Got My Heart In Your Hands
79 Recomeço
POV: Jeff
Ser pai traz consigo muitas responsabilidades. Uma delas, que se passa por despercebida na maioria das vezes, é o nome do bebê. Laura e eu desde sempre brincamos de escolher o nome dos nossos filhos, sempre sem o compromisso de efetivamente dar o nome a um bebê, mas sempre pensamos e brincamos com isso. Nos últimos anos meio que fixamos nossas “brincadeiras” de nome em Bianca e Arthur, e ainda hoje carregamos essa idéia. Mas sempre bate aquela dúvida. Será que chamamos de Bianca mesmo? Será que chamamos de Arthur mesmo? Será que vai ser menino? Será que vai ser menina? O que teu coração de mãe diz? O que teu coração de pai diz? Deus amado... Sabe, às vezes fico confuso com tudo isso... Nome, família, casa, filho, fraudas, dormir, banda e etc. Contudo, é muito estranho, pois ao mesmo tempo em que toda essa "confusão" me deixa agoniado, me sinto tão feliz conversando com a barriga da Laura, imaginando que lá dentro tem um bebê que eu mesmo fiz. Mas daí vou conversar com ele e não sei como chamá-lo... Menino ou menina... Mas seja o que for, vai ser amado.
- Oi, meu amor. Está com cara de pensativo. – Disse Laura me abraçando por trás.
- Estou pensando no nosso filho. – Eu virei de frente para ela e iniciei um beijo curto, porém intenso.
- É tão lindo isso de ser mãe.
- Também acho.
POV: Laura
Quando será a minha vez? Em pensar que fiz essa pergunta inúmeras vezes… Cheguei realmente a acreditar que não conseguiria realizar o meu grande sonho de ser mãe. Comemorei com cada amiga que me comunicava a chegada de um novo anjo. Sonhava acordada nas festinhas infantis. Chorava ao assistir aos programas que falavam sobre a maternidade. Enfim, dei muito trabalho à minha querida médica e amiga, ao meu amado marido, à minha família, às amigas, a todos os queridos que sonharam comigo esse sonho tão lindo. E hoje, divido com vocês um desabafo que fiz pouco antes de engravidar…
Quando será que ele (a) vai chegar? Já tem muitos anos de muita angústia, muitas lágrimas… Está tão difícil encarar essa espera. Todo mês é a mesma coisa, nada de POSITIVO, somente exame atrás de exame, todos muito invasivos, dolorosos e frustrantes. Mas como nem tudo está perdido, agarro-me à esperança do tratamento com indutores de ovulação. Dormi com uma sensação boa e, por alguns instantes, consegui sentir meu bebê próximo (a) de mim, era como se ele (a) estivesse me dizendo algo. Maluco isso, mesmo em tão pouco tempo de gestação? Acho que não… Defino como o amor por alguém que estou prestes a conhecer. Caso o tratamento dê certo, já na primeira tentativa, terei meu bebê ainda esse ano. Já pensou que maravilha?! Mal posso acreditar! Preciso, porém, controlar essa ansiedade, com certeza, ela tem me atrapalhado bastante. Esse foi um relato, pouco antes de receber a tão fantástica notícia. Logo após, me senti tão segura e tão certa de que o meu anjo chegaria logo. Derrubei muitas lágrimas, só que desta vez, era de pura emoção, afinal, estava com um exame em mãos que comprovava que tudo aquilo estava acontecendo. Eu estava grávida! E, o melhor, sem precisar de nenhum tratamento. A mãe natureza trabalhou por si só e me mostrou que a minha cabeça estava sendo a minha maior inimiga. Agora, estou aqui, contando os dias para a chegada do meu príncipe ou princesa.
- Pessoal, eu acho que devíamos comprar o enxoval da Laura. – Disse Pierre no final do corredor, em voz alta.
- É o que? – Saí imediatamente do quarto.
- Você ouviu? – Ele perguntou assustado.
- Ouvi. Não era pra ouvir? – Questionei em um tom triste.
- Era para ser surpresa.
- Ai, me desculpa...
- Tudo bem. Acho que seria até melhor nos acompanharem, assim você escolhe as coisas que mais gosta.
- Então vamos.
POV OFF
Direcionaram-se até a van na garagem e entraram, dirigindo até o shopping mais perto da cidade. Laura estava de poucas semanas, e então a barriga ainda estava escondida. Jeff estava todo bobo, não conseguiu dirigir o veículo como sempre fazia, por estar maravilhado com a chegada de um novo membro na família, e então, Jay tomou posse do volante. Laura abriu o seu diário e ficou lendo algumas confissões que ela escreveu.
“Este negócio de maternidade é coisa complicada. Eu sempre digo que a maior decisão na vida de uma mulher é ter ou não ter filhos (se é que a gente escolhe, porque em alguns casos o destino acaba escolhendo pra gente). E digo mais, por mais que se leia sobre o assunto, por mais que a gente se informe, por mais que se discuta horas a fio com amigas e com parentes próximos, a verdade é que ninguém está preparado para a maternidade. Eu certamente não estava e admito que foi a maior mudança na minha vida. E o destino quis que eu fosse mãe e entre dias bons e ruins, eu e meu bebê sobrevivemos. E a cada dia que passa, mais eu curto ser mãe, mesmo ainda em meu ventre! Enfim, ser mãe não vai ser nada fácil, principalmente quando a gente mora no exterior. Mas os filhos enriquecem demais as nossas vidas, e acho até que aprendemos mais com eles do que eles conosco. Pra finalizar, não poderia mais imaginar minha vida sem o meu bebê que guardo dentro de mim. Ser mãe é padecer no paraíso. O amor que a mãe sente pelo filho renova o espírito da mulher. O amor lava as mágoas. Purifica. Transforma a mãe em um ser humano melhor. Mais capaz de olhar o próximo. Mais capaz de servir. Mais capaz de ser feliz. Quando estou triste e derramo lágrimas ele vem e me consola. Ele fica sorrindo e fazendo gracinha dentro da minha barriga, quando não paro de chorar ele começa a se mexer... Que forma linda e tão inocente de amar. Acabo chorando de emoção por tê-lo em minha vida. Meu companheiro, meu anjinho. Te agradeço por cuidar de mim, por me amar dessa forma tão pura, tão linda. Peço a Deus que seja sempre assim. Que você se torne um homem maravilhoso, ou uma mulher maravilhosa em nossas vidas e nas vidas de todos ao teu redor. Que Deus te abençoe e esteja sempre presente no teu coração.”
- Nossa, Laura. Você escreve bem. – Disse Joel, e Laura nem percebeu que estava lendo em voz alta e Joel estava acompanhando no diário.
- Ah, obrigada.
- Eu tenho certeza que você será uma ótima mãe, e Jeff um ótimo pai.
- Muito obrigada, Avril.
- Fico imaginando quando chegar a minha vez. – Avril olhou para Chuck, e ele ficou tímido.
- Agora todas as mocinhas querem engravidar? – Pierre riu logo após dizer.
- Cuidado, daqui a pouco quem engravida é o David. – Patrick zombou, fazendo todos rirem.
- Bem que eu queria, mas homem não engravida. – David o respondeu triste.
- Isso é uma pena. Eu queria vê-los passando pelo que nós mulheres passamos. – Respondeu Laurence.
- DEUS ME LIVRE! – Disseram todos os homens em coro.
Elas não os responderam e saíram da van, indo direto a um shopping. Foram comprando carrinho, roupas de cores que dariam para menino e menina usar, um berço... Enfim, compraram tudo o que seria necessário para o bebê de Laura, que estava se sentindo realizada.
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