Got My Heart In Your Hands
65 Eu contra o mundo
POV: David
Saí do apartamento às pressas, e comecei a pensar onde Nemours poderia ter levado a Lennon. Pierre ficou perguntando aonde eu iria, mas eu não quis preocupá-lo ainda mais, e então eu fui, dizendo apenas que eu iria voltar logo e que era para me esperar, mas eu ainda não tenho certeza se vou voltar, pode ser o meu fim. Depois que meus pensamentos foram guiados até Nemours, lembrei da cabana em que ele havia estuprado as meninas. Uma cabana velha, as madeiras já estavam caindo, e tinha teias de aranha pelo teto. Adentrei a mesma e encontrei Lennon nas mãos daquele infeliz. Ele estava com um pedaço de madeira nas mãos, e afiava, de forma com que machucasse a pequena. Era uma espécie de ritual, ou uma tortura. Tentei lutar com Nemours, mas ele era mais forte, e me empurrou, fazendo-me cair ao chão. Tentei outra vez e tirei Lennon das mãos dele, correndo o mais depressa possível. Mas, acabei preso em uma armadilha. Prendi o meu pé em algo bastante afiado, que se fechara contra o meu pé e me cortava profundamente, me fazendo gemer de dor. Não consegui me soltar, e então Nemours pegou novamente Lennon no colo, e eu fiquei ali, parado, gemendo de dor e tentando tirar o que havia se prendido em meu pé. Mas, com a força que eu estava fazendo, acabei cortando a minha mão, mas consegui me livrar. Caminhei arrastando o pé de volta à cabana, e lá estava ele, falando algo para Lennon, que chorava. “Não chora, papai está aqui para cuidar de você”. Foi o que eu consegui ouvir, mas não me conformei. Ele não era o pai daquela criança. Talvez fosse, mas Pierre é muito mais pai que ele. A criança não merece ser cuidada por uma pessoa como Nemours, que não tinha amor próprio, só tinha rancor, ódio e sede de vingança. Só porque Lachelle se arrependeu e doou a filha para Pierre antes de morrer, ele está com inveja. Talvez saiba que somos muito melhores do que ele, e por existirem pessoas que amam o nosso trabalho, o que somos... Adentrei à cabana novamente, e Nemours agora estava afiando uma faca. Deduzi de que ele poderia machucar Lennon, e eu não iria agüentar vê-lo machucando uma pobre criança.
Tantas coisas acontecendo e não sei pra onde vou,
os caminhos se estreitaram e não sei pra onde vou,
os amigos indo embora e eu ficando aqui sem vida, sem espaço, sem amor.
Tantas paixões e palavras mal interpretadas me levam ao sofrimento
que nesse momento só penso em ti,
sorrisos e abraços que voam ao meu lado que me fazem feliz.
La fora chove e eu aqui,
sem nada pra fazer só espero um dia te ver pra viver o que prometi.
Crianças que choram com fome e sede
pessoas que dizem eu amo sem amor.
No fim da escuridão sem rumo e sem direção,
te imagino em ruas desertas tentando se esconder de uma grande chuva,
acompanhada pelo um amor que te dar a mão,
pintei um retrato imaginando seus traços
maneira sem graça de te imaginar,
Foi tudo rápido, mais aconteceu...
E nessa angústia,
Procuro me refugiar na escuridão,
Escuridão bonita e ao mesmo tempo esquisita,
Algo que me cega,
Mas que também me alegra e vicio.
Não consegui saber o que era de inicio.
Mas com o tempo a angustia começou a me torturar,
Aí foi que descobri e tive de demonstrar,
Aquilo me consumia de tal maneira,
Que falando eu sorrio como se fosse brincadeira.
Mesmo assim procurei fugir, e me esconder.
Mesmo sabendo que era de dentro de mim,
Que a batalha era travada e eu ia perder.
Me segurei,
Tentei,
Não consegui,
E soltei.
Aviso agora pro mundo, qual era a situação,
Não estava sofrendo, era alegria, eu estou amando,
Aquilo tudo é paixão.
Aí desaba tudo e perde-se o chão.
A visão,
E fala-se mais alto a voz do Coração.
Angústia, pois as palavras
Estão instaladas no peito
E não tenho coragem para revelá-las.
Tento esquecer, mas como abafar algo,
Inerente e pertencente a mim?
Busquei tua voz em minha mente,
Não a encontrei.
Senti por alguns instantes teu calor,
Aliviou-me.
Quero-te, como tuas palavras,
Livres e fortes, mas me deixaste.
E a dor novamente abala-me
A palavra do peito cala-se,
Na tentativa de amenizar
Os meus vendavais
Com a convicção que tua presença
Fizesse instalar-se em meu ventre,
A calma de leito de amor e lembranças.
– Jeff, pega o seu carro, vamos seguir o David. – Disse Pierre, que estava preocupado comigo.
– Mas não vai caber todo mundo, melhor irmos de ônibus mesmo. – Respondeu Jeff, o que fez Pierre pensar mais um pouco e aceitar a proposta.
Pegaram o ônibus e me seguiram. Pierre sabia de cada passo que eu dava, então ele deduziu corretamente onde eu estava. Escutei a voz doce de Avril, e olhei para todos, com uma expressão de espanto, afinal, como haviam me achado? Avril viu que Nemours estava com a princesinha no colo, ameaçando estuprá-la, esfregando-se nela, ainda vestido.
– Sai de cima dela, seu nojento! – Gritou Pierre, o que fez Nemours rir e acertar Pierre com um pedaço de madeira.
– Pierre. Você está bem? – Eu fui até Pierre. Ele estava com a mão na cabeça, gemendo de dor.
– David, proteja a Lennon. Eu estou bem.
Balancei a cabeça positivamente e tentei tirar Lennon novamente das mãos dele, mas não adiantava. Ele tinha garras mais fortes que a do Freddy Kroeger.
– Nemours! – Avril o chamou, e quando ele se virou, provavelmente para atacá-la, ela foi mais rápida, e acertou-o com uma faca grande, certeira em seu coração, e foi cravando cada vez mais forte. Todos a olharam assustados, porém admirados com a coragem que ela teve. Avril pegou Lennon no colo enquanto Nemours caía no chão, agonizando, e no mesmo instante fechara os olhos.
– Acabou, Nemours. Teve o que merecia. – Avril caiu sobre seus joelhos ao lado do corpo, e começou a chorar, mas não pelo que tinha feito, e sim por lembrar-se do que ele fez conosco.
– Vamos embora daqui. – Chuck abraçou a namorada e saiu de lá, segurando a Lennon, enquanto Avril limpava o sangue em sua blusa.
– Espera, tem mais uma coisa que eu quero fazer.
– O que? – Questionou Chuck, e eu também fiquei curioso. Avril jogou gasolina e álcool ao redor da casa, riscou um fósforo e jogou, queimando a cabana com Nemours lá dentro. Finalmente todo o pesadelo havia se acabado, e Pierre poderia ficar mais tranqüilo sabendo que a filha sempre estaria em boas mãos.
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