Notas iniciais
Tentei inovar ao colocar a apresentação de personagens dentro da história.

Leia paulatinamente para não se perde.

Em caso de dúvidas, estou dispónivel, comunique - me.

Obrigado por ler.

“Triiiiiiiiiiiiiiiimmmmm! Clac!”

O relógio tocou, está na hora de acordar, a escola a sua espera e ele à espera de um novo dia. Apareceu alguém na porta.

– Está na hora de você acordar, Libierre. Levante-se logo, lembre-se que não pode mais perder aulas, principalmente as de matemática.

Disse Estela, enfurecida, porque seu filho do meio já teria faltado por três dias à escola e seus compromissos, na terça, quarta e quintas-feiras alegando nenhum motivo aparentemente sério.

– Estou acordado já. — respondeu-lhe com a voz embargada pelo sono que ainda o consumia.

Depois de algum esforço, ele desceu as escadas até a cozinha, acomodou-se na cadeira, a mesa com tamparia de vidro. Enquanto deliciava-se com os sabores e quitutes feitos por sua mãe, deparou-se a observá-la.

“Muitos dizem que as mulheres mudam quando mães, com a minha não poderia ser diferente. Vi fotografias dela antes de engravidar de Sofhia, com os cabelos lisos e soltos, hoje, sempre preso e quebradiço, de olhos azuis como o céu e de pele perfeita, hoje, com os olhos caídos e olheiras à mostra e a pele rancorosa, antes, com o sorriso esbanjando felicidade, agora, sempre séria e apenas sorri quando os filhos fazem brincadeiras não tanto engraçadas. Atualmente, com 48 anos ela vive para os filhos, para a família, deixou de embelezar-se com cosméticos, pouco vai ao médico, não usa mais roupas caras e pouco sai do lar, mas sei que ela tem a sua beleza guardada dentro de si, assim como sei, que ela ama os seus filhos por igual”.

– Filho, filho – ela falava e estalava os dedos próximos ao rosto do filho – você está bem?

– Hãm? Como? – parecia estar em transe olhando a sua matriarca e subitamente despertou- é lógico que estou. Então... É melhor eu subir para tomar banho.

– Concordo muitíssimo. – tornou Estela desconfiada.

Nos degraus da escada, Liber lembrou.

– Mãe, a propósito, quem irá me levar até a escola?

– A sua irmã.

– Ah, não. Essa cretina novamente? Disse revoltado.

– Presta atenção ao modo de como você se refere a sua irmã. Eu não educo vocês assim. Ou educo? Retornou a fala em fúria.

– É lógico que não, desculpa. – respondeu Libierre de cabeça baixa. – vou subir, necessito assear meu corpo.

– Não demore, a sua irmã já está terminando de se arrumar

– Meninas... Mãe, meninas – ironizando – demoram anos se arrumando... e no final? Ainda precisam retocar a maquiagem que borrou e o batom não ajuda, a roupa engorda, o sapato não combina, experimenta várias vezes a mesma roupa, muda e coloca outra, veste mais alguns trajes e torna a vestir a primeira que escolheu. Sempre assim, mãe.

Estela abriu um sorriso, por fim, disse:

– Para de reclamar e apresse-se.

– Tudo bem. – retrucou e subiu as escadas em direção ao seu quarto.

Adentrou o quarto, pôs para fora suas vestimentas, colocou no local adequado, pegou a toalha e entrou no banheiro pensativo.

“Não sou de discutir com a minha mãe, mas quando discutimos o assunto, em grande parte, é a Sofhia. Somos irmãos que não se dão muito bem, vivemos em guerra, entre intrigas e discussões. Conversar é raro entre eu e a primogênita e os momentos de irmãos são mais raros ainda.”

Ligou-se o chuveiro, enxaguou-se, desligou-se o chuveiro, ensaboasse, enxaguasse, liga e desliga, escova-se os dentes. Distraído, ele sai, sem perceber que o seu irmão estava escorado na porta do quarto. Ainda distraído, Liber enxuga o seu corpo, rosto, cabelo e partes íntimas. Seu campo visual percebeu alguém na porta, assustou-se, mas percebeu que o ilustre era o seu irmão.

– Greg, o que você está fazendo parado aí? – Liber enrolou seu corpo com a toalha e direcionou-se ao guarda-roupa.

O seu irmão não pronunciou nenhuma palavra, apenas suspirou. Liber voltou a indagá-lo enquanto vestia-se.

– Greg, diga-me o que veio fazer.

– Eu... Eu, – envergonhado — Eu vim chamar você, a mamãe que ordenou. E... Eu vi você pelado! – acrescentou vermelho de vergonha.

Hãm? – disse assustado – Ah, Greg, você é meu irmão, meu amigo. Não há problemas nisso. Vamos logo, não quero atrasar a Sofhia.

Greg balançou a cabeça positivamente, e caminharam em direção à escada e depois à porta principal. Liber envolveu-se em pensamento.

“Nunca pensei que a situação anterior seria de imensa importância, mesmo que eu pensara algo a respeito, ele é meu irmão, meu confidente. Greg foi o único que não herdou os olhos azuis e o loiro dos cabelos da mamãe, e sim, o castanho dos olhos e cabelo do papai. Nós dois somos amigos e irmãos, ele corre até quando está sentindo medo, me conta se algo está errado, confessa seus erros e acertos, atos e desatinos. 14 anos! Ele terá em pouco menos de uma semana, três dias antes do meu aniversário. Lembro ter dito a mamãe quando ele nasceu que seria o meu presente de aniversário, e mesmo que, hoje, ele não seja esse presente, o Greg será o meu protegido a qual não o deixarei à mercê do perigo. Ele sempre será o meu irmão e o meu amigo. Eu prometo.”

Um pouco antes de saírem, Greg cutucou seu irmão.

– O que foi irmão?

– Você é bonito. – disse envergonhado.

Libierre apenas sorriu com a atitude do irmão, fugiu da frase e convidou o irmão a caminhar em direção ao carro, mas mesmo assim, aquela frase, remotamente, surgia em sua cabeça. De longe uma voz furiosa chamava pelos dois.

– Vamos! Eu não estou aqui para ser babá de vocês, atrevidos.

– Isso não depende de nós, se eu já pudesse dirigir... Você não se preocuparia em levar-nos.

– Ah, Liber você e suas desculpas sem fundamento. Você sabe guiar um carro. Mas você tem essa cisma de apenas, quando tiver 18. – disse Sofhia com muita ironia e deboche.

– Você não entende. Ah, e o Liber – fazendo gestos com os dedos lembrando as aspas- são para os íntimos e pelo que me consta você não está nessa lista.

– Idiota. – atacou revirando os olhos com muito mais deboche.

Liber e Sofhia entraram no carro, de cor preta, seminovo, ela ganhara quando completou 18 anos. Greg já estava no carro. Libierre apoiou a cabeça no vidro do carro, envolvendo-se em pensamentos outra vez, agora sobre a sua irmã.

“O que Sofhia apresenta de inteligência, ela tem de arrogante. Não entendo o que a deixa assim ou o que fiz de ruim a ela, mas mesmo com toda a arrogância eu deixo passar, guardando as palavras que ele atira me torturarem por dentro, como se tudo fosse mil maravilhas. Integrante da equipe de Química, Física, Ciência e Matemática, muito popular na escola, líder de torcida, festeira, patricinha... Não sei como ela conseguiu isso tudo e como ela consegue ser tudo isso, sendo arrogante. A aparência é semelhante com a da nossa mãe quando a mesma tinha a mesma idade, 19 anos, porém os estados de espírito se diferem completamente uma da outra. Aturá-la na mesma escola que é difícil, agradeço ao destino por não colocá-la na mesma sala que eu. Sofhia perdeu um ano letivo por conta de um tumor no cérebro. Fiquei noites no hospital para dar descanso a nossa mãe enquanto ela cuidara do Greg em casa. Noites sem dormir? Não me arrependo.”

– Você vai ficar aí? Saia do meu carro ou vou trancá-lo com você dentro. – Gritou Sofhia, bastante enfurecida.

– O que? – olhou em sua volta — Ah! Chegamos.

– Sim, já chegamos... Além de idiota você ainda é cego? — Falava enquanto Liber abandonara o carro.

– Obrigado pela carona, irmã.

– Você deveria agradecer a mamãe e não a mim.

– Você é muito ingrata Sofhia. — Liber direcionou-se ao irmão e disse que não poderia chegar atrasado, o irmão obedeceu e Liber voltou a falar com a irmã. – Muito ingrata mesmo.

– Rááá – ironizou – coitado de você queridinho. Deveria me respeitar.

– Coitado de mim mesmo, que ficou noites e noites dormindo numa cadeira de hospital esperando você se recuperar, perdi aulas, provas. Coitado de mim mesmo! E como você quer respeito se não sabe respeitar? A única coisa que você não sabe, eu acho. – Disse afoito e emocionado.

– Eu pedi pra você ficar lá naquele hospital? Nunca! – Sofhia empenhava-se a não dizer algo a mais, restringia-se a esconder algo.

– Eu só fiz a minha obrigação de irmão – virou-se e caminhou em direção da escola – estou atrasado, tchau.

– Volta aqui Libierre, volta... Eu ainda não terminei a conversa. – disse totalmente fora de controle – Idioooooooooooooooooooota! Cretino! Covarde! Odeio você.

Liber ignorou a irmã completamente, poucos metros dali, avistou os seus amigos: Liz e Horc.

– O que aconteceu? Vimos você e a sua irmã discutindo. – Disse Liz apreensiva.

– Fala amigo – Completou Horc.

– Nada, apenas discussões familiares, vocês conhecem a minha irmã e sabem que ele é ignorante. Vamos entrar porque estamos atrasados.

– Não vamos entrar. – Completou Horc.

– Por quê? – disse Liber espantado.

– Só no segundo horário mesmo. – Retrucou Liz decepcionada.

– Ah, então vamos sentar ali. – disse Libierre direcionando ao banco mais próximo dali.

Eles sentaram adequadamente, cansado, Libierre deita com a cabeça no colo de Liz e cochila. Envolvido numa mistura de sonho e pensamentos.

Liz é ruiva de olhos verdes, possui descendência britânica e mora com a mãe, nunca soube sobre o paradeiro do pai que foi dado como desaparecido, o seu nome é uma homenagem à Rainha da Inglaterra, Elizabeth II. Liz é alérgica a lactose, contrapondo o seu amigo, alérgico a chocolate.

Horácio é branco de cabelos negros, olhos castanhos. Recebeu a alcunha de Horc pelo melhor amigo, Liber, a qual o confessa tudo, inclusive o fato de ser apaixonado por Penny. Sendo filho único, Horário vê os seus amigos como irmãos.

Já Penélope, com a alcunha de Penny, é a patricinha da turma, convém em competir com Sofhia pela popularidade na escola. Em um acidente de carro, Penny, perdeu a sua mãe e hoje está aos cuidados do pai, um empresário dono de uma rede de shoppings e da empresa de confecções de roupas pelo qual o Diretor Geral é o César, o pai de Libierre.

César é um pai rude e antiquado, apesar de se vestir bem, trabalha quatro dias por semana e sempre que pode vem visitar a família, pois a empresa fica na cidade mais próxima e seria intransponível a ida e vinda de um lugar ao outro. Não tem uma relação boa com Libierre, entretanto a relação com Liz flui sem esforços.

– Liber, Liber... Acorda. – disse Liz na tentativa de acordá-lo.

– Oi? – respondeu brevemente atordoado.

– Vamos entrar logo, senão receberemos advertência e faltas, e eu não quero isso. – aclamou Liz afoita.

– Então vamos – disse Liber. Caminharam em direção a instituição de ensino.

– Sonhou Liber? Com a princesa dos seus sonhos? – exaltou Horário.

– Haha! Muito engraçado amigo – ironizou – mas sonhei sim e foi com vocês, a Penny e o papai. Foi meio estranho porque enquanto uma voz falava sobre vocês, apareciam fotos, imagens e caricaturas realçando as características de cada um.

Os três riram, e Horc acrescentou:

– Deveria ser a morte aclamando por nós.

– Credo Horc! Para com suas maluquices. — frisou Liz.

– Só estou especulando, apenas isso. – justificou-se.

Adentraram na sala, sentaram-se próximo de Penny que os aguardava ansiosamente.

– Aí gente! Pensei que não viriam hoje. — reclamou Penélope.

– Estamos aqui Penny. Já estamos aqui. — comentou Libierre confortando a amiga.

A professora entrou na sala de aula e todos acomodaram-se devidamente.


Notas finais
Não há grandes acontecimentos nesse capítulo, só nos próximos.

Comentem, recomendem e favoritem, a sua opinião é muito importante para um escritor. Sou consciente à críticas.

Explicitem as suas opiniões... Quero críticas, comentem mal, comentem bem, comentem o que quiser , mas por favor, deixe as sua opiniões.

Vou tentar postar em menos de uma semana o próximo capitulo, como vocês viram, eu costumo escrever muito e isso dá muito trabalho para revisar e comportar as ideias... Obrigado pela sua atenção, opinião e leitura.