Gossip Again - O Ano dos Eleitos
6 Capítulo Quinto - Stay High
Notas iniciais

Jason tentou tirar Scarlett da água. Ela respirava, mas estava desacordada. Hayden o ajudou a sair da água e enrolar a garota na toalha jogada ali perto.
— Que porra aconteceu aqui? — Hayden olhou chocado.
— Que tal você me ajudar? — Jason revirou os olhos enquanto segurava Scarlett no colo. — Pega as coisas dela.
— O ambulatório não é para o outro lado? — Perguntou Hayden, correndo atrás de Jason por um corredor deserto, rumo à ala oeste.
— Vou levar para o nosso dormitório. Todo mundo está fora e a essa hora não tem revista. Teria que atravessar a droga da escola toda até chegar lá. — Ofegou Jason.
— Não acha que está sendo muito radical? — Olhou em tom de censura. — Jason... Os Wright são extremamente respeitados, cara! Ela é a filha da porra do Ministro!
— Eu sei! Eu sei! — Jason gritou e parou no meio do caminho, fulminando de raiva. — Eu sei que ela não é esse lixo que eu retrato..., mas eu...
— Você está sendo um babaca e seguindo o seu pai! Você mesmo me disse uma vez que uma das coisas que você tinha mais vergonha na sua vida era do seu pai. Agora você está fazendo exatamente o que ele queria que você fizesse: se baseando em uma história sem sentido, em uma rixa antiga.
— Não é verdade.
— É sim, cara. Ele morreu, mas você virou o Black que ele sempre quis: Arrogante, cruel e insensível. — Hayden olhou sério para Jason — Você é meu melhor amigo, mas o que você está fazendo é a mais pura idiotice.
Jason fechou a cara e continuou o caminho para seu dormitório, as pernas de Scarlett pendendo frouxamente em um balanço desordenado, e Hayden os seguiu, revirando os olhos.
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Caleb ficou exatos dois minutos com os garotos na garagem até receber uma mensagem de uma garota chamada Liza e ir em direção aos dormitórios. Ethan revirou os olhos e dirigiu o carro recém recebido até uma vaga afastada na enorme garagem coberta. Aaron esperou o segurança estar longe o suficiente para acender o costumeiro baseado.
— Ele não muda, né?
— É claro que não. Deixamos ele cinco minutos sozinho ontem e ele já deve ter sexo para o resto da semana. Só fico feliz que não ser a Blair.
— Acho que você pegou muito pesado com ele, Ethan. Quer dizer.... Eles são melhores amigos, não tem nada a ver.
— Ele quebrou meu dente! Sério que isso não é pegar pesado?
— Ele lascou o seu dente e você quebrou o nariz dele, Caleb teve que fazer plástica, você só fez um corretivo. Eu entendo o que é mexer com Blair para você, porque é como mexer com Blair para mim. É só lembrar de quando rolou aquilo com a Barnes.
— Eu sei lá, não sei se deveria confiar no Caleb com ela.
— Isso não é mais problema seu. — Aaron, subitamente, fugiu do ar costumeiramente relaxado e ficou completamente sério, até frio para seus padrões. — A vida da Blair não te diz mais respeito. Eu acho melhor voltarmos.
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— Por que será que a Scarlett está demorando tanto hein? — Perguntou Madison. Elas estavam esperando fazia 40 minutos, na sala de estar da ala Sul, nos dormitórios dos garotos.
— Conhecendo a Scarlett, daqui duas horas ela vai chegar aqui com a maior cara-de-pau do mundo! — Riu Kyle, tentando quebrar o gelo. — Que tal fazermos alguma coisa?
— Eu passo essa... vou dar um jeito no meu cabelo. — Disse Alex fingindo achar uma ponta dupla. Ela estava totalmente deslocada: Harriet e Blair foram correr no clube e ela estava entre dois inegáveis casais.
— Ah Alex! Fica aqui! — Zoe puxou o braço da meia-irmã, fazendo-a sentar na poltrona.
— Daqui a pouco eu volto. Prometo! — Levantou-se e saiu da sala. — Como se eu fosse voltar tão cedo assim. — Sussurrou para si.
— Então... — Disse Kyle quando a loira saiu da sala. — Vamos dar uma volta?
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— Eu preciso... — Jason resmungou, colocando Scarlett na cama dele e enrolando-a em uma toalha.
— Jason. Você não vai atrás do Trent de novo. Ah, não mesmo. Jason, você... — Hayden tentou falar, mas não conseguia. Jason dirigia-se a porta. — Você não acha que devia parar? Sua mãe disse...
— Minha mãe não tem... — Jason não falou mais nada ao ouvir Scarlett soltar um gemido.
A garota abriu os olhos e se deparou com duas sombras. Quando o seu olhar se focou, cobertas pretas e um porta-retratos da família Black a encarou com o desdém típico.
— Não pode ser... — Murmurou Scarlett.
— Scarlie... Sou eu, Hayden, lembra? E o Jason...
Scarlett piscou e se virou na cama, encontrando os olhares preocupados dos garotos, e deu um pulo na cama:
— O que eu estou fazendo aqui? Que porra está acontecendo?
— Salvamos uma donzela em perigo. — Jason falou sarcasticamente. — Você estava afundando no lago, desmaiada.
— Jason pulou no lago assim que te viu afundar — Disse Hayden sem se importar com o olhar de censura que Jason lhe deu. — E trouxe você até aqui.
—Obrigada. — Scarlett olhou confusa para Hayden. — Esse é o momento mais bizarro da minha vida, mas obrigada.
— Não precisa agradecer... e já falei para me chamar de Hayden!
— Ok Hayden... —Scarlett docemente para Hayden. — E obrigada Ja...
Jason havia saído do quarto antes mesmo que percebessem.
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Kyle e Zoe se agarravam em um canto qualquer do jardim após dezenas de indiretas dela, enquanto Drake e Madison conversavam encostados a uma árvore, afastados dos alunos que jogavam bola ou matavam as saudades dos amigos.
— Não imaginei que Zoe seria tão previsível. — Madison riu encostando a cabeça no ombro de Drake.
— Eu imaginei Kyle sendo mais delicado, admito. Você está bem? Quer dizer, ouvi você comentando sobre o Allan no lago...
— Acho que sim... quer dizer, não sei o que pensar. Não era apaixonada por ele e nunca chegamos a consumar o relacionamento, se você me entende. Acho que foi mais uma questão de ego do que qualquer coisa.
— Vai ver ele não era a melhor pessoa para isso. — Drake sorriu para ela e arrumou seus cabelos. — Você sempre foi boa demais para o Allan, Mads.
— E para você, sou boa demais? — Ela fez uma pose e riu.
Sem responder, Drake se aproximou de Madison e a beijou.
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— Uau. Você definitivamente foi uma excelente aquisição de Birchcreek.
Caleb estava com a garota Liza, jogados no chão do quarto dela. Não era algo que ele não estava costumado a ouvir, mas desde que descobrira que sairia da escola para rapazes de Nova Iorque e se juntaria a todos os amigos para estudarem no mesmo lugar e praticamente morarem juntos, as circunstâncias o abalaram de certa forma.
— Obrigado Liza. — Ele não fez a menor questão de retribuir a gentileza. Até porque ela não era nada que valia a pena elogiar. A garota se sentou na cama enquanto ele levantou e começou a vestir as roupas, molhado de suor.
— Você não quer, sei lá, tomar um banho... dar uma volta?
— Liza, eu...
A garota então deu um sorriso amargo e colocou a blusa. Ela prendeu os longos cabelos castanho-claros e abriu as janelas, deixando a brisa fresca entrar no quarto abafado.
— Já entendi. Não vamos fazer isso de novo, certo?
— Liza. — Ele deu aquele sorriso safado, digno de qualquer sex-appeal que se preze, os cabelos caindo no rosto. — Eu não trabalho com nãos, nem com certezas. Não trabalho com fofocas também. Você consegue aceitar isso? — E a segurou pela cintura, pressionando gentilmente os polegares contra os ossos salientes dela. A garota estremeceu e assentiu com a cabeça.
— C-Claro. Posso ficar quieta sobre isso.
— Boa garota. — Ele tascou um beijo na boca dela e desapareceu pelo corredor. Quanto já estava a uma boa distância dali, cruzou com outras duas garotas que conversara na noite anterior após o jantar, pegando o número de uma delas.
Charles “Caleb” Jones estava de volta.
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Hayden cuidou dos minúsculos ferimentos de Scarlett com um kit de primeiros-socorros que levava na mala e a ajudou a levantar.
— Então... se sente melhor?
— Defina melhor. — Scarlett deu uma risadinha. — Obrigada, Hayden.
— Sabe, não sei porque ele tem essa mania de ser grosso contigo e com o seu irmão.
— Você bateu com a cabeça?
— Você bateu, e literalmente. — Ele se sentou ao lado dela. — Eu conheço seus pais. Sua mãe é amiga da minha, sabia? Já a vi em casa várias vezes. E falando nisso, sua mãe e Alena Black são tão amigas quanto você e a Fischer.
— Credo, parece um filme de terror. Meu avô nos criou com essa maldita rixa e tudo o mais, parece que eles deixaram de acreditar neles mesmos.
— Não sei porque a surpresa, Scarlett! Seu pai como Ministro não podia simplesmente dar as costas à mãe do Jason. Ela é extremamente influente e os bancos dos Black são os principais fornecedores do governo.
— Eu sei, mas ele é tão... tão.... Infantil. — Scarlett gargalhou. — A última vez que eu realmente me importei com isso foi quando ele deu um soco no Drake. Mas agora.... É só a irritação por inércia, só Jason que ainda leva essa babaquice a sério. Tem certeza que foi ele que me salvou?
— A menos que exista um clone dele... — Brincou Hayden.
— Sem piadas, foi uma pergunta retórica.
— Quando ele viu que você e suas amigas não estavam juntas, ele pareceu preocupado e logo depois correu até o lago quando ouvimos um barulho forte de algo caindo na água.
— Não faz sentido nenhum. — Suspirou sem entender nada. Puxou do bolso da saia um cigarro e o acendeu. — Para que fazer isso se ontem mesmo foi um baita idiota e agora me traz para o quarto dele como se nada tivesse acontecido?
— Duvido que essa é a circunstância que ele realmente gostaria de ter trazido você para o quarto dele, ou que pelo menos é a que eu gostaria. Mas quando o pai dele morreu, ele recebeu um impacto. Não consegue ser ele mesmo. — Virou-se quando estava na frente da porta. — Eles sempre foram extremamente apegados e tem outras coisas...
— Nichols, para que raios você está me dizendo isso?
— Scarlett... Gostar de alguém é algo que Spencer Black nunca sentiu de verdade. Hoje, a função do Jason é ser odiado porque é o único sentimento que ele sabe retribuir. — E saiu sem dizer mais nada, deixando Scarlett ainda mais perturbada do que quando acordou naquele quarto.
"Beleza. Fiz a sua, Jason... Agora você vai ter que pegar a ruiva!"
Se Jason não ia atrás da ruiva, ele teria que mexer os pauzinhos e criar uma cena dramática. Era a especialidade de Hayden, notar o que os outros não viam: e ele tinha a impressão que o amigo tinha alguma coisa com ela. Talvez o brilho que os olhos dele deram quando a ruiva acordara.
Hayden sorriu vitoriosamente sem ao menos saber o quão real era a história que ele achou que inventara.
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— De novo não... — murmurou Jason, andando pelo corredor, olhando para o chão. Sem perceber trombou com uma menina loira que caiu na sua frente.
— Agora entendo porque a Scarlett não gosta de você, adora jogar as pessoas no chão.
— Foi mal. Alex, certo? — Jason estendeu a mão para Alexandra Fischer. — A Wright está no meu dormitório, desmaiou lá no píer.
"Falando nisso... Por que eu a deixei sozinha lá?"
"Esqueça Jason! Ela não merece seu cuidado!"
"A garota estava morrendo! Não seja ridículo, Jason."
"É claro que não, idiota. Deixe ela lá!"
— Já deu! Chega! — Ele gritou sem perceber.
— Oi? — Alex se afastou, assustada.
— Nada... —Resmungou nervosamente. Ele tinha que parar de deixar as conversas tão perceptíveis. — Eu levo você até a W... Scarlett.
— Desde quando você a chama de Scarlett?
— Eu estou assim hoje. Vem antes que eu mude de ideia.
— Alex?
Blair e Harriet vinham pelo corredor, brilhantes de suor, em shorts de corrida. Mediram Jason superiormente até Harriet perguntar, olhando torto para o loiro:
— O que está rolando?
— Eu estava indo para a biblioteca, ele disse que achou a Scarlett. — E as puxou pelas mãos, acompanhando Jason.
Scarlett estava sentada na cama de Jason fumando seu cigarro calmamente. O incômodo no peito de Jason não só havia continuado como parecia querer fazê-lo explodir.
— Scarlett, você está bem? O que aconteceu?
— Acho que eu desmaiei, não sei porque, mas ele me salvou. — Disse num sussurro apontando para o loiro da porta. — Obrigada. — Disse ainda superior e seca.
Ele apenas acenou com a cabeça, incomodado. Aquela discussão de valores em sua cabeça estava deixando-o louco.
"Como você pode ser tão insensível?"
"Você fez bem Jason... É assim que deve ser!"
"Não ouça ele, Jason! Responda!"
"Não! Você sempre será igual a mim, Jason! Não adianta tentar fugir disso!"
"Ignore-o! Não ouça ele! CONSERTE!"
"Não!"
"Sim!"
“NÃO!"
"SIM!"
— Esquece. Não foi nada. — Virou-se saiu do quarto.
"Estou aqui, Jason. Deixe-o falar. Seja você. Sinta você. Não feche os olhos!".
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