Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês. E está ENORME, me abracem. HUAHUAHUAH. Me inspirei no filme ''Dia dos Namorados Macabro'' nas primeiras partes. Boa leitura, está emocionante. :3

\"\"

“Enterrado vivo. Não temos certeza do que provocou o colapso, mas nossos rapazes estão trabalhando nisso. Asseguro que estamos fazendo tudo o que podemos para tirá-los com vida. Acalmem-se garotos. É um interrogatório de rotina. Harry foi o último a sair, talvez possa nos esclarecer a situação.”

“Não sei o que causou o colapso, mas foi um acidente. Foi só um acidente. ’’

Os bombeiros encontraram 5 corpos. Um sobrevive. Harry Warden, único sobrevivente do colapso da mina. 5 mineiros morreram pela loucura de outro. Assassinato? Não foi por acidente que esses homens morreram. Foi Harry Warden, que os enterrou vivos.

“A evidência sugere que Harry os matou com um machado. Há poucas possibilidades de que Harry saia do coma. Esperemos que não ocorra um milagre para Harry Warden.”

Naquela noite de dia dos namorados, Harry Warden permanecia em coma. Ele estava sob cuidados de enfermeiras. Mas, quando uma delas adentrou ao quarto, ele já não estava mais lá. Onde ele poderia estar? Foram até os corredores do hospital, e avistaram corpos por todo o lugar que passavam, e sangue nas paredes, com a seguinte mensagem: “Seja minha para sempre”, e uma caixa de bombom, que quando abriu, um coração estava lá dentro. Não se sabia o porquê de corações serem arrancados. Pierre e toda a sua turma decidiram visitar a mina, pois a história de 10 anos atrás mexeu com todos, deixando uma curiosidade no ar.

– Essa mina é mais velha que o meu avô. – zombara Jeff.

– Ah, que nada, até que é bonitinha. – Pierre também zombou.

– Não sei, tem alguma coisa estranha nessa mina. Espíritos ruins.

– Deixa de besteira, David. Vamos explorar esse lugar. – disse Joel.

– Espera, isso é sério. David, não precisamos ir se você não quiser. – Pierre falou, e David olhara seus amigos entrando no local.

– Não, eu vou sim. Viemos aqui para isso, não é? Então vamos entrar.

David suspirou e entrou na mina juntamente com Pierre. Eles só tinham uma lanterna para iluminar o caminho. Harry Warden usava máscara de oxigênio e uma picareta para matar as pessoas. Diziam ser um machado, mas ele matava com uma picareta. De repente, um homem com a máscara de oxigênio aparecera, e assustara David, que gritou.

– Calma, sou eu. – dizia Pierre, acalmando-o.

– Pierre, nunca mais faça isso, está ouvindo? Nunca mais.

– Está bem, seu medroso.

– Cuidado! Atrás de você.

Pierre olhou para trás, e Harry Warden estava atrás. Mas espera, ele não estava em coma? Mistérios a parte... Todos saíram correndo e entraram no carro que Jeff dirigira até a cidade. Sim, ele havia comprado um carro recentemente. De longe, o homem os viu, e arremessou a picareta no carro. A ponta quase acertara os olhos de Laura, que estava na frente.

– Ai meu Deus! Jeff, acelera.

Jeff acelerou o carro e todos foram embora da mina.

– Nunca mais quero voltar para aquele lugar. – dizia Avril.

– É aterrorizante. – completou Chuck.

– Mas quem é esse Harry Warden? Ele não está em coma? Eu queria entender esta história.

– Eu também, Sébastien. – disse Patrick.

– Vamos ao supermercado? – questionara Pierre.

– Vamos.

Eles foram até o supermercado mais próximo da cidade. Necessitavam passar por um beco, e lá encontraram o corpo de uma moça que teve o coração arrancado e colocado numa caixa de bombom, e a parede tinha uma mensagem escrita com o sangue dela, que dizia: “Seja minha para sempre”

– Laurence, por favor, não venha até aqui. – dizia Sébastien que estava na frente.

– Por que? – Laurence foi até Sébastien e viu o corpo. Teve náuseas, e começou a se desesperar. – Vamos sair daqui. Eu tenho certeza que esse Harry voltou e agora nos pegará.

Enquanto isso, uma moça se aproximara.

– Oi. Vocês sabem onde fica um bar aqui perto? – perguntou ela.

– Sim. Você segue a rua principal e vira à direita. Sairá num bar. – dizia Pierre, que conhecia tudo sobre a cidade.

– Obrigada. – a moça se afastou.

“O estudante Derick Whibley, 17, foi assassinado com picareta há poucos minutos, em um bar de Chinatown, bairro de classe alta da cidade de Montreal. Não havia nenhuma testemunha. Apenas foi encontrado o corpo no beco da cidade. Na parede, a mensagem ‘Seja meu para sempre’ escrita com sangue, e a caixa de bombom com o coração do rapaz.”

– Ouviram isso? – perguntara Pierre, que estava assistindo TV através de seu celular.

– Não foi aquela moça que veio pedir informação para nós? — perguntou David.

Realmente, era ela. A moça estava com o espírito do Harry Warden devido ao fato de dez anos atrás. Mas, o mais importante, é que ninguém saiu ferido da história. Todos foram para suas casas, exceto Pierre e David, que estavam juntos. Bouvier ainda estava magoado com a situação, pois ser irmão de Desrosiers era algo insuportável. Não conseguia evitar as lágrimas.

“Eu nunca imaginei que um dia iria me apaixonar por alguém do mesmo sexo. E o pior, este homem é o meu irmão. Consegue ver o quanto eu estou arrasado com tudo isso? Se eu pudesse voltar atrás, nunca teria me relacionado com o David, e nunca teria ido pra cama com ele. Não sou nada sem os beijos dele, e agora não sei o que fazer, não podemos mais ficar juntos. ’’ – pensava Pierre em meio a um choro profundo, acompanhado de soluços.

– Pierre.

– David...

– Eu sei o quanto esta história está mexendo com você. E comigo também está.

– Não sei o que eu faço da minha vida.

– Você agora é meu irmão, e eu não vou me afastar de você.

– É isso que dói, você ser o meu irmão. Eu não queria, me apaixonei por você de verdade. Apaixonei-me pelo meu irmão. – ele chorava intensamente.

– Você acha que também não dói em mim? Sou apaixonado por você desde a primeira vez que te conheci, quando você veio pra mim todo tímido no colégio...

Flashback

– Oi, desculpa lhe atrapalhar, mas eu posso me sentar aqui?

David tirou imediatamente sua mochila da cadeira, e olhou para Pierre, e com a face totalmente corada por ter ficado encabulado, respondeu:

– Ah, me desculpe, eu não sabia que existia alguém que sentava aqui.

Pierre sorriu, e disse:

– Eu sempre me sento aqui no fundo. E... – Pierre hesitou ao falar, por estar muito tímido — Você é novo por aqui, não é?

David finalmente conseguiu fazer Pierre rir.

– Eu me lembro disso. Eu realmente estava bem tímido.

– Você foi muito fofo comigo... Quero dizer, legal. Ah, Pierre, vai ser difícil eu resistir a você agora.

– E eu? Nosso amor foi jogado para o alto.

– Mas amor de irmão prevalece.

– Eu não quero acreditar que sou seu irmão.

– E seus pais? Já sabem que você é gay?

– Não.

– Pierre, conte a eles. Sei que eles vão dizer que é pecado você amar o seu irmão, mas é melhor do que esconder.

– Está bem. Mas então vá comigo.

– Tudo bem, eu vou.

David e Pierre conduziram até a porta, e caminharam até um ponto de ônibus, pois a casa de Bouvier localizava-se em outro bairro, até parecia outra cidade, de tão longe. Depois de tanto andarem, bateram na porta. Réal, pai de Pierre, atendeu.

– Filhos. – disse ele com um sorriso no rosto.

– Filhos? – David e Pierre perguntaram em coro.

– Sim.

– Então é verdade?

Seu pai engoliu seco.

– É a mais pura verdade.

– Não! – Pierre se ajoelhou no chão, voltando a chorar.

– Mas por que ele está assim?

– Senhor Réal... Digo, pai... É que nós nos apaixonamos um pelo outro. Até ontem namorávamos.

– Como é? – Réal exaltou-se.

– Desculpa. – Pierre abaixara a cabeça.

– Vocês já foram pra cama?

– Sim.

– Eu não acredito que tenho filhos viadinhos.

– Que preconceito é esse, pai? O senhor fala como se isso fosse uma maldição.

– E é.

– É uma lástima, porque agora somos irmãos, e saber que eu estou apaixonado pelo meu irmão é difícil.

Réal deu um tapa na cara de Pierre.

– Suma da minha casa!

– O quê? – indagou Pierre, com a mão no rosto e indignado.

– Suma agora, Pierre Charles Bouvier!

– Mas eu não tenho onde ficar.

– Arruma suas malas e saia. Se vira!

Pierre subiu as escadas e começara a arrumar as malas. Mas como possuía um armário cheio de roupas, teve que arrumar quatro malas. Por fim, ele saiu de casa, e bateu a porta estressado, caminhando pela rua juntamente com David, chorando. Disfarçadamente, ele enxugava todo aquele pranto, mas não conseguia parar de chorar.

– Eu não agüento isso. Eu pensava em receber uma aprovação, e não rejeição. Agora estou sem lugar pra ir.

– Fica na minha casa, Pierre. Somos irmãos, e eu posso te acolher.

– Mesmo?

– Sim.

– Obrigado.

– Vamos pedir um táxi, eu não acho que você tenha condições de ir pra minha casa de ônibus, ainda mais que uma hora dessas deve estar lotado.

– É verdade.

Quando David estava ligando para o táxi, uma viatura de polícia passou. Ele interrompeu a ligação e parou o carro.

– Ei. Eu preciso fazer um boletim de ocorrências. – suspirava Pierre.

– O que houve?

– Uma prostituta cortou o dedo da minha cachorra, mas ela deixou isso como prova. – Pierre retirara um papel do bolso da mala.

– Você ainda será meu, Bouvier. Afinal, temos um laço eterno, nos veremos logo. Beijos, Lachelle. – leu o policial em voz alta. – Vocês são namorados?

– Éramos. E agora ela quer se vingar. No espelho do banheiro, havia uma mensagem escrita, e a pia toda ensangüentada. Eu tirei foto.

Pierre mostrara a foto que ele tirou do banheiro, cujo espelho dizia: Se ainda tem alguma dúvida, sou eu, a Lachelle. Pierre, meu amor.’’

– Ela é psicopata. – disse David afirmando com a cabeça.

– Vocês podem me dizer onde fica a casa dela?

– Sim, eu vou guiando você.

Entraram no carro e o policial dirigia o mais rápido possível. Mas a cidade estava infestada pela neve, que cobria parte do carro. Dificultava a visão do policial e também o modo de dirigir.

– É aqui. – Pierre mostrou uma casa simples, depois de estarem horas dentro da viatura.

O policial tocou a campainha...

– Pois não? – Lachelle atendeu.

– A senhora está presa por maltrato de animais, fora os outros crimes.

– Ninguém pode provar.

– Claro que podemos, sua biscate. Está aqui, ó. Quer que eu esfregue isso aqui na tua cara? Aliás, você devia engolir, engasgar e morrer.

– Calma, deixa que eu cuido disso. – o policial tentara acalmar Pierre. – Me acompanhe, Lachelle.

– E dessa vez, deixe a cela bem fechada, inclusive janelas. – completou David.

Através das provas que Pierre havia dado ao policial, puderam fazer um retrato falado de Lachelle, descobrindo todos os crimes que ela havia cometido. Colocaram-na novamente na solitária, onde não tinha nenhuma cama e nem cobertor.

– Estou com fome. – dizia Lachelle.

– Ah, temos uma comida deliciosa pra você.

O policial trazia um prato de macarrão com feijão, mas quando ele abriu a cela, jogou toda a comida no chão.

– Come aí.

Lachelle olhara indignada.

‘’Eu não acredito que aqueles desgraçados me puseram nesta situação, e que a Laurence ainda terá o bebê. Eu tenho que fazer alguma coisa, preciso impedi-la de ter esse filho.’’ – disse Lachelle, olhando para a comida no chão. Ratos e baratas rastejavam por ali. Ela ficou com nojo, mas como a fome era incontrolável, pegou a comida do chão e comeu.

Na casa de David...

– Pierre, onde você está? – questionara David, mas ele não o respondeu. – Pierre? – ele insistiu, mas como Bouvier não dizia nada, ele correu para procurá-lo. Pierre estava com uma faca de cozinha nas mãos, ameaçando se matar.

– Não! – disse David em meio a um grito, tomando a faca das mãos de Pierre.

– Eu quero morrer, David. Meus pais não me aceitam, eu sou pai do filho de uma vadia, estou apaixonado pelo meu irmão... Isso não é vida, preciso me matar.

– Escuta... Vamos vencer juntos, ok? Somos irmãos, e eu vou estar aqui por você.

– Mas eu te amo.

– Eu também te amo, Pierre. Não está sendo fácil pra mim também.

– Ter que te olhar sem poder fazer nada é difícil.

– Eu sei.

Pierre estava ficando fraco. Seu rosto estava seco devido às lágrimas. Ele estava sofrendo muito, pois sentia de que toda aquela paixão verdadeira estava se afogando em um triste martírio. Nada iria facilitar a vida dele, pois a tristeza o dominava e, com isso, quis entrar para o mundo dos alcoólatras. Com uma garrafa de uísque na mão, ele foi bebendo. Talvez assim ele afogasse as mágoas, como ele mesmo dizia. Mas ele não tinha consciência de seus atos, e quando se deu conta, já tinha bebido metade da garrafa. Logo após, ouviu-se um baque. David, preocupado, foi verificar, e encontrou Pierre caído no chão com a garrafa de uísque. A resposta era óbvia: estava mais do que bêbado.

– Pierre, o que você está fazendo? Está querendo acabar com a sua vida?

– Eu vou me jogar debaixo de um caminhão. – disse ele com a voz enrolada.

– Pierre, não diga besteira. Senta aqui. – David o colocou no sofá. — Beba este café.

Bouvier bebeu o café, que havia sido preparado por Julie há poucos minutos. Café forte ajudara a curar a ressaca.

‘’Por que, meu Deus, por que? Com todas essas coisas acontecendo, e eu com essa vontade de morrer. A vida já não faz mais sentido.’’ – dizia Pierre.

Em sua face existia um olhar triste, que indicara sofrimento e dor. Seu coração estava em pedaços, como se estivesse sido apunhalado brutalmente. Ser irmão de David, aquele que tanto ama, era impossível de apagar-se da memória. O mundo desabou, o coração tornara cinzento, e sua alma bastante ferida. Refletia se assumia ou não esse filho de Lachelle. Pierre ficara inquieto, se jogando de um lado para o outro enquanto estava deitado na cama. Insônia e tormento invadiram aquela noite sombria. Árduo de acreditar que o filho era mesmo de Bouvier.


“Eu vou tirar essa história a limpo.” Pierre dizia nervoso, como se o filho não fosse dele. Mas se fosse? Ele deveria assumir? O que você faria se uma estranha dissesse que havia transado com você e engravidado? Assumiria a paternidade? Tudo estava uma grande confusão, de cabeça para baixo, e ninguém sabia o que fazer para sair desta situação lamentável. É possível se apaixonar pelo irmão? Uma pergunta sem resposta, um amor sem limites... Nem mesmo com esta descoberta, Pierre conseguia esquecer-se de David, e nem David esquecer-se de Pierre.

Untitled – Simple Plan

“Como isto pôde acontecer comigo? O que eu fiz para merecer essa angústia? Por que a Lachelle faz isso?’’ – Pierre soluçava de tanto chorar.

O amor pelo David já havia transformado-se em loucura, que ele não conseguia evitar. Parava para pensar o que fazia, mas não conseguia refletir em nada. Bouvier adorava sentir a pele macia de Desrosiers, ficar perto dele, o beijar, o acariciar, e até mesmo dizer palavras bonitas... E agora o fato de serem irmãos o impede de fazer isso. Que sofrimento! Ele não sabia definir o tamanho dessa dor, que estava consumindo todo o seu ego, fazendo com que ele pensasse em tomar atitudes drásticas, como suicídio, drogas e álcool. A vida já não tinha sentido algum para nenhum deles. Já não via mais a vida sem David. Ele o completava, o fazia feliz... Sua vida virou do avesso depois do ocorrido. Lachelle era mesmo uma prostituta barata, que só estava planejando vingança para poder ser herdeira da fortuna da família Bouvier, e ela não iria desistir até que conseguisse o que sempre desejou.

Pierre olhara pela janela e observou a neve caindo. Já estava alta, e com certeza a escola iria fechar, pois quando a neve chega aproximadamente na altura do joelho, é cancelado tudo na cidade de Montreal. A mais bela cidade do Canadá, e um lugar ótimo para se viver, como os moradores costumavam descrever. A janela já estava completamente coberta pela neve, e então Bouvier tentou dormir, para esquecer-se daquelas lembranças ruins, mas não conseguia parar de pensar na paternidade e no fato de ser irmão de David. Aquilo já estava o incomodando.

Loser Of The Year – Simple Plan

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste. É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada. É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre. É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia. É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua. É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo. É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar. É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo. Se você errou, peça desculpas... É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado? Se alguém errou com você, perdoa-o... É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender? Se você sente algo, diga... É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar? Se alguém reclama de você, ouça... É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você? Se alguém te ama, ame-o... É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz? Nem tudo é fácil na vida... Mas, com certeza, nada é impossível. Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas também tornemos todos esses desejos, realidade.’’

“Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro. Nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas, frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: em que espelho ficou perdida a minha face?’’

“Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como? Você vai dizer ‘te anima’ e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquele que sempre fui. Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.’’

Enquanto isso...

– Sébastien, minha mãe recusou a minha gravidez. Me chamou de vagabunda no telefone. – disse Laurence.

– O quê?

– Foi horrível.

– Calma, meu amor, agora você vai morar comigo, e vamos superar isso juntos. – Sébastien beijou a testa de Laurence.

– Você é tão bom pra mim.

– Eu faço isso porque eu te amo.

– Ah, que lindo, eu também te amo.

Laurence pusera seus braços ao redor do pescoço de Sébastien, e ambos se beijaram apaixonados.

Na casa de Pierre...

– Pierre, comprei um novo jogo de Xbox, vem jogar... Pierre? – Jay foi até o quarto de Pierre, mas ele não estava lá e em nenhum canto da casa. Ele desceu as escadas e decidiu perguntar a seus pais.

– Cadê o Pierre?

– Filho, sente-se.

– Não, eu estou bem em pé.

– Acharia melhor você se sentar.

– Está bem, pai. – Jay puxou uma cadeira e sentou.

– Nós o expulsamos de casa.

– O quê? Por que vocês fizeram isso?

– Ele é gay.

– E daí? Por causa da escolha dele, vocês o expulsam de casa? De qualquer modo, ele também é filho de vocês, deviam aceitar. Agora vai saber se ele não está por aí fazendo o que não deve. Adolescente quando é expulso de casa, começa a fazer coisas desnecessárias, e entram para o mundo do crime.

– Eu não aceito filho gay em casa.

– Vocês são medíocres. – Jay levantou-se da cadeira, e minutos depois caiu no chão. Os pais se preocuparam, pois Jay estava tendo convulsões estranhas, e decidiram levá-lo ao médico.

Chegando lá, ele fez uma série de exames, e constatou que Jay tinha um câncer maligno. Mas todos se surpreenderam, porque já fazia um tempo que ele tinha esse câncer, e nada o aconteceu até então, mas a doença estava se espalhando e a qualquer momento poderia levá-lo a morte.

Narração: Jay

Foi um câncer. Aquilo veio se instalando dentro de mim há tempos, e eu nem desconfiava. Um dos mais terríveis e avassaladores que já existiu. Tomou-me aos poucos e disseminou-se pelas minhas idéias. De início foram palpitações. Marteladas convulsivas em meu peito, seguidas de uma sensação de medo. Eu costumava pensar que problemas cardíacos eram coisas de velho! Realizei quimioterapia, mas o câncer era insistente, e veio a instalar-se em meu ventre, numa dor de barriga sem dó. Não dava importância àquele que dizia ser um câncer. Foi quando ele veio como compulsão. No mesmo dia, fui ao shopping e me senti alegre. Mas saí de lá com, além de diversas sacolas e do limite do cartão estourado, uma profunda tristeza. Quebrei meu cartão e doei minhas compras a um mendigo. No intervalo da terapia, quando minhas preocupações vinham à tona, dizia; ‘’Sim, acho que tenho um câncer!’’ Mas passei a ser repreendido em meu diagnóstico. Meu câncer convencia-me a prosseguir na terapia. Até que meu computador estragou. Um vírus maligno derivante das minhas andanças terapêuticas pela Web. Só neste dia, eu procurei mais de 100 vezes a respeito do câncer. Não preciso dizer que ele ficou irritado. Tomado pelo ódio, veio a instalar-se em minha garganta. Tamanha era a dor na garganta que tive de optar pela introspecção muda. Nas reuniões sociais calava-me e nada saía de lá, o que resultou em solidão. Admito, também ficava envergonhado com tamanho silêncio, que insistia envolver minha aura, mas a dor era tanta que doía menos a solidão. Quando vinham conversar comigo, questionavam meu silêncio. Dizia apenas ter um câncer, e me olhavam com pesar. Mas o pesar a que estão acostumados os mendigos. Diante de todo o ódio e sofrimento, fiz com que o câncer ficasse descabidamente descontrolado, e viesse a se alojar em minha cabeça, de fato. Agora tudo que via e ouvia acreditava ser mentira. Com isso, chamaram o pastor! Ele por sua vez disse que se tratava de espíritos dastrevas e que seria necessária uma sessão de descarrego. Após a sessão nada mudou. Meu câncer ainda permanecia ali. Calado, mas ali. No entanto o pastor insistiu que pagássemos o dízimo e continuássemos a freqüentar a igreja, mas não dei ouvidos, afinal, eu estava sofrendo. Mas ao contrário do que imaginei, meu câncer deu a rir e sumiu por um tempo novamente. Mas logo voltou e atingiu o meu eu por completo, e dessa vez, não pude evitar ir para o hospital depressa e ser internado em estado grave. Meu corpo todo dói, já estou perdendo os cabelos. E agora? Eu só queria o meu irmão de volta para jogarmos vídeo-game. Já estou sentindo falta da companhia dele, e de todos os conselhos que ele me dava.

– Pai, eu preciso ver o Pierre. Eu quero muito ver o meu irmão.

– Eu não sei onde ele está meu filho.

– É culpa... De... Vocês. – Fechei os olhos e fiquei desacordado.

Save You – Simple Plan

– Jay? Jay! – seu pai exaltou, mas já era tarde demais.

Enquanto Jay estava passando mal, Pierre elaborava uma carta a sua família, especialmente a seu pai:

Pai, eu sei que você gostaria que eu seguisse os seus passos. Vocês sempre quiseram me dar o melhor. Queriam que eu fosse um advogado, médico ou arquiteto. E agora sou apenas o vocalista de uma banda de Rock. E apaixonado por um homem, que também é seu filho. Me desculpe se a carta estiver molhada, mas eu não consigo segurar minhas emoções e nem mesmo disfarçar a minha dor. Agora eu fui jogado na rua, sem apoio da família, sem aquele carinho de mãe. Vocês se lembram do chocolate quente que levavam todo dia na minha cama? E o beijo de bom dia e boa noite? E o pedido de bênção, que vocês me cobravam, e vocês me respondiam ‘’Deus te abençoe, meu filho’’? Nada disso importa? Eu sei que às vezes o mundo é cruel e que viver nele pode ser uma tarefa com muitas dificuldades, mas sei também que vocês gostariam de construir um mundo onde só houvesse o melhor para mim e onde o tempo não fosse tão curto para aprendermos a vida, onde não houvesse pessoas capazes de ferir-me, onde eu pudesse apenas brincar de viver. Eu sei que vocês gostariam que eu lhes desse netos, e eu peço perdão pela escolha que tive. E pelo erro cometido. David é meu irmão, e agora eu não posso evitar de dizer que eu sou louco por ter me apaixonado perdidamente por alguém que tem o mesmo sangue que o meu. E Jay, saiba que você é o meu irmão querido, e eu nunca esquecerei de você, nem dos conselhos e muito menos de jogar vídeo-game contigo. Mãe, me perdoe por tudo também. E pai, eu escrevi uma música para o senhor.

Ei pai, olhe para mim
Pense de novo e converse comigo
Eu cresci de acordo com seus planos?
Você acha que eu estou perdendo meu tempo
fazendo as coisas que eu quero fazer?
Mas dói quando você desaprova tudo
E agora eu dou duro para ser bem sucedido
Eu só quero te deixar orgulhoso
Eu nunca vou ser bom o bastante para você
Eu não posso fingir que eu estou bem
E você não pode me mudar

Porque nós perdemos tudo que temos
Nada dura pra sempre
Desculpe,
eu não posso ser perfeito
Agora é tarde demais,
e nós não podemos voltar atrás
Desculpe-me
eu não posso ser perfeito

Eu tento não pensar
Sobre a dor que eu sinto por dentro
Você sabia que era meu herói?!
Todos os dias que você passou comigo
Agora parecem tão distantes, e parece que você não se importa mais
E agora eu dou duro para ser bem sucedido
Eu só quero te deixar orgulhoso
Eu nunca vou ser bom o bastante para você
Eu não posso suportar outra briga
E nada está bem

Nada vai mudar as coisas que você disse
Nada vai fazer isto ficar bem de novo
Por favor, não vire as costas
Não consigo acreditar que é difícil
só falar com você
Mas você não entende

Espero que com isso consigam refletir no que fizeram.

Pierre. xx

“Eu nunca poderia ter visto isso de longe. Eu nunca poderia ter visto isso vindo. Parece que meu mundo está se desmoronando. Por que tudo é difícil, eu não acho que consigo lidar com as coisas que você disse. Apenas não vão embora. Em um mundo perfeito isso nunca poderia acontecer. Em um mundo perfeito você ainda estaria aqui. E não faz sentido, eu poderia simplesmente recolher os pedaços, mas, para você, isso não significa nada. Simplesmente nada!

Eu costumava pensar que era forte até o dia que tudo deu errado. Eu acho que preciso de um milagre para passar por isso. Eu gostaria de poder te trazer de volta, eu gostaria de poder voltar no tempo. Porque eu não consigo soltar, eu simplesmente não consigo encontrar meu caminho. Sem você eu simplesmente não consigo encontrar meu caminho. Eu não sei o que fazer agora, eu não sei para onde ir. Eu ainda estou esperando por você, estou perdido quando não está por perto. Eu preciso me segurar em você, eu simplesmente não consigo te deixar ir.”

De repente, Pierre sentiu uma forte dor no peito.

– David, acho que aconteceu alguma coisa.

– O quê, Pierre?

– Eu estou sentindo que alguém muito próximo de mim está mal.

– Quem?

As fortes dores de Pierre foram se aprofundando, e ele caiu no chão, com a mão no peito e gemendo de dor.

Give Me Novacaine – Green Day

Fim.

Notas finais
Reviews? *-*