Grand Chase Heroes
26 Capítulo 24 - O Traidor
Notas iniciais
– Realmente é difícil acreditar que estou desacordado há um mês inteiro. Alguém parece ter cuidado de mim para eu sobreviver assim. – Jin falava com os próprios botões, desconfiado do que realmente houve no tempo em que esteve parado. – Pelo menos, cá estou.
Olhava para frente. Aquela terra flutuante de difícil penetração que agora alcançou era seu objetivo há alguns meses, já. Sentia-se tenso por alcançá-lo, e triste por nem Grand Chase, nem o Verme-Dragão estar com ele ali. “A culpa é minha. Grand Chase iria me ajudar de prontidão, se eu não garantisse a eles que eu dava conta de tudo. Contudo, cadê V.D., agora que preciso dele? Virou pó”, arrependia-se. Também não deveria ter se metido com aquele verme que normalmente era dócil, sendo ele amigo de seu companheiro Paprion.
Seria agora. Abriu a porta do gigante castelo à sua frente e continuou, centrado em cada objeto que se mexia ao seu redor.
Subiu a escadaria de mármore, entrou no corredor da direita,deu de cara com uma sala ampla completamente vazia. O tapete colocado já à entrada da sala se esticava por incontáveis metros, e Jin seguiu toda sua extensão.
Mesmo que houvessem muitas portas dos dois lados, Jin sabia que aquele era o tapete que levaria ao lugar do rei, afinal normalmente eram em palácios reais que eram colocados aqueles tapetes vermelhos, vistosos. Sabendo disso, imaginou que seu inimigo era tratado como rei, naquelas terras desconhecidas.
– Você realmente estava à minha espera. – Jin sorriu. Sabia que seria uma realização tremenda se conseguisse derrotar o inimigo.
– Eu estou um pouco diferente, Jin, mas você está certo. Realmente sou eu quem está conspirando contra a Terra de Prata, sou eu quem estou pronto para a realidade desta terra esquecida!
– E como você sabe que meu palpite era que você, Victor, estava por trás de tudo?
– Meus subordinados vêm espionando você, garoto. Você a Grand Chase. Seu pior erro foi tê-los recusado, quando ofereceram ajuda.
Jin olhou cabisbaixo, sabendo que de fato fora seu erro. Não devia lamentar por aquilo, mas era difícil. Um gigante tornado passou raspando.
– Não desvie o olhar de mim, garoto!
– Garoto? Me subestimando como sempre, senpai. – Jin sorriu. Aceitava o desafio.
Victor, maléfico e tudo, sorriu também. Era raro esperar um sorriso, vindo dele, ainda mais agora que se rebelou.
– Realmente você tomou parte na erradicação dos cavaleiros de Prata, você era o dono da maior aura, a única aura de fogo que ainda reluzia quando cheguei ao campo de batalha e vi todos mortos. Você se juntou aos caçadores das trevas para isso, e depois caloteou eles! Mesmo de alguém indiferente, como você, eu não esperava isso... Victor!
Victor riu. Realmente estava muito diferente. Sua barba estava um pouco menor, e mais grisalha ainda. Seu rosto parecia expressar satisfação, prazer, ao invés da habitual falta de expressão. Seus músculos continuavam os mesmos e a aura sumiu completamente, talvez pelo fato dele não achar que precisaria usá-la com um oponente do nível de Jin ou talvez por algum fator que o levasse a ser incapaz de usá-lo neste momento. Ao invés da fina roupa de sempre, cuja malha aderia ao corpo facilitando movimentos bruscos, usava uma pesada armadura de dura resistência. Parecia até outra pessoa! Os chifres de seu elmo, ainda, lhe conferiam um aspecto selvagem.
– Eu não vou facilitar só porque você é uma criança, Jin.– Victor avisou de cara.
“Eu não vou facilitar só porque você é uma criança, Jin”, Victor havia falado, tempos antes, quando pediram ao homem que ajudasse Jin em seu treino de um-contra-um.
– Já fazem muitos anos que você me falou isso pela primeira vez, talvez devesse aceitar que não sou mais uma criança.
Outra risada, desta vez abafada, foi soltada. Ainda que o tom de deboche era tanto, a seriedade enfim chegou ao ponto máximo. Agora não trocaria mais tantas palavras. Novamente, os punhos é que falariam agora.
Jin era precipitado. Assim como outras diversas vezes, cansou-se rápido de esperar o primeiro movimento, então tomou iniciativa própria. Socou Victor, direcionando seu punho na face do inimigo, na única parte que o elmo não cobria. Victor usou o seu tamanho como vantagem assim que Jin se aproximou, dando um soco muito parecido, esticando seu braço que era bem maior que o de Jin. Felizmente, Jin evitou. Ambos os cavaleiros de Prata restantes evitaram o soco rival com o punho que sobrava. O choque de punhos fez Jin lembrar-se do Azin com o qual lutou há pouco tempo. Ele tinha movimentos parecidos com o de Victor.
“Então são três os cavaleiros de Prata restantes”, Jin pensou.
– Já lhe falei para não desviar o olhar de mim, ou vai se arrepender! – Victor lembrou, quando Jin mostrou-se pensativo.
Victor ganhou a batalha de punho, arremessando Jin pelos ares. Jin já se levantava.
– Resista às minhas explosões!
– Até parece. – falou Victor, dando um peteleco em Jin. Jin ficou incapaz de criar uma explosão, mas voltou a tentar um ataque. Foi ineficiente. Retornou, atacou. Não acertou. – Nossa diferença sempre foi essa. E nossa diferença sempre será essa.
Algo começou a vibrar no bolso de Jin, que desistiu de seu ataque seguinte para recuar. Jin pegou.
– Oi, Jin. – apareceu Arme sob forma de holografia. – estamos com problemas, gostaríamos de perguntar se você tem alguma ideia de...
“Dá aqui Arme. Lire e Elesis estão precisando de sua ajuda, deixa que eu falo”, escutou-se a voz do Ryan, sem necessariamente ele aparecer na holografia.
– Se você não virá, então eu vou até você! – falou Victor, dando uma deslizada no chão para ganhar velocidade.
– A Arme não faz ideia de como seremos capazes de de... – Ryan começou, com sua imagem cortada. Jin ouviu um grito, mas não sabia dizer se era de Arme ou Elesis.
“Droga”, pensou. Estava sem jeito pelo problema que ocorreu e, mesmo após a surpresa com a holografia que sequer sabia que apareceria, e mesmo após o repentino desaparecimento de Ryan, sua imagem e sua voz, nem esperava um ataque. Talvez sua tensão não lhe fizesse prestar a atenção em Victor.
– Essa foi por pouco. – Victor falou. Já tinha certeza que venceria, mesmo que por ora Jin tivesse escapado.
Ele pulava para trás recuando, enquanto Victor preparava para correr não aos passos, mas aos deslizes como fez antes. Daria outro ataque direto.
– Responda, Grand Chase. Repito: Responda, Grand Chase. – Jin tentou inutilmente falar no seu distintivo, esperando que no de seus amigos aparecesse sua holografia.
Jin bateu. Não tinha como recuar mais agora que estava na parede, e Victor estava prestes a acertá-lo.
– Toma! – gritou uma voz tão aguda, tão aguda, que quase estourou os tímpanos de Jin.
Era Amy. Ela usou seus dois chakrans, retirados de sua estranha bolsa, para cortar os braços de Victor, que estavam no chão sem sangue algum.
Victor foi quem recuou desta vez. Parecia estar focado em algo, que Amy e Jin não puderam imaginar do que se tratava.
– Amy estará com você, para sempre, em um lugar insondável. – Amy lembrou a Jin.
– Foi você quem cuidou de mim, outra vez. – Jin soube, agradecendo através do olhar compassivo.
– Não há tempo para demoras. Temos que derrotá-lo e partir imediatamente a Xênia. – Amy disse.
Victor enfim parou de concentrar seu poder, e agora soltou um grunhido selvagem, liberando o poder antes acumulado. Seus braços estavam de volta (e aqueles que foram cortados sumiram) junto de um par de asas, nunca vista antes.
– Se a garotinha não tivesse pego de surpresa, Jin, você nunca teria lutado com minha mais forte versão.
Victor voou baixo e preparou seus dois punhos. Dessa vez foi Jin quem conseguiu desviar com facilidade. Inexplicavelmente, Jin caiu. Seus músculos se contraiam involuntariamente.
– O que eu arremessei com meu punho vai além da minha força corpórea, Jin, é um poder sobrenatural que os melhores controladores das técnicas dos cavaleiros de Prata podem ter, você jamais entenderia. – explicou. – Você deve se sentir humilhado agora que contei isso para você, ou não? Não deve não, afinal mal pode me ouvir.
Amy remoeu-se em ódio e preparou um ataque de longo alcance que acertou Victor em cheio. Victor não tomou um baque como Amy esperava: Victor atravessou a parede da sala, e assim foi, atravessando a parede de várias salas.
“Tenho que ser rápida, mas é minha chance de pegar meu violino”. Colocando novamente em sua bolsa seus chakrans, tirou de lá um violino – espera aí! O violino era ainda maior que a bolsa!
Victor já voava na direção de Amy. Um pouquinho que demorasse, estaria morta.
– Toma! – gritou de novo. Dessa vez, notas musicais visíveis saíam de seu violino e, mesmo agora que ela parou de tocar, as notas se propagavam. A primeira encostou em Victor, criando em sua mente um som insuportável.
Victor voava para longe, esperando o ataque de gigante área de Amy acabar.
– Impossível. Enquanto você estiver sob o efeito, mais e mais notas o seguirão. Essa habilidade é conhecida por ser indestrutível por um período de vinte e quatro horas e ninguém é capaz de escapá-lo. Em outras palavras, assim que rastreado pela primeira nota, todas as outras serão teleguiados. E também, os programei para não acertarem Jin. Esse é o fim. – falou Amy. Jin supunha, mesmo em seu lastimável estado, que tudo que ela falou se reproduziu na mente daquele que ficou atordoado ao ser acertado. Então, onde quer que Victor estivesse, estaria ouvindo as palavras de Amy replicadas.
Victor estava muito atormentado. Todos seus treinos para sobreviver a diversos tipos de tortura pareciam ter sido em vão, não aguentava aquilo.
– Não se preocupe, eu vou cuidar de você enquanto isso. – Amy falou, com a primeira lágrima se formando em seus olhos.
– “Estará para sempre comigo, em um lugar insondável”. Eu demorei tanto para entender, que não posso simplesmente deixar com que você tome o fardo. Agora sou eu quem estará no seu lugar insondável. Por favor, permita-me pedir licença.
Jin disse pedir licença, entretanto não foi nada educado quanto suas palavras aparentavam. Ainda tentando ficar de pé, socou Amy que se chocou em um dos pilares brancos da nobre sala.
“Eu não sei porque esse idiota fez isso, mas se eu for atrás dele ele não vai pegar leve dessa vez”, Amy pensou, olhando fixamente ao seu violino no chão. Jin pisou nele, com a pequena força que restava. O violino se quebrou.
“De certa forma, sinto sob meus punhos a responsabilidade de proteger a Terra de Prata”, Jin lembrava. Usaria seus punhos na batalha final agora, então não poderia deixar que Amy roubasse a sua glória do momento.
– Você é um idiota, com meu violino destruído o Victor novamente estará...
– Eu sei, essa é a minha intenção! – Jin anunciou, interrompendo Amy.
Victor chegou dos céus, quebrando o telhado. Preparando-se para atacar, continuava voando em baixa altitude.
Amy estava imóvel. Toda a parte que queria se meter na batalha era destruída pela parte que dizia: “não se meta no desejo de Jin”.
Jin aparentemente não evitaria o ataque, com certeza fatal, de Victor. Qual era a razão por trás do ato suicida do monge?
A um mero milímetro de ser acertado, Jin rapidamente foi para frente imitando Victor: sem dar passos, mas sim deslizando. Usou o poder que costumava utilizar em seus punhos, agora nos pés. Era um tanto complicado usar onde não era de praxe, mas ocorreu tudo certo. Dessa vez não foi o punho de Jin que explodiu, foi o pé.
Com sua bota estragada por causa do fogo, Jin teve seus pés propulsionados de forma que, agora que estava novamente com o corpo reto (estando antes inclinado ao deslizar), deu um super soco que arrebentou a armadura de Victor na explosão, e provavelmente parte de seus órgãos também.
“Uma pessoa normalmente morreria com esse ataque, mas eu devo garantir a vitória!”, Jin assegurou.
Continuando a propulsão nos pés, deu outro soco agora que estava mais alto, outro, outro. Todos explodiam o inimigo um pouquinho em cada vez. Jin chegou ao teto e criou um buraco, ao lado daquele criado por Victor em sua chegada, e continuou sua série de ataques.
– Este, é o poder da determinação, o poder da proteção. Este, é o meu "verdadeiro poder"*
Estavam cruzando os céus quando a propulsão acabou. Jin deu um último soco, agora direcionado para baixo, que fez com que Victor caísse até abaixo de sua fortaleza flutuante, diretamente na terra regular. O baque foi tremendo, e tudo que viu-se foi seu elmo escapando, seus cabelos curtos à mostra e a barriga inteiramente queimada das explosões de Jin.
Jin e Amy logo voltaram para o terreno regular para checar a situação de Victor, morto.
– Ele não é digno, mas ainda que soe estranho eu sinto uma forte necessidade de dar um enterro respeitável. – Jin disse. Amy não contestou, nem mostrou-se feliz com a ideia.
Após o enterro improvisado, partiram.
– Como mesmo você subiu até a fortaleza de Victor? – Amy questionou, obtendo a resposta de Jin e subindo novamente. – Somente aqueles que nasceram em Xênia conseguem flutuar nas nuvens. Jin, suba no meu colo.
– E quem disse que eu quero ir?
– Eu estive observando a Terra de Prata enquanto Xênia estava aqui em cima, mesmo agora que Xênia se movimenta para Ellia, eu certamente sei os rumos que o arquipélago vem tomando.
Jin entendeu. Ela sabia que ele protegeu a Terra de Prata como disse que faria, e agora sentia-se livre para acompanhá-la.
– De fato eu vou com você, só fiquei curioso. – Jin explicou, sorrindo para Amy carinhosamente.
– Nem tente me enganar, ou você acha que eu não esqueci do soco que você me deu?
Jin olhou com receio. Não queria ter magoado ela.
– Você sabe. Para alguém que explode em cada soco, um soco que somente atira a pessoa longe evitando a maior parte dos danos é o mais difícil estilo de soco a se criar. – Jin explicou. – Eu me dediquei demais naquele soco para que você saísse o mais ilesa possível.
Amy reconheceu. Sabia a ambição de Jin em fazer justiça com as próprias mãos, quando se tratava de sua terra natal. De certa forma, Amy não era tão diferente, por mais que não gostasse muito de Xênia.
– Está bem, eu te perdoo. – articulou Amy, pegando Jin sobre seus braços, como se pegasse um bebê de colou com aquele instinto materno, superprotetor. Enfim partiriam para Xênia.
Notas finais
* = Frase que deu nome à temporada, "o verdadeiro poder" ^-^
(Não pertence a mim nenhum direito sobre a imagem)
Fale com o autor