Notas iniciais
Oi, gente. Eu sumi, eu sei. Sinto muito. Bom, um capítulozinho pela Nina- já me disseram que gostam dela.

Dezoito de Maio, dezoito anos, dezoito horas estando pela minha própria conta. Aquele, definitivamente, era o meu número. Assim que as Irmãs acordaram, lá estava eu, com todos os documentos necessários contendo a minha assinatura, esperando somente a da Irmã Dora.

Enquanto escrevia seu nome nos diversos locais requeridos naqueles papéis tão importantes, a freira perguntava repetidas vezes se eu estava certa do que fazia. A resposta não mudara nem uma vez.

Eu cairia fora dali. Com ou sem escola, com ou sem empregou, com ou sem comida garantida ou um lugar para morar, o que eu, felizmente, já tinha. Aquela garota, a Carol. Trabalhava no Café onde eu arranjara emprego há alguns meses, com a aprovação das Irmãs, e eu não confiava nem um pouco nela. Mas ela oferecera um teto longe daquelas paredes descascadas, que um dia já foram inteiramente cinzas. Era minha única chance de não precisar passar o resto do ano trancafiada naquele lugar sem real necessidade. Por mais que eu não entendesse seus reais motivos de me deixar dormir na sala de seu minúsculo e desorganizado apartamento, me pedindo somente para ajudar com as despesas mensais, eu estava no momento olhando para o ventilador no teto azul claro, girando a todo o vapor naquele fim de tarde quente.

Como era domingo; o Café fechara à uma da tarde, e, pela primeira vez, eu não voltava para debaixo das asas das freiras, e sim, segurando a bolsa que eu costumava usar para ir para a escola (o material fora deixado sobre minha antiga cama: não pretendia dar à ele nenhuma utilidade), cheia das (poucas) coisas que acumulara durante os anos no orfanato.

Eu não tinha uma história trágica como muitas das garotas lá; meus pais não morreram ou coisa assim, fora das nossas mãos, para não poderem tomar conta de mim. Eles só não quiseram. Não os conheci. Deixaram-me com minha bisavó, que, Deus a tenha, mal conseguia me levantar do berço. Até que o fatídico dia chegou. Eu tinha cinco anos, e nenhum preparo para os lugares pelos quais passei. Até encontrar o Santa Maria. E, com ele, Amélia. A vadia desgraçadamente sortuda de quem eu sentia falta a cada dia da minha vida.

Foi a única coisa que pedi antes de partir. Algo que me ajudasse a localizá-la. Um endereço, o nome de uma cidade, qualquer coisa que fizesse a jornada de encontrar minha melhor amiga um pouco mais fácil. Agora ali estava eu, com as costas úmidas contra o estofamento quente, revirando um pedaço de papel com uma sequência de números escrita. Um número de telefone, foi só o que me deram. Eu, obviamente, não tinha um celular, e estava relutante em pedir o de Carol emprestado. Estava hesitando até mesmo em falar com ela sobre coisas além de necessário. Quer dizer, toda aquela hospitalidade poderia mesmo ser de graça, como um reflexo de sua compaixão e empatia?

Eu aprendera desde cedo a não confiar nem esperar demais das pessoas. Bom momento para colocar o ensinamento em prática.

Notas finais
Espero que possam me perdoar pelo sumiço e que comentem. Desculpa se esse foi pequeno, vou pensar em melhores (e maiores).