Grades da Mente
1 Novo Lar
Abriu os olhos lentamente, era possivel sentir o peso de toneladas sobre suas pálpebras a luz avermelhada do céu ofuscou sua visão por alguns instantes, com alguma dificuldade ergueu o corpo febril.
Deu alguns passos a frente.Como era bom esticar as pernas.Encheu os pulmões de ar o máximo que podia e os sentiu invadidos por um cheiro forte, olhou em volta procurando de onde vinha o terrível cheiro de de sangue...ao seu redor um grande deserto se estendia, aparentemente não estava ferido constatou depois de uma checada rápida e mesmo que estivesse não seria o suficiente para causar o odor tão forte.
Logo vária perguntas surgiram em sua cabeça ‘’onde estou’’ ''porque estou aqui?’’ e a mais perturbadora de todas ‘’Quem eu sou?’’.
Pensar em tudo aquilo trouxe uma terrível dor de cabeça como se alguém tentasse arrancar seus olhos com uma lamina incandescente.
Decidiu que caminhar traria mais respostas que vasculhar sua mente vazia,enquanto dava passos lentos tentava esvaziar a mente de tudo que pudesse trazer a dor de volta.
Se tudo aquilo fosse só um sonho uma hora teria de acordar, pensou dessa vez tentando se confortar, mas o pensamentou surtiu o efeito contrario, começou a se questionar se tudo aquilo fosse só um sonho ruim, não haveria todas as sensações... toda aquela intensidade...
Já caminhava a minutos, horas, dias quem sabe meses era impossível dizer ao certo, havia algo naquele lugar que o impedia de contar o tempo ou se orientar no espaço, por diversas vezes parecia andar em círculos.
Suas roupas pretas e pele morena contrastavam com o amarelo do enorme tapete de de areia.
Com as esperanças já tão perdidas quanto ele mesmo naquele lugar, ouviu o tilintar de águas correntes.
Até aquele momento Não havia pensado no assunto mas depois do que ouviu sentiu sua garganta tão seca quanto as areias que que pisava.
Juntando as forças que lhe restavam correu pelo vazio em direção ao som, não estivesse atento cairia na enorme depressão que havia a sua frente.Cautelosamente se aproximou do penhasco e inclinou a cabeça para enxergar lá embaixo.
Sentiu o odor aumentar drasticamente e quase caiu ao olhar o que havia lá embaixo.Um extenso ‘’rio’’ de sangue corria rápido.
Sentou no chão confuso e nauseado, permaneceu ali inerte observando as enormes arvores que se estendiam das margens do ‘’rio’’ até o nível do penhasco.
A sede voltou a encontrar seus pensamentos levantou-se e olhou mais uma vez pra baixo.
Tentava achar um jeito de descer até aquela floresta, não era possivel que arvores daquele tamanho crescessem em um lugar onde não havia água.
O penhasco era muito vertical não havia como descer, e mesmo que houvesse ele nunca atravessaria aquele ‘’rio’’.
Desesperançado se aproximou do penhasco mais do que muitos considerariam seguro, permaneceu ali respirando pesadamente.
–Você não vai ser tão estupido a ponto de fazer isso!-disse uma voz atrás dele seguida por uma risada que mais parecia um ganido.
Olhou para trás e viu um figura estranha, era um garoto com provavelmente nove anos de idade com uma longa túnica que ia do pescoço aos tornozelos, nunca o tinha visto mas estranhamente ele lhe era familiar.
–finalmente alguém!- disse o jovem perdido ao garoto
–Alguém é assim que você me trata depois de tudo?
–Tudo o que? Eu te conheço? Desculpe mas eu não me lembro de nada’’
–Esquecer é uma boa saída, você sempre muito inteligente!-disse o garoto zombeteiro seguido por mais um ganido
–que lugar é esse’’ insistiu o jovem
–Não me diga que não conhece seu novo lar...’’
–Novo lar...eu já ... eu li isso em um livro um cara morre acorda num lugar estranho de onde não consegue sair, no final ele descobre que está no inferno...- disse assustado
–Quanto ao lugar estranho e não poder sair você está certo, mas não está morto pelo menos não ainda, e aqui não é o inferno mesmo que você insista em chamar assim.
–Dá pra você me falar algo útil tipo: que lugar é esse, que é você, e como eu faço pra sair daqui.
–Tudo bem vou responder suas perguntas respectivamente primeiro que lugar é esse, essa você que deve me responder afinal você criou esse lugar, quem sou eu, digamos que sou você ou pelo menos uma parte de você, e como sair daqui... creio que isso seja impossível afinal não grades melhores do que as da mente...
* * *
–Doutor você acha mesmo que foi uma boa ideia?-Perguntou o Sr.Bolfom um grande magnata das industrias nucleares e um dos homens mais ricos do país
–Claro Sr.Bolfom pode ter certeza que o indutor de sonho funciona perfeitamente, acredite o jovem Andrew está em um paraíso neste exato momento
Ele apertou a mão do médico e saiu daquela sala fria.Com eletrodos distribuídos em todo seu corpo o jovem permanecia inerte dentro da capsula de vidro.
Fale com o autor