Graça Sobre Graça

Silvio Dutra

Set/2016

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A474

Alves, Silvio Dutra

Graça Sobre Graça./ Silvio Dutra Alves. – Rio de

Janeiro, 2015.

160p.; 14,8x21cm

1. Teologia. 2. Amor 3. Justificação

4. Salvação. 5. Libertação

I. Título.

CDD 230

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“Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça.

Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.”

João 1.16,17

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Sumário

1 — Graça.................................................................

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2 — Todo Mérito é da Graça...............................

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3 — O Recebimento é Gratuito Mas é Condicional................................. ............................

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4 — A Soberania da Graça Divina.....................

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5 — “A minha graça te basta" (2 Cor 12.9).....

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6 — O Que é Estar Debaixo da Graça e Não da Lei...........................................................................

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7 — Justa Cooperação da Graça com a Vontade Consciente............................................

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8 – Graça Sobre Graça........................................

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9 — A Dispensação do Espírito Santo............

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10 — A Graça Opera Pela Obediência............

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11 — A Graça Supera a Aflição............................

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12 — Cobre como as Águas do Dilúvio............

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13 — A Graça não Condena.................................

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14 — O Modo de Concessão da Graça..........

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15 — A Graça Está Sujeita a Decadências.....

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16 — A Graça Nunca Desconsidera o Viver Pecaminoso..............................................................

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17 — Deixar que a Graça nos Conduza............

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18 — A Graça se Manifesta na Nossa Fraqueza.....................................................................

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19 — “Porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Cor 12:9) ...................................

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20 — A Graça Está Destinada a Vencer..........

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1 — Graça

Há um grande paradoxo no entendimento relativo à graça divina, uma vez que se costuma considerar como sendo graça exatamente o oposto daquilo que a graça que nos foi dada em Cristo é na verdade; pois os dons naturais e comuns de Deus para toda a humanidade são buscados por pessoas religiosas como se fossem o grande propósito da vida cristã.

Geralmente, visa-se tão somente ao que é externo, e não propriamente o que seja espiritual, celestial e divino, para ser aplicado à transformação do próprio caráter e vida, segundo o propósito de Deus na concessão da Sua graça que nos foi dada em Cristo.

Todavia, a Bíblia não nos deixa cegos quanto a este importantíssimo assunto, conquanto podemos observar na grande maioria das passagens bíblicas referentes à graça, qual é o propósito de Deus quanto à sua concessão.

Antes de tudo a graça não é dogma, mas o poder de Deus para o atingimento do objetivo da fé, a saber, a nossa salvação. E é no conhecimento da mesma graça que devemos crescer com vistas ao nosso aperfeiçoamento espiritual.

O maior dom que temos recebido da graça de Deus é a vida do próprio Cristo e a habitação do Espírito Santo em nós. As demais graças são

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consequência desta referida e gravitam em torno da mesma.

Quando estamos na graça, esta produz um bom estado na alma que pode ser discernido em espírito tanto por nós, quanto por aqueles que estiverem na mesma condição.

A graça divina é o maior poder operante neste mundo, pois somente ela é mais forte do que o poder do pecado.

O nosso acesso a esta graça, na qual estamos firmes pela fé, e sem correr o risco de sermos rejeitados por Deus, custou um alto preço a nosso Senhor Jesus Cristo – o preço do seu sofrimento e derramamento do seu sangue numa terrível morte de cruz.

É impróprio, por conseguinte, o pensamento associado à palavra graça, de ser algo fácil ou barato.

A salvação é de fato gratuita, mas custou o preço de morte para Cristo, carregando os nossos pecados, e para nós, ela exige o pagamento do preço da nossa consagração a Deus, uma vez tendo sido convertidos mediante a simples fé no Senhor.

Fomos comprados por preço para vivermos para Deus.

Com o advento de Jesus Cristo foi inaugurada uma nova dispensação para substituir a antiga que vigorou desde os dias de Moisés. Daí ser

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chamada de dispensação da graça, enquanto a antiga era chamada de dispensação da Lei.

Deus está sendo longânimo nesta dispensação em relação a todos os pecadores, concedendo-lhes assim a oportunidade de se arrependerem e crerem em Cristo, de modo a serem livrados da condenação eterna. Esta é uma das características essenciais da citada dispensação.

Você pode ler os versículos bíblicos contendo destacada a palavra charis (no original grego) – graça; acessando o seguinte link:

http://www.recantodasletras.com.br/mensagensreligiosas/5390645

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2 — Todo Mérito é da Graça

Temos de fato um viver abençoado quando obedecemos a Deus, dedicando-nos à prática das boas obras.

Mas, é preciso não confundir que a graça, que se manifesta num viver obediente, nunca é decorrente dos nossos méritos pessoais, mas sempre dos méritos de Jesus.

De fato, se não há disposição para obedecer à verdade, já não há qualquer graça para operar.

Quem busca acha. Ao que bate se lhe abre a porta. Ao que pede se lhe é dado.

A nós cabe agradecer e dar não apenas o nosso esforço, mas a nossa própria vida para o serviço de Deus, para que Ele a use como for do Seu inteiro agrado.

A consagração pessoal é necessária para que o Espírito Santo possa realizar a sua obra em nossas vidas, afinal Ele mesmo é uma das preciosas e grandes promessas da Nova Aliança, para todo o que crê (Gál 3.24).

Não podemos esquecer que a própria lei prescrevia a fé, o amor, a justiça e a misericórdia.

A lei não é contrária à graça e à fé. Mas, a lei de si mesma, nada pode fazer além de afirmar o amor, pois não pode gerá-lo; de afirmar a vida

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eterna com Deus, mas não pode também gerá-la; de apontar a necessidade da salvação para o pecador, mas, não pode produzi-la. Somente a graça pode operar tudo isto, pela fé, e tudo o mais que se relacione à vontade de Deus.

Apesar de ser santa, justa, boa e espiritual, a lei não pode, no entanto, nos salvar (Rom 7.12,14).

A graça não é, portanto, contrária à lei e nem a descumpre, antes é o potencial necessário para o cumprimento da lei.

“Anulamos, pois, a lei pela fé? De modo nenhum; antes estabelecemos a lei.” (Rom 3.31)

“16 Porquanto procede da fé o ser herdeiro, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós.” (Rom 4.16)

Ora, se o cumprimento da lei só é possível pela graça, quão improcedente é, portanto, a quase aversão que muitos legalistas sentem só de ouvir falar a palavra graça.

O problema é que esta não é uma forma correta de se abordar a questão.

A vida cristã não consiste nem em se defender a graça, nem em se defender os mandamentos, mas sim em viver a vida de Jesus pela graça, para que se possa cumprir seus mandamentos, os

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quais confirmam muito dos que existem na própria Lei.

“23 Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei?

24 Assim pois, por vossa causa, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios, como está escrito.

25 Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se guardares a lei; mas se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão tem-se tornado em incircuncisão.

26 Se, pois, a incircuncisão guardar os preceitos da lei, porventura a incircuncisão não será reputada como circuncisão?

27 E a incircuncisão que por natureza o é, se cumpre a lei, julgará a ti, que com a letra e a circuncisão és transgressor da lei.

28 Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne.

29 Mas é judeu aquele que o é interiormente, e circuncisão é a do coração, no espírito, e não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus. (Rom 2.23-29)

Este gloriar dos judeus na Lei, referido por Paulo, não significa de modo algum a rejeição do

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apóstolo da Lei, mas a confiança deles de que poderiam ser salvos pela Lei à custa da rejeição da graça de nosso Senhor Jesus Cristo.

Os dez mandamentos revelados por Deus ao povo de Israel nos dias de Moisés confirmam a sua proveniência divina, e nos falam da perfeição em santidade do Senhor, uma vez que não se resumem a ordenanças morais, tal como se vê na lei dos homens.

Antes de citar os deveres morais na segunda parte dos mandamentos, com o dever de se honrar os pais, e a proibição de mentir, furtar, matar, adulterar e cobiçar, Deus fixou antes, na primeira parte, a necessidade de se lhe prestar honra, reverência e culto, pois sem isto, não é possível que o homem cumpra perfeitamente as suas obrigações morais para com Deus e para com o seu próximo.

Daí ser ordenado antes de tudo que se adore tão somente a Deus; que o Seu nome seja santificado e honrado e que se separe obrigatoriamente um dia semanal para a dedicação exclusiva à adoração e ao serviço do Senhor.

Temos assim, uma pista, já na perfeição da Lei dada a Moisés, quanto ao modo correto da santificação:

Primeiro amar a Deus, separar-se para Ele, cultuá-lo em devoção sincera, e assim sendo feito bom o coração pela Sua graça divina, a vida

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moral reta será uma mera consequência de tal adoração em espírito e em verdade.

E é exatamente tal ordem que encontramos no Novo Testamento, quanto ao modo da santificação, e do serviço a Deus e ao próximo.

“Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão nem a incircuncisão vale coisa alguma; mas sim a fé que opera pelo amor.” (Gál 5.6)

“Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura.” (Gál 6.15)

Em outras palavras: nem o judeu, nem o gentio, nem o legalista, nem o adepto da graça, têm no que se gloriar, caso não sejam novas criaturas em Cristo, e não vivam no amor que é pela fé.

Quem amará com o mesmo amor de Deus, conforme a lei exige, caso não seja capacitado pela graça para tal?

E tudo o mais que a lei exige, a qual é espiritual e santa, dada e revelada pelo próprio Deus, por acaso, não só poderá ser cumprido se formos capacitados antes pela graça de Jesus?

Quem é suficiente para isto?

Por isso Paulo dizia que a sua suficiência vinha de Deus, e que tudo o que fazia segundo a Sua

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vontade era conforme capacitação da Sua graça, e que tudo podia, somente porque a graça de Jesus o fortalecia.

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3 — O Recebimento é Gratuito Mas é Condicional

Deus está oferecendo gratuitamente a salvação em Jesus Cristo com tudo o mais que está nela incluído com suas grandes promessas de bênçãos eternas.

Todavia, existe a condição exigida do nosso arrependimento e fé.

Não um mero arrependimento de se lamentar a nossa condição de transgressores da vontade divina, conforme expressada em seus mandamentos, mas o arrependimento que significa a busca de uma vida transformada pelo poder do Espírito Santo, em um novo nascimento espiritual instantâneo (regeneração-conversão) e renovação progressiva do nosso caráter (santificação).

E quanto à fé, que é outra condição exigida para a recepção do dom gratuito de Deus em Jesus Cristo, não é mera crença ou assentimento intelectual em relação à Palavra de Deus, mas a total e exclusiva confiança em Cristo, como nosso Salvador e Senhor, e busca de uma efetiva comunhão diária com ele, através da oração e da prática dos seus mandamentos.

Portanto, a noção que é tão comum de que a graça de Deus significa a sua disposição em conduzir à vida celestial pessoas em qualquer

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estado, e sem nada lhes exigir como condição para tal propósito, não é bíblica, porque não é ensinada em nenhum dos 66 livros que compõem a Bíblia.

Onde não houver o desejo, a intenção, a determinação de se viver segundo a vontade de Deus, e de ser transformado pelo seu poder, não se achará também qualquer graça da sua parte operando para a salvação.

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4 — A Soberania da Graça Divina

“Porém o SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o SENHOR não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o SENHOR, o coração.” (I Sam 16.7)

“porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.” (Is 55.9)

Vemos aqui um incentivo para os piores e os mais vis.

O Senhor a ninguém tem excluído, mas há aqueles que se excluem.

"Eis que agora é o tempo aceitável, eis agora o dia da salvação!”, “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar.” (Is 55.7).

“Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” (Mt 11.25,26).

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Que a doutrina no versículo precedente é de fato verdadeira, é suficientemente evidente a partir de simples observação. A maior parte das pessoas que o mundo considera sábias e prudentes, e tudo para um homem que pensa acerca de si mesmo deste modo, tem pouca consideração pelas verdades do evangelho. Porque elas estão ocultas aos seus olhos, e são reveladas ao pequeninos, àqueles que eles desprezam.

Vamos começar perguntando, quais podem ter sido os principais propósitos de Deus em enviar o seu Filho ao mundo, para que pudéssemos ter vida por meio dele? Destes, eu destaco principalmente dois:

1 . A redenção e salvação completa de todos os que creem. Todos os homens estão, por natureza no mesmo estado de pecado e miséria... mas, nos é dito pelo Senhor que no grande dia haverá uma diferença indizível entre alguns e outros. Muitos então ficarão tremendo em sua mão esquerda, a quem o Rei dirá: "Apartai-vos", mas os que estiverem à sua direita ouvirão aquelas alegres palavras: "Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.” Se você perguntar, ao que é principalmente devido essa diferença? A resposta é dada: "Jesus amou, e carregou os seus pecados em seu próprio sangue; ele redimiu pessoas de todas as nações, e línguas, pois eles

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vieram de grande tribulação, e lavaram as suas vestes, e as branquearam no sangue do Cordeiro; e portanto estão diante do trono." Foi então por causa da justiça de Jesus que eles serão encontrados à sua mão direita, porque "Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei, para resgatar os que estavam debaixo da lei, para que recebêssemos a adoção de filhos."

2. Mas, além deste, Deus teve um outro propósito em razão da ignorância deles, ainda mais elevado na obra da redenção, a saber, a manifestação de sua própria glória.

Se pudéssemos dar qualquer outra razão para esta dispensação da graça do que aquela que é afirmada no nosso texto, isto seria o suficiente, de que deveria ser assim, para que não houvesse qualquer orgulho em nossos corações. Certamente que o que parece bom aos olhos de Deus, deve ser santo e sábio, e bom em si mesmo. Como o vão e presunçoso homem é cego, quem se atreveria a replicar contra o seu Criador, para atacar a sua santidade com a injustiça, a sua sabedoria com erro, a sua bondade com a parcialidade! Todos os seus sofismas e sua vontade serão silenciados no grande dia, quando os segredos de todos os corações estarão abertos, e Deus será justificado quando ele os condenar.

No entanto, embora não ousemos ir muito longe nas profundezas dos desígnios divinos, mas, a

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partir da luz que ele tem nos oferecido na sua Palavra, podemos, em nossa debilidade natural, afirmar e provar que seus caminhos são justos e equitativos, e, além do argumento de sua soberania, porque isso foi do seu agrado, ele tem se agradado em nos favorecer com algumas das razões pelas quais isto tem-lhe sido assim agradável. E este é o assunto que eu proponho para conduzir suas meditações a partir dessas palavras.

Foi pelo seu amor indescritível por nós que ele providenciou todos os meios necessários à nossa salvação, e não podemos nos surpreender, e muito menos devemos nos queixar, que em justiça de si mesmo, ele designou tais meios, e do modo pelo qual tudo redundasse para o seu louvor e sua glória. Para tanto, foi necessário que as seguintes coisas devessem ser manifestadas com a mais plena evidência.

1º — a grandeza da depravação, culpa e miséria do homem; que não era uma coisa pequena, mas um caso digno da interposição de um poder e graça infinitos.

2º — a insuficiência total do homem para encontrar alívio por si mesmo; para que assim Deus pudesse ter toda a honra de sua recuperação, e nós pudéssemos ser, para sempre, devedores da sua livre e imerecida misericórdia.

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3º — que, por haver uma grande variedade de caracteres na humanidade, foi necessária a dispensação da sua graça que ao operar deve mostrar que nenhum caso foi muito difícil para o seu poder, ou muito baixo e miserável para a sua compaixão e condescendência.

Após a apresentação destes motivos, podemos ver algo de sua sabedoria nos métodos que ele tem designado, e nos assuntos de sua escolha; por isso aquilo que tem parecido bem aos seus olhos, tem sido ocultado aos sábios e entendidos, e sido revelado aos pequeninos, por razões como estas:

1. Para humilhar a soberba de toda a glória humana;

2. Para excluir toda pretensão em se gabar,

3. para que possa ser provido um motivo de esperança para os piores e mais vis, e,

4. que a salvação dos crentes possa ser segura, e não sujeita a ser perdida.

I. Em primeiro lugar, então, o Senhor dos Exércitos tem proposto isto, "para humilhar a soberba de toda a glória humana", Isaías 23.9.

Quanto os homens estão dispostos a admirarem a sua própria sabedoria, aprendizagem e realizações, é suficientemente óbvio. Mas, agora, o orgulho de toda esta glória está manchado, na medida em que é provado pela experiência que é totalmente inútil na maioria

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das preocupações importantes. Um homem tem talento para governar um reino, mas ele próprio é um escravo de desejos e paixões vis. Outro tem coragem para enfrentar a morte em um campo de batalha, ainda que, quanto à religião, é um mero covarde. Outro finge contar o número das estrelas, e chamá-las todas por seus nomes, mas não tem mais pensamentos sobre o Deus que criou os céus e a terra, do que os animais que perecem. Outro, que professa ser sábio nas Escrituras, as perverte e abusa de sua própria razão, para estabelecer os erros mais absurdos, ou para derrubar as verdades mais claras.

O tempo não seria suficiente para contar todas as conquistas destes sábios e homens prudentes. Mas eis que o orgulho deles está todo manchado! No meio de todas as suas aquisições e invenções, são estranhos para Deus, para si, e para a paz, pois eles estão sem Cristo, e sem esperança: as coisas que são de real importância estão escondidas de seus olhos. Aqui, está manifestada a desesperada depravação e sedução do coração, para a glória de Deus, e é claramente que, se ele não se interpuser para salvar, os homens são totalmente incapazes de salvarem a si mesmos.

II. Para excluir a jactância. "Onde está a vanglória, então? É de todo excluída." Como o apóstolo afirma. "Se Abraão foi justificado pelas obras, tem do que se gloriar.", Rom 4.2. Assim, se os homens fossem salvos, no todo ou em parte,

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por sua própria sabedoria e prudência, eles podem no mesmo grau escreverem a glória e louvor para si.

Eles podem dizer, o meu próprio poder e sabedoria deu-me isto, e assim Deus seria roubado da honra devida ao seu nome. Mas agora isto é evitado. A palavra do Senhor é, "Não deixe o sábio se gloriar na sua sabedoria, não deixe que o homem poderoso se glorie na sua força; não deixe que se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em entender e me conhecer, que eu sou o Senhor" — Jeremias 9.23,24.

Sejam quais forem as vantagens exteriores que alguns possam parecer possuir, eles estão no mesmo nível em que estão os piores. Estas coisas não podem ser compreendidas por qualquer sagacidade da nossa parte, mas devem ser reveladas pelo Pai das luzes. Veja o que o apóstolo diz no primeiro capítulo de Romanos. Muitos dos ateus foram eminentes em sabedoria e habilidades e fizeram grande avanço na ciência; mas em relação ao conhecimento de Deus, o resultado de todas as suas pesquisas deu em erro, superstição e idolatria; dizendo-se sábios se tornaram loucos, e as suas dissertações não tiveram nenhum outro efeito senão deixá-los sem escusa. Sua prática (como será sempre o caso) foi correspondente a seus princípios; e no meio de mil refinamentos em teorias, eles foram

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abandonados aos mais grosseiros e detestáveis vícios. Se podemos dizer, esses não tiveram a luz da revelação, podemos observar os mesmos ou similares efeitos, onde o evangelho é conhecido. Com esta luz superior, os homens ainda são igualmente vãos em suas imaginações e, embora eles não tributem uma externa e formal adoração ao pau e à pedra, eles são idólatras grosseiros, pois eles servem, amam e confiam mais na criatura do que no Criador.

Quando há uma diferença, é devido à graça, e à graça que é reconhecida. Assim se dirá prontamente: "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome seja o louvor", Sl 115.1. Assim, toda a pretensão de glória é efetivamente excluída, e que aquele que pode se gloriar sobre um bom fundamento, deve somente se gloriar no Senhor. Se deve ser suposto que esta representação das coisas tende a desencorajar uma diligente e séria investigação da verdade, eu respondo que, quando corretamente entendida, ela terá apenas o efeito contrário. O que pode ser mais adequado para excitar a diligência, do que apontar o método que será seguramente coroado de sucesso? Você não pode ter êxito sem a luz e assistência do Espírito Santo, mas se consciente disso, e consciente de sua própria insuficiência, você vai buscar sua direção e orientação por humilde oração, isto será oferecido a você. Se você não sabe isso, você certamente ficará cansado no final por repetidas decepções, mas se você depender de

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seu ensinamento e de cooperação em usar os meios de graça que ele designou, seu conhecimento aumentará assim como o seu crescimento espiritual.

Tradução, redução e adaptação feitas pelo Pr Silvio Dutra, de um texto de John Newton, em domínio público.

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5 — “A minha graça te basta"

(2 Cor 12.9)

Se nenhum dos santos de Deus fosse pobre ou tentado, não deveríamos conhecer muito bem a metade das consolações da graça divina.

Quando encontramos o andarilho que não tem onde reclinar a cabeça, que ainda pode dizer: "todavia eu vou continuar confiando no Senhor", quando vemos o mendigo faminto de pão e sedento de água, que ainda dá glórias a Jesus, quando vemos a viúva enlutada e oprimida pela aflição, mas mantendo a sua fé em Cristo, oh! que honra isto reflete no evangelho.

A graça de Deus é demonstrada e ampliada na pobreza e nas provações dos crentes. Os santos suportam até debaixo de todo tipo de desânimo, crendo que todas as coisas cooperam para o bem deles, e que de males aparentes uma bênção real deve finalmente surgir – porque o seu Deus trabalhará a libertação deles rapidamente, ou lhes apoiará mais seguramente na tribulação, contanto que lhe agrade guardá-los na mesma. Esta paciência dos santos prova o poder da graça divina.

Há um farol em alto mar: é uma noite calma — eu não posso dizer se o edifício está firme, a tempestade deve bater furiosamente contra ele, e então eu vou saber se ele vai ficar de pé. Assim

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sucede, com a obra do Espírito: se não fosse em muitas ocasiões rodeada com águas tempestuosas, não poderíamos saber que ela é verdadeira e forte, se o vento não soprar sobre ela, não poderíamos saber quão firme ela é. As obras-primas de Deus são aqueles homens que se levantam no meio de dificuldades, firmes e constantes,

Aquele que quiser glorificar o seu Deus deve se manter firme quando se deparar com muitas provações. Nenhum homem pode ser notado pelo Senhor a menos que suas lutas sejam muitas. Se, então, o seu caminho é de muitas provações, regozije-se, porque você mostrará melhor a graça todo-suficiente de Deus.

Quanto à sua queda, nunca pense nisto — odeie o pensamento. O Deus que tem sido suficiente até agora, deve ser crido até o fim.

Texto de autoria de Charles Haddon Spurgeon, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.

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6 — O Que é Estar Debaixo da Graça e Não da Lei

Não encontramos nas Escrituras a expressão pacto de obras, ou aliança de obras.

Todavia ambas as formas, especialmente a primeira é muito empregada para definir a condição de Deus como o Grande Juiz e Legislador que exige perfeição absoluta para que possamos estar eternamente em Sua presença.

E a falta desta condição implica em morte espiritual e eterna.

Em sua infinita sabedoria, bondade e misericórdia, o Senhor tem conhecido pela sua onisciência, que nenhum descendente de Adão está habilitado para atender a tal demanda desta Lei Eterna que emana da própria natureza perfeitamente santa e justa de Deus.

Assim, entendemos que Ele não tem proposto a pecadores uma opção de salvação por este modo de se cumprir perfeitamente a Sua vontade e mandamentos.

Isto sempre será feito por pura graça, misericórdia, e simplesmente mediante a fé, como foi proposto ao próprio Adão quando o Senhor foi procurá-lo com a promessa da redenção quando ele se escondeu

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envergonhado da sua nudez atrás das árvores do jardim.

Não pode, entretanto, ser removida esta lei que exige perfeição absoluta, e por isso Jesus não morreu apenas como nosso substituto para quitar a culpa do nosso pecado, como também para nos revestir dessa perfeição requerida pela justiça divina, que há de ser absoluta na glória, e mediante o trabalho da santificação da graça pelo Espírito Santo e aplicação da Palavra de Deus aos nossos corações, conforme o penhor do trabalho da nossa transformação e purificação já iniciado aqui na Terra a partir da nossa conversão.

O grande mandamento de Deus foi revelado por Jesus como sendo o amor de uns pelos outros com o mesmo amor com o qual ele nos amou.

Ou seja, o dever imposto é o de amar com o amor de Deus.

Então quando Tiago alude a isto, ele se reporta em sua epístola à questão da acepção de pessoas que estava ocorrendo na igreja em favor dos mais abastados e contra os pobres e necessitados do rebanho.

Isto era um pecado claro e contundente contrário ao que Ele chama de Lei Régia, ou seja a Lei do Rei, esta Lei que está amarrada à própria natureza e essência de Deus, que é amor.

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“Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem;” (Tiago 2.8)

Não convinha que aqueles que foram resgatados da morte espiritual e eterna, inclusive e principalmente por se transgredir tal mandamento do amor, que é o principal de todos, continuassem transgredindo o mesmo.

“Falai de tal maneira e de tal maneira procedei como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade.” (Tiago 2.12)

A esta lei da liberdade da condenação em Cristo, aludiu também o apóstolo Paulo em Rom 8.2:

“Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.”

Então, se não fosse por Cristo, todo o nosso esforço em cumprir perfeitamente a Lei – ao qual devemos nos dedicar com sinceridade e amor – seria totalmente perdido caso viéssemos a transgredir um único ponto da lei que está indissoluvelmente ligada à natureza de Deus, porque é Legislador e Juiz conforme demanda a sua justiça que haja perfeita conformação à sua santidade e amor.

“Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.” (Tiago 2.10) – Este é o caráter da lei para aqueles que não estão debaixo da cobertura do sangue de Jesus. Daqui vemos quão ineficaz é a

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tentativa de se justificar por meio das obras da lei.

Assim, devemos clamar e dar graças a Deus por nos ter dado Jesus Cristo, juntamente com o apóstolo quanto à nossa condição natural de sermos achados mortos em delitos e pecados que pode ser somente revertida por estarmos no Senhor:

Rom 7:24 Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

Rom 7:25 Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.

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7 — Justa Cooperação da Graça com a Vontade Consciente

Uma das grandes provas indiretas de que há uma justa cooperação da graça divina com a vontade consciente humana está em que crentes consagrados e santificados podem ter imaginações, sonhos e comportamentos pecaminosos quando sob o efeito de algum bloqueador (drogas alucinógenas etc) dos mecanismos psicológicos de restrição e contenção dos pensamentos e comportamentos impróprios que atuam pelo temor de punição, de reprovação social, de perdas consequentes (especialmente das bênçãos de Deus), e de tudo o mais que possa se opor à consciência do que é considerado correto e aceitável.

Esta é a razão de se ordenar aos crentes que sempre sejam cheios do Espírito Santo, ou seja, que estejam sempre debaixo da Sua influência e poder de modo a que tenham graça suficiente para cumprirem o que se lhes ordena na Palavra de Deus em vidas santificadas.

A falta de tal provisão de graça em justa cooperação com o exercício de nossa vontade consciente em obtê-la pelos meios ordenados na Palavra (oração, meditação, comunhão, perdão etc) é o motivo de que até mesmo crentes confirmados possam ter sonhos e pesadelos em que se encontram em

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imaginações pecaminosas, uma vez que durante o sono não há um controle consciente sobre a mente, e esta divaga e age livremente sem o controle do sistema nervoso simpático, ficando totalmente à mercê do parassimpático – ou inconsciente.

De tudo isto se depreende a nossa total dependência da graça de Deus para vivermos de modo que lhe seja agradável, e também, que vigiemos e nos esforcemos em plena diligência para moldarmos a nossa consciência em conformidade com os padrões morais e espirituais de Sua bendita Palavra.

Em suma, teremos tanto mais graças da parte de Deus quanto mais nos empenhemos em cultivá-las pelo exercício consciente constante da oração, da meditação na Palavra, do serviço cristão, da comunhão com nossos irmãos na fé e de tudo o mais que nos é ordenado por Deus para um viver abençoado.

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8 — Graça sobre Graça

Partes de um sermão de Charles Haddon Spurgeon, traduzidas e adaptadas pelo Pr Silvio Dutra.

"Agora nós não temos recebido o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que possamos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus." (I Coríntios 2.12)

O curso de nossa raça caída tem sido uma sucessão de fracassos. Sempre que houve um crescimento aparente, foi seguido por uma queda real. Cada vez mais na escuridão a mente humana parece decidida a mergulhar em suas lutas buscando uma falsa luz. Quando os homens se tornam tolos, eles têm dançado em um delírio de pecado. Quando eles têm sido sóbrios, eles se entregam a uma sabedoria de sua própria imaginação, que tem revelado sua loucura mais do que nunca. É uma triste história, a história da humanidade! Leia-a à luz da Palavra de Deus e isto trará lágrimas ao seu coração.

A única esperança para o homem era a de que Deus se interpusesse. E Ele tem se interposto, assim Ele tem começado uma nova criação, ou trabalhado uma ressurreição a partir do reino

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da morte. Deus veio à história humana e aqui as luzes começam a brilhar. Onde Deus está trabalhando com a Graça Divina, o pecado abundante é vencido, a esperança começa e o bem torna-se perceptível. Este estado melhor é sempre marcadamente o efeito de uma ruptura no curso natural das coisas, um produto sobrenatural que nunca teria sido visto neste pobre mundo caso não tivesse se manifestado em Cristo.

Eis que Deus em Cristo Jesus lança-se no caminho. Ele então se interpõe entre as rochas que descem em avalanche esmagadora sobre nós. Ele para a avalanche em seu caminho terrível. Ele arremessa para trás a massa enorme e muda todo o aspecto da história. Na interposição da Graça Onipotente notamos que o Senhor trabalha de modo a preservar a sua própria glória. Ele cuida para que nenhuma carne se glorie perante ele.

Ele poderia ter usado o poder dos grandes, mas ele não o tem feito. Ele poderia ter instruído o homem pela própria sabedoria do homem, mas ele não o faz. Ele poderia ter declarado o seu Evangelho com a excelência da fala humana, mas Ele jamais o fez ou fará. Ele tomou para suas ferramentas não a armadura de um rei, mas a canção de um pastor. E Ele não colocou o Seu tesouro de verdade no vaso de ouro de talento, mas nos vasos de barro de mentes humildes. Ele não fez com que os homens falassem por Ele sob

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o feitiço de um gênio, mas movidos pelo Espírito Santo. O Senhor dos Exércitos irá salvar os homens, mas Ele não vai dar aos homens um centímetro de espaço para vanglória. Ele lhes concederá a salvação que deve humilhá-los na poeira e levá-los a saber que Ele é Deus e além dele não há outro.

O Senhor nosso Deus tem trabalhado de forma paralela com a sua interposição central, que é vista na cruz onde Jesus revelou a maneira de Jeová manifestar o Seu poder na fraqueza. É por isso que o apóstolo Paulo diz: "Eu determinei nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado." Ele sabia que não havia mais nada a saber. O plano da Cruz é vencer a morte pela morte, para remover o pecado. A forca com a qual Cristo morreu era o abismo de opróbrio, e no auge do sofrimento. Mas também foi o foco da Graça da interposição de Deus. Ele não foi glorificado com honra e poder, mas com vergonha e morte.

O grande autossacrifício de Deus é a grande vitória da Graça Divina. Amados, é mais doce pensar que todos os caminhos de Deus para os homens estão em harmonia com esta forma de Cruz e que a Cruz é o padrão do método constante do Senhor de realizar Seus desígnios da Graça, em fraqueza em vez de força, pelo sofrimento do que pelo esplendor da Sua majestade.

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Permitam-me acrescentar também que esta maneira que Deus tem usado, pela qual Ele salva os homens e glorifica a Si mesmo, é inteiramente adequada para a condição daqueles a quem Ele salva. Se a salvação fosse pela excelência humana eu nunca poderia ter sido salvo.

Tal Evangelho não teria sido qualquer Evangelho para nós, por isso estaria muito fora do nosso alcance. Os planos de Deus são planos viáveis, apropriados para a fraqueza de nossa raça caída. Em Cristo, Ele vem para o homem ferido onde ele está e não lhe pergunta, em sua condição caída, para vir ao caminho correto por si mesmo. A Graça não começa no meio do alfabeto do caminho, mas é o Alfa da nossa esperança.

Meu texto fala dos dons de Deus que nos são dados gratuitamente e o propósito para o qual nos são dados.

Todas as coisas de Deus são dadas gratuitamente. Todas as bênçãos da salvação são um presente. Toda a herança da Aliança é um dom. Tudo o que vem por nosso Senhor Jesus Cristo para salvar e santificar os homens é um dom. Um presente não é algo para ser comprado. Não nos é pedido, em qualquer sentido, para trazer um preço para Deus, a fim de comprar o perdão, a justificação, ou a vida eterna. Onde a noção de compra é por um instante insinuada, é apenas para mostrar mais

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claramente o quão livre é a bênção, "Vinde, comprai vinho e leite sem dinheiro e sem preço." Deus livremente dá a Sua graça, sem esperar nada em troca, mas que nós a recebamos tão livremente como Ele livremente a concede a nós.

Isto é um dom, um presente, e não um prêmio. Há prêmios (galardões) celestes a serem distribuídos, pelos quais devemos lutar e obter com a ajuda Divina. Há uma retribuição que buscamos e uma coroa pela qual devemos lutar, mas a Graça Divina que perdoa o pecado e opera por fé não é prêmio para o esforço, mas sim um presente para aqueles que não têm força. "Não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia." Jeová terá misericórdia de quem Ele tiver misericórdia, e Ele terá compaixão de quem Ele tiver compaixão, segundo o beneplácito de sua própria vontade. A salvação não é concedida aos homens, como resultado de tudo o que são, ou fazem — é dom imerecido dos Céus. Se fosse de obras, não seria de graça divina. Mas é por fé para que seja somente pela Graça Divina.

Oh crente, se o seu pecado é apagado, ele nunca pode ser escrito de novo! Deus declarou que Ele perdoou as nossas transgressões. E então Ele acrescenta: "dos seus pecados e de suas iniquidades não me lembrarei mais."

O poder de compreender a Cristo não está na nossa natureza em sua própria força e bondade.

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Nosso estado é o da morte, e a morte não pode compreender a vida. Deus, o Espírito Santo deve dar vida a nós antes que possamos subir da sepultura de nossa depravação natural e apegar-nos a Cristo, que é a nossa vida. Não é da natureza humana não regenerada ver o reino de Deus, e muito menos entrar nele. "O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus." O poder de receber as coisas de Deus não está em nossas realizações. De fato, grande talento e grande aprendizado muitas vezes perdem o caminho onde a humildade viaja com facilidade. Não se sente e diga: "Eu sou um pobre ignorante e não posso ser ensinado por Deus. Eu não posso saber essas coisas preciosas". Não é assim. Leia as palavras de Paulo no primeiro capítulo desta epístola, "Vejam a sua vocação, irmãos, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados." O poder de receber as bênçãos de Deus não está no talento, mas ele está no Espírito de Deus.

"Bem", diz alguém, "mas certamente devemos passar por um período de grande angústia e aflição para que possamos receber as coisas de Deus." Muito frequentemente os homens sofrem com um sentimento de culpa e medo de punição antes de lançar mão de Cristo. Mas eles não lançam mão de Cristo por esta experiência. O homem ferido não é restaurado por suas dores, o homem faminto não é alimentado por sua fome. O poder de prendê-lo a Cristo é um

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poder espiritual, que deve ser dado de cima. Ele não está escondido no nosso interior, mas é implantado pelo Senhor de fora para dentro.

O poder receptivo não é concedido pela emoção humana, nem pelo poder de oratória do pregador, a quem o homem ouve. Você vai crer em Jesus Cristo, quando o Espírito Santo levá-lo a vê-lo como seu Salvador e digno de sua confiança. Você nunca vai crer nele, se você estiver olhando para si mesmo para ter o poder de acreditar, senão pela própria Verdade e pelo Espírito Santo que pode tornar a Verdade clara para você e operar em você para querer e fazer segundo a boa vontade de Deus.

Venham, então, queridos corações, que se sentem tão frios e mortos e tão sem força que vocês não podem fazer nada – lembrem confiantemente que o Espírito Santo pode capacitá-los para receberem todos os dons de Deus.

Você está procurando a salvação? Mantenha-se afastado do espírito do mundo, tanto quanto possível. Lembre-se que o mundo religioso é mais perigoso, de longe, que o mundo sensual. Ele veste a pele de cordeiro, mas tem toda a ferocidade do lobo. Você não pode esperar que o Espírito de Deus possa abençoá-lo se rendendo ao espírito do mundo. Não se meta com o que é duvidoso. Há obras de ficção hoje em dia em abundância, cuja tendência está poluindo — o

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mundo está encharcado com elas. Evite-as como se fosse um banho de ácido.

Se você quiser encontrar a vida eterna, vá para onde o Espírito de Deus opera — examine as Escrituras e ouça a Verdade de Deus através da qual o Espírito de Deus opera normalmente. E associe-se com aqueles em quem o Espírito de Deus habita. Ouça a pregação que vem de Deus, porque somente ela vai levá-lo a Ele.

Se você ainda deseja saber mais sobre a preciosidade infinita dos dons de Deus, isto é uma ambição sábia. E vai ser plena e livremente satisfeita pelo Espírito Santo. Recorra a Ele, pois é o grande Mestre. Não há professor como Ele. Seu conhecimento supera todos os outros, pois conhece a mente de Deus. Nenhum homem pode comunicar-lhe o que ele não sabe e ninguém conhece a mente de Deus, senão o Espírito de Deus. O Espírito Santo conhece o infinito e o insondável. E, portanto, Ele é capaz de ensinar o que você não pode aprender em outro lugar. A mente e o significado de Deus em todo o dom da graça, o Espírito pode revelar a você. O Espírito Santo fala à alma e escreve as linhas de verdade nas tábuas de carne do coração, de modo que elas nunca podem ser apagadas.

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9 — A Dispensação do Espírito Santo

Esta nova dispensação do Espírito (da graça) é imutável.

Ele tem sido designado como um Consolador eterno que estará para sempre com os cristãos.

O próprio Senhor Jesus declarou isto expressamente na primeira promessa que Ele fez de enviar o Consolador:

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;" (João 14.16).

É nesta promessa que consiste a permanência do Espírito para sempre com a Igreja.

E Jesus fez esta promessa para afiançar a fé e a consolação da Igreja em todas as épocas, nas oposições que os cristãos terão que enfrentar na sua luta contra a carne, Satanás e o mundo.

Como Jesus havia sido o Consolador visível dos discípulos durante o tempo do Seu ministério terreno, e estaria partindo agora para o céu para a restauração de todas as coisas, eles poderiam temer que este outro Consolador que foi prometido poderia também permanecer somente um período com eles, de maneira que ficariam sujeitos a uma nova perda e tristeza.

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Então nosso Senhor Jesus Cristo lhes garantiu que este outro Consolador continuaria para sempre com eles até o fim das suas vidas, trabalho e ministério, como também estaria atuando com a igreja até a consumação dos séculos.

E isto porque Ele estava sendo prometido agora numa aliança eterna e inalterável. E Ele não deixará jamais a Igreja de modo que a aliança eterna de Deus não possa ser abolida.

"Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o Senhor: o meu Espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o Senhor, desde agora e para todo o sempre." (Isa 59.21).

Entretanto, a par desta grande verdade, sempre há um número considerável de cristãos que vivem a maior parte das suas vidas em dificuldades e desconsolação, não tendo qualquer experiência da presença do Espírito Santo como um Consolador.

Mas esta objeção não tem força para enfraquecer a nossa fé quanto à realização desta promessa por maiores que sejam as desconsolações que possam suceder à Igreja de

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todas as épocas, porque nada pode anular a promessa do derramamento do Consolador.

O cumprimento da promessa de Cristo não depende da nossa experiência, porque a consolação do Espírito não é para incrédulos.

A menos que nós entendamos a natureza das consolações espirituais corretamente, e as avaliemos de modo satisfatório, nós não poderemos desfrutá-las, ou então não estaremos delas conscientes, ainda que estejam operando em nosso favor.

Muitos quando se encontram debaixo das suas dificuldades supõem que não haja qualquer conforto a não ser o que seja decorrente da remoção destas dificuldades.

Eles não conhecem o conforto e alivio das tristezas sem que seja removida a sua causa.

Tais pessoas nunca podem receber a consolação do Espírito Santo ou qualquer experiência espiritual de refrigério.

É sendo fervorosos na oração pela presença do Espírito conosco, e buscando todos os nossos confortos dEle, considerando estas consolações acima de quaisquer prazeres terrenos, aguardando pela manifestação da Sua graça, que se recebe a consolação do Espírito.

Todo cristão pode se exercitar nisto, em busca da consolação do Espírito porque Ele foi

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prometido por Cristo para também operar este ofício em favor dos cristãos, e somente deles, porque Jesus também afirmou quando fez a promessa do Consolador que o mundo não poderia tê-lo como um Consolador, senão somente aqueles que O amam e guardam a Sua Palavra (João 14.16,17, 26; 15.26; 17.7,8).

O mundo pode ser o alvo de outras operações do Espírito para a convicção de pecados e conversão, e é disto que decorrerá posteriormente as consolações do Espírito.

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10 — A Graça Opera Pela Obediência

Por natureza não temos nenhum poder em nós mesmos para viver a vida do céu, fazendo o que é espiritualmente bom, ou qualquer outro dever relativo à santidade evangélica.

É em Cristo que somos tornados fortes, mas esta força não é propriamente nossa, mas dEle.

Nós recebemos esta força divina na nossa conversão, a qual é a essência da santidade que há na nova natureza, recebida do céu e do Espírito Santo.

Mas esta força não pode se manifestar se o velho homem (nossa natureza terrena pecaminosa) estiver fortalecido, por deixarmos que opere livremente em nós a força do pecado.

Jesus obteve uma perfeita liberdade do pecado para os que n’Ele creem.

Contudo, se não forem constantes em todos os deveres de obediência, nenhum deles será fácil de ser cumprido porque a graça requer diligência para que possamos ser fortalecidos por Deus.

E é pela repetição sistemática em obediências sucessivas que seremos conduzidos à formação deste hábito que é essencial à santificação da vida.

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Porque onde não houver a busca de obediência voluntária e por amor, à vontade de Deus, expressada na Sua Palavra revelada na Bíblia, não haverá também qualquer graça operando, tanto para nos conduzir e capacitar à obediência requerida, quanto para transformar as nossas vidas, e nos dar um viver abençoado e vitorioso.

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11 — A Graça Supera a Aflição

“Agora, por um pouco de tempo, sendo necessário, sois afligidos através de várias tentações”. (1Pedro 1.6)

Especialmente para os cristãos sinceros, este um tempo de aflições como nenhum outro, porque nunca se viu, em toda a história da humanidade, iniquidades tão multiplicadas como as presentes, tanto em intensidade quanto em variedade de formas.

Todavia, os cristão de agora não são menos assistidos pela graça de Jesus, do que os dos dias do apóstolo Pedro, aos quais, mesmo sendo afligidos por várias provações, receberam do apóstolo o seguinte testemunho:

“Vós que sois guardados pelo poder de Deus através da fé para a salvação”. (I Pe 1.5)

“a prova de sua fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece”. (I Pe 1.7)

Assim, ao mesmo tempo, que estavam “em aflição”, estavam de posse de uma fé viva.

A aflição não lhes destruiu a fé, e nem a paz.

Eles se “regozijavam na esperança da glória de Deus”, porque estavam cheios de alegria no Espírito Santo.

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No meio de sua aflição, ainda igualmente desfrutavam do ardor do amor de Deus, que fora derramado em seus corações.

Embora fossem afligidos, ainda eram santos; conservavam o mesmo poder sobre o pecado.

Eram ainda “guardados” do pecado “pelo poder de Deus”; eram “filhos obedientes, não conformados com seus primitivos desejos”, mas, “como Aquele que os chamou é santo”, assim eles eram “santos em todo o seu procedimento”.

Assim é que, em conjunto, sua aflição é bem consistente com a fé, com a esperança, com o amor de Deus e do homem, com a paz de Deus, com a alegria no Espírito Santo, com a santidade interior e exterior.

A aflição de modo nenhum enfraquece e muito menos destrói qualquer parte da obra de Deus no coração.

Ela de modo nenhum entra em conflito com a “santificação do Espírito”, que é a raiz de toda a verdadeira obediência, nem com a felicidade, que deve necessariamente resultar da graça e da paz que reinam no coração.

Então, ainda que sejam multiplicadas as iniquidades e aflições, a graça é muito mais multiplicada por Deus no coração do cristão, para superá-las no amor de Jesus.

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12 — Cobre como as Águas do Dilúvio

Lemos em Judas 24: “Ora, aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória,”.

Deus é poderoso para guardar o cristão de tropeços e conduzi-lo em segurança à Sua glória eterna.

É isto que o texto de Judas afirma.

O fato de a graça ter superabundado onde abundou o pecado é a verdade por meio da qual somos salvos.

Porque mesmo depois de convertidos, ainda estamos sujeitos ao pecado, e se não houvesse uma graça superabundante para cobrir os nossos pecados, nenhum de nós poderia ser salvo.

Isto é como as águas do dilúvio nos dias de Noé que cobriram todos os montes.

A graça cobre nossas montanhas de pecados, que pode não ser aos nossos olhos, mas aos olhos de Deus são verdadeiras montanhas, porque Ele considera pecado o que fazemos e o que deixamos de fazer, seja grande ou pequeno, e mais do que isso leva em conta a intenção do nosso coração, nossos pensamentos, imaginação etc.

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O cristão, por mais consagrado que seja, aos olhos de Deus está cheio de pecados.

Mas, de onde lhe vem a santidade em que vive, a paz que sente no seu coração, a alegria em sua alma, senão da graça de Jesus, que o purifica de tudo o que desagrada a Deus.

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13 — A Graça não Condena

Deus não está condenando qualquer pessoa na presente dispensação da graça, conforme afirmação de Jesus de que não veio condenar, mas salvar.

A natureza de Deus é longânima, perdoadora, misericordiosa, amorosa, e por isso uma das características do amor destacada em I Cor 13.5 é que ele não é facilmente provocado, ou seja, ele não se exaspera.

Deus se ira contra o pecado, mas não tem qualquer prazer na morte dos ímpios, ou seja, de todos aqueles que não Lhe amam e aos Seus mandamentos.

A ira pode ser definida como uma oposição séria e violenta de espírito contra qualquer mal, real ou suposto, ou devido a qualquer falta ou ofensa, porque isto está contra a natureza do amor.

Nós somos chamados por Cristo a desejar o bem e a orar para o bem de todos, até mesmo de nossos inimigos, e até daqueles que zombam de nós e nos perseguem (Mat 5:44); e a regra dada pelo apóstolo é: “Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis.” (Rom 12.14), quer dizer, nós devemos desejar o bem e orar para o bem de todos, e em nenhum caso desejar o mal.

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Porque como imitadores de Deus, na busca da sua imagem e semelhança, é justamente o que devemos fazer, porque isto é parte da essência divina.

Dizemos que é um dever porque o evangelho veio trazer a restauração em nós, da imagem e semelhança, não com Adão, antes da queda no pecado, mas a do próprio Cristo, conforme se afirma amplamente na Bíblia.

E o que temos em Cristo, quanto ao trato com as imperfeições que há na humanidade? Graça, amor, bondade, misericórdia, perdão, reconciliação, e justiça (a sua justiça que nos justifica).

Os próprios juízos divinos na presente dispensação, têm em vista contribuir para a continuidade da referida restauração, e são corretivos e decorrentes da rejeição obstinada da graça que nos está sendo oferecida.

As obras más ou boas de todas as pessoas serão somente passadas em revista no grande dia do Juízo Final.

Por isso toda vingança é proibida por Deus, já que Ele afirma que toda a vingança lhe pertence.

A regra é: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo: Eu sou o Senhor.” (Lev 19.18); e o apóstolo diz: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a

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vingança; eu retribuirei, diz o Senhor.” (Rom 12.19), de forma que toda a ira que contém um desejo de vingança, é contrária ao cristianismo e proibida por Deus.

Disto Cristo falou em Mat 5.22: “Eu, porém vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento;”.

Se uma pessoa se permitir ficar muito tempo irada com uma outra, logo esta ira se transformará em ódio.

E assim nós achamos que na verdade acontece com aqueles que retêm um rancor nos seus corações contra outros, durante semana depois de semana, e mês depois de mês, e ano depois de ano.

Eles virão no fim, a odiar verdadeiramente as pessoas contra as quais se deixaram irar assim deste modo.

E este é um pecado mais terrível à vista de Deus.

Então, não é de se admirar que esta seja a principal estratégia do diabo para nos afastar de Deus, e para nos manter sob julgamentos em nossas almas, e ainda a ficarmos à mercê de sermos oprimidos por ele.

Assim, toda vigilância e sabedoria é ainda pouco para ter um coração manso, sofredor, paciente, perdoador.

E mais do que isto, necessitamos do derramar abundante do amor de Deus nos nossos

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corações que é operado sobrenaturalmente pelo Espírito Santo.

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14 — O Modo de Concessão da Graça

Nenhum crente pode de si mesmo exercer o princípio, ou poder, de uma vida espiritual, em qualquer instância, interna ou externa, em relação a Deus ou aos homens, de modo que isto deve ser um ato de santidade procedente do Espírito Santo.

O crente não pode fazê-lo de si mesmo, em virtude de qualquer poder habitualmente inerente a ele. Não é comunicada a nós neste mundo qualquer capacidade espiritual que seja independente da ação direta do Espírito Santo; porque é ele o gerador de todos os atos santos de nossas mentes, vontades e afetos, na execução dos deveres espirituais.

Acrescente-se que necessitamos de graças renovadas pelo Espírito, todos os dias, ou seja, não recebemos uma provisão de poder para ser estocada. A graça é concedida pelo Espírito à medida que se faz necessária e no tempo apropriado da sua necessidade.

É aplicado em nossa vida espiritual, quanto à concessão da graça, o mesmo princípio que regula a providência divina em nossas necessidades naturais.

Como ramos da Videira Verdadeira necessitamos receber a seiva (graça) vivificadora diretamente da raiz, que é Cristo.

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Assim, recebemos a graça, e não somos nós, de maneira alguma, quem a produz e distribui.

Daí dizer o apóstolo:

“E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus,” (2 Cor 3.4,5).

De si mesmo, o crente nada pode realizar porque toda santidade ou qualquer coisa espiritualmente boa é sempre efeito da graça e é operado em nós pelo Espírito Santo que é o autor de todas as operações divinas.

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15 — A Graça Está Sujeita a Decadências

“Apo 2:25 — tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha.”

“Apo 3:11 — Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.”

“Gál 5:4 — De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes.”

Estas passagens bíblicas, entre outras de igual teor, apontam para o fato de que a graça está sujeita a decadências.

Se não nos exercitarmos espiritualmente todos os dias, e se nos tornamos negligentes no uso dos meios destinados a fortalecer a graça (oração, vigilância, meditação e prática da Palavra, comunhão dos santos etc), podemos ter como certo de que seremos achados enfraquecidos na fé, sofremos perdas em nossa santificação e comunhão com Deus.

Daí a advertência apostólica:

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“Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.” (I Cor 10.12)

Ele diz: o “que pensa”, porque é possível pensarmos que estamos fortificados na graça do Senhor, quando na verdade podemos estar enfraquecidos.

Todavia, caso estejamos fortificados nesta graça em que estamos firmes por causa da obra de Jesus em nosso favor, é importante prestarmos a devida consideração à referida advertência, porque é possível a qualquer santo que venha a ficar enfraquecido na graça, por falta de diligência espiritual, e cair da comunhão com o Senhor, ainda que não para uma queda final, que signifique a perda da sua salvação.

A coroa que podemos perder citada por nosso Senhor em Apo 3.11 refere-se ao galardão futuro, e para que tal não suceda devemos guardá-la por não permitir que o fascínio do mundo, as tentações de Satanás, um viver segundo a carne, a furtem de nós.

Decadências na graça são comuns na vida da maioria dos crentes, em uns são mais graves e constantes do que em outros, todavia, importa que sempre nos levantemos no caminho estreito em que nos encontramos pela fé, toda

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vez que nele cairmos, de modo que retomemos a nossa caminhada e nos fortifiquemos na graça que está em Jesus Cristo, de modo a permanecermos e perseverarmos na nossa jornada neste caminho estreito que nos conduz a uma mais íntima comunhão e conhecimento do Senhor, e por fim ao céu.

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16 — A Graça Nunca Desconsidera o Viver Pecaminoso

A profecia de Isaías é considerada evangélica porque fala do Messias se manifestaria ao mundo para salvar os pecadores.

O evangelho é portanto uma boa nova relativa à salvação, mas não encobre o pecado do homem, e não deixa de apontar para o juízo eterno de Deus sobre o pecado, e a necessidade de fé e arrependimento para o perdão dos pecados e a consequente reconciliação com Deus.

Não é sem razão que o livro de Isaías seja muito citado no Novo Testamento, porque, como dissemos, o seu caráter é totalmente evangélico, porque foi para esta missão de falar do evangelho que Isaías foi chamado por Deus.

Então o enfoque na profecia de Isaías está na obra operada pela graça e pelo poder de Deus, e não pelo mero esforço pessoal do homem.

A graça evangélica que seria manifestada está sempre associada à fé e ao arrependimento, e a um caminhar condigno com a santidade de Deus.

Os fariseus não podiam entender esta mensagem, porque estavam endurecidos, mas os apóstolos a entenderam perfeitamente porque a viram encarnada na pessoa de Cristo.

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Então é por isso que não vemos nenhuma das epistolas escritas pelos apóstolos desobrigando os crentes de um viver santo e piedoso, sob a alegação de não estarem mais debaixo da Lei e sim da graça do evangelho; porque sabiam que a graça é do remanescente fiel, é dos eleitos, é daqueles que amam a vontade de Deus, é daqueles que detestam o pecado e que amam a santidade.

Foi pra salvar estes que viriam a se arrepender o pecado que Cristo se manifestou. Ele morreu por todos os pecadores, mas apenas aqueles que creem e se arrependem podem ser beneficiados pela Sua morte e desfrutar das bênçãos prometidas por Deus para o Seu povo.

No capítulo 29 de Isaías, Jerusalém é chamada pelo codinome de Ariel. E o capítulo é introduzido pela expressão interjetiva “Ah!” como um suspiro, porque é relativa à cidade onde Davi acampou, isto é, onde ele estabeleceu a sua casa, porque Jerusalém era chamada de a cidade de Davi.

Mas eles não andaram nos caminhos de Davi. Não imitaram a sua devoção e piedade.

Então é proferido o que o Senhor lhe faria:

“Então porei Ariel em aperto, e haverá pranto e lamentação; e ela será para mim como Ariel.” (v. 2).

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São proferidas as assolações que lhes sobreviriam da parte de Babilônia, que a sitiaria e a abateria (v.3,4), e eles se sentiriam como mortos que descem ao pó.

Muitos inimigos prevaleceriam contra Judá, porque os babilônios viriam coligados a outros povos contra Judá, como por exemplo os moabitas e amonitas (v. 5).

E como todos os juízos do Senhor, isto viria repentinamente, como o ladrão, tal como nos dias de Noé, em Sodoma e Gomorra, e como também será no tempo do fim, conforme Jesus afirmou.

Deus está esperando bons frutos de árvores más.

Antes, é dito na profecia que estas árvores más serão cortadas.

Deus deixa entregues a si mesmos aqueles que amam as trevas e não a luz. Aqueles que amam a mentira e não dão ouvidos à verdade. Ele deixa os que resistem continuamente à Sua vontade, entregues ao próprio endurecimento deles. Ele não lhes concede graça para que achem arrependimento. E nem toca a trombeta de alerta para eles para que despertem do sono de morte em que se encontram, como vemos afirmado nos versos 10 a 12 de Isaías 29:

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“10 Porque o Senhor derramou sobre vós um espírito de profundo sono, e fechou os vossos olhos, os profetas; e vendou as vossas cabeças, os videntes.

11 Pelo que toda visão vos é como as palavras dum livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Ora lê isto; e ele responde: Não posso, porque está selado.

12 Ou dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo: Ora lê isto; e ele responde: Não sei ler.”

Eles eram religiosos só de aparência. Eram falsos piedosos em suas obras externas, mas não tinham o poder da piedade operando pela graça em seus corações. Então a devoção deles não era em espírito e em verdade, mas uma adoração falsa. Como se costuma dizer: da boca para fora, mas não de fato e de verdade. Então se afirma o que lemos no verso 13:

“Por isso o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas tem afastado para longe de mim o seu coração, e o seu temor para comigo consiste em mandamentos de homens, aprendidos de cor;”.

Com isso o Senhor prometeu que faria, portanto, uma obra maravilhosa com aquele

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povo hipócrita, com aqueles judeus que eram apenas no nome, mas não no coração, que consistiria em maravilhas e sinais externos, mas em fazer com que a sabedoria dos seus sábios perecesse diante da glória sobre-excelente do evangelho.

O entendimento dos entendidos a seus próprios olhos nos assuntos da religião ficaria obscurecido pela grande luz do evangelho, porque pelo Espírito Santo derramado no coração dos crentes, eles discerniriam que a doutrina dos líderes de Israel não passava de fumaça e de mandamentos de homens (v. 14).

Deus é onisciente e tudo sabe e conhece, inclusive as intenções dos corações. Mas os que não têm o Seu temor não conseguem ver esta verdade, e vivem enganando e sendo enganados, pensando que o Senhor não leva tal procedimento em consideração (v. 15). Não sabem que há um “Ai!” proferido contra eles, porque serão afligidos no dia do juízo.

Eles não conseguem enxergar que Deus é o oleiro e não o barro. Ao contrário, agem como se fossem oleiros, pensando que podem manipular o Senhor em suas obras e ações, e por isso rejeitam o Seu governo e disciplina em suas vidas (v. 16).

Assim, enquanto os sábios e entendidos, que pensavam enxergar e conhecer completamente a Deus e a Sua vontade, permaneceriam cegos e endurecidos pelo Senhor, Ele daria vista

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espiritual aos que se reconheciam cegos, isto é, ignorantes da Sua pessoa e vontade, e daria que aqueles que nunca ouviram ou não podiam entender a Sua Palavra, pudessem ouvi-la e compreendê-la (v. 17, 18).

Deus não se revelaria portanto aos sábios e entendidos a seus próprios olhos, mas aos pequeninos, a saber, aos mansos (submissos), aos pobres de espírito, e por isso se afirma que são estes os que são bem-aventurados porque são aqueles a quem Deus se dará a conhecer, como também a Sua vontade.

Deste modo, estes pequeninos que se converteriam ao evangelho não se alegrariam e não gloriariam em si mesmos e no seu conhecimento, mas unicamente no Senhor (v. 19).

Enquanto isto, os opressores, os arrogantes, seriam reduzidos a nada, e todos os escarnecedores da verdade e todos os que se dão à iniquidade, seriam desarraigados, porque não serão eles que herdarão a terra, senão somente aqueles que se deixam instruir por Deus, porque são mansos e pobres de espírito (v. 20).

Estes que são desarraigados têm alguns dos seus pecados descritos no verso 21:

“os que fazem por culpado o homem numa causa, os que armam laços ao que repreende na porta, e os que por um nada desviam o justo.”

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Os versos 22 a 24 descrevem de modo muito claro a grande verdade evangélica que somente quem é espiritual pode discernir as coisas espirituais, e tudo discernir sem ser por ninguém discernido.

Então Deus fala pelo profeta nestes versículos que esta mensagem ficará selada para o entendimento dos israelitas, e assim eles não poderiam ficar envergonhados da glória vazia da devoção deles, pensando que fosse algo muito elevado, quando na verdade era uma adoração de lábios de corações afastados do Senhor. Mas isto, como se diz no verso 23 só poderia ser discernido quando o Senhor fizesse a obra das Suas mãos no meio de Israel através de Jesus Cristo, então santificariam o Santo de Jacó e temeriam ao Deus de Israel, porque veriam que o Seu reino não consiste em palavras, mas em demonstração do Espírito Santo e de poder, o que seria manifestado pelo evangelho.

E tão abundante seria o derramar da graça, que os errados de espírito viriam a ter entendimento, e os murmuradores deixariam a murmuração para aprenderem a instrução do Senhor (v. 24).

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17 — Deixar que a Graça nos Conduza

“Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito,” (Hebreus 6.1)

Este “deixemo-nos levar para o que é perfeito” se refere à vocação de Deus para todos os cristãos de crescerem na graça e no conhecimento de Jesus Cristo, até a estatura de varão perfeito.

Não que eles chegarão ao estado de perfeição moral absoluta sem qualquer pecado enquanto estiverem neste mundo, mas que devem chegar à perfeição espiritual, à plenitude do desenvolvimento das suas faculdades, para poderem discernir tanto o bem quanto o mal, o que é possível somente para aqueles que chegarem à plenitude do seu amadurecimento espiritual, de maneira a estarem aptos a darem um correto e adequado testemunho da verdade, no poder do Espírito (Pv 4.18; I Cor 2.6; II Cor 13.11; Ef 4.13; Fp 3.15; Col 1.28; 2.6; 4.12; II Tim 3.16,17; Hb 5.12-14; Tg 1.4).

Esta perfeição é atingida se aperfeiçoando a santidade no crescimento da graça e do conhecimento de Jesus Cristo (II Cor 7.1; Ef 4.12; Hb 13.21; I Pe 5.10).

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Do mesmo modo que há uma perfeição a ser esperada no porvir que é total e absoluta, sem qualquer pecado, há também uma perfeição que é para ser buscada e atingida enquanto ainda estamos neste mundo e que se refere ao nosso amadurecimento espiritual pelo crescimento progressivo em santificação até atingir tal medida de perfeição que foi proposta por Deus aos cristãos, e conforme foi exigida ao próprio Abraão: “Anda na minha presença e sê perfeito.” (Gên 17.1).

O cristão deve ser confirmado por Deus, depois de ter sido aperfeiçoado na fé, no amor e na esperança, pela renovação de sua mente e caráter, através do processo da santificação. Somente assim, poderá se achar fortificado e fundamentado (I Pe 5.10).

Assim, o “deixemo-nos levar” do texto significa permitir e cooperar voluntariamente com trabalho da graça na nossa vida, especialmente pela paciência nas tribulações e aflições.

Sabendo que tudo coopera juntamente para o seu bem o cristão perseverante na fé e na santificação há de experimentar graus cada vez maiores desta perfeição relativa ao seu amadurecimento espiritual, conforme lhes serão concedidos por Deus.

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18 — A Graça se Manifesta na Nossa Fraqueza

“12 Irmãos, rogo-vos que sejais como eu, porque também eu sou como vós; nenhum mal me fizestes.

13 E vós sabeis que primeiro vos anunciei o evangelho estando em fraqueza da carne;

14 E não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne, antes me recebestes como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo.

15 Qual é, logo, a vossa bem-aventurança? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos, e mos daríeis.

16 Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade?” (Gál 4.12-16).

Paulo roga humildemente aos crentes da Galácia como um pai que insta com seu filho perdido a voltar ao mesmo bom caminho em que andava antes da sua perdição.

Ele havia desabafado no verso 11 dizendo que estava perplexo com o que eles haviam feito, e receava então que estivesse trabalhando em vão em relação a eles.

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Mas como que lembrando imediatamente da condição deles de terem sido feitos filhos de Deus, tal como ele havia sido feito também, ele desce ao nível deles, não no que se refere ao pecado, mas da miséria deles, e por um momento também se sente miserável com eles, ante a impotência de poder fazer por si mesmo algo em relação a eles, de modo que todo o seu trabalho e cuidado não se tornasse infrutífero.

E assim lhes fez recordar quão grande era o afeto que eles tinham por ele quando lhes pregou o evangelho pela primeira vez, e como lhe haviam tratado tão bem, mesmo diante da sua fraqueza na ocasião, provavelmente em razão de alguma possível enfermidade, pois lhes disse que estavam dispostos até mesmo, se possível fora, a arrancarem os seus próprios olhos para lhos darem.

Ou isto foi o resultado de ferimentos produzidos pelo apedrejamento que ele havia sofrido dos judaizantes naquela região. O livro de Atos conta detalhes do que ocorreu ao apóstolo quando pregava o evangelho nas cidades da Galácia (Perge, Derbe, Listra, Antioquia da Psídia e Icônio).

Aquela fraqueza quanto à sua incapacidade e impotência pessoais, serviram aos propósitos de Deus, porque o poder de Cristo, e a Sua graça, se aperfeiçoam na nossa fraqueza. De modo que quando somos fracos então é que somos fortes, porque trocamos a nossa incapacidade pelo

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poder do Espírito Santo, que nos assiste nas nossas fraquezas.

Deste modo, Paulo introduz esta seção da epístola chamando a todos os crentes gálatas de irmãos.

Ele quer demonstrar que apesar de apóstolo de Cristo ele não se envergonha de chamá-los de irmãos, desde o maior até o menor deles, assim como o nosso Salvador também não se envergonha de nos chamar de irmãos, apesar de ser o nosso Senhor.

No amor cristão as diferenças se dissolvem.

Assim como Cristo se rebaixou deixando a glória dos céus, por amor, também devemos nos humilhar para que possamos ser úteis àqueles que se encontram em necessidade espiritual, que é comum a todos nós.

Não devemos lhes falar do alto da nossa autoridade e importância (que na verdade nem é nossa, caso a tenhamos, mas de Cristo), porque esmagaríamos a cana quebrada e apagaríamos o pavio fumegante, e certamente não é este o ministério do Senhor Jesus neste mundo, porque tem se compadecido das nossas misérias espirituais.

E quando o próprio Paulo havia pregado o evangelho em fraqueza, os gálatas superaram por causa do seu amor a ele, a tentação que foi para eles vê-lo naquela fraqueza.

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Eles não o desconsideraram e nem o desprezaram como possivelmente estavam fazendo agora, por causa dos argumentos dos judaizantes, porque procuravam por todos os meios desqualificar e rebaixar o apóstolo diante dos seus olhos, afirmando que se fosse verdadeiro ministro de Cristo não estaria sujeito a tantas tribulações, fraquezas e perseguições.

Os falsos apóstolos se gloriavam das suas honrarias, das suas posses e conquistas terrenas, alegando que eram bênçãos de Deus por observarem a Lei de Moisés.

E agora os gálatas não haviam conseguido vencer a tentação de considerar Paulo alguém que não era bem sucedido segundo os padrões do mundo.

Ele rogou que eles voltassem a ser como foram no princípio. Que não julgassem segundo a aparência, e que não interpretassem as tribulações como prova de um possível desfavor de Deus.

A grande preocupação do apóstolo não era com a questão de receber a honra que lhe era devida, mas com a própria condição espiritual dos crentes gálatas que estavam se desviando da simplicidade que é devida a Cristo, e sem a qual não é possível termos comunhão uns com os outros.

Paulo fecha esta seção da epístola afirmando que o que estava dizendo quanto à reprovação

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do que eles estavam fazendo agora, que ela não era movida por nenhum ressentimento pessoal, ou por inimizade, ao contrário, eram palavras de um autêntico amigo, porque eram a pura expressão da verdade. O amor folga com a verdade.

O amor não recorre à mentira. Que então os gálatas aprendessem a julgar segundo a reta justiça conforme convém a todo filho de Deus.

Um verdadeiro amigo prevenirá o seu irmão que estiver errando, e se o irmão errado tiver algum senso ele agradecerá ao seu amigo.

O apóstolo queria que os gálatas soubessem por que ele lhes tinha falado a verdade, para o próprio bem deles, e que não pensassem que ele os repugnava. Ele lhes falou a verdade porque os amava.

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19 — “Porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Cor 12:9)

Texto de Charles Haddon Spurgeon, traduzido pelo Pr Silvio Dutra.

Servir a Deus com um razoável nível de sucesso e realizar bem a Sua obra exige que tenhamos como pré-requisito básico a constatação de nossa própria fraqueza. Quando um guerreiro do Senhor marcha para a batalha contando com sua própria força, quando ele se vangloria dizendo “Eu sei que vencerei, meu próprio braço direito e minha espada conquistadora me levarão à vitória,” podemos contar que a derrota não está distante. Deus não acompanhará aquele homem que marcha confiante em sua própria força. Aquele que acreditou na vitória creu na coisa errada, pois “Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.”

Aqueles que vão adiante na batalha, vangloriando-se de suas proezas, retornarão com suas bandeiras coloridas arrastando na poeira e seu exército manchado pela desgraça. Aqueles que servem à Deus devem segui-lo à Sua própria maneira e devem apoiar-se totalmente em Sua força, ou Ele nunca aceitará

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o serviço. Deus não pode ser o Senhor do homem que age sem o auxílio da força divina.

Os meros frutos da terra serão lançados fora; ele apenas colherá aquele milho cuja semente foi semeada do céu, regada pela graça e amadurecida pelo sol do amor divino. Deus os esvaziará completamente antes de derramar-Se sobre vocês; Ele primeiro limpará seus celeiros antes de preenchê-los com o Seu melhor trigo. O rio de Deus é cheio de água, mas nenhuma gota desse rio verte de nascentes terrenas.

Deus não utiliza nenhuma força em Suas batalhas senão aquelas que partem Dele próprio.

Vocês estão enlutados por sua fraqueza?

Tenham coragem, pois é necessário que tenham consciência da própria fraqueza antes que o Senhor lhes dê a vitória. O vazio que sentem neste momento não é outra coisa que a preparação para que vocês sejam preenchidos, e sua humilhação não é senão a preparação para a sua elevação.

“Quando estou fraco é que sou forte,

A Graça é o meu escudo e Cristo é minha canção.”

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20 — A Graça Está Destinada a Vencer

Satanás arremete contra nós, procurando nos destruir, quando estamos enfraquecidos e doloridos.

Tal como Simeão e Levi deram sobre os siquemitas, quando estavam abatidos em dores, pela circuncisão (Gên 34.25).

Todavia, Cristo nos fortalece na nossa fraqueza, e habita com o quebrantado de coração (Is 61.1).

Não desprezemos portanto, o trabalho de humilhação de nossas almas, pelo qual o Senhor administra a nós a Sua graça em maior medida.

Sempre é deixado algo para que os cristãos lutem, de modo que entendamos que necessitamos de Cristo, para que possamos exalar o Seu bom perfume.

Mas ainda que possa parecer um paradoxo, são estes corações quebrados como canas, e estes pavios fumegantes que fazem as orações mais preciosas diante de Deus, por causa da dependência dos gemidos inexprimíveis do Espírito, através deles.

Quão preciosas são para o Senhor as orações que fazemos com um coração quebrantado!

Assim, ao falarmos de pavio fumegante devemos ter em conta que isto tem o propósito

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de nos lembrar que a menor fagulha da graça é preciosa.

Há uma bênção especial nesta pequena faísca.

Jesus não veio salvar justos e sãos, mas pecadores e enfermos.

Deus se agrada de que nos alegremos com os humildes começos.

Ele se agrada em usar grãos de mostarda e formar grandes arbustos a partir destas pequenas sementes.

Ele preferiu a pequena cidade de Belém Efrata, e não Jerusalém, para nos trazer o Salvador.

Ele não começou a Igreja com pessoas notáveis, poderosas, nobres, importantes e nem mesmo com um grande número de seguidores.

O Seu método é primeiro provar fidelidade no pouco, para depois conduzir ao muito.

O Seu ministério é restaurador e nos deu um exemplo disto na reconstrução dos muros e portas de Jerusalém com Neemias.

E muito mais do que muros e portas, Ele está interessado em restaurar vidas. E fará isto principalmente com paciência e amor.

Os pastores devem então, ser pessoas simples e humildes, seguindo o exemplo do Senhor deles, e exporem a verdade de maneira clara, e nunca de forma obscura.

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A verdade não teme algo tanto quanto o encobrimento, e não deseja algo tanto que seja exposta clara e abertamente à visão de todos.

Daí Jesus ter dito que tudo o que ensinou reservadamente aos discípulos deveria ser proclamado de cima dos telhados.

Paulo era profundo, no entanto se tornou como ama acariciando seus filhos (I Tes 2.7), e se fez fraco com os fracos (I Cor 9.22).

Cristo desceu do céu e se esvaziou de Sua majestade, para se oferecer a nós, como oferta suave de amor. E não desceremos de nossas elevadas vaidades para fazermos o bem a qualquer alma necessitada de salvação?

Devemos portanto, nos guardar daquele espírito que em vez de exibir paciência, longanimidade, mansidão e misericórdia aos homens, demonstra fúria, exaltação e ira obstinada, ainda que em nome de fazer prevalecer a verdade.

Devemos lembrar que não podemos fazer prevalecer a verdade agindo contra a verdade.

E devemos nos lembrar sempre que o fruto da justiça é semeado em meio à paz, sobretudo, a paz interior dos nossos corações, enquanto ministramos.

No exercício da disciplina na Igreja devemos nos acautelar para não tentar matar uma mosca na testa de alguém com um martelo. O poder

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que é dado à Igreja é para edificação e não para destruição.

O amor cobre uma multidão de transgressões. Não foi exatamente isto que Deus fez conosco ao perdoar todos os nossos pecados, quando nos salvou em Cristo?

O Espírito Santo está contente em habitar em almas fumegantes e ofensivas. Que nós pudéssemos reter algo desta mesma disposição misericordiosa!

A graça não reside em almas perfeitas neste mundo. Lembremos sempre disto.

Como nenhum cristão se encontra em estado de perfeição absoluta deste outro lado do céu, então nós temos que nos exercitar sempre em espírito de misericórdia, de perdão e mansidão.

Por isso, nunca devemos nos julgar, de acordo com os nossos sentimentos presentes, porque nas tentações nós veremos muita fumaça desprendendo de pensamentos incorretos.

Nós devemos nos precaver do falso raciocínio, porque nosso fogo não é como o dos demais, ou então por parecer que não há qualquer fogo em nós.

As portas de Jerusalém estavam queimadas, mas Deus providenciou para que fossem restauradas através de Neemias, de forma que erraram todos aqueles que pensavam que

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Jerusalém permaneceria sem portas para sempre.

Devemos lembrar que estamos na Aliança da Graça, em que nem toda medida é como fogo pleno, pois há muita faísca, que deve ser também vista como chama.

Todos os cristãos têm a mesma fé preciosa (II Pe 1.1) por meio da qual obtiveram a perfeita justiça de Cristo.

Uma mão fraca pode pegar uma joia preciosa.

Algumas uvas mostrarão que a planta é uma videira e não um espinheiro.

Uma coisa é ser deficiente na graça e outra coisa não ter qualquer graça.

Deus sabe que nós não temos nada de nós mesmos, então na aliança da graça Ele não requer nada além do que Ele dá, e que sempre nos dá o que Ele requer.

Se não pudermos trazer um cordeiro, então permitirá que tragamos duas pombas e uma rola (Lev 12.8).

O evangelho é uma moderação misericordiosa, em que a obediência de Cristo é estimada como sendo a nossa (Rom 5.19).

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21 — Boas Notícias Para Você

Por Charles Haddon Spurgeon

Antes de apresentarmos o sermão de Spurgeon intitulado ”Boas notícias para você” gostaríamos de fazer esta breve introdução para asseverar que este sermão é uma boa ilustração da verdade citada em João 1.16,17, onde lemos: João 1:16 Porque todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça.

João 1:17 Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.... porque se a Moisés foi dado uma aliança, ou seja, um pacto, onde a bênção divina estava condicionada às obras, ou seja, ao que os homens pudessem cumprir da Lei que lhes fora dada por Deus por meio de Moisés, na graça, ou seja, na nova aliança que foi feita através de Jesus Cristo, tudo é feito por pura misericórdia, e concedido por graça, exclusivamente por meio da fé.

Deus então aprovaria o pecado, ou não se importa com o fato de pecarmos?

Não. Não é isto que significa a graça imerecida, mas que enquanto Ele repudia sempre o pecado, e visita com juízos condenatórios as iniquidades de muitas pessoas, no entanto, determina usar de misericórdia e conceder Sua graça perdoadora, abençoadora e transformadora a

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outros, não por causa de alguma coisa boa neles mesmos, ou por algum bom ato praticado por eles.

Simplesmente o faz, porque decidiu amá-los de um modo distinto e eterno, e para poder estar comunhão com eles, deu-lhes o Seu filho Jesus Cristo como sacrifício substitutivo, ao ter morrido em seu lugar, e como Salvador, Senhor, Profeta, Rei, Sacerdote, Amigo e Irmão.

Jesus fez tudo o que era necessário para que a dívida de seus pecados fosse paga e para que pudessem ser aceitos por Deus como Seus filhos amados, numa aliança de graça que durará para sempre, independentemente de qualquer transgressão que eles possam vir a cometer.

Deus os corrigirá como um Pai corrige a seus filhos, mas jamais os lançara fora ou os abandonará.

Assim, apesar de Deus continuar detestando qualquer pecado que seja praticado, no entanto, Ele usa deste imenso favor imerecido, chamado graça, que nos dá, por causa de Jesus Cristo, independentemente de sermos pecadores.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!