Got My Heart In Your Hands
93 A morte caminha ao seu lado
Notas iniciais
POV: Joel
Eu não consigo acreditar em como uma pessoa pode ser tão cruel. Há um tempo, poderia dizer que eu era assim. Não tinha um bom coração, e me divertia machucando as pessoas. Hoje eu vejo que não é assim que tudo funciona, e que devemos amar uns aos outros. É incrível como a gente vai mudando com o tempo. Eu era homofóbico demais, e já bati em alguns homossexuais. Mas vejo o quanto eu fui ridículo. Espero que ainda possam me perdoar pelo mal que causei aos que hoje são meus grandes amigos, como o Pierre e o David, que foram as pessoas que eu mais prejudiquei em toda minha vida.
Quando eu fui até onde Avril estava, pude vê-la pedindo socorro, pois Sarah estava em cima dela, ameaçando matá-la com a faca no pescoço. O que fazer?
“David, me desculpe, eu tive que partir. Meu coração está sangrando, não posso te dizer o porquê, nem pra onde, só, por favor, cuide de Lennon, da Delilah e de todos. Eu sei que está decepcionado comigo, mas eu tive que fazer isso para o bem de todos. Talvez um dia nos reencontremos, talvez não, mas mesmo assim, saiba que você é e sempre será muito importante pra mim. Eu gostaria de poder ficar para te contar tudo o que está acontecendo, mas eu simplesmente não posso. Por favor, me perdoe. Com amor, Pierre.”
Eu não conseguia tirar aquela carta de minha cabeça, e não conseguia crer que Sarah estava por trás disso tudo. Uma menina tão bonita, e tão malvada... Ela merece um castigo.
“Querido diário... Esse amor está me matando, tenho que fazer alguma coisa. Esse homem vai ser meu, não importa o que eu tenha que fazer, ele vai ser meu. Amanhã, amanhã vai ser o dia. Vou inventar uma história qualquer e fazê-lo ficar comigo. Vou ameaçar matar a filhinha dele, o namoradinho e toda aquela tropa de nojentinhos. Vai ser fácil, pelo que sei, Pierre é um manteiga derretida e fraco, vou conseguir muito dinheiro com ele e também vou ser famosa, tudo o que eu sempre quis. Vou pisar naqueles que disseram que eu nunca seria nada. Pierre vai me ajudar, porque ele não vai arriscar perder aqueles que ama tanto. Nunca estive tão confiante em minha vida, agora é só colocar o plano em prática. Agora são quase meia noite por isso vou dormir, tenho que estar bem disposta. Acho que essa é a última vez que escrevo nesse diário, amanhã provavelmente eu estarei no aeroporto até de noite, tenho que decidir ainda para onde vou. Até qualquer dia, beijos.”
Aquelas palavras de Sarah não saem da minha cabeça também. Alguma coisa ela vai fazer, e eu sei, Pierre vai cair, porque não quer perder os amigos. Eu sei que ele é inteligente, mas quando se trata de amizade, ele vira um sensível e arrisca a própria vida para poupar a dos outros. Fico muito preocupado. Qualquer coisa pode acontecer com ele.
Agora estamos aqui, acorrentados. Sarah prendeu correntes em nossos pés, e não temos como sair daqui. Avril está em outro canto, correndo um risco maior, já que a psicopata estava apontando uma faca em direção ao pescoço de Avril. Não podemos fazer nada para ajudá-la, estamos trancados em salas diferentes, com uma televisão pequena, devia ter 14 polegadas. A mesma estava ligada, e pra quê? O que iria acontecer?
De repente, escutamos a voz de Sarah na televisão.
“Olá, queridos amigos. Sabem por que estão acorrentados? Bom, mais à frente, há uma serra. Prestem atenção no que terão que fazer... Vocês pegarão essa serra e cortarão o pé, só assim para livrar-se da corrente. E então, colocar o pé nesse recipiente grande de plástico. Boa sorte! Vocês têm 60 segundos, ou a cabeça da sua amiguinha já era.”
─ Vocês viram? Ela colocou um capacete cheio de agulhas na cabeça de Avril. Se não cortarmos os pés, as agulhas perfurarão a cabeça dela. — Eu disse preocupado.
─ Mas isso é um absurdo. — Respondeu Pierre com uma voz de choro.
─ Pierre, você daria a sua vida para um amigo seu? — Sébastien questionou com pesar.
─ Claro que sim.
─ Então é melhor fazermos o que a Sarah pediu. — Ele completou.
─ Mas vocês acham mesmo que cortando os nossos pés ela vai simplesmente desistir de tudo? É óbvio que isso é apenas uma armadilha, ela só quer que fiquemos sem o pé para rir da nossa cara, e matar a Avril de qualquer jeito. Vamos pensar em outro plano. Talvez dê para serrar a corrente. — Falou David que pegara a serra e serrava a corrente com força.
─ David tem razão. Ela não vai desistir de se vingar. — Concordou Jay.
─ Então o que vamos fazer? Já se passaram 20 segundos. — Perguntei aflito.
─ Vamos serrar essa corrente, como o David falou. — Disse Julie.
Começamos a serrar a corrente, mas estava muito presa aos nossos pés. Teríamos que realmente ficar sem o pé. Como essa maldita tem coragem de fazer isso conosco? Eu não agüento mais esse pesadelo, eu só queria ir para casa. Não agüento mais toda essa angústia. Sempre tem algo para nos deixar infelizes. Sempre tem alguém que atrapalha a nossa felicidade. Meu Deus, eu só queria um pouco de paz. Já bastava Nemours com todas aquelas falcatruas, e Sarah agora faz pior. O tempo está acabando, e eu pude escutar alguns gritos de Avril. Ela estava realmente apavorada, e eu não posso ajudá-la. O que eu faço?
Mas, para nossa sorte, Lachelle apareceu, e como por encanto, liberou as nossas correntes.
─ Vão atrás da Avril. — Lachelle disse abrindo a porta e dando passagem. Como ela conseguiu abrir a porta que estava trancada e só a Sarah tinha a chave? Às vezes penso que Lachelle é uma bruxa, mas agora, bruxa do bem.
Fomos atrás da Avril e o capacete com agulhas estava começando a perfurá-la. Só ouvia gritos de dor da coitada. Chuck se desesperou e foi tentar livrar o capacete que prendia a cabeça da esposa.
─ Chuck, meu amor... Se eu morrer, eu quero que saiba que você é o homem da minha vida. Eu juro que queria te dar um filho, mas... — Ela chorou sem antes terminar a frase.
─ Calma, meu amor. Vamos realizar esse sonho, e você vai sair dessa. — Ele selou os lábios da loira.
Sem pensar, peguei uma faca e apontei na direção de Sarah.
─ Nunca mais toque nos meus amigos. Entendeu, sua vadia? — Disse com raiva.
Ela soltou uma gargalhada. Quanta mediocridade!
─ Acha mesmo que tenho medo de vocês? — Ela pegou a faca da minha mão, tirou o capacete de Avril e apontou novamente a faca em direção ao pescoço dela. ─ Vão dando adeus para a sua amiguinha, jovenzinhos.
─ Por favor, não faça isso. Eu imploro. — Chuck dizia aos prantos.
─ Até que isso vai ser divertido. — Sarah olhou para Chuck implorando aos prantos, e a cada vez mais, a faca aproximava do pescoço de Avril, que ficou imóvel e chorando.
Chuck não conseguiu suportar ver a esposa naquele estado, e lutou com Sarah. Mas, a faca acabou acertando a barriga de Comeau. Quando aconteceu, Sarah simplesmente fugiu, com medo de que chamássemos a polícia. Não conseguimos alcançá-la e fomos socorrer o Chuck, que estava nos braços de Avril e com a mão na barriga.
─ Chuck! — Falou Avril aos prantos.
─ Calma, eu vou ficar bem. — Ele a respondeu agonizando.
Fomos imediatamente para o hospital, pois ele estava perdendo muito sangue. O que vai acontecer com o meu amigo? Espero que ele saia dessa ileso.
Fale com o autor