Grabor

16 Capítulo 16 - Encontro de gigantes


Notas iniciais
Viu como sou uma pessoa legal? O capítulo saiu com 12 horas de antecedência. Apreciem a leitura e, por favor, não me crucifiquem...

NORDESTE DE CORDOL, HEMISFÉRIO SUL

Estavam todos tensos, com medo do que poderia acontecer em seguida. Platos estava com a mão na espada, esperando o momento certo para desembainhá-la. Mary encarava cada um dos elfos que estava a sua frente, também pronta para conjurar qualquer feitiço que fosse necessário.

A guilda de Nafra estava em alerta. Os seis integrantes assumiram uma posição defensiva parecido com uma seta: Effort tomou a frente, logo atrás, um de cada lado, Allie e Hila, mais atrás, Tom e Amber também um de cada lado. Grabor estava no meio, diretamente atrás de Effort.

Mary encarava atentamente cada um deles à espera de qualquer movimento ofensivo. Já acumulava energia em suas mãos, pronta para começar um combate. Entretanto, foi Platos quem quebrou o silêncio momentâneo:

–Grabor, vejo que Jorkin lhe poupou. Será que terei a mesma piedade?

Mary, reconhecendo o nome, espantou-se:

–Grabor? Linconsin? Ele está aqui? – Mary abriu um sorriso malévolo.

–E como está. É o loiro que está no centro, atrás desse mal encarado. – Enquanto falava, apontou para Grabor.

–E quem são esses outros? Estão perdidos na floresta? – Perguntou Mary com um sorriso irônico.

Ninguém da guilda de Nafra esboçou reação, estavam ainda analisando seu inimigo. Não tinham certeza alguma se eram fortes ou fracos. O que tinham percebido era que o homenzarrão todo em armadura era um guerreiro e a outra, aparentemente, uma maga bem poderosa para estar conversando com tanta confiança.

–Somos da guilda de Nafra – Grabor quebrou o silêncio – e pedimos gentilmente que nos deixe passar. Temos assuntos a resolver em Cordol!

Mary e Platos se olharam por alguns segundos e caíram na gargalhada.

–Grabor Linconsin, você está pedindo gentilmente? E se discordarmos o que vai fazer? Jogar pedras em nós? – Platos debochava com um largo sorriso no rosto.

–Vá com calma Platos, nunca subestime seu inimigo – virou-se para a guilda – o que a guilda de Nafra faz tão distante de Nafra? Vocês não deveriam estar protegendo a cidade de vocês?

–Como Grabor já disse – respondeu Effort calmamente – temos assuntos a tratar em Cordol.

–Acontece que a única forma de entrar em Cordol é passando por nós e temos ordens expressas de fazer prisioneiros. Então, como vai ser? – Mary agora abria novamente um sorriso irônico.

–Pediremos novamente para que nos deixem passar... – disse Effort.

–...ou então forçaremos nossa passagem! – Completou Allie.

Mary encarou todos rapidamente e respondeu rispidamente:

–Pois eu adoraria vê-los tentar!

Hila, não aguentando a situação, foi a primeira a agir: bateu seu pé direito no chão pouco a frente do seu corpo e levantou as mãos, sumonando a vegetação próxima aos dois elfos negros a atacá-los.

–Eu to cansada dessa puta! – Gritou Hila enquanto controlava a energia primeva.

As raízes e folhas próximas à Mary e Platos, obedecendo ao controle de Hila e moveram-se ofensivamente na direção dos dois elfos. Platos desembainhou sua espada e começou a se defender, cortando tudo o que tentava atacá-lo. Mary se defendia como podia: cortava com magia as raízes que ricocheteavam, queimava as folhas e ademais que iam contra ela.

Sem esperar por alguma reação, Allie foi o próximo a agir: expandiu sua mente e se concentrou em Mary. Estava tentando penetrar na mente dela para neutralizá-la. Quando estava prestes a quebrar as barreiras psíquicas, Mary conjurou um contra feitiço:

–Oposto. – Imediatamente Mary reverteu os efeitos dos feitiços e começou a controlar a vegetação local contra a guilda de Nafra e, também, acessar a mente de Allie. Agora podia controlá-lo da maneira que quisesse.

Os ataques estavam mais violentos contra a guilda. As raízes começaram a se desenterrar e a envolver os membros da guilda, bem como as folhas do chão realizavam movimentos ordenados e rápidos, provocando cortes superficiais.

Effort envolveu suas mãos com a energia primeva que adquiriu a coloração branca, assim conseguia cortar e bloquear a vegetação facilmente. Hila ficou envolta em um escudo o qual desintegrava a vegetação somente pelo toque. Amber carbonizava facilmente qualquer folha, raíz ou cipó que a atacava. Grabor apenas bloqueava mentalmente as investidas, não tinha tirado os olhos de Mary e Platos. Tom foi socorrer Allie que ficara sem reação alguma repentinamente.

Platos, após perceber que Mary tinha revertido os ataques dos elfos a sua frente, tomou uma posição defensiva com a espada desembainhada e foi para o lado da maga. O general mostrava alguns cortes no rosto, Mary por outro lado estava ilesa. Focou-se agora em Allie, sobre o qual tinha o absoluto controle mental.

–O que está fazendo? – Perguntou Platos para Mary – Não vai avançar?

–Shh – repreendeu Mary – estou tentando ler a mente dele.

–Dele quem?

–Allie. – E apontou para o elfo.

Tom conseguira se aproximar de Allie e tentava reanimá-lo criando uma dificuldade em Mary de se concentrar. Um cipó se enrolou no pé de Tom e o suspendeu cinco metros do chão. Assim Mary podia se concentrar novamente. Grabor, finalmente percebendo o que Mary estava fazendo, resolveu interferir:

–Quebra. – Conjurou o elfo com a voz firme.

Uma massa de ar partiu de Grabor indo para todas as direções e os feitiços conjurados recentemente cessaram: a vegetação novamente se acalmou e Allie voltou a si. Amber jogou uma labareda na direção do cipó que segurava Tom e Effort suavizou sua queda.

–O que conseguiu extrair dele? – Perguntou Platos.

–Nada demais. Se chama Allie, ama incondicionalmente Hila, aquela elfa ali – apontou para Hila – como acabamos de presenciar, Grabor recuperou seus poderes e... Drag está vivo.

Um sentimento de pura raiva e ódio tomou o corpo de Platos. Adorava aquele soldado e ele era de substancial importância para o plano de Jorkin.

–Onde ele está? – A voz de Platos agora era grossa e impotente.

–Em uma dimensão chamada prisão sem fim.

–Você consegue acessá-la?

–Terei que fazer um ritual para isso. Como não fui eu quem o prendi não posso soltá-lo tão facilmente!

–Ótimo. – E sem pensar duas vezes avançou na direção da guilda.

Ergueu e segurou firmemente a espada, correndo e gritando. Grabor, tomado por uma raiva da tortura que sofrera há alguns dias, focou todo o seu poder nele. Tinha recuperado seus poderes há pouco tempo, mas fazer um bom estrago se usasse o feitiço certo. Esticou seu braço na direção de Platos e acumulou energia primeva na forma de eletricidade.

Quando Platos atingiu uma distância satisfatória ele disparou. O raio atingiu o general em cheio na barriga, neutralizando-o na hora e atirando na direção de onde veio com uma velocidade tremenda. Chocou-se contra uma árvore próxima de Mary e a atravessou, caindo no chão em seguida, inconsciente. Sua espada e sua armadura absorveram grande parte do dano, mas mesmo assim não fora suficiente. A espada acabou caindo próximo de Mary e a armadura derreteu levemente no local onde o raio atingiu-o.

–Isso foi pela tortura. – Murmurou Grabor para si mesmo.

–Aquela armadura e aquela espada são imunes à magia, eu mesmo me certifiquei disso. Como conseguiu romper a barreira? – Mary ponderou, impressionada com o poder do mago.

–Você ainda tem muito o que aprender sobre a energia primeva, criança! Agora facilite nossa vida e nos deixe passar. – A voz de Grabor era firme e autoritária.

* * *

–Senhores – cumprimentou Maranda ao entrar na sede econômica de Pomi, um prédio de tamanho mediano que ficava às margens do rio Marília.

Clou entrou logo atrás arrancando caretas e xingamentos dos pescadores ali presentes, bem como dos soldados que guardavam a reunião. A líder do povoado caminhou por entre os trabalhadores e se sentou em uma cadeira como qualquer outra, posicionada em um local que permitisse que todos a vissem. Estava, novamente, envolta na armadura completa, exceto pelo elmo.

–Clou, aproxime-se. – O elfo negro ainda estava parado na altura da porta, observando as pescadores que fora chamar há algumas horas.

Foi somente quando Maranda o chamou que voltou a si e percebeu onde estava. O ambiente era amplo: a porta por onde entrará era dupla e feita de uma madeira reforçada. Do lado oposto havia quatro grandes janelas dispostas uma do lado da outra de maneira que cobriam toda a extensão da parede, dando vista total para o rio. O chão era feito de uma pedra semelhante ao granito. Dos dois lados havia pequenas depressões no piso com várias cadeiras dispostas em formato circular. Os pescadores estavam sentados na depressão da direita. Nas paredes laterais, quatro estantes, duas de cada lado, abarrotadas com livros de todos os tipos.

Timidamente foi se sentar em uma cadeira vazia que Maranda tinha puxado para o lado da sua.

–Bem senhores, convoquei-os aqui nesta bela manhã para lhes dar algumas explicações e começarmos a definir uma nova proposta econômica para nosso povoado... – Maranda começou a falar e fora interrompida.

–Porque esse demônio está perambulando pelas ruas de nosso povoado? Ele não deveria estar preso? – Falou um pescador ligeiramente pequeno que estava sentado na penúltima cadeira à direita. Não tinha barba, seu cabelo era ruivo e curto.

Maranda apenas dirigiu um olhar de censura para o pescador e retomou sua fala.

–Com a guerra em seus estágios iniciais, as grandes cidades vão diminuir, senão parar, de comprar nossos produtos. Quero propostas, quanto mais, melhor.

Os pescadores começaram a se olhar e a murmurar. Maranda ficou observando-os por um tempo até que se calaram.

–Pois bem, antes de prosseguirmos nesse assunto, darei uma explicação do porque que Clou – colocou seu braço ao redor dos ombros do elfo negro – os incomodou em uma hora tão inoportuna.

–Já não era sem tempo! – Retrucou o mesmo elfo de antes.

–Roy, cale a boca. – Censurou Maranda novamente.

O elfo então ameaçou levantar da cadeira onde estava para avançar contra Maranda, mas se conteve quando os soldados se movimentaram para defender Maranda.

–Eu não deveria estar discutindo diplomacia com vocês, mas para justificar, isso tudo não passa de uma jogada puramente estratégica – Todos ali presentes, inclusive Clou, olharam para ela – essa guerra está prejudicando todo mundo, só estamos tendo essa reunião porque a guerra está ameaçando nossa posição econômica no planeta.

Fez uma breve pausa para observar os rostos de cada um ali presente.

–Essa guerra só pode terminar de duas maneiras: ou com uma das raças exterminando a outra ou com a possibilidade de uma convivência pacífica e Clou pode ser a chave para isso. – Fez novamente uma breve pausa, os pescadores começavam a entender seu ponto – Se conseguirmos mostrar para o mundo que uma convivência pacífica é possível, podemos evitar essa carnificina.

“Olhando por esse lado”, “Ela pode estar certa!”, “O que? Isso é inadmissível!” eram alguns dos pensamentos que passavam pelas cabeças dos pescadores naquele momento.

–Confio nele e realmente acredito que se der certo podemos ter uma chance no conselho de Nafra para apaziguar a situação. – Maranda suplicava quase em lágrimas.

De princípio todos pareceram concordar, mas isso só a convivência diria.

–Entendo que não tem a mesma confiança nele que eu, mas isso virá com o tempo, prometo-lhes. Por isso, não permitirei que ele fique até o final dessa reunião. – olhou para o elfo negro – Clou, você poderia se retirar? Aproveite e vá dormir, sim?

Clou assentiu e agradeceu pelo tempo que Maranda o estava dando. Saiu sem relutar à procura de um bom e reservado lugar para dormir. Assim que saiu, Roy voltou a falar:

–E se o inimigo quer que ele se torne confiável para servir de espião?

–Roy, tenho tanta confiança nele que se isso acontecer eu renuncio a este povoado e me isolo do resto do mundo! – A resposta pegou todos de surpresa. Ninguém mais ousava tocar no assunto Clou – Vamos agora tratar do que importa.

E a reunião econômica havia de fato começado.

* * *

A não ser por Grabor, o resto da guilda de Nafra estava injuriada: Tom apresentava diversos cortes pelo rosto e braços; Amber tinha um corte sério na testa, o sangue corrente já chegava na altura da barriga; Allie apresentava um profundo corte na perna esquerda, o que dificultava muito sua locomoção; Hila tinha arranhões por todo o corpo e Effort trazia um corte superficial na bochecha esquerda e arranhões por todo o corpo.

Mary, por outro lado, não apresentava nenhuma sequela. A maga avançava lentamente e sem medo na direção da Guilda, preparando formas de ataque eficazes contra os seis magos a sua frente. Deu mais alguns passos e parou, girando seu corpo levemente para a direita. Fechou sua mão direita, deixando um pequeno espaço de onde uma espécie de chicote de luz apareceu.

–Não seja tola menina – foi Effort quem abriu a boca desta vez – você não tem como ganhar de nós seis!

Sem pensar duas vezes Mary girou seu corpo e puxou seu braço para frente, lançando o chicote na direção dos inimigos. Effort tentou lançar uma massa de energia na direção da maga, mas Mary conseguiu defender com a mão que estava livre. O chicote viajou em uma velocidade incrível e atingiu Effort em cheio na região torácica, arremessando-o para trás e incinerando-o instantaneamente.

Ao cair no chão e em chamas, Tom foi correndo socorrê-lo. No instante em que Hila ameaçou correr para ajudá-lo também, Mary lançou o chicote em sua direção. Felizmente Hila conseguiu conjurar uma barreira a tempo de não ser atingida, no entanto, o ataque foi tão poderoso que desativou o escudo e a arremessou na direção de uma árvore onde bateu a cabeça e caiu, inconsciente, sem maiores ferimentos.

O rosto de Mary se enchia de satisfação na medida em que ia eliminando um por um da Guilda. Finalmente Grabor decidiu se interpor: quando Mary lançou o chicote na direção de Allie, que estava à direita de Grabor, este, quando percebeu a direção do chicote, deu dois passos rápidos para o lado e segurou o chicote em pleno ar. Pelo fato do chicote estar emitindo uma forte energia na forma de calor, Grabor protegeu sua mão com uma película de energia primeva antes de segurá-lo. No momento em que o mago segurou o chicote o rosto de Mary se alegrou por pouquíssimo instante.

–Por que você não está em chamas? – Perguntou Mary indignada.

–Como já lhe disse, criança, você tem muito o que aprender sobre a energia primeva. – Grabor a encarava a todo instante.

Em um movimento, Grabor puxou o chicote com tanta força que Mary foi arremessada em sua direção. Imediatamente preparou em sua mão esquerda um feitiço neutralizador que poria Mary para dormir assim que ela aterrissasse em sua frente. Entretanto, a maga tinha um truque na manga.

–Mortus. – Conjurou Mary e ambas as mãos foram envoltas em uma espécie de líquido roxo.

Percebendo o movimento, Grabor largou o chicote fazendo-o desapareceu e invocou uma pequena massa de ar que o empurrou para trás instantes antes de Mary tocar nele.

–Todos vocês tomem muito cuidado com ela. Se aquilo tocar em vocês é morte certa. – Advertiu Grabor.

Assim que Tom extinguiu todas as chamas do corpo de Effort, o qual já tinha desmaiado com a dor, avançou na direção de Mary imprudentemente. Grabor tentou segurá-lo, mas não foi a tempo. O garoto usou toda a sua energia e conjurou em sua mão direita uma pequena bola azul aparentemente inofensiva, mas só por Grabor se espantar ao ver aquele feitiço já mostrava o poder que tinha.

–Como ele conjurou isso? – Perguntou-se Grabor.

A pequena bola azul tinha poder suficiente para desintegrar todo o corpo de Mary e mais uma pequena área envolta dela sem deixar nenhum vestígio. Aceitando o desafio, Mary também correu em sua direção. Tom gritava e chorava enquanto se preparava para morrer e levar Mary consigo.

–Como você pôde fazer isso com ele? Como... – Gritava Tom.

Ao chegar a uma boa distância Mary deu um pequeno pulo mirando o peito do garoto... E então, Mary se viu segurando alguma coisa. Todos estavam paralisados olhando para aquilo: Allie, que estava junto de Hila, apenas deixou as lágrimas escorrerem; Grabor estava estupefato...

No último instante Amber tinha se posto entre Mary e Tom, empurrando o braço deste que arremessou a bola azul na direção de uma árvore próxima. A árvore inteira fora desintegrada, desde as folhas até as raízes. Já Mary tinha as mãos firmes no peito da garota. Impôs o seu corpo derrubando Tom e Amber por cima dele, ficando também por cima de Amber. O sorriso macabro de Mary ia de orelha a orelha.

Lentamente todas as veias e artérias do corpo de Amber começaram a ficar notáveis na sua pele, indo do peito para os membros.

–Por que você fez isso? – Perguntou Tom em lágrimas.

–Porque... Eu te amo! – Disse Amber enquanto o sangue escorria de sua boca.

–Que belas últimas palavras... – Falou Mary antes de tirar as mãos do peito de Amber deixando a menina inerte – Agora é sua vez garoto.

De repente os braços de Tom envolveram Amber o mais forte que podiam e os corpos de ambos foram puxados na direção de Grabor. Mary se desequilibrou e caiu, mas logo se levantou. Tom e Amber pararam do lado do elfo.

–Reúna todos e os proteja – disse Grabor com uma voz séria e imponente, sem tirar os olhos de Mary – vou acabar com isso. – E avançou dois passos na direção de Mary.

–Mas você ainda não recuperou plenamente seus poderes e ela é muito forte. Tem certeza? – Tom falava entre lágrimas.

–Tom – Disse Grabor. O garoto respondeu com um “hã?” – só faça o que eu falei.

Mary abriu um grande sorriso.

–Sempre quis enfrentar o grande Grabor. Me disseram que você fez grandes proezas com a energia primeva. Será um prazer enfrentá-lo.

Notas finais
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