria conseguido sem o treinamento de seu pai. Que tal ter o mesmo destino de morte dele, em breve? – Cazeaje jogou sujo, não deixando que as provocações da inimiga a atingissem, e tentando criar o efeito contrário.

Elscud estava... Morto?

Elesis não podia aceitar. Continuou atacando com o ódio expresso em seu olhar.

Corria para o mesmo lado que Cazeaje corria. Ela era rápida, mas Elesis usava aquele esforço que voava de seu corpo para fora em excesso. Ela estava pronta para acabar com o que a reuniu a Grand Chase. O destino a guiou até aquele momento.

“Elesis só está jogando o jogo dela, correndo até lá. Então era Elscud o pai desaparecido. Eu nunca vi Elesis tão rápida, mas mesmo assim ela não consegue acompanhá-la. Ah, droga, em que estou pensando? Eu não posso perdê-las de vista!”.

Lire foi correndo até Elesis no mesmo segundo que Arme chegou ali. Havia uma barreira.

– Cazeaje está lá! Elesis, Lire, preciso ajudá-las! – estava agitada. – É uma barreira poderosa. Preciso decifrá-la.

Arme pegou seu cajado fazendo-o revelar o código da barreira. Uma vez revelado, deveria decifrar para saber como neutralizar a barreira.

Elesis continuava a toda velocidade seguindo Cazeaje. Lire já estava separada dela, e perdida.

Elesis arremessou no ar um corte através de pura pressão. Cazeaje apenas moveu um dedo para devolver a pressão à mesma direção de onde veio. Elesis criou outro corte no ar, ambos se anularam.

Elesis continuou correndo, até que deu um pulo para avançar mais rapidamente, deu vários giros no ar e apontou a espada para baixo criando o ataque que chamou de:

Terremoto! – e tudo à sua frente tremeu. Cazeaje com sua extrema velocidade já estava adiante, numa área que o terremoto não atingiu.

Nos últimos metros da área de acerto, o terremoto revelou que havia algo no chão. Não dava pra enxergar direito, mas a única opção seria uma armadilha.

Elesis pulou a armadilha para chegar ao chão à sua frente e caiu. Era outra armadilha!

– Esta não é uma simples armadilha. – Cazeaje usou a característica de Elesis contra ela mesma: a provocação. – Isto... É o que chamo de “armadilha para otários”.

Raiva! Elesis se livraria daquilo em um instante!

– Não vou deixar: ataque final! – Cazeaje usou, direcionando cortes de profundidade máxima, também criados através de pura pressão (e com muito mais intensidade). Os cortes, azuis, chegavam até Elesis sem parar. Provavelmente um a mataria... Então naquela quantidade? Bem, deveriam destroçá-la depois de morta!

– Obrigada, Lire. Sua presença nunca me fez tão feliz. – Elesis agradeceu.

Antes de chocar-se com o “ataque final”, Elesis segurou com as mãos a flecha que Lire atirou e foi puxada por ela, que usou de sua nova artimanha para resgatar a amiga: a corda presa à flecha.

“Eu falei que conheço seus pontos fracos, mas sinceramente... Ela não parece ter nenhum”.

– Então era tudo um blefe, eu sabia. – Cazeaje falou.

– Magia leitora de mentes... Você e a Arme com certeza sabem ser chatas com isso aí!

– Heh. Acha que pode falar comigo? Sua única ambição é sobreviver. Agora, não há escolhas. Apenas fuja.

Algo dizia a Elesis e Lire que não era brincadeira. Do nada, cinco miragens de Cazeaje apareceram.

– Não são clones físicos. Apenas um estará atacando de verdade. – Lire sentiu através de seus sentidos élficos, os mesmos que Ryan usava com suporte de Texugo.

Elesis não podia esquecer que Cazeaje era a mestra da velocidade. Isso significava que cada vez um dos corpos de Cazeaje atacaria, estando ela trocando de corpo constantemente com as miragens.

“Concentre-se na pressão do ar”, Elesis recordava.

Sêxtuplo... Ataque Final! – Cazeaje usou.

Elesis usou a maior pressão que pôde em sua espada para contra-atacar a pressão que sentiu vindo da esquerda. Ela cortou e apenas uma parte do “ataque final” sumiu: a mesma que encostaria nela. Em ambos os lados, o ataque final ainda estava avançando. Ou seja, ele teria apenas um espaço pequeno cancelado ao se chocar com o ataque da cavaleira.

Lire virou-se também escapando do ataque final, agora mantendo-se atrás de Elesis no ponto de intangibilidade. O ataque pegou de raspão e abriu sua bochecha com um talho.

“A pressão está maior ali”, sentiu.

A Cazeaje realmente mudou de posição com uma das miragens naquela velocidade completamente imperceptível.

Elesis virou, defendeu-se. Elesis virou, anulou outra parte.

– A ruivinha é insistente. – Cazeaje falou. Sem esperar por aquilo, o ataque final cessou (apenas o original, pois miragens ainda atiravam falsos ataques finais, sem causar dano algum como faziam antes por todos os lados). O que atingiu desta vez foi uma chuva de kunais.

– Ela só atingiu Elesis! – Lire arregalou seus olhos. Sua amiga parecia um porco-espinho. –Isso é para aprender a não me subestimar: flecha-de-luz!

Dessa distância a arqueira poderia controlar o percurso da sua mais poderosa flecha, aquela que tudo atravessava e absorvia.

Cazeaje estalou os dedos. A flecha sumiu.

“Mesmo sendo uma flecha, é como uma magia. Eu devia saber que não funcionaria”.

– Não é ela que não funcionou. – Cazeaje respondeu o pensamento. – É você quem é fraca, subestimando ou não.

Lire rangia os dentes de nervosa. Elesis cambaleava com as kunais enfiadas em todo o seu corpo.

– Mire sempre acima, Lire.

O pedido foi atendido. Elesis permaneceu no ataque pressionando para que Cazeaje desse um de seus abruptos saltos. Lire atingiu mais acima do que gostaria, assim Cazeaje seria acertada. Cazeaje segurou a flecha em movimento com as mãos e contornou com o corpo, ficando de cabeça para baixo nos ares.

A flecha seguinte acertou Cazeaje. Ela caiu verticalmente agora que perdeu o impulso e estava dando de cara com...

PUF!

Aquele barulho de Cazeaje tendo o estômago aberto por ser atingida pela espada... E também deslizando da ponta para baixo. Ela deveria estar morta!

– Uma era de maldades se acabando. – Elesis parecia alegre.

– Não se alegre tanto, Elesis. Eu não sou muito boa nisso, mas julgo que essa coloração saindo de sua pele seja força vital.

E era. Cazeaje estava em uma nova forma, gigante e quadrúpede. Junto da transformação, um mar de forças se esvaindo. O simples toque da força vital convertida em magia já doía, as duas descobriram. E o campo repentinamente mudou.

– Droga, eu realmente não estou conseguindo decifrar. – Arme começou a chorar.

– Não chore, Arme. Apenas pegue isso. – Ryan falava, estando ainda semiconsciente. – Libere-o com o cetro assim que você atravessar o portal que logo vai se abrir.

O portal realmente se abriu. O castelo de Cazeaje sumiu e o campo mudou. Pareciam levitar num espaço duvidoso. Pareciam ser estrelas, parecia ser um vácuo, parecia ser... Só inexplicável.

“O espaço sideral? Não pode ser”, Lire duvidava. Ela não parou de respirar como seria se realmente estivesse em um vácuo, mas também o ar ficou rarefeito.

– E parece que vai cada vez ficar mais rarefeito. – Arme falou, mostrando que estava ali. Tocou o cubo de Ryan com o cetro e liberou aquilo que ele pediu. Uma aura não tão espetacular envolveu as três.

“Magia de ressurreição! Ryan realmente está confiando tudo à Grand Chase original nessa luta, para chegar a usar este último recurso” – Lire foi a única que sabia o significado da aura. Preocupava-se com o estado do outro elfo. Ele realmente sobreviveria?

– Todos temos forças vitais e outros tipos de força, mas cada um costuma usar o seu. Força física, como Elesis. Chakra, como Jin. Magia, como eu. Dentre outros obviamente. Cazeaje tem uma energia misturada de todos e consegue liberá-las todas ao mesmo tempo. Em outras palavras, ela tem um poder praticamente absoluto. – Arme explicou.

A transformação de Cazeaje chegou ao fim e ao invés de apenas continuar suas táticas de guerrilha, começou um monólogo. Ninguém esperaria aquilo da rainha das trevas, aquela que derrotava a todos sem piedade em um mero balançar de cajado.

– Elesis Sieghart, não é? Bem... Você chegou até aqui, então parece que é digna de saber antes de sua morte, toda a verdade.

– Não queremos ouvir sua verdade. – Arme já preparava raios apontando seu cetro.

– Não tem problema. Manterei vocês imóveis.

E uma grande raiz de sucção apareceu prendendo-as.

– Eu estive brincando este tempo todo, garotinha ruiva. Não sou eu a “sombra” da qual se refere e nem faço ideia do que ou quem ela é. Seu pai, por outro lado... Digamos que o conheço.

– Como você o matou, sua pilantra? – e a raiz silenciou a cavaleira.

– Eu não o matei. Em um momento como esse, que estou colaborando com o plano de dominação mundial, ele era necessário no outro mundo. O meu aliado, do lado de lá do portal dimensional, precisava apenas dominar o poder do clã Sieghart para se tornar imortal. Juntando os dois lados... Hm, não haveria mais nenhuma forma de perdermos. E quanto a este lado... Tudo está tomando o rumo que eu sempre ansiei.

Cazeaje foi quem criou as esferas roxas de Gaicoz meses antes. Ela repetia sua magia agora na frente das garotas.

– Até o fim deste dia, Vermécia estará dominada, e todos neste território serão meus cúmplices.

A guerra se fazia naquele continente no qual cresceram. Elesis... Lire... Arme... Todas eram movidas pelo senso de justiça a acabar com Cazeaje. O que diabos ela fazia afinal? O continente que mais almejou enfim era destruído por inteiro! E sim, desta vez Canaban, elfos, Serdin... Estavam todos lutando por um lado só!

A imagem que se passava na esfera roxa era rápida demais. Mudava em segundos, como câmeras. Elesis tinha a impressão de ver alguns de seus conhecidos mortos, no qual se incluía Gerard, mas sabia que era impossível então julgou que seria um problema de visão. Arme também reconhecia o uniforme dos magos violetas que jaziam ao chão com o sangue escorrendo e os olhos bem abertos. Ninguém poderia fechá-los naquelas condições. Mesmo após a vida, presenciariam aquilo que mais evitaram a vida toda.

– Esta é a verdadeira guerra. – Lire lamentou. O continente de Vermécia passava pelo clímax de sua história.

Cazeaje calou as duas restantes com suas raízes novamente.

“Grand Chase, a equipe dos milagres, se reuniu outra vez”. “A paz está próxima, amigos”. “Cazeaje será derrotada como sempre mereceu”. Foram algumas das frases que ouvi. A lendária equipe, a Grand Chase original, teria me derrotado em segundos, eu confesso. Contudo, o que estamos vendo aqui? Três pirralhas garotas, um elfo semimorto e um lutador que abandonou os amigos visando objetivos próprios e individuais.

Jin não era assim, tinham certeza.

– Contudo, cá estão. Brincaram na minha primeira versão, a qual eu poderia ser revivida centenas de vezes. Admitindo derrota, parti diretamente à versão que as encurralará de vez. Preparem-se para o final de suas vidas.

“Guerra? Destruição? Quanta bobagem. A humanidade só existe pela compaixão daqueles que lutaram pelo bem dos outros”.

O pensamento de Elesis fez Cazeaje arregalar os olhos antes de atirar aquilo que acabaria com as três, ali e agora.

***

No dia em que nos conhecemos, Arme me chamava de ruivinha para me deixar fula e mesmo eu não reconhecendo o poder de uma garotinha mais nova que eu, ela era a companheira de time que eu teria que aguentar, salvar e ser salvada por. Contudo agora a provocação é de verdade. Cazeaje não me chama de “ruivinha” para criar uma discussão inútil. Ela espera que eu revide. Não há uma única palavra que ela diga sem pensar.

A Grand Chase não vai tomar parte para proteger Serdin ou Canaban. Miramos algo muito maior: os responsáveis pela guerra. Aqueles que realmente a criaram costumam agir às escondidas. E é esse o tipo de gente, ou monstro, que devemos mirar se quisermos parar a guerra. Os dois lados, afinal, jamais se entenderão. – Elesis lembrava das palavras da falecida comandante Lothos que a guiaram até ali, o seu destino final.

– Engraçado, ainda mais vindo dessa espadachim-macho que é você.– Foram outras palavras que marcaram. Mesmo sendo uma companheira, Arme a considerava “estranha” por assim dizer. Se passava imagem de macho às amigas, continuaria passando independente da condição. Não mudaria por elas seu jeito, mas mudaria por elas seu instinto de protegê-las a cada novo desafio, principalmente após ouvir que uma amiga era capaz de amenizar as brigas criadas por Arme:

– Mantenham o foco! – gritou Lire, apontando para o buraco que encontrava-se à frente. Aquilo serviu para separar a briga momentaneamente, para falar bem a verdade.

“Afinal, por que você fica carregando essa caixa gigante por aí? Está até ficando corcunda!”, Arme também a ajudou nessa situação.

O Lorde Orc, no entanto, lidera mais do que uma gangue como a minha. Assim que ele aceitou uma aliança com Cazeaje, parte da tribo se separou em gangues. A parte que manteve-se fiel ao Lorde Orc agora está fortalecido por magia humana. Você não derrotaria um único deles! – O orc líder falou quando começaram a busca. Aquela época Elesis não imaginava que tantas coisas aconteceriam, como aconteceram até agora.

Com as harpias Elesis e Lire se machucaram como nunca antes, mas também: Concentre em seu cetro novamente, Arme. As bolas de fogo estão muito fracas, foi quando aprendeu que não poderia deter inimigos sozinha. Era o tal “trabalho em equipe” ensinando uma lição a ela.

Não queria admitir, mas machucou-se. Mesmo falando que tudo estava bem, caiu como sua amiga elfa inconsciente. Talvez sua pose dissesse mais sobre ela, do que ela mesma. Não era tão forte quando se fazia.

Obrigada, Elesis”, Lire havia agradecido. Bem, talvez não fosse fraca. É, dependia dos amigos para mostrar sua força.

Mais tarde naquele mesmo dia teve a maior diversão de sua vida, brincando na praia. Momentos que somente Lire e Arme poderiam fornecer.

“A última vez que nos encontramos, tudo que eu queria mostrar é que eu aprendi o último dos legados que foi passado à sua herdeira, pai. Está na hora de eu mostrar de verdade, e mostrar que sou filha de Elscud Sieghart! Mostrar-me filha sua. Não é meu único fardo. Eu preciso proteger minha únicas amigas também!”.

Estes fardos eram fardos de bem. Eram o que moviam ela, mesmo intitulando-se neste nome tão feio. Não, talvez nem “fardos” eram. Talvez fossem sinais de esperança. Elesis não poderia abandonar suas palavras em nenhum momento, mesmo agora que estava de frente para Cazeaje.
“Pode derrotar a mim, mas não a Cazeaje”, falou. A única resposta de Elesis: “Engraçado. O Líder Orc que assombrava os arredores de Serdin disse a mesma coisa do senhor. Disse que um Lorde Orc jamais seria derrotado, ainda que eu tivesse derrotado um de seus antigos sub-líderes.”

Aquilo era apenas mais uma, dentre tantas outras provas reunidas até aquele momento, de que poderia derrotar Cazeaje enquanto acreditasse em si mesma, enquanto confiasse em cada companheiro de equipe.

Talvez ela tenha sido precipitada em chegar no mesmo dia ao calabouço de Gorgos, mas sentia estar necessitada de encontrar Cazeaje. Queira ou não, aquela foi a primeira noite que ela deu as caras perto da equipe, ainda que não tenha mostrado sua face.

Aquela noite também serviu para passar a determinação da Grand Chase à membra restante, a desacredita Lire.

Conheceram Ryan. Ele contou as tramas dos diversos lados de Cazeaje que agia sobre cada vila da face de Vermécia. Tudo começara a ter sentido.

Pelos amigos, derrotou Drillmon, foi sozinha ao castelo de Gaicoz e presenciou uma Arme diferente lutar com Lich. Infiltrou-se na cidade abandonada e enfim rumou ao desconhecido parando através de um erro ilusório na Terra de Prata. Jin os ajudou. Era mais um amigo formado.

Seus laços se estreitaram e mesmo até ali, de Elscud nada soube. Porém, estava finalmente cara-a-cara com Cazeaje, sem discípulos para ajudá-la.

Nem Elena, nem Patusei, nem Basilisco, nem falsos Gorgos e Troll, nem Kacaro. Nada pode detê-las no próprio território que agora sumiu. Nesse novo campo de batalha, o destino do mundo enfim ficou em suas mãos. Não poderia fazer disso só mais um fardo, não é? Mas depois disso, sabia: encontraria seu pai!

***

O corpo de Elesis esvaiu uma energia exótica, como que em uma sutra máxima.

Antes que o poder de Elesis se manifestasse, Cazeaje reforçou as raízes que a prendiam.

– Já imaginei que a cópia genética de Troll e Gorgos não as derrotassem, e surpreendo-me com Kacaro e Basilisco. Contudo, quem chegou aqui à completa ação da sorte, não passará daqui. Elesis, esta determinação toda é brincadeira de criança. A verdade é que seu fardo, sempre será apenas um fardo. Encare que nada mudou.

Elesis esteve se menosprezando a cada resposta que Cazeaje deu, mesmo de seus pensamentos. Contudo, agora não era hora para se sentir assim. O efeito das palavras foram contrárias. Diferentemente das vezes que treinou, Elesis soltou sua fúria por completo. Todas as raízes à sua volta (as suas e de suas amigas) perderam toda a vida que tinham, se desfizeram.

Grand Chase estava de pé novamente. O destino seria decidido exatamente agora!