Got My Heart In Your Hands

142 A escuridão em nossos corações


Notas iniciais
Boa leitura.

Melanie’s Pov: On

Lembro-me de correr pela floresta, aquele cara, Nemours? Não, eu me esqueci o nome dele, papai havia me falado uma vez, bom não importa, a última coisa que eu lembro era de ter me escondido dentro de um tronco de arvore que estava caída num barranco perto de um pequeno riacho. Fiquei ali escondida, até que avistei uma sombra, era ele, ouvi sua voz:

– Vamos garotinha, eu vou cuidar de você, apareça!

O que eu podia fazer? Esperar? Mas pelo quê? Ta bem, eu vou ficar aqui, depois de quase uma hora ele foi embora e sai de dentro do tronco.

Estava cansada, com fome e machucada, bebi um pouco de água do riacho e sentei-me a margem esperando que alguém aparecesse pra me salvar, é, eu acho que não. Não sei como arranjei forças para correr daquela casa no estado em que estou. Quero ir pra casa, só isso.

“Tudo começou a dar errado, quando justamente estava indo tão bem, comecei a pensar que não era forte o suficiente pra agüentar, quando esqueci, então outra noticia de que havia perdido algo que pra mim tinha um valor sentimental imenso, tá, aprendi a viver sem isso, e depois perdi algo que eu realmente achava que iria valer à pena correr os riscos. Ficava pensando: ” O que mais vou perder? Já perdi tudo que me importava, perdi tudo”. Já não agüentava fingir, colocar um sorriso no rosto pra ninguém perceber, chorar no quarto escondida pra ninguém ver, não agüentava mais sofrer e com o tempo eu mesma me iludia com a mentira de que nada aconteceu, de que era só um sonho, e que depois eu iria acordar e tudo estaria ali, e fui me acostumando com a tal idéia, que acabei acreditando; Descobri que tudo pode ser uma lição. Meus caminhos estavam errados não eram aqueles, e meus pensamentos também… E agora vou soltar essa vontade de viver, a vontade que pula pra fora, é mais forte do que eu. Não tenho mais que me esconder do mundo, não tenho mais medo, não vou deixar que tomem de mim a minha vida. “

Melanie’s Pov: Off

David e Pierre estavam pelos arredores da casa, cansados, eles sentaram no meio-fio:

– Você acha que vamos encontrá-la?

– Mas é claro que vamos David!

...

– Dave?

– David!

– O que é aquilo ali?

– O que?

Pierre apontou até uma mancha avermelhada na estrada, eles caminharam até lá e confirmaram: era sangue.

– Talvez ela esteja por perto.

– Será, Pierre?

– Espera, o que tem lá em baixo? – Disse Pierre apontando para a descida que havia ao lado da estrada, a escuridão era total, não se enxergava nada:

– Se eu me lembro é uma floresta, você não acha que...

– Sim, ela pode ter se escondido, sei lá, podia ter alguém perseguindo ela.

– O que fazemos?

– Eu vou ir atrás dela, você fica aqui.

– Espera Pierre, vamos ligar pra policia.

– Ta bem.

...

– Droga! Não tem sinal aqui.

– Eu vou atrás dela! – Disse ele se dirigindo para a floresta.

– Você ta louco? Entrar ai nessa escuridão, sem nada, pode ter muitos animais selvagens e o irmão do Nemours também!

– E é lá que ela está!

– Não temos certeza!

– E nunca saberemos se não tentarmos!

– Ta bem, vamos.

– Vamos? Não, não, você fica, eu vou sozinho.

David olhou nos olhos de Pierre e disse:

– Escuta aqui Pierre Charles Bouvier, você ta achando que vou te deixar entrar lá sozinho? Se alguma coisa acontecer com você eu nunca vou me perdoar!

Pierre suspirou e depois disse:

– Ta bem David, você venceu, vamos.

– Espera, tenho lanternas no carro.

Eles foram até o carro e deram uma olhada no que tinha lá, David tirou alguma coisa de baixo do banco:

– Aqui está. – Disse ele desembrulhando uma faca.

– Por que você anda com uma faca no carro? – Pierre arregalou os olhos.

– Sei lá, depois de tudo a gente aprende a se proteger.

– Tenho dois canivetes no porta-malas e acho que uma chave de fenda.

– Isso é bom.

...

– Preparado?

– Sim.

– Então, vamos lá.

Eles desceram até a floresta e começaram a procurar por Melanie, eles chamavam seu nome, mas sem resposta.

A escuridão era de dar medo em qualquer um, barulhos estranhos vinham da densa floresta, era preciso estar atento, uma fina camada de chuva caía, o vento soprava na copa das árvores fazendo as folhas se movimentarem bruscamente.

David e Pierre encontraram uma cabana, e foram averiguar, chegaram mais perto e observaram por uma pequena janela, era o irmão de Nemours, mas Melanie não estava em lugar algum. Então eles caminharam por mais algumas horas, até escutarem um grito desesperado e logo reconheceram a voz de Melanie, saíram correndo na direção dos gritos e logo a encontraram, um lobo estava perto dela rosnando ferozmente, Melanie estava caída com a perna sangrando muito, devia ser uma mordida, além de um corte profundo no braço que deveria ser obra do irmão de Nemours.

Pierre não hesitou e chamou a atenção do lobo:

– Hey, vem me pegar!

O lobo pareceu não ouvir, então ele pegou uma pedra e tacou na cabeça do lobo que se virou rosnando e foi para cima de Pierre, que caiu no chão, David rapidamente enfiou a faca que trazia com sigo na perna traseira do lobo, fazendo-o gemer de dor, depois ele correu e desapareceu na escuridão da floresta:

– Ai meu Deus Melanie! Precisamos levar você para um hospital! – Disse Pierre a segurando no colo.

– Papai, eu estou com tanto medo. – Ela dizia chorando.

– Ta tudo bem agora Mel, a gente ta aqui com você, nada mais vai acontecer. – David tentava acalmá-la.

Eles caminhavam de volta até a estrada, colocaram Melanie no banco de trás do carro e seguiram para o hospital mais próximo.

“Ei garçom! Pode me trazer uma dose bem cheia de felicidade e amor próprio porque é exatamente disso que estou precisando. E já que o senhor está aqui, vou aproveitar sua companhia e desabafar um pouco. Sabe por que estou lhe pedindo essa grande dose de felicidade senhor garçom? É porque ela se escondeu de mim no exato momento em que eu quis encontrá-la. Procurei em todos os lugares, abri todas as gavetas e armários, busquei atentamente qualquer sinal que indicasse a mera passagem da mais pura alegria, mas não encontrei. Tentei voltar pelo menos por alguns instantes ao passado e reviver aqueles momentos que me fizeram tão bem quando era criança. Uma rede na varanda, a leve brisa que passava e me acariciava o rosto delicadamente ou o crepitar do fogo no fogão a lenha em um dia de frio. Surpreendentemente, essas lembranças não causaram o efeito que eu gostaria que houvessem provocado. Portanto adentrei vários bares e boates apenas para testar chamar a tal da felicidade, mas ela não me atendeu. Desculpe-me se lhe incomodo, mas não me restou opções além de vir até aqui e pedir-te que realize o meu desejo. Há muito tempo que almejo a felicidade, aquela apenas minha e de mais ninguém. Não quero mais depender da felicidade dos outros para então me sentir feliz, já fiz isso e me arrependo por ter me deixado em segundo plano. Dependi da felicidade dele, fiz tudo o que pude e até aquilo que não estava ao meu alcance, somente para vê-lo sorrindo. Não me arrepende de tê-lo feito sorrir, até porque o sorriso dele sempre foi o mais lindo em todo o universo. Pena que ele não deu o devido valor a todo o meu esforço. Por isso lhe pedi a dose de amor próprio. Perdi muito tempo amando-o com todas as forças e esquecendo-se de mim. Agora é a vez de me amar em primeiro lugar. Preciso amar-me mais e dedicar menos afeto a qualquer outra pessoa. Afinal, elas nunca fariam tal esforço por mim, de qualquer maneira. E pensando melhor, talvez o senhor possa me trazer duas doses de amor próprio, pois acabei de perceber que é por falta disso que a felicidade não me encontra. Quero imediatamente embebedar-me de coisas boas, não me importo se for cair em cada esquina na hora de ir para casa. Só quero que a felicidade me corra pelas veias, domine meu coração e simplesmente me faça feliz. Porque sinceramente, depois de tudo que passei, eu mereço. ”



Notas finais
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