Grabor
8 Capítulo 08 - Hospital Mundial Lótus
Notas iniciais
NAFRA, HEMISFÉRIO SUL
–E você fala isso como se fosse a melhor coisa do mundo! – Rebateu Tom tirando seu paletó. Tom era ligeiramente baixo para um elfo. Tinha uma cara extremamente jovem, pele lisa e sem cicatrizes. Seus olhos eram cinza bem claro quase branco e seu cabelo era negro, chegando até os ombros. Entrou trajando o típico uniforme da guilda: uma camisa branca, um paletó preto e calça preta, bem como um sapato também na cor preta.
–Quem é esse? – Perguntou Felixia.
–Ah, você não teve tempo de conhecê-lo. Esse é Tom. Ele se juntou a Guilda depois da saída de Grabor. Não é tão bom quanto, mas dá pro gasto – responder Effort. Todos riram inclusive Tom.
Em meio às gargalhadas Graxia acordou. Imediatamente Felixia a abraçou e os risos cessaram.
–Minha filha, graças à Divindade.
–Mamãe, o que aconteceu? Não consigo enxergar direito.
–Está tudo bem filha – disse Grabor enquanto se sentava à mesa ao lado de Felixia. Ninguém ousava dizer uma palavra – Um elfo te machucou, mas o papai promete que vai cuidar disso, ok?
–Tudo bem papai – a voz de Graxia era doce e muito calma. Após suas palavras, Grabor caiu em choro.
Felixia se levantou da mesa com sua filha e a levou para uma espécie de cozinha.
–Você precisa comer um pouco e eu também.
Tom que estava parado na entrada emocionado com a cena dirigiu-se até a mesa e se sentou no lugar de onde Felixia levantou. Grabor virou-se para ele, enxugando as lágrimas.
–Você cresceu. Quando sai daqui você era somente um rapazinho. Olha pra você agora.
–Todos crescemos um dia – respondeu Tom.
–Por que você se afastou todos esses anos Grabor? – Perguntou Hila – Podia ter pelo menos nos feito uma visita.
–Quando renunciei à magia, não queria mais nenhum tipo de envolvimento, pois sabia que ficaria tentado a voltar como estou agora. Mas no fundo eu sabia que seria inevitável a minha volta. Só queria aproveitar ao máximo minha família – respondeu Grabor controlando-se para não chorar.
–Bem, confesso que não achei que seria tão fácil te trazer de volta – disse Allie – por isso nem começamos a preparar o ritual.
–Não há problemas. Assim tenho um tempo para colocar minha família em segurança.
–E você já tem algum plano para isso? – Perguntou Tom.
–Pensei no Hospital Mundial Lótus. O problema é só chegar até lá. Effort mal consegue andar e ninguém mais aqui domina portais, eu acho – respondeu Grabor e olhou para Tom que sorria.
Mas foi Hila quem respondeu.
–Na verdade, Tom está lidando com portais. Não domina ainda, mas consegue abrir um portal de tele transporte com facilidade.
–Bem, eu tento – disse Tom aparentando ser humilde – mas nunca fui até lá. Não sei se funcionará.
–Com facilidade? Ele se esqueceu da regra primordial? – Perguntou Grabor com sarcasmo, mas sem ser grosso.
–Garoto – começou Effort – é a primeira pessoa que entra no portal que escolhe o destino dele.
–Ah, é mesmo. Perdão! – Se desculpou Tom arrancando risadas de todos – Bem, então vamos lá – e se levantou da cadeira, seguido por todos menos Effort. Estava cansado demais.
–Eu vou para casa. Essa batalha me deixou exaurida – disse Hila e olhou para Allie de uma maneira tentadora – você vem?
–É... É claro meu amor. Tenho que cuidar dos construtores que prometemos à Maranda também. Ate mais pessoal! – E se retiraram da sala. Grabor foi até a cozinha enquanto Tom foi se sentar ao lado de Effort. Amber, que esteve calada esse tempo todo, saiu logo atrás de Allie e Hila.
A cozinha ficava na lateral da sala, do lado oposto onde Hila fez o interrogatório com Drag. Felixia estava em pé na frente de Graxia que estava sentada em uma bancada. Ambas comiam uma fruta de cor azulada.
–Felixia, como está se sentindo? – Perguntou Grabor enquanto abraçava sua esposa.
–Estou bem Grab. O susto já passou. Hila fez um excelente trabalho em Graxia, olhe só.
–Ela é a melhor maga que conheço em feitiços curativos. Minhas costas só melhoraram por causa dela, mas ainda doem um pouco – beijou a testa de Felixia – vou trocar de camiseta e depois partiremos para o Lótus. – Antes de se retirar, beijou Graxia.
Dirigiu-se até uma sala no fundo da guilda, próximo da biblioteca. Tirou sua camisa que estava com um belo buraco nas costas além de muito sangue e vestiu outra branca. Voltou para a cozinha.
–Vamos?
–Claro meu amor. – E saiu com Graxia no colo. Grabor logo atrás.
Chegaram próximo à mesa e acenaram para Tom que conversava alegremente com Effort.
–Estamos prontos Tom. Quando você quiser.
Prontamente Tom se levantou da mesa e tocou na parede mais próxima, ao lado da lateral da mesa. O portal de tele transporte se abriu. Grabor foi o primeiro a entrar. Dos que estavam ali era o único que já tinha ido até lá. Foi seguido por Felixia e Graxia. Antes de entrar, Tom olhou para Effort e piscou o olho direito. Quando Effort retribuiu ele entrou no portal, este se fechando em seguida.
* * *
Um pouco ao sul de Nafra, Jorkin falava com os capitães de seu exército. A imensa tropa desmontava o acampamento e se preparava para mais um ataque. Nun e Mary já se afastavam da tropa a passos largos. Chegariam primeiramente ao destino do ataque e lá fariam o reconhecimento. Essas eram as ordens.
–Todos os capitães aqui? – Perguntou Jorkin.
–Sim, comandante! – Responderam em uníssono.
–Perfeito. A estratégia utilizada, de acordo com o general Platos, foi um sucesso.
Platos estava do lado de Jorkin e mantinha a expressão séria depois do vexame que passara diante do exército. Limitou-se a apenas confirmar com a cabeça. Um capitão que estava diretamente à frente de Jorkin questionou o anúncio:
–Mas nosso exército não conseguiu controlar a cidade e agora temos cinco mil homens a menos. Não vi sucesso nesse plano.
Jorkin se limitou a olhá-lo. Não tinha terminado sua fala, mas respeitava muito este capitão em especial. Apenas respondeu com a voz ríspida
–Se me deixar terminar minha fala eu adoraria completar a ideia proposta, capitão Sodon! – O capitão apenas murchou sua face. Entretanto, ficou atento ao resto da fala – A estratégia de tomada da cidade foi um sucesso. Foi isso que viemos testar em Pomi. Não contávamos com uma ajuda de Nafra e foi esse o motivo da nossa perda. Aqueles magos são realmente bons – justificou Jorkin.
–Usaremos a mesma estratégia para tomar Cordol e a usaremos a estratégia padrão para mantê-la – continuou — os detalhes serão acertados na próxima noite. Cavalheiros, temos um ciclo* de deserto para enfrentar e mais meio de floresta até chegar à Cordol. Sugiro que economizem o máximo de energia possível!
Todos os capitães assentiram. A seguir se entreolharam e fizeram comentários. Jorkin se virou para Platos.
–Tem certeza de que Drag está morto?
–Sim senhor, comandante.
–Droga Platos, o que aconteceu com você? Conseguiu estragar meio plano em meia-hora – retrucou Jorkin. Voltou sua atenção para o grupo de capitães – Partiremos em meia hora. Dispensados.
Os capitães se retiraram, seguidos por Platos. Jorkin montou em seu corcel e foi até sua barraca arrumar suas coisas.
* * *
Maranda estava na avenida principal sentada no chão com uma roda de capitães. O sol estava ainda baixo no céu, mas era o suficiente para aquecer a todos.
–...bem, pelo menos os refúgios funcionaram. A Guilda de Nafra nos prometeu alguns construtores para reparar os danos do ataque. Não há mais nenhum sinal dos elfos negros por aqui?
–Não. O que restou de meu batalhão já averiguou tudo. Sem sinal dos elfos-negros.
–Bom, bom! Temos agora que recolher os corpos dos que estão mortos, tanto dos nossos quanto dos deles. Recolham o máximo de armaduras que puderem e garantam um enterro apropriado para os nossos.
Todos assentiram ao pedido.
–Já sabemos das nossas baixas? – Perguntou Maranda.
–Ainda não Maranda. Mas já passam de quatrocentos elfos e três mil soldados.
–Uma droga! Mas temos que pensar positivo. Devemos ficar em guarda dobrada enquanto o povoado é reconstruído. Devemos bolar uma nova estratégia para isso, mas por enquanto, discutiremos sobre outro ponto – prosseguiu Maranda – alguém pode tentar nos explicar por que o alvo foi Pomi e não Nafra?
Ninguém esboçou nenhuma reação. Estavam sem a resposta.
–Pois bem. Já tem suas ordens. A próxima reunião será daqui a quatro horas. Estão dispensados!
Todos se levantaram e foram fazer o que lhes tinha sido ordenado. Maranda se levantou e se dirigiu até a casa principal. A meio caminho notou um elfo negro saindo dos escombros da casa. Ela não tinha matado todos, tinha deixado um inconsciente. Pôs-se a correr imediatamente. O elfo negro, percebendo a investida da mulher e estando desarmado também começou a correr, tentando escapar pela direita de Maranda que rapidamente corrigiu a passada.
O elfo tomou uma das ruas secundárias e correu o mais rápido que pôde. Maranda logo atrás. Ao se deparar com um elfo negro caído no chão, se distraiu “Will. Você está morto!” pensava o elfo enquanto se lembrava de que Platos o chamará para fora da casa há algumas horas atrás e regressara sem ele. Com a distração, o elfo não notou que a rua fazia uma curva e encontrou com a parede de uma casa. Atordoado, caiu e foi logo capturado por Maranda.
–Sabe, fiz bem em não te matar. Agora poderemos conversar melhor – e fez uma risada sarcástica enquanto arrastava o elfo de volta para a avenida principal.
–Não vou te falar nada – disse o elfo enquanto tentava escapar.
Maranda, sem paciência, emendou um chute no meio das pernas do elfo, forte o suficiente para amassar ainda mais a armadura. “De novo não!” pensou o elfo enquanto protegia o local com as mãos.
Ao chegarem à avenida principal, próximo à casa principal, Maranda largou o elfo e parou na sua frente.
–Não sei quanto ao seu treinamento, mas eu me garanto. Isso aqui é um interrogatório que pode virar tortura, só depende de você. Então, vou direto ao ponto: por que atacaram Pomi e não Nafra?
Ainda com dor, o elfo respondeu:
–Vai se catar – e cuspiu.
Maranda pisou o mais forte que pode por cima das mãos do elfo que protegiam a genitália e continuou pisando.
–Lhe perguntei por que atacaram Pomi e não Nafra. Vai responder?
–E... eu... eu não sei!
–Não acredito em você – tirou o pé elevando-o poucos centímetros e pisou novamente com força.
–Tá bom, tá bom. Eu digo o que sei, só tira o pé, por favor – terminou a frase falando fino.
Maranda aliviou um pouco o pé, o suficiente para o elfo recuperar o fôlego.
–O general nos disse que... Isso aqui era um teste. Nos passou o que deveríamos fazer e nos disse para aguentarmos até o final. Só isso, é tudo que sei!
Maranda tirou o pé de cima das mãos do elfo e se abaixou, aproximou sua cabeça da do elfo, fitou-o profundamente e deu uma cabeçada, deixando-o novamente inconsciente.
–Um teste? – disse para si mesma – Um teste para que? Reunião de emergência – gritou o mais alto que pode enquanto se dirigia até o local da reunião prévia.
* * *
Ao atravessarem o portal, se depararam com um imenso prédio que chegava aos dez andares facilmente. Uma estrutura belíssima para ficar no meio de um pântano. Era feito quase que inteiramente de uma mistura entre pedra e metais abundantes no planeta. Há também vigas de madeira, mais para a estética do que para a sustentação. Janelas são abundantes por todo o prédio, em todos os andares.
Olharam para trás, do lugar de onde vieram. Havia uma parede ali com uma boa extensão: era uma área previamente construída para magos chegarem com tele transporte. Para ambos os lados, havia estacionamentos para carroças e para alguns veículos que por mais que fosse novidade tecnológica em Elif, já possuíam vaga no hospital.
–Uau! – Exclamou Felixia.
–Lindo não? – Disse Grabor.
A rampa que dava acesso ao hospital estava um pouco para a esquerda de onde saíram. Liderados por Grabor, os quatro se encaminharam para lá. O chão era um misto de cascalho e de flores que caiam das poucas árvores que existem no local. A rampa é composta de pedra devidamente cortada e polida e as guardas feitas de madeira ainda na forma rústica.
No hospital, acima da entrada, um grande letreiro:
HOSPITAL MUNDIAL LÓTUS
ÁREA INTERNACIONAL
RESPEITE PARA SER RESPEITADO
Os quatro continuaram avançando até que Felixia avistou um elfo negro saindo do hospital. Assim como Graxia, que estava em seu colo, ficou paralisada, lembrando-se do acontecido de poucas horas atrás. Grabor colocou seu braço ao redor dela e a puxou, suavemente, na direção do hospital.
–Não precisa ter medo dele meu amor. Ele não pode fazer nada aqui, aliás, nenhum de nós pode – apontou para pequenos elfos vestidos de branco que estavam nos telhados do hospital – vê aquilo? – Felixia assentiu – são sentinelas designadas para defender o hospital e o vilarejo que existe logo abaixo. As sentinelas são um misto de elfos e elfos negros que irão apartar qualquer combate que exista aqui. Você está perfeitamente segura.
Felixia se acalmou e prosseguiu até o hospital. Ao entrarem, se depararam com um imenso ambiente com poltronas espalhadas por todo o recinto. Uma mesa, também grande, estava do fundo da sala com o dizer “RECEPÇÃO”. A sala não estava cheia, mas tinha bastante elfos aguardando atendimento. Na mesa, dez elfos vestidos de cinza faziam o atendimento o mais rápido que podiam.
O grupo se dirigiu até uma mesa pouco menor na direita do ambiente que carregava consigo a placa “INFORMAÇÕES”. A mesa era composta de quatro elfos vestidos de azul e havia outros dois elfos pedindo informações.
–Hospital Mundial Lótus, bom dia. Meu nome é Phita. Em que lhes posso ser útil? – Anunciou uma elfa quando o grupo de aproximou.
–Bom dia. Me chamo Grabor, esses são Felixia, Graxia e Tom. Minha mãe trabalha no hospital, Martha Linconsin. Ela é enfermeira.
–Desculpe senhor, mas só porque tem um parente trabalhando aqui não terá atendimento preferencial.
–Não é por isso que estou aqui. Preciso de atendimento, não nego, mas só quero falar com minha mãe.
–Tudo bem, então. Vou chamá-la. Podem aguardar por aqui.
–Obrigado!
–Por nada.
O grupo foi se sentar enquanto que Phita pegava um dispositivo parecido com um telefone celular. Apertou um botão e falou.
–Phita, recepção – uma breve pausa – Departamento onze, ferimentos leves – outra pausa – a enfermeira Martha é solicitada na recepção – pausa novamente – é o filho dela – e desligou o aparelho. Olhou para Grabor:
–Um instante senhor – Grabor assentiu.
–Esse lugar é imenso. Espetacular – comentou Tom.
–Estive aqui uma vez há um bom tempo. Muita coisa mudou, mas muita coisa ainda é igual.
As poucas pessoas que estavam esperando já não estavam mais lá. Em contrapartida, mais e mais elfos entravam no hospital. Com a guerra acontecendo, era uma cena normal.
–O atendimento é muito rápido e eficiente – comentou Tom novamente.
–Não é a toa que o Lótus é muito melhor do que o Hospital Central de Colossus.
De uma porta, ao lado da mesa da recepção, uma elfa apareceu. Tinha cabelos ruivos, rosto levemente enrugado e olhos cinza-claros marcantes. Não passava dos 1,77 metros e tinha oitenta e oito anos. Estava vestida de amarelo e ao avistar Grabor, seus olhos se encheram de lágrimas.
–Meu filho? – dizia com a voz pouco rouca. Abriu os braços e caminhou na direção de Grabor.
–Mãe! – exclamou Grabor enquanto corria na direção da mãe.
Abraçaram-se, um abraço longo, amoroso, como só uma mãe sabe. Após o longo abraço, se afastaram ligeiramente.
–Você cresceu Grab. Olha só pra você!
–Mãe, como você tá?
–Muito bem, meu filho, muito bem. Temos muito trabalho a fazer. A cada hora mais e mais elfos chegam. Essa guerra horrorosa. Ainda bem que você desistiu dela a tempo Grab, ainda bem. Mas porque você está aqui?
–Então mãe, eu fui novamente chamado para a guerra e não pensei em lugar melhor para deixar Felixia e Graxia do que aqui.
–É uma decisão terrível voltar Grab, mas não vou contrariá-la. Você já é bem grandinho. Espere ai, eu tenho uma neta? – E largou Grabor, indo abraçar sua nora e sua neta.
–Que coisa mais linda Felixia, que bela garotinha – dizia Martha entre lágrimas – o que aconteceu com o olho dela?
–Longa história dona Martha. Nenhum problema em ficarmos aqui?
–De maneira alguma Felixia. O hospital está precisando de trabalhadores. E você, quem é? – Perguntou Martha a Tom.
–Sou Tom Dispar, membro da Guilda que seu filho fundou.
–Que a divindade o tenha meu filho! – Exclamou Martha e foi até o encontro de Grabor novamente.
–Muito bom te rever meu filho, mas tenho que ir trabalhar. Sua família ficará a salvo aqui, eu lhe garanto. Que a divindade o tenha – e abraçou Grabor fortemente.
–Adeus mamãe. Vá, vá salvar vidas!
Grabor enxugou as lágrimas da mãe e foi se despedir de sua família. Abraçou Graxia primeiro.
–O papai vai ficar bem tá querida. Se cuida meu anjo! – Beijou-a na testa e a colocou no chão, direcionando-a para a avó.
Abraçou Felixia em seguida, beijando-a como se fosse o último beijo.
–Eu prometo voltar meu amor. Eu prometo.
–Ai de você se não voltar! – Exclamou Felixia em lágrimas – Agora vai, antes que eu me arrependa!
Largaram-se e Felixia seguiu Martha e Graxia para dentro do hospital. Após a despedida, Grabor e Tom saíram do hospital e voltaram para a Guilda, em Nafra.
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