Notas iniciais
Tirei alguns trechos do livro "A Cabana", então se alguém já leu, vai notar a semelhança. E ah, no final do capítulo, vocês vão notar ''lhe entregou'' umas 500 vezes, mas eu realmente tive que fazer isso, já que estava descrevendo os fatos... Vocês irão entender. Peço perdão pelas repetições, mas não consegui evitar. Espero que gostem mesmo assim, e boa leitura. (:

Início de dezembro; da varanda que circundava a casa da “família Bouvier”, David contemplava o sol poente que ia afundando cada vez mais até se perder de vista. Ele gostava de ficar sentado ali nos fins de tarde, especialmente depois de ter feito vários shows com afinco o dia todo, e deixar os pensamentos vagarem sem direção consciente. Era assim que ele relaxava, um hábito que tinha aprendido com o pai quando criança.

Ele gostava particularmente de observar as árvores e seus reflexos no rio. As árvores de Montreal são bonitas quando o outono está no auge: tons de verde, amarelo, vermelho, alaranjado e todos os matizes intermediários. Com o sol as cores deslumbrantes das árvores brilham intensamente, o que era bastante agradável.

Entrou em casa, bebeu um copo de chá doce e foi tomar uma chuveirada. Ele sempre tomava banho no fim do dia, e deixava a água lavar a sujeira e o cansaço.

Depois penteou os cabelos para trás, vestiu calças jeans desbotadas e uma camisa azul de mangas compridas, serviu-se de outro copo de chá doce e foi para a varanda, onde agora estava sentado.

Ele estendeu os braços acima da cabeça, depois para os lados, girando os ombros quando completou o exercício. Agora se sentia bem e limpo, revigorado.

Esticou-se para pegar seu violão, pois era a única coisa que o distraía... Dedilhou um acorde, ajustou a tensão em duas das cordas, depois dedilhou de novo. Agora parecia afinado, e ele começou a tocar. Uma música suave, música calma. No início cantarolou baixinho, depois começou a cantar de verdade, enquanto ao seu redor a noite ia adensando e caindo de vez. Ele tocou e cantou até o sol desaparecer e o céu ficar escuro.

Quando anoiteceu, ele entrou em sua casa, e avistou Pierre sentado no sofá lendo um... Livro? E desde quando ele lia? Bom, o importante é que ele estava bem e já havia recebido alta. David aproximou-se e sentou-se ao seu lado.

─ O que você está lendo? — Indagou David olhando para algumas palavras do livro, e tentando decifrar.

─ Estou lendo “A Cabana”. Peguei na sua prateleira, me perdoe. — Ele respondeu e prosseguiu com a sua leitura.

─ Imagina... Este livro é ótimo, e fico feliz por estar se interessando à leitura. — David sorriu e chegou mais próximo de Pierre, o abraçando fortemente. Bouvier suspirou baixinho, e deixou o seu corpo ser envolvido pelos braços finos e brancos de Desrosiers.

David também adorava ler livros... Essa era a solução que funcionava para ele, e ele sabia; funcionava sempre. Desde menino ele aprendera a desfrutar de coisas simples, coisas que não podiam ser compradas, e tinha grande dificuldade de entender as pessoas que pensavam de outra maneira. Era outro traço herdado do pai.

Delilah, que abanava o rabo, aproximou-se e afagou com o focinho sua mão antes de deitar-se aos seus pés. “Oi, menina, como vai?”, David perguntou, dando-lhe carinhosas palmadinhas na cabeça, e ela ganiu baixinho, erguendo para o dono seus olhos redondos e curiosos. Ela era uma ótima companhia, e sempre acalmava os dias de tensão que ocorria àquela casa.

Eles ouviam os cricrilar dos grilos e o farfalhar das folhas, pensando que o som da natureza era mais real e suscitava mais emoção do que coisas como carros e aviões. David terminou o seu chá, e deitou sua cabeça no ombro de Pierre, que imediatamente parou a sua leitura, e afagou o cabelo macio de Desrosiers.

─ Eu adoro quando você mexe em meu cabelo. — Disse David sorridente, enquanto fechava os olhos para sentir melhor a mão de Pierre entre uma das mechas de seu cabelo.

Isto soava um pouco estranho, porque por Deus, David odiava quando mexiam em seu cabelo... Mas quando Pierre o fazia, de alguma forma, lhe trazia conforto e proteção.

─ Ei, eu estava pensando...

─ Você pensando? — David interrompeu Pierre, e começou a rir baixinho, como forma de sacanear o parceiro.

─ Vai me deixar falar? — Pierre o respondeu emburrado.

─ Sim, pode falar...

─ Eu estive pensando em fazer um amigo secreto.

─ Adoro isso! Vamos, Pierre? Por favor, por favor, por favor! — David implorou entusiasmado.

─ Vamos, David... É por isso que eu propus essa idéia.

─ E quando vamos realizar isso?

─ Vamos chamar os bagunceiros, sortear os papéis, comprar os presentes e semana que vem revelaremos.

─ Liga pra eles...

Uma hora depois...

─ E aí, bagunceiros? — Disse Pierre cumprimentando um por um com um abraço bastante apertado.

─ Vamos logo sortear os papéis. — Jeff foi entrando, empurrando Pierre que quase caiu.

Pierre entrou, logo depois dos amigos, e em seguida apanhou um caderno e uma caneta sobre a escrivaninha. Começou a escrever todos os nomes que estavam presentes, inclusive o da Melanie.

Após rasgar os papéis, ele dobrou os mesmos e pôs em um pote. Deixou o mesmo aberto e cada pessoa iria tirando um papel... Todos tiraram com nome diferente, por sorte, e assim não tiveram que devolver.

─ Certo, agora vamos comprar os presentes. — Propôs David.

Eles saíram pela porta da sala e foram em uma loja mais próxima... Cada um escolheu o presente para o amigo secreto, e depois de muito tempo, enfim chegaram em casa, com seus respectivos presentes embrulhados em uma embalagem muito bonita.

─ Deixa os presentes embaixo da árvore de Natal, e semana que vem nós revelamos. — Disse Pierre empolgado.

─ Não é melhor revelarmos no Natal? — Perguntou Pat.

─ David e eu não vamos estar aqui... — Pierre respondeu triste.

Uma semana depois...

Todos se dirigiram até a árvore de Natal de Pierre e pegaram os embrulhos correspondentes.

─ Avril, começa... Já sabe a regra, né? Tem que descrever a pessoa. — Falou Pierre.

─ Meu amigo secreto... Ah, se eu disser, vocês vão saber na hora quem é. — Avril desanimou, mas em seguida riu.

─ Fala! — Gritou Seb.

─ Ok... Bom, meu amigo secreto é gordo, palhaço e ronca como motor de caminhão.

─ PIERRE! — Disse Jay, o que fez todos rirem, e em seguida Avril entregou o presente para ele. Era um perfume Hugo Boss.

─ Era bem isso que eu queria! Obrigado, loirinha. — Ele a abraçou.

─ Sua vez, gordo... Digo, Pierre. — Avril sacaneou, e depois riu.

─ Meu amigo secreto é uma menina muito linda, doce, gentil, e que entrou na minha vida por acaso e conquistou todo um espaço no meu coração.

─ Sou eu, pai? — Disse Melanie.

─ É, princesinha... — Ele disse sorrindo, e Melanie se aproximou, dando um abraço em Pierre. Ela abriu o presente sorridente, e viu que era uma boneca.

─ Amei! Obrigada, pai. — Ela lhe deu um beijo.

A festa continuou... Melanie tirou David, e lhe entregou um óculos, David tirou Avril, e lhe entregou um sapato, Joel tirou Julie, e lhe entregou uma bolsa, Julie tirou Hayley, e lhe entregou uma blusa xadrez que Williams estava pedindo tanto, Hayley tirou Carol, e lhe entregou um colar de pérolas, Carol tirou Marie Lee, e lhe entregou uma saia, Marie Lee tirou Joel, e lhe entregou um notebook, Jay tirou Seb, e lhe entregou um CD do Green Day, Seb tirou Laurence, e lhe entregou um anel de diamante, Laurence tirou Chuck, e lhe entregou uma camisa, Chuck tirou Jonathan, e lhe entregou um tênis Nike, Jonathan tirou Laura, e lhe entregou um urso de pelúcia, e finalmente Laura entregou um casaco para Jeff... Brincaram até amanhecer, depois comemoraram com champagnes e acabaram se ajeitando em um canto na casa de Pierre para dormir.

Notas finais
Reviews?