Grabor
13 Capítulo 13 - Paraíso
Notas iniciais
CORDOL, HEMISFÉRIO SUL
Jorkin conduziu os líderes daquela metrópole até a janela da sala de onde visualizaram a cidade tomada pela tropa negra. Os combates restantes eram contados nos dedos: havia sete elfos ainda batalhando contra a tropa negra, um deles travando um combate mortal com Platos.
Os generais, Platos da tropa negra, e Quon da tropa branca, duelavam por um bom tempo. Mostravam sinais claros de exaustão: ofegavam, o suor escorrendo pelo rosto, joelhos mais flexionados do que o normal para um combate, braços também levemente mais baixos... Mas o olhar dos dois não mudara: firme e penetrante, observando cada movimento do adversário.
–Desista general! Olhe em volta, sua cidade já foi totalmente tomada! – Gritou Platos.
–A única maneira de me fazer desistir será me matando – e avançou contra o general.
O ataque foi frontal e direto. Quon movia-se rapidamente e com destreza apesar do cansaço. Platos apenas desviou seu corpo do ataque a investiu lateralmente na direção das costas do adversário. Quon, percebendo o movimento apenas posicionou seu corpo de modo que a armadura absorvesse a maior parte do impacto, visto que não conseguiria desviar.
E a armadura serviu ao seu propósito: absorveu grande parte do dano, mas o impacto acabou por fraturar uma de suas costelas. No que Platos removeu a espada da armadura preparando-se para mais um ataque Quon deu uma cotovelada no peito de Platos fazendo-o recuar e virou seu corpo, realizando um corte frontal no general negro, de baixo pra cima, deixando um belo corte na armadura. Quon recuou três passos.
Rapidamente Platos se recuperou e partiu para o ataque novamente. Avançou a espada diretamente na cabeça de Quon que bloqueou com a sua espada e deu uma cabeçada em Platos. Aproveitando o momento, Quon libertou sua espada e fez um belo corte na perna direita de Platos e o chutou na barriga em seguida, fazendo-o cair. Avançou e colocou a espada no pescoço do general negro.
–Últimas palavras? – Perguntou Quon. Seu olhar era firme e encarava Platos.
–O quão resistente é sua armadura? – Respondeu Platos.
Em um movimento Platos agarrou a espada de Quon com sua mão esquerda e a puxou para o lado correspondente enquanto que erguia sua espada com a mão direita e perfurava Quon no peito, na altura do diafragma. A armadura não aguentou a força da estocada e a espada perfurou seu corpo. Logo após, Platos soltou ambas as espadas. Na sua mão esquerda jazia um belo corte deixado pela espada de Quon, mas se recuperaria rápido.
Levantou-se rapidamente, foi até o corpo caído de Quon e tirou sua espada de peito do homem. Chutou a espada do general branco pra longe dali e posicionou sua espada no pescoço do elfo:
–Tenho ordens expressas para não matar ninguém! Saiba que foi a misericórdia de meu comandante que preservará sua vida hoje e não a minha – abaixou-se e encarou Quon – admiro sua coragem general, pena que não valerá mais nada!
Quon não falava nada. Sangrava criticamente e se continuasse nesse ritmo morreria em breve. Platos, saindo de cima do general, chamou o primeiro soldado negro que viu. Havia uma pequena roda deles ali, assistindo ao combate de seu general.
–Você – disse Platos, apontando para um soldado ligeiramente baixo – ache alguma coisa para amarrá-lo. Quando o fizer, dê isso a ele – tirou um pequeno saco marrom de um dos braceletes – vai estancrar o sangramento, por mais que eu gostaria que ele morresse... – disse a última frase para si mesmo.
–Sim senhor – disse o soldado e bateu continência antes de sair.
–E vocês? – Perguntou Platos aos outros soldados que estavam ali – Não tem uma cidade pra tomar?
–Cordol já foi tomada senhor. Não há mais combates – respondeu um dos soldados.
Platos se limitou a olhar para a parte alta da cidade e ergueu ambas as mãos. Os soldados, pouco a pouco, imitaram seu gesto.
De dentro do prédio, Jorkin abria um imenso sorriso. Seu plano havia sido executado com sucesso. Agora só precisava do reconhecimento dos líderes.
–Caros Padma e Fríope, aqui estamos! Sua cidade acaba de ser tomada pela minha tropa fato que se comprova com o gesto que meus soldados estão fazendo.
–O que você quer? – Perguntou Fríope.
–O que todos querem meu caro amigo...
–Não me chame de amigo seu verme...
Mal Fríope finalizou sua frase e Jorkin deu-lhe um soco na barriga forte o suficiente para o elfo cuspir sangue.
–Nunca mais me interrompa! Quero poder e reconhecimento. Sempre fomos uma raça pacífica, convivendo tranquilamente por entre vocês elfos imundos. Até o momento em que vocês decidiram nos atacar. Desde então estamos somente assumindo uma posição defensiva – explicou-se Jorkin.
–E isso foi algo defensivo? – Perguntou Padma.
–O fato de que mandei não matar ninguém prova alguma coisa senhorita Padma? Logicamente grande parte do meu exército não ficou contente com essa ordem. Acontece que tenho grande apreço por essa cidade.
–Estou comovido! – Exclamou Fríope enquanto se recuperava do soco – O que você quer conosco.
–Rendição! Simplesmente isso. Renunciem aos cargos que ocupam e entreguem o comando da cidade pra mim.
–Nunca – responderam os líderes em uníssono.
Não surpreso com a resposta, Jorkin segurou as cabeças de ambos e avançou na direção da janela da sala, empurrando os rostos dos mesmos contra o vidro.
–Olhem! A cidade de vocês já foi completamente tomada. Com um sinal, os dois magos ali fora exterminam todos os elfos que ocupam algum cargo de administração dessa cidade. Vocês dois estão também por um fio! Tudo o que quero é que parem de nos caçar e ficar parado esperando que isso aconteça não vai mudar nada. Estou fazendo algo pelo bem do meu povo, me defendendo de governadores preconceituosos como vocês dois que não fazem nada pra mudar essa realidade. Passe um dia, um único dia com todos nós pacificamente que descobrirá que tudo o que pensa sobre nós está errado! Tudo o que vê, toda a destruição que estamos causando só existe porque vocês hipócritas começaram. Agora, pergunto a vocês: querem mudar isso? Querem acabar com as mortes e todo o desperdício de tempo? Se sim, tudo o que tem a fazer é entregar o controle dessa cidade a mim que eu cuidarei do resto.
Fríope e Padma não sabiam o que dizer. Após mais alguns segundos Jorkin soltou os dois e recuou levemente até o centro da sala cruzando os braços.
–Se tudo o que disse for verdade então todos nós estamos sendo manipulados por Colossus esse tempo todo! – Ponderou Fríope.
–Como podemos ter certeza de que fala a verdade? – Perguntou Padma.
–Porque ainda estão vivos! Eu poderia simplesmente ter trazido vocês aqui e tê-los matado. Facilitaria tudo, mas não é esse o propósito. Eu só quero que essa guerra acabe e ela só vai acabar quando eu conseguir chegar em Colossus!
–E por que não vai diretamente pra lá? – Perguntou Fríope.
–Eu irei, mas do que adianta eu chegar lá e expor meu pensamento se não terei nada pra dar suporte a ele? Estou reunindo provas pra depois ir até lá, além do mais, me matariam assim que me vissem.
–Creio que não tenhamos escolha Padma!
Fríope ajoelhou-se e curvou sua cabeça, olhando para o chão.
–Eu, Fríope Henzo, líder econômico de Cordol, entrego o domínio econômico da cidade pra você.
Padma, percebendo não ter saída, fez o mesmo.
–Eu, Padma Klain, líder política de Cordol, entrego o domínio político da cidade pra você.
–Ótimo. Agradeço profundamente a vocês por terem entendido meu lado. Agora preciso que vocês dois voltem àquele bunker e convençam a todos.
Os dois assentiram e saíram da sala, seguidos por Jorkin. Padma e Fríope entraram novamente no bunker que foi selado em seguida por Mary. Os dois magos seguiram seu líder enquanto desciam as escadas.
–Comandante, como foi a conversa? – Perguntou Mary.
–Foi muito melhor do que eu esperava.
–Eles acreditaram?
–Como dois idiotas! – Soltou uma risada – Agora limpem os outros prédios daqui. Podem matar todos, afinal, os que importam estão seguros dentro do bunker. Quando acabarem, Mary encontre-me na parte baixa da cidade e Nun volte até lá. Quando Padma e Fríope requisitarem a saída escolte todos até a parte baixa da cidade. Dispensados.
Nun e Mary saíram correndo na frente indo até os outros três prédios administrativos enquanto que Jorkin pensava em um jeito de descer da alta plataforma na qual estava.
* * *
“Que lugar é esse?” perguntou-se Grabor enquanto analisava o ambiente. O chão era completamente branco com uma textura semelhante à neve. Imensas colunas pretas erguiam-se do chão e não sustentavam nada. As colunas não tinham um padrão de tamanho: algumas eram mais altas do que as outras e também curvadas, outras mais eretas. Só tinha certeza de uma coisa: nunca estivera ali antes.
Olhou para o seu corpo e se espantou com o que viu, ou melhor, com o que não viu: simplesmente não havia corpo algum. Mandou seu cérebro erguer a mão direita e olhou na direção onde deveria estar sua mão, mas não havia nada. Grabor foi preenchido por um desespero, estava muito assustado. Tentou gritar, sem sucesso. Sua voz não saia.
Tentou movimentar-se para frente e sua visão obedeceu à ordem. Parou uns metros à frente e interrogou o acontecido. Não podia ver nada do seu corpo e nem sentir nada, mas conseguia andar ou o que será que tinha acontecido. Podia ver e pensar. “O que aconteceu? Eu morri?”
–Sim! – Respondeu uma voz que vinha, aparentemente, do além.
Grabor desesperou-se ainda mais. Movia-se rapidamente por entre as colunas e olhava para todas as direções, procurando o autor da voz. Parou subitamente e decidiu fazer outra pergunta. “Que lugar é esse?”
–Chame como quiser. Eu gosto de chama-lo de paraíso! – Respondeu novamente a voz. Era levemente grave e áspera, dando uma impressão de autoridade, superioridade.
Uma nostalgia envolveu Grabor: já tinha ouvido aquela voz antes e muitas vezes. Soava muito familiar. “Já nos encontramos antes? Sua voz não me parece estranha.” Perguntou o elfo.
–Afirmativo! E fico muito feliz por ainda lembrar-se dela por mais que não se lembre do meu nome.
Uma figura de branco apareceu na frente de Grabor segurando um cajado levemente rosado com ambas as mãos. Flutuou até o chão e pousou na neve, fitando Grabor. “Nathan!” exclamou Grabor.
–Isso mesmo. Vamos lá Grabor, materialize sua voz, é chato ficar lendo mentes.
–Mestre! – Disse Grabor.
–A sim, bem melhor – comentou Nathan enquanto abria um sorriso.
Nathan era um velhinho, ou pelo menos aparentava ser. Tinha cabelos completamente grisalhos e uma barba que chegava à altura do peito. Vestia uma túnica branca com um pano roxo que circundava seu pescoço, chegando também à altura do peito. Suas mãos descobertas e enrugadas seguravam um cajado levemente rosado tão alto quanto seus ombros. Tinha olhos cinza e algumas rugas no rosto.
–Por onde andou todo esse tempo mestre? – Perguntou Grabor ao seu mentor.
–Estive por ai, vagando por Elif, recolhendo informações... Sabe como sou: um andarilho.
–Por que nunca me procurou?
–A culpa não é minha. Desde que renunciou à magia não pude mais te rastrear. Criei essa dimensão na qual estamos agora pra ver se ajudaria, mas não consegui.
–Dimensão? Que lugar é esse? – Grabor estava confuso. Tinha visto seu mestre meses antes de renunciar à magia.
–Eu chamo de paraíso porque, bem, é quase tudo branco e... Enfim. Eu chamo assim – justificou Nathan com um sorriso.
–Por que me trouxe aqui?
–Também sinto saudades, obrigado!
–Desculpe-me... Senti sua falta! Mas agora me responda: por que me trouxe aqui?
–Sabe, não tinha esperanças de te encontrar mais. Quando sua aura simplesmente desapareceu achei que tinha morrido. Então decidi te procurar em Nafra e descobri que estava vivo. Agora, quando voltei a sentir sua aura me enchi novamente de felicidades, mas quando percebi o propósito do ritual voltei a me entristecer!
Grabor ficou apreensivo. Tentou mudar de assunto.
–Você disse que eu estou morto? Como assim?
Nathan, percebendo a jogada de seu aprendiz, decidiu comprar a distração.
–Sim você está morto. Gasto muita energia pra mover meu corpo pra essa dimensão, ter que mover o seu também na distância em que estamos iria me matar. Então, aproveitei-me do raio e te matei, transportando sua consciência pra cá! – Nathan respondeu e colocou um riso um tanto quanto sarcástico no rosto. Grabor estava incrédulo. Sabia do que seu mestre era capaz, mas isso era insano.
–Então eu não vou poder mais voltar?
–Não seja bobo Grabor! Claro que vai voltar. Só te trouxe aqui pra conversarmos. Poderia ter lhe procurado pessoalmente, mas temo que fosse tarde demais quando o encontrasse...
Grabor interrompeu-o novamente. Não queria tocar naquele assunto.
–Mas o corpo entra em decomposição no momento da morte. Não poderei voltar – Grabor começou a se desesperar seriamente.
–Por isso coloquei uma barreira absoluta em volta de seu corpo. Vai aguentar por mais uns trinta minutos antes de deixar seu corpo entrar em decomposição.
Grabor respirava mais aliviado.
–Agora que suas desculpas esgotaram, vamos falar sobre o propósito do ritual que realizou.
Grabor engoliu aquilo em seco. Suas desculpas realmente tinham acabado. Não tinha alternativa, apenas respirou fundo, ou pelo menos tentou mentalmente.
–A energia primeva não deve ser usada para o que quer fazer Grabor. O que lhe ensinei sobre vingança? – Nathan tinha mudado seu semblante. Não ousava pôr um sorriso em seu rosto agora.
–Mestre eu...
–O que lhe ensinei sobre vingança, Grabor Linconsin? – Sua voz ficou mais grave a ainda mais firme.
–Além de ser perda de tempo, só serve pra alimentar o ódio que existe dentro de nós e que quer se libertar a qualquer custo! – Respondeu Grabor com a voz quase falha.
–Muito bem. E o que o ódio acarreta?
Após um breve suspiro mental, Nathan obteve sua resposta:
–Caos e destruição.
–Perfeito. Agora, diga-me que não vai se vingar dele usando a energia primeva!
–Mas mestre, ele feriu minha filha e minha esposa, minha família, aquilo que mais amo...
–Pois então preserve esse amor e não deixe que ele sirva de pretexto para uma vingança, Grabor. Vamos, prometa-me!
–Eu prometo!
–Promete o que Grabor?
–Eu prometo não usar a energia primeva pra me vingar de Jorkin.
–Ótimo, muito bem. Responda-me mais uma coisa: o que sacrificou? – Sua voz era mais amigável agora.
Após mais um suspiro mental, Grabor respondeu:
–A visão primeva.
Depois de breve pausa, Nathan voltou a falar.
–Eu terminei por aqui. Há alguma coisa que queira me dizer? Preciso regressar à Elif – Nathan sorriu novamente.
–Cuide-se! – Disse Grabor após pensar um pouco.
–Você também garoto. Nos veremos novamente em breve. Agora, seus amigos estão preocupados contigo. Vou te mandar de volta. Até mais.
“Até mais!” respondeu Grabor enquanto sentia sua consciência se expandir e apagar subitamente.
* * *
No alto da montanha os membros da guilda não sabiam mais o que fazer. Effort e Hila ainda estavam analisando a barreira que estava em volta de Grabor. Amber observava o céu negro e cheio de nuvens, enquanto que Allie e Tom olhavam na direção de Cordol.
–Consigo tocá-lo, mas se eu tentar usar algum tipo de violência a barreira se manifesta – disse Hila enquanto alisava cuidadosamente o peito de Grabor. De vez em quando ela dava pequenos socos manifestando a barreira.
–Ei! Tem alguma coisa acontecendo em Cordol – comentou Allie.
–Tem luzes piscando em todas as cores lá – completou Tom.
Amber tirou seu foco do céu e se juntou a eles observando a cidade.
–Será alguma espécie de alarme? – Perguntou Amber.
–Devemos ir até lá checar! – Ponderou Tom.
–Não podemos sair e deixar Grabor aqui. Ele precisa acordar primeiro – disse Effort.
O elfo estava, junto com Hila, batendo sucessivamente na barreira, tentando entender como ela havia parado ali e se talvez tivesse sido a causa da aparente morte de Grabor.
–Algum progresso? – Perguntou Amber a Hila com lágrimas no rosto.
–Nenhum – respondeu Effort e socou a barreira novamente.
Entretanto dessa vez não teve barreira para parar o soco de Effort o qual acabou acertando fortemente sua barriga. Grabor curvou-se diante da dor e soltou um grunhido.
–É assim que sou recebido? – Perguntou entre dentes.
–Grabor! – Exclamaram todos e o abraçaram em seguida.
–Pensamos que tinha morrido – falou Effort.
–E de fato eu morri – todos ficaram espantados – explico depois. Agora podemos voltar? Estou exausto.
Effort e Hila ajudaram Grabor a se levantar enquanto que Amber, Tom e Allie caminharam levemente na direção da cidade.
–As luzes pararam. Que estranho – disse Allie.
–Será que resolveram o problema? – Perguntou Amber.
–Que problema? – Perguntou Grabor para todos.
–Vi algumas luzes coloridas em Cordol, mas elas pararam – respondeu Amber. Grabor espantou-se.
–É um alarme. Lembra-se das cores? – Perguntou para Amber.
–Não lembro todas, mas tinha amarelo e laranja.
–Se o código não mudou, então só há um alarme com a cor laranja: o de invasão. Precisamos ir pra lá agora.
–Mas as luzes sumiram – disse Effort.
–Se você fizesse uma invasão, qual é a primeira coisa que se certificaria? – Perguntou Grabor.
–De que ninguém soubesse! – Respondeu Effort.
–Exato! Agora vamos – disse Grabor enquanto tocada a parede de rochas com a mão. Um circulo preto tentou se desenhar, mas falhou – É, ainda não consigo abrir portais. Estou me recuperando aos poucos. Parece que teremos que caminhar ou alguém além de mim já esteve em Cordol? – Ninguém confirmou – Então vamos. Será um longo caminho.
E assim a guilda iniciou sua descida da montanha na direção da cidade tomada pela tropa negra.
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