Gotas De Vinho
21 Busca.
Notas iniciais
Após chegarmos ao aeroporto, segui Edward por todos os lados, enquanto ele negociava preços para as duas passagens. Passagens...
Isso me lembrou uma coisa.
- Edward! — O interrompi enquanto estava falando com uma atendente.
- Sim? — Disse com educação.
- Você não vai pagar minha passagem, não é?
- Eu não deveria, amor? — Tentei não me comover com o nome pelo que me chamou e tendei ser firme.
- Não, não deveria. Eu posso pagar... — Era mentira. Eu não podia pagar. Não naquele momento, pelo menos. Eu devia ter pegado meu fundo pra universidade — agora inútil — para a viagem.
- Ah, não se preocupe com isso, Bella. — Ele disse com doçura. — Eu pago, sem problemas.
Não discuti, afinal de qualquer maneira não tinha como voltarmos para Forks — mesmo quase voando com o carro -, para pegar meu dinheiro guardado, pois o voo já estava para sair.
Depois que estava tudo resolvido para o nosso voo para Nova York, Edward foi comprar logo mais duas passagens para Londres. Quando acabou, tivemos que esperar por mais quinze minutos de pura tensão, pelo avião que ainda estava no ar.
- Acha que vamos conseguir? — Perguntei, querendo puxar conversa. Eu não gostava do silêncio, não num momento como aquele.
- Não sei. — Disse ele — Mas eu confio em Bree. Posso não ter tido muito contato com ela, mas sei que ela nos ajudaria. Assim como eu também faria com ela. Ela se tornou uma boa amiga.
Isso me deu uma pontada de ciúmes, afinal, Bree devia ser mais velha do que eu nesta vida, mais experiente. Mas passou logo depois que vi os olhos dourados de Edward afundados nos meus e puxando meu rosto para mais perto. Ele passou uma mão por trás de minha nuca e esmagou seus lábios nos meus com um pouco de fúria. Ele estava com tanto medo quanto eu.
O avião chegou — felizmente — alguns minutos adiantados, o que eu achava quase impossível por causa do mal tempo. Mas pelo menos a sorte estava a nosso favor. Entramos no avião e Edward passou praticamente toda a viagem me beijando ou tocando em meu rosto. Seu olhar era de admiração.
Quando chegamos à Nova York, nosso avião para Londres já estava pousando, então não precisamos esperar tanto para embarcar. Edward e eu estávamos como duas estátuas nas poltronas do avião, por causa da tensão. Tínhamos que nos policiar para não ficarmos parados de mais e não levantarmos nenhuma suspeita. O voo para Londres foi mais longo, e não tínhamos muito o que fazer e nem conversar. Eu apenas pensava em uma coisa: manter meu pai a salvo. Nem que eu fosse em seu lugar, afinal, eu não tinha mais uma vida tão concreta quanto a dele. Ele merecia viver e envelhecer como uma pessoa normal, enquanto eu ficaria parada nos meus 18 anos para sempre.
Agradeci por Edward não poder ler meus pensamentos enquanto refletia sobre isso. Ele iria voltar a se sentir culpado por tudo o que me fez e eu não suportaria vê-lo desse jeito. Eu havia o perdoado, e ele não precisava mais se auto torturar por isso. Essa era uma história passada e perdida.
Após horas de voo, o avião finalmente pousa em Londres e entramos em um táxi até uma empresa de aluguel de carros.
- Vamos de carro? — Perguntei confusa. — Achei que iríamos correndo.
- E vamos — Respondeu ele — Mas precisamos de algo para disfarçar, pensarem que somos apenas turistas.
- Você sempre foi assim, cuidadoso? — Ergui uma sobrancelha.
- Sim. — Sorriu.
Ele escolheu um carro não muito chamativo, mas que não deixava de ser relativamente caro. Um Mercedes Classe C AMG, prata. Entramos nele e saímos andando por Londres, não muito rápido.
- Por onde vamos começar? — Perguntei.
- Não sei. — Respondeu — Bree é muito imprevisível. Mas antes vamos parar em algum hotel, para deixar o carro e as malas. Não sei quanto tempo vamos ficar por aqui.
Chegamos em um hotel no centro de Londres e aproveitamos o quarto para trocarmos de roupa e reprogramar nosso plano. A parte de "trocar de roupa" foi estressante. Eu descobri que Alice havia trocado toda minha bagagem e posto roupas que ela mesma escolheu. Eu teria uma conversinha com ela quando voltássemos pra casa.
Saímos do hotel e deixamos o carro lá, fingindo andar apenas para passear e conhecer a cidade como um casal de jovens normal. Edward decidiu que devíamos começar em uma pequena selva que passou uma vez, onde encontrou Bree.
- Acha que ela ainda esteja por lá? — Perguntei.
- Não, mas podemos rastrear pelo cheiro ou assassinatos recentes. — Respondeu sem muita importância. Ele disse assassinatos recentes... Então se houvesse alguém por perto deste lugar que estávamos indo, que sofreu uma morte inexplicável, poderíamos ter alguma ideia do paradeiro de Bree.
Seguimos andando por estradas e ruas, sempre a passos humanos, pois sempre havia outros humanos por perto. Até que chegamos ao pé dos começos das árvores que ele me apontou como sendo a selva em que passou. Entramos por entre as árvores discretamente e quando estávamos invisíveis no meio das folhagens e galhos, saímos correndo em busca de algum cheiro ou qualquer tipo de rastro que nos levasse até Bree. Eu ainda tentava imaginar como ela podia ser...
- Para! — Edward gritou depois de quase uma hora de corrida. Ele farejou por alguns momentos e voltou a falar — É. É ela. Achei que já tivesse ido embora...
Parei de escuta-lo e comecei a farejar também. O cheiro de vampiro — fraco por causa das grandes correntes de vento, mas ainda assim fresco — se espalhava, nos levando para o norte. Voltamos a correr seguindo o cheiro, que era uma mistura de canela com margaridas.
Corremos por alguns quilômetros e chegamos perto à uma caverna. De repente o cheiro de canela e margaridas aumentou, mas não foi isso que quase me levou a loucura. Era o cheiro de sangue humano exposto que passou pelas minhas narinas e entrou como se estivesse rascando minha garganta com uma estaca de ferro em brasa. Edward pareceu perceber meu descontrole e veio para trás de mim, passou os dois braços ao meu redor como uma corrente de ferro e sussurrou:
- Calma, amor. Tente não respirar. Já a achamos, calma. — Tentava me conter. Segui seu conselho e tranquei minha respiração, tentando não precisar de falar para não perder meu depósito de ar. Não que eu precisasse, mas era sempre bom mante-lo.
Esperei Edward ter alguma reação, algum descontrole, mas nada lhe veio. Eu continuei a ouvir sua respiração lenta e regular, sempre tranquila. Ele devia estar certo todas as vezes que dizia que eu era jovem de mais. Ele já está acostumado a lidar com essas coisas há anos, mesmo com os que ele gastou com seus próprios assassinatos.
- Bree. — Ele finalmente falou, se dirigindo à caverna logo a nossa frente.
Uma garota saiu de dentro da escuridão da pedra e nos olhou com os olhos atentos mas que pareciam assustados. Ela tinha os cabelos lisos e pesados cor de mogno, a típica pele clara dos imortais e olhos de um vermelho vivo e brilhante como rubi.
- Edward — Disse ela vagamente numa voz de garotinha de colégio. Edward não exagerou quando disse que ela foi transformada quando ainda era muito jovem. — O que faz por aqui de novo?
- Precisamos de sua ajuda. — Disse ele.
- Quem é ela? — Perguntou Bree se dirigindo à mim com os olhos desconfiados. Ela pousou seus olhos nas mãos de Edward que ainda tentavam me segurar ternamente. — Vocês estão juntos. — Não foi uma pergunta e sim uma afirmação. Ela sabia nos identificar com facilidade.
- Sim. E precisamos de você em Forks. — Respondeu Edward.
- Pra que? — Ela voltou a falar com o tom desconfiado. Edward me olhou e soltou suas mãos do meu corpo, e apenas segurou uma delas. Eu voltei a respirar normalmente, o ar parecia mais limpo. Dei um passo a frente em direção à Bree sem soltar a mão de Edward.
- Estamos com um problema grave na nossa cidade. — Comecei. — E Edward disse que você tem um talento que pode nos ajudar.
- Do que vocês precisam? — Perguntou ela, nunca deixando o tom de desconfiança.
A partir daí, Edward passou a explicar toda a história para Bree. Ou pelo menos quase toda. Como com sua família, ele contou apenas sobre como nos conhecemos depois que me tornei vampira, pulando a parte de minha quase-morte. Até que ele chegou à parte do meu pai, dizendo que ele viu minha transformação e não tinha como evitar de que ele soubesse sobre nosso mundo. Depois contou sobre a visão de Alice, sobre os Volturi indo para Forks, com a intensão de ser uma visita agradável, mas que poderia se tornar uma tragédia em pouco tempo.
- Por isso que precisamos de você Bree — Disse ele — Precisamos que você apague essa pequena parte da mente de Charlie e nos salve dos Volturi saber dessa quebra de regras.
- Não sei, tenho medo que eles possam me obrigar à entrar na Guarda. — Bree disse. Ela já havia deixado seu olhar desconfiado e mudado para um olhar compreensivo e de decisão.
- Mas você não vai ficar por muito tempo. Só precisamos disso, e então você pode voltar pra cá e fingir que isso nunca aconteceu. — Falei.
- Pode ser... — Pensou ela, andando de um lado para o outro. — Mas tem um pequeno detalhe.
- Qual? — Eu e Edward dissemos ao mesmo tempo.
- Não vou ter que apagar apenas a mente de seu pai, Bella — Disse ela — Também vou precisar apagar de todos vocês, por que se Aro decidir investigar, a lembrança de todos vocês vão estar nas mãos dele.
Eu não havia pensado nisso. Comecei a entrar em pânico, tentando encontrar uma estratégia rápida para resolvermos isso de uma vez. Mas Edward concordava com Bree.
- Bom, então que seja assim — Disse ele — Após usar seu dom em Charlie, você pode usar em nós e logo depois poderá partir.
- Bom, isso não será tão difícil... — Ponderou por um tempo — Está certo, vou com vocês — Disse por fim, estendendo a mão para Edward que a apertou com um sorriso de satisfação.
- Obrigado, Bree. De verdade — Eu falei.
- Ah, não é nada — Ela sorriu pra mim. Estava começando a achar que havia conquistado sua confiança.
Depois de resolvermos tudo com Bree, corremos de volta até chegarmos ao lugar por onde entramos e Bree nos seguiu. Edward perguntou porque ela ainda estava aqui, sendo uma nômade.
- Ah, você apenas deu sorte. — Explicou ela — Afinal, há quanto tempo você não me visita? 10, 15 anos? Bom digamos que eu voltei pra cá a quase uma semana.
Voltamos para o hotel e fomos pegar as malas, quase intocadas. Depois descemos para a garagem e pegamos o carro, com Bree sempre tendo que esconder um pouco seu rosto, para que ninguém visse seu olhos vibrantes.
Deixamos o carro de volta na empresa de aluguéis, com Edward dando uma desculpa que estava apreciando a cidade melhor a pé, por isso que estava devolvendo no mesmo dia. E pegamos um táxi de volta ao aeroporto. Edward já havia preparado tudo para Bree ir conosco e só precisávamos entrar no avião. Mas antes de entrarmos, Edward comprou alguns pares de lentes de contato quase pretas, que misturadas com a cor dos olhos de Bree, dava quase o mesmo tom da cor de seus cabelos.
Quando embarcamos, olhei para Bree e voltei a ter um pouco de paz e esperança. Meu pai e eu podíamos ter mais uma chance. E minha nova família também.
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