Grávida, Eu?
16 A grande hora
Notas iniciais
Houve um grande acidente essa noite, por isso está tudo engarrafado. Já estamos há dez minutos aqui e os carros não andam, cada vez as contrações aumentam mais.
– Será que ainda vai demorar muito? — perguntei colocando a cabeça para o lado de fora da janela, não conseguia ver aonde terminava a fileira de carros – Daqui a pouco os bebês vão nascer aqui mesmo.
Já estava até imaginando as noticias no jornal de amanhã: “Mulher dá a luz a gêmeos em pleno engarrafamento”, meus filhos seriam conhecidos como os "bebês do engarrafamento", eu certamente não queria uma coisa dessa para eles.
– Fica calma Sakura! — Naruto segurou a minha mão, que já estava totalmente gelada – Nós já vamos chegar ao hospital.
– Nós não estamos nem perto do hospital – lembrei – Daqui a pouco não vai mais dar tempo.
– Deve passar alguma ambulância por aqui – disse, depois de alguns minutos, enquanto abria a porta do carro – Eu vou dar um jeito Sakura.
Ele ficou parado observando os carros parados.
– Naruto! — eu o chamei quando veio uma nova contração.
– Não precisa fica nervosa! — disse se aproximando do carro novamente – Vai dar tudo certo.
Foi nesse momento que eu vi uma luz de sirene. Pararam bem na frente de Naruto, era um carro de policia.
– Está tudo bem? — um dos policiais perguntou enquanto saía do carro.
– A minha esposa está tendo bebê – explicou calmamente – Nós precisamos chegar logo ao hospital.
– Está tudo bem com a senhora? — o homem me perguntou.
– Acho que não! — disse – Estou com muita dor.
– Não se preocupe com nada – avisou – Vamos levá-los ao hospital. É só nos seguir.
– Está bem – Naruto concordou antes de se sentar ao meu lado – Eu disse que daria um jeito.
– Obrigada! — sussurrei – Promete que não vai sair do meu lado nenhum minuto?
– Não vou sair do seu lado por nada desse mundo – passou a mão pelo meu rosto sorrindo.
– Agora vamos! — pedi – Esse bebês não vão querer esperar por muito tempo.
Os policiais abriam caminho por entre os carros parados no meio da rua e nós os seguimos. Em menos de cinco minutos chegamos à porta do hospital.
– Senhorita Haruno! Nós já estávamos a sua espera – uma das enfermeiras disse trazendo uma cadeira de rodas – Sente-se aqui.
– Muito obrigado por tudo – Naruto disse ao policial.
– Só fiz o meu dever – respondeu – E boa sorte para vocês.
Fomos entrando pela recepção do hospital até encontrarmos o médico.
– Preparem-a para cirurgia imediatamente – pediu.
Começaram a me empurrar em direção a uma sala. Vi que Naruto tentou me seguir, mas foi impedido. Será que o médico não vai deixá-lo estar comigo na sala de cirurgia?
Não demorou muito para eu estar pronta para o parto. Estava deitada em uma espécie de maca e podia ver várias pessoas passando para todos lados. O que me deixava mais nervosa.
– Aonde está o Naruto? — perguntei tentando me levantar, mas a enfermeira não deixou – Eu quero ele aqui comigo.
– Fica calma senhorita Haruno – ela disse – Logo tudo vai acabar.
– Mas eu quero o Naruto aqui comigo – tinha a impressão de que eu iria chorar a qualquer momento – Ele me prometeu isso.
– E eu estou aqui! — ele estava bem do meu lado, mas tudo que eu consegui ver foram os seus olhos azuis.
– Naruto! — eu sorri abertamente.
– Eu te disse que estaria aqui! — passou a mão pelo meu rosto – Nunca deixaria vocês na mão.
– Agora eu vou te dar uma anestesia – a mulher se aproximou de mim – Você não vai sentir nada.
– Eu não quero dormir! — disse – Eu quero ver os meus filhos.
– Não se preocupe, você não vai dormir – garantiu – É só para você não sentir dor.
– Nesse caso! — completei.
Ela aplicou a injeção. Aos poucos a dor foi passando e eu fui ficando mais relaxada.
Não demorou muito para o médico aparecer.
– E então senhorita Haruno! — disse enquanto olhava alguns aparelhos que estava a minha volta – Está pronta?
– É claro! — respondi – Mal vejo a hora de ver a cara dos meus bebês.
Ele começou a cirurgia. Naruto passou o tempo todo ao meu lado e segurando a minha mão. Não demorou muito para eu ouvir o choro do primeiro bebê, estava com vontade de chorar também.
– É o menino! — disse.
Eu queria segurá-lo. Ver o rosto do meu filho pela primeira vez, mas sabia que ainda faltava a menina, e também queria vê-la logo.
Não foram nem dois minutos de diferenças e já voltei a ouvir outro choro de bebê.
– Parabéns! — o médico disse animado – São dois bebês fortes e saudáveis.
– Eu quero segurá-los! — pedi esticando os braços.
– Eles ainda precisam fazer alguns exames – avisou – Você já vai vê-los.
– Mas eu quero agora – minha vontade era de levantar naquele momento e ir atrás dos meus bebês – Quero ver os meus filhos.
Vi que o homem foi falar alguma coisa com a enfermeira e ela foi mexer no meu soro. Quase automaticamente eu senti o sono vir e logo estava dormindo profundamente.
Eu tive um sonho muito estranho, para falar a verdade foi um pesadelo. Eu estava em um lugar totalmente preto e vi dois berços um pouco distantes, fui me aproximando e eles sumiram, então Naruto aparecia me dizendo que tudo ficaria bem e ele também sumiu logo em seguida.
Eu fui despertando aos poucos, meu namorando estava me olhando e sorrindo para mim.
– Você acordou! — ele deu um beijo no topo da minha cabeça — Como você está se sentindo?
– Ainda bem sentindo um pouco tonta! — disse – O que foi que aconteceu?
– O médico achou melhor que você dormisse um pouco! — explicou – Você estava muito agitada.
– E que horas são? — resolvi perguntar.
– Sete da manhã! — eu me espantei nesse momento.
– Não sabia que eu tinha dormido tanto! — comentei.
– Na verdade foram só algumas horas – continuou – Os bebês nasceram as duas horas da manhã.
– Os bebês! — como que eu pude me esquecer dele nem que fosse por um minuto, devo ser uma péssima mãe – Aonde eles estão? Quando eu posso vê-los?
– Fica calma Sakura – colocou a mão no meu ombro — Você não pode se estressar.
– Então me fala aonde estão os meus filhos – pedi calmamente.
– Eles estão no berçário -respondeu por fim – Precisam ficar na incubadora.
– Incubadora? – eu gelei nesse momento – Tem alguma coisa errada com eles?
– Eles são prematuros Sakura – lembrou – Eles precisam ficar na incubadora, questão de segurança.
– É verdade! — concordei com a cabeça – E será que eles vão ficar muito tempo lá?
– A pediatra passou aqui agora pouco – continuou a falar – Eles estão ótimos e reagindo bem ao ambiente. Ainda vão ter que ficar na incubadora por 24 horas, mas, mais tarde vão trazê-los aqui para você amamentá-los.
– Mal posso esperar por isso! — comentei.
– Agora tente descansar um pouco – disse – Você ainda deve estar muito cansada.
– Eu estou ótima! — garanti.
Resolvemos ligar a televisão. Aquela hora só estava passando jornal, mas é sempre bom se inteirar das notícias, eu quase não tinha tempo para isso normalmente.
Foi então que a enfermeira entrou com o meu café-da-manhã.
– Eu não estou com fome! — reclamei como se fosse uma criança.
– Mas você precisa! — Naruto disse – Se não você vai fica fraca e não vai pode amamentar os bebês.
Acabei comendo tudo. Com alguma força do meu namorado, é claro. Depois que levaram a bandeja embora, uma outra enfermeira entrou no meu quarto, dessa vez trazendo dois embrulhos, um azul e um rosa.
– A medica deixou trazê-los até aqui – avisou – Mas só vão poder ficar por uma hora.
– Não tem problema – eu disse esticando o braço para pegar meus filhos -O importante é que eles estejam aqui.
Foi então que eu os tive pela primeira vez em meus braços e pude ver os seus rostos. Ainda não dava para saber com quem eles se pareciam, pois ainda era muito pequenos, mas mesmo assim já eram lindos.
– Vou deixar vocês sozinhos – a mulher avisou – Volta na hora que tiver que buscá-los.
– Você que segurá-los? — perguntei para Naruto.
– Acho melhor não! — respondeu se afastando – Eu posso derrubá-los e machucá-los.
– Tenho certeza de que não vai acontecer – garanti.
Ele por fim os pegou. Primeiro a menina e depois o menino.
– Eles são mesmo lindos! — comentou com um sorriso bobo no rosto.
– Eu sei! — concordei.
– Precisamos escolher os nomes deles – me lembrou enquanto devolvia os bebês para os meus braços – Não podemos chamá-los de "ele" e "ela".
– Isso é verdade – parei um pouco para pensar, então, escolhi o nome perfeito para eles – O que acha de chamarmos o menino de Kizashi? Sempre achei o nome do meu pai lindo.
– Achei uma ótima ideia – passou o dedo pela cabeça do bebê – Uzumaki Kizashi Minato.
– E a menina, pensei em chamá-la de Kushina, como sua mãe – continuei – Uzumaki Kushina Mebuki.
– Os nomes ficaram lindos! — comentou.
Nesse momento os bebês começaram a chorar ao mesmo tempo. Estou começando a pensar que vai ser sempre assim.
– Acho que eles estão com fome! — comentei.
– Isso é com você – avisou rindo levemente – Vou deixar vocês três sozinhos.
Enquanto amamentava os meus filhos eu fiquei admirando eles. Ainda não acredito que eles estão ali comigo, os frutos do meu amor com o Naruto, as coisas mais importantes da minha vida.
Estava tão distraída que não percebi que os bebês pararam de sugar. Eu comecei a niná-los para que dormissem, queria aproveitar o máximo de tempo com os dois.
Nesse momento Naruto retornou ao quarto.
– Oi meu amor! — ele se aproximou e me deu um selinho -Tem duas pessoas aqui querendo te ver.
– Quem? — eu quis saber.
A porta foi aberta novamente. Dessa vez eram Karin e Hinata.
– Queríamos ter vindo mais cedo! — minha irmã falou – Mas saímos muito tarde da festa.
– Eu queria tanto ter aproveitado a festa – comentei – Como está Ino?
– Ficou perguntando toda hora como você estava – dessa vez, Karin explicou – Só conseguiu ir embora depois que o Naruto me ligou dizendo que você e os bebês estavam bem.
Foi então que as duas repararam nos gêmeos nos meus braços e começaram a admirá-los.
– Deixe-me apresentá-los – Naruto pegou o nosso filho no colo e entregou a para a irmã – Esse é Kizashi Minato – em seguida, fez o mesmo com a menina e a entregou para Hinata – E Kushina Mebuki.
As duas ficaram admirando os sobrinhos em seus braços. Não pude deixar de me emocionar.
– E essas sãos as suas madrinhas – continuou como se estivesse falando com os bebês.
– Achamos melhor deixar a Karin ser a madrinha do menino – expliquei — Por medida de segurança.
– Vocês estão me ofendendo! — fingiu-se de brava.
– Você iria querer levá-la toda hora para o Shopping – ele lembrou – A menina iria virar um viciada em compras.
– Vocês acham mesmo que isso vai me impedir de levar a minha sobrinha as compras? – garantiu.
– Não deixa isso – pedi para a minha irmã.
– Escuta Karin – Naruto começou – Quando você tiver uma filha vai poder fazer isso tudo.
– Suigetsu não vai deixar! — deu de ombros – Mas ainda tenho muito tempo para convencê-lo.
Todos começamos a rir. Então uma enfermeira entrou no quarto.
– Eu vim buscar os bebês – avisou – Eles precisam voltar para o berçário.
– Mas já! — reclamei – Não podem ficar mais um pouco?
– Eu sinto muito senhorita Haruno – avisou – Eles precisam voltar para a incubadora. Mas vou trazê-los novamente a noite.
– Está bem! — concordei por fim.
Ela retirou os meus filhos das mãos de Karin e Hinata e foi embora em seguida.
– Acho que já vamos embora também! — minha melhor amiga avisou – Você deve estar com sono.
Eu me despedi das duas e logo depois resolvi dormir mais um pouco, estava mesmo com muito sono.
Como a enfermeira havia prometido, ela levou os meus filhos mais tarde para que eu pudesse amamentá-los. No dia seguinte eles puderam ficar mais tempo, mas de tarde votaram para o berçário pois eu precisava dormir um pouco.
Acordei com alguém beijando o meu pescoço. Abri os olhos e vi Naruto sorrindo para mim.
– Você não vai acreditar quem está aqui para te visitar? — ele disse totalmente animado.
– A Karin e a Hinata de novo? — arrisquei.
– Não! — ele balançou a cabeça afirmativamente – Os meus pais, a sua mãe e o Jun'ichi.
– Sério! — me espantei – Mas quem avisou para eles?
– Pedi para as nossas irmãs avisarem para todo mundo – explicou – O seu pai está com muito trabalho e não pode sair de Konoha. O Nagato e a Konan também não puderam vir.
– Está tudo bem! — concordei.
Foi então que as nossas visitas entraram no quarto. Minha mãe e Kushina começaram a me dar vários conselhos de dicas para eu poder cuidar dos bebês, eles seriam mesmo muito úteis.
Um pouco depois, a mulher levou os gêmeos que precisavam mamar. Minha mãe e meus sogros estavam doidos para ver os netos e ficaram muito felizes em, finalmente, conhecê-los. Eles só foram embora bem tarde de lá.
Eu ainda permaneci uma semana no hospital. Mal podia esperar para ir embora daquele lugar, o que me confortava era que Naruto não saiu do meu lado por nenhum minuto (somente por meia hora, quando ele foi em casa pegar algumas coisas).
– Já está tudo pronto? — ele perguntou entrando no quarto.
– Estou quase terminando – disse enquanto colocava Kizashi no carrinho.
– Tem certeza de que não precisa de ajuda? — quis saber.
– Pode deixar – fechei a minha mala que estava em cima da cama – Pronto! — Já podemos ir para casa.
Naruto pegou as bolsas enquanto eu empurrava o carrinho de bebê. Quando chegamos ao carro, eu decidi ir no banco de trás junto com os meus filhos.
– Eu ainda não acredito que já estamos indo para casa – comentei sorrindo – Mal vejo a hora de tomar banho e dormir por umas doze horas.
– Isso se os gêmeos deixarem – ele lembrou.
– Não precisa me lembrar disso – suspirei pesadamente – Acho que não vamos mais ter sossego.
Não demoramos muito para chegarmos em casa. Assim que abrimos a porta da sala tivemos uma grande surpresa.
– Mãe! — dissemos ao mesmo tempo.
– Assim que o Naruto ligou dizendo que vocês receberiam alta hoje eu tive uma grande ideia – Kushina começou a explicar – Liguei para Mebuki e a chamei para vir aqui arrumar o apartamento antes de vocês chegarem.
– Obrigada! — as abracei – Isso foi mesmo uma grande ajuda.
Nesse momento um dos bebês começou a chorar. Não sei qual deles foi, mas não tem muita importância, pois o outro começou a chorar também logo em seguida.
– Acho que eu preciso levar esses dois lá para dentro – avisei enquanto empurrava o carrinho em direção ao corredor.
Então, eu dei banho e troquei a fralda deles, tudo isso com a ajuda de minha mãe e de Kushina. Depois eu os amamentei, os coloquei para dormir e voltei para a sala.
De noite eu deitei na cama exausta e abracei Naruto.
– Nunca pensei que ser mãe fosse dar tanto trabalho! — suspirei pesadamente enquanto escondia o meu rosto no pescoço de Naruto – No hospital eles não pareciam que dariam tanto trabalho.
– Com várias enfermeiras por perto é muito fácil – me lembrou – Agora é que vamos ter mesmo trabalho.
– Acho melhor eu dormir um pouco – avisei – Daqui a pouco eles vão acordar de novo.
Fechei os olhos e tentei descansar um pouco, embora eu soubesse que seria muito difícil. Seriam longos meses.
Fale com o autor