Grand Chase Heroes

33 Capítulo 31 - A verdadeira destruição


– Elscud desapareceu por uma fenda dimensional, seus companheiros de Canaban foram mortos. Nenhuma falsa determinação acabará com seu eterno fardo, espadachim de merda!

Elesis não aceitava mais as provocações de Cazeaje. Começava agora a notar como se mexeria naquele espaço uniforme, sem chão. Não demorou a se acostumar e já saiu correndo.

Aquele modo especial no qual estava agora não curou as feridas causadas pelas kunais, mas deixou todas elas amortecidas. Sentia-se nova em folha, mesmo não estando. Mexia-se livremente, leve e solta. Sua velocidade, leveza no manuseamento da arma e facilidade em criar atrito também aumentaram. Era outra Elesis, agora que liberou sua “fúria”.

Tal fúria, capaz de tirar vida de raízes que prendiam o grupo... Parecia surreal!

– Avante! – Elesis comandou. Mais do que nunca as amigas a viam como uma líder.

As raízes de Cazeaje avançavam em grande quantidade e velocidade. Elesis cortava-as facilmente e aqueles à sua volta que não eram cortadas perdiam a vida, e consequentemente o movimento.

– Isso não é possível. – Cazeaje falou. Sentia-se acuada lembrando de sua luta contra Elscud. Também imaginava pela primeira vez que se não tomasse cuidado, poderia sim ser derrotada.

Cazeaje tornou a ficar calma e olhou com seu instinto assassino mais uma vez restaurado. Não brincaria com as garotas, ainda que julgasse que não perguntara tudo o que queria enquanto elas permaneceram presas.

Três portais apareceram e engoliram as garotas, cada uma em um canto diferente.

Elesis continuava desesperada pelo fato de seu pai ter sido engolido por um portal dimensional e consequentemente se perguntava se ela estava sendo engolida neste momento por um parecido. O que era aquilo no qual era contida?

– Foi realmente você, Cazeaje, quem nos fez parar na Terra de Prata com suas ilusões. – Arme notou agora que estava presa em mais uma ilusão.

– É realmente esperta, sendo a única a notar que isso é uma ilusão. Mas não adianta. A astúcia não vai livrá-la daqui.

Enquanto isso, no espaço ilusório de Elesis nada acontecia e de Lire, ela começava a ver algo. Eram elfos.

– Elfos? Onde é que eu estou? – perguntava a si mesma.

Meteoros caíam e os elfos, crédulos, deixavam-se atingir por eles.

– Não! Por favor, entendam! – Lire gritava em um forte exaspero.

Enquanto isso o líder da tribo de elfos apenas andava. Permanecia indiferente com os gritos de Lire e também indiferente pela morte dos moradores de sua tribo.

Lire seguia os passos do líder ainda e chegava a um barracão com uma mulher recém-parida e sua pequena filha, careca. Um homem parado ao lado dela saiu assim que viu o líder aos choros e não parecia expressar vontade de voltar ali. A mulher fechou os olhos e o líder pegou em suas mãos, olhando às paredes com sua contínua indiferença mantida em sua face.

Tudo explodiu e novamente a mesma lembrança recomeçou. Os elfos não evitavam, sabe-se lá por qual motivo, os mesmos meteoros.

Lire estava com raiva, mas também sem entender o que se passava, enquanto Elesis sofria igual influência da ilusão.

– Eu falei, mocinha, que você poderia entender que era uma ilusão, mas não conseguiria escapar dela e de seus efeitos colaterais. – Cazeaje riu. Arme era a única com quem falava. Parecia julgar que a maga tinha também seu lado ameaçador, para agora se focar nela.

Arme não conseguia parar de chorar. Enxergava a si mesma, anos antes. Após ver seus pais abandonarem-na, via seu amigo morto, segurava-o. O outro amigo sorria e saia de cena. Ambos, o morto e aquele que saía, usavam uniforme de estudantes de magia.

– Pare! – Arme implorava.

Elesis também era atormentada. Ela não enxergava a si mesma quando criança. Diferentemente, ela estava encarnada no seu “eu” criança. Via falarem dela, que estava bem ali diante dos olhos de quem a subestimava.

– Ela não será nada sem seu pai. A única coisa que herdou foi sua personalidade bruta, mesmo. Parece até um homem. – falava uma criança. Como uma criança, que supõe-se ser inocente, falava daquela maneira?

Lire estava cansada de aturar aquelas imagens fortes recomeçando de hora em hora. Decidiu que daria um fim àquilo, mas como? O cansaço foi mais forte. Caiu e fechou os olhos.

As asas de Lire começaram a aparecer. Era uma transformação élfica, como as de Ryan?

Ela sentia seu corpo doer. O que era aquilo? Seu rosto estava quente. Parecia que iria desmaiar a qualquer instante... Ou talvez só perder a consciência, como aconteceu com Arme quando lutou com Lich? Lire não sabia. Talvez fosse só mais uma ilusão.

Repentinamente apareceu num espaço onde as constelações estavam próximas de si. Um rosto encarava ela com sua maldade em evidência.

“Eu... estou novamente no espaço de Cazeaje?”, Lire notou. Enquanto Cazeaje preparava um ataque, Lire corria até Elesis e Arme que estavam à sua frente. Tocou em ambas que acordaram de suas respectivas ilusões.

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– Abaixem-se! – gritou agora que elas retornaram e todas se jogaram no chão. Lire não enxergava mais suas asas.

– Que bola de fogo maluca foi essa? – Elesis pirou. Ela era destrutiva demais. Como Arme havia explicado, havia muita energia junto. – Nós morreríamos só de encostar, né?

– Não, eu acho que na verdade seríamos reduzidas a pó só de encostar. – Lire palpitou.

– Não sejam tão ingênuas. Já expliquei sobre o tipo de poder de Cazeaje. Está óbvio que nem pó sobraria. Seríamos desintegradas!

Elesis engoliu em seco. Finalmente toda a extensão da gigante bola de fogo acabou. Lire e Arme já preparavam alguns de seus ataques mais fortes enquanto Elesis dava uma olhada em tudo.

Lire atirou suas estrelas cadentes horizontalmente enquanto os meteoros de Arme já atingiam Cazeaje. Ambos os poderes não fizeram nada em Cazeaje.

– Talvez eu tenha que apelar à: Rajada de Vento! – Arme direcionou. No momento, não lembrava de nada mais poderoso que isso. Mesmo assim, não pôde derrotar Cazeaje. Ela saiu com um arranhãozinho minúsculo.

Elesis reparou que sua fúria continuava ativa. Pulou e reparou que não caiu. Ou seja, naquele espaço exótico ela poderia pular para níveis menores ou maiores sem voltar por ação da gravidade.

Pulou e continuou correndo, então voltou propositalmente a um nível mais baixo. Cada vez que corria, apenas uma sombra se enxergava. Estava muito rápida!

– Isso é o que eu chamo de caminho da espada – Elesis improvisou no nome.

Enquanto Lire e Arme continuavam descobrindo sobre os níveis do chão ao pular, Elesis atacava, sumia, aparecia do outro lado e atacava enganando todo o discernimento de Cazeaje que decidiu ignorar o “caminho da espada” atacando o chão e causando um terremoto mágico em todos os níveis que se podia andar.

Na incrível velocidade de Elesis, o terremoto não teve nenhum tipo de efeito. As companheiras, no entanto, foram atingidas e feridas.

Elesis continuava a enganar visualmente a inimiga e atirava seus rastros de atrito, agora com aspecto não tão flamejante, mas sim “rosados”, um pouco mais claros que seus cabelos. Todo o atrito produzido pela espada continuava seguindo o trajeto retilíneo conservando a energia. Estranhamente, nunca se apagava.

A pele de Cazeaje queimava. Nem mesmo ela esperava ser ferida tanto assim.

E o atrito provocado pela espada avançava. Elesis usava o tamanho de Cazeaje contra ela mesma: todo seu longo comprimento era atingido já que o atrito sempre conservava sua energia e jamais se apagava.

A fúria de Elesis estava em seu ápice. Cazeaje não tinha mais chance contra ela. Eis que Cazeaje atirou bolas negras que se espalharam por todo o canto, sem deixar nenhum ponto intangível. Até Elesis foi atingida! Mas o que era aquilo? Nem mesmo doeu! Foi então que Elesis lembrou-se que naquele modo, mesmo as kunais não doíam mais.

– Se isso não doeu... – Arme começou, demonstrando que ela também foi atingida – significa que é uma “maldição”, como aquela que Kamiki tentou usar mais cedo em mim com sua fagulha, mas com muita potência a mais.

Maldição? Então sempre que atacassem, o ataque feriria a Cazeaje, mas feriria igualmente ao próprio dono do ataque. Aquilo começou a ficar chato.

– Não vou dar mais oportunidades para me atacarem. – Prometeu.

O campo foi tomado por raios. Muitos raios. Nunca tinham presenciado aquilo.

Arme usou sua mais forte proteção nela e consequentemente Lire, já que a elfa a segurava bem forte num aperto de mão. As duas flutuavam com a proteção.

Um vento demoníaco tomou conta do local. Elesis continuava usando de sua velocidade para desviar. Ela era tão incrível que se fosse na direção contrária do vento, anulava-o ou era rápida o suficiente para apenas atravessar. Um dos dois, não sabia exatamente qual.

Logo começou o ataque do fogo. O mesmo fogo que atirara pela boca antes, agora tomava conta de todo o espaço. Por último, uma barreira sugou todas (incluindo as garotas que perderam a proteção ao serem atingidas pelo fogo e caíram em um dos níveis do solo invisível, sem forças). Após serem sugadas, receberam dano físico como em um agarrão e logo reapareceram no mesmo lugar de antes.

A aura de Elesis sumiu minimamente, e a partir daí, sumia de pouco em pouco. Logo perderia ela.

***

Phil chorava. Sim, Elesis aproveitava estar completando seus dezesseis anos para fugir o mais rápido que pudesse de Canaban. Lutasse com quantos inimigos tivesse que lutar, uma coisa era óbvia: acharia naquela guerra a resposta do que aconteceu dez anos antes. Onde estava, afinal, seu pai?

“Estou determinada a encontrá-lo”, foram as últimas palavras que Elesis diria enquanto esteve naquela mesma casa onde sempre morou. Finalmente Elesis notou que mais alguém estava ali. Phil ainda não cessou seu choro.

– O que faz aqui? – indagou Elesis.

– Eu já não posso mais impedi-la, então eu gostaria de enfim cumprir minha promessa com Elscud. Pegue.

Elesis pegou uma gigante caixa, indagando o que era. Phil respondeu, surpreendendo Elesis, e saiu o mais triste possível.

Seria difícil carregar uma gigante caixa por aí, mas Elesis daria conta disso de alguma forma. Já era hora. Partiu silenciosamente, abandonando o mesmo alegre reino de sempre, para se juntar aos cavaleiros, tanto os oficiais como os anônimos, reforçando o que mantinha aquela nobre paz na área.

***

“A magia de armazenamento armazena em outra dimensão o objeto que você quiser e assim que necessitar, ele virá até você”. Essa era a ideia básica. Como uma fagulha de luz, um objeto iluminado apareceu diante de Elesis. Era a caixa que seu pai deu. A caixa por si só rasgou-se e o objeto escondido revelou-se. Era uma nova arma.

– Esta espada... O lendário montante dos gladiadores da família Sieghart? – Cazeaje assustou-se. Imaginou que aquilo teve sua existência apagada há quase seis séculos.

Elesis segurava o gigante montante sem problemas. Provavelmente o resto de sua fúria ajudava. Na verdade... aquela luz divina restaurou sua fúria? Só agora notou, mas sim!

Elesis correu até onde Cazeaje estava. Tudo havia acontecido em uma fração de segundo, que foi um tempo ainda suficiente para poder salvar suas amigas. Como foi dito, Arme e Lire acabaram caídas após a proteção acabar-se. Havia consumido toda a energia de quem estava lá dentro.

Cazeaje já colocava com tudo sua pesada pata dianteira para amassar e matar de uma vez por todas a maga violeta e a elfa.

Elesis chegou e com seu montante rasgou a pata dela. Nem toda a força vital acumulada de Cazeaje conseguia restaurar a pata após um dano tão devastador. Mais devastador ainda do que toda a destruição que Cazeaje já causou à equipe aquele dia!

Cazeaje rugia de dor e sua pata caída simplesmente sumiu, como aconteceu com seus comparsas que estavam em seu território. Aquilo parecia mais uma vez ser só uma magia convertida em uma forma. Talvez aquela não fosse a verdadeira rainha da escuridão! Então, onde estaria?

Ambas as amigas caídas estavam acordadas e se aliviaram pela amiga cavaleira terem salvado suas peles mais uma vez! O choro parecia vir mais do fundo de seus corações do que nunca.

– Vamos, Arme. Não podemos chorar mais do que choramos. Não adianta o estado do nosso corpo. Precisamos superá-lo e ajudá-la.

Por mais que Lire falasse aquilo, se levantou às custas e não sabia o que fazer naquele estado. Na verdade, o fardo de ambas parecia ter sido passado apenas à cavaleira.

“Repito a mim mesmo que não é fardo o que eu vejo agora. É um sinal de esperança. Aqui vai o último ataque para acabar com Cazeaje: Espada da punição!”

Espada da punição! – gritou Elesis, criando com o impacto do montante no solo inúmeras explosões ascendentes, todos somando seus poderes ao encostar na inimiga.

Elesis caiu, agora com sua fúria definitivamente desabilitada. Havia derrotado Cazeaje, sabia, com aquele poder incrível!

– Parada desse jeito, todo o crédito coube a Elesis. Eu falei que deveríamos fazer alguma coisa, Arme. – Lire brincou, sabendo da rixa que as duas tinham.

Arme desviou o olhar. Lire continuou olhando a Cazeaje. Ela estava se mexendo!

Elesis não se mexia direito pois agora a dor do “pós-fúria” se somava às outras dores que estiveram temporariamente camufladas pelo seu modo.

Lire sentia-se diferente. Talvez estivesse crescendo nesse exato momento. “Ryan, se sobrevivermos agora... eu prometo... vou falar a você tudo que está preso em mim”.

Lire atirou sua mais forte flecha concentrando-se nela. Era do modo saraivada!

A flecha, antes que Cazeaje pudesse encostar em Elesis, acertou-a. Cazeaje começou a ser arrastada, mesmo com todo aquele tamanho, pela flecha na qual Lire concentrava-se. Mudou a direção dela e jogou Cazeaje, ainda arrastada à alta velocidade, até o “céu” (era estranho falar aquilo no lugar que se encontravam, mas tava alto o suficiente para ter atingido o céu em situações normais). Cazeaje foi subindo, subindo e a flecha de saraivada explodiu-se como no ataque das “estrelas cadentes”, mas agora completo com explosões constantes e descendentes (antes, o ataque estava incompleto). Cazeaje sumiu e lá do alto em seu lugar, apareceram três objetos caindo. Todos caíram no mais alto nível do solo invisível, o mesmo em que as três membras da equipe se encontravam no momento.

“Após uma transformação dessas, era mais do que normal ter morrido de vez. Mas ela continua viva” – Arme cruzou o olhar com a verdadeira Cazeaje, a mesma mulherzinha que presenciou matar Lothos acima de seu dragão antes de saírem de Vermécia.

Um dos objetos que havia caído do céu, além de Cazeaje, era o cajado dela mesma. Aquele cajado também era lendário! Era por ele que Arme procurava!

O cajado estava exatamente no meio do espaço entre Arme e Cazeaje. Ambas deitadas sem força, e agora não podendo contar com nenhuma das amigas para auxiliá-la, Arme arrastou seu corpo para frente ainda deitada. Cazeaje fazia o mesmo.

Arme esticava uma mão enquanto se arrastava, para pegar o cajado de Cazeaje. Com a outra mão, usava seu cetro pra criar raios que deveriam atingir a rainha da escuridão. Cazeaje se arrastava de igual forma e uma de suas mãos criava um raio que se chocava ao de Arme (e não avançava o suficiente para cancelar o outro raio, ou seja, tinha o mesmo nível de força do raio daquela maguinha violeta). A mão não tinha nenhuma arma e criava magia mesma assim.

Arme estava tão perto do cajado. Cazeaje também.

Ambas encostaram, mas Arme foi um pouco mais rápida. Encostou e preparou uma magia enquanto Cazeaje encostava e se aprontava para preparar a sua.

– Sinta a força dos meus meteoros! – Arme parecia estar tomada pelo poder. O cajado não soltou apenas meteoros comuns. Eram vários e tinham a mesma potência do “impacto profundo” de Kamiki.

Cazeaje saiu voando, parecia até estar evaporando num gás roxo – o mesmo gás da neblina da morte – para escapar dos meteoros. Arme não foi tola e direcionou um outro ataque que sequer conhecia, e nem identificou de que elemento era. Atingiu. Cazeaje sumiu por completo.

– Enquanto existir guerra, existirá discórdia. Enquanto existir discórdia, haverá temores. Esses temores em sua ápice trarão o ódio em sua forma humana mais uma vez: Cazeaje, o ódio encarnado. Ela voltará. Apenas esperem.

Cazeaje sumiu. Sendo uma das coisas que caiu do céu ela, e outra o cajado, o que restou?

Assim que tudo acabou, saíram daquela dimensão criada por aquela que foi derrotada. Caíram fundo, fundo e mais fundo.

Abaixo do castelo de Cazeaje, que nada mais era do que uma dimensão parelela, havia um lugar real, na dimensão em que costumavam viver e onde existia o seu mundo, Ernas. Era neste lugar que caíram. Que lugar era?

“Ali está a terceira coisa que caiu. É uma... garota?”, Arme pensou.

Notas finais
Sobre "Caminho da espada" e "Espada da punição": são os poderes, ditos "skills supremas", implementadas nas últimas três semanas na versão brasileira do jogo. Estes são os poderes da espadachim e gladiadora, respectivamente.