Gorwed, um mundo diferente
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Estarei postando o próximo capítulo daqui a alguns dias.
Boa leitura!
— Lester, levante! Vai se atrasar para a aula.
A voz de uma mulher soou pelo quarto e acordou a pessoa que estava adormecida. Lester, 16 anos, se levantou e vagou pelo quarto, sonolento.
Ele abriu o guarda-roupa e de lá tirou seu uniforme. Uma bonita camisa preta, com detalhes brancos e uma calca preta com detalhes vermelhos. O garoto observou-se no espelho que tinha do lado de dentro da porta do guarda-ropa. Ele arrumou o seu cabelo preto e coçou os olhos que ainda estavam um pouco vermelho.
— Lester, já levantou?
Uma senhora apareceu na porta do quarto. Ela devia ter entre 40 e 50 anos. Era bonita. Seus longos cabelos negros desciam até quase a cintura.
— Sim mãe, já estou de pé. — Falou Lester desmotivadamente.
— Por quanto tempo você vai continuar assim? — Perguntou a mãe suspirando.
— Até que alguma coisa de emocionante aconteça na minha monótona vida. — Respondeu o garoto coçando os olhos.
Lester fechou a porta do guarda-roupa e olhou para a sua estante recheada de livros. Suspirando, ele começou a sair do quarto.
— Você realmente deveria parar de viver sonhando e começar a se dedicar na escola. Suas notas estão baixando.
— Vou me esforçar, mãe.
Os dois tomaram café da manhã tranquilamente e Lester pegou suas coisas para sair de casa.
O trajeto até a escola durava cerca de dez minutos. O garoto observava os arredores sem prestar atenção, até que sentiu um calafrio, uma sensação de que alguém estava o observando. Virando-se rapidamente, ele não viu ninguém. Apenas carros passavam na rua. Ele era o único pedestre.
Balançando a cabeça, ele continuou o caminho até a escola.
As aulas foram do jeito que Lester esperava: monótonas. Ele não falou com ninguém durante todo o período que passou na escola.
Sem se despedir de ninguém, o garoto saiu da sala e da escola. Entretanto, logo que saiu do terreno da escola, a sensação de que alguém o observava voltou. Olhando para os dois lados, ele notou uma pessoa. Uma mulher o observava com um sorriso calmo. Ela era alta, trajava um vestido preto, com sapato salto alto da mesma cor. Seu cabelo era completamente branco. Sua boca começou a se mexer.
Lester se sentiu tonto. Era como se tudo ao seu redor estivesse se movendo. Ele começou a piscar rapidamente, e depois de uma dessas piscadas, tudo ficou preto.
A tontura passou tão rapido como chegou. O garoto observou o seu arredor, mas não conseguia ver nada. De repente, a mulher que ele tinha visto antes apareceu.
— Quem é você? — Lester tentou gritar, mas não conseguiu.
— Quem será? — A mulher falou. Mas ela na verdade não estava falando, sua boca não se mexeu. — Eu sou alguém que você estava destinado a conhecer.
O garoto a observou sem entender o que ela estava falando. O sorriso voltou para o rosto dela, só que dessa vez, era um sorriso enlouquecido, que estragava o seu belo rosto.
— Eu que busco por algo que me distraia, busco algo que me divirta, algo que mexa com o mundo. Você que busca por uma vida emocionante, que busca fugir da realidade, que deseja algo que acabe com a sua monotonia. Não acha que foi o destino que me fez te encontrar? — A mulher falava rapidamente enquanto ria. — Estarei te obsevando, me mostre o que você pode fazer. Me divirta, me entretenha e acima de tudo me agradeça. Afinal, estou realizando o seu sonho.
Com a última palavra, tudo começou a girar novamente. Lester fechou os olhos, ainda sem entender nada do que a mulher tinha falado. Novamente, a tontura passou e dessa vez, ele começou a sentir calor. Mesmo com os olhos fechados, ele percebeu a claridade.
Abrindo os olhos, o garoto observou abobalhado o que estava na sua frente. Um homem com uma espada apontada para o seu pescoço o encarava furioso.
— Me mostre sua identificação agora! — Berrou o homem de repente.
— Identificação? O que? — Perguntou Lester surpreso.
O local em que ele estava era completamente diferente da frente do seu colégio. Era uma estrada de terra batida, com florestas de ambos os lados. Como divisória, uma cerca se estendia entre os dois.
— Cade a sua placa de identificação? — O homem perguntou novamente?
— Minha identidade? Ela estava na minha mala... — Lester falou enquanto procurava pela sua mala, mas para sua surpresa, ele não a encontrou.
— Perdeu ela? — Perguntou o homem incrédulo. — A sua identificação é tão importante quanto a sua vida. Como você a perdeu? Por acaso você foi assaltado?
O garoto não estava entendendo nada. Por que tinha um homem com uma espada na sua frente? Para tentar conseguir respostas, ele inventou uma desculpa.
— Sim! Isso mesmo. Na verdade, também estou perdido. Sabe me dizer aonde estamos? — Disse Lester concordando com o homem, que guardou a espada.
— Estamos em Mond. Essa é uma estrada entre as cidades de Ileuad e Gealach. De que país você é?
Lester ficou parado com a boca aberta. Não existia nenhum país com esse nome na Terra. Observando melhor o homem, ele tinha cabelos azuis bem claros, bem diferente dos vistos na Terra. Era completamente natural, bem diferente das cores artificiais vistas nas tintas.
— Então? Qual país?
Sem saber o que responder, Lester ficou encarando com a boca aberta por mais um momento.
— Eu... Não me lembro. — Inventou o garoto.
Ele não estava mais na Terra. Era uma coisa estranha de se pensar, mas foi o que ele conseguiu concluir juntando todos os acontecimentos.
Primeiro, espadas não eram utilizadas desde muito tempo atrás. Segundo, ele nunca viu ninguém que tivesse um cabelo azul claro na Terra. E por último, ele tinha desaparecido da frente do seu colégio.
— Como não se lembra? Você está mentindo para mim? — Perguntou o homem desconfiado, com a mão no cabo da espada.
Sem saber o que falar, Lester decidiu contar a verdade. Ele explicou os acontecimentos para o homem, que ficou o observando com uma cara desconfiada.
— Isso não faz sentido. — Disse o homem, que se apresentou como Gamiel. — Mas se bem que eu nunca vi roupas como essas.
Gamiel ficou o observando pensativo por mais um tempo, até que balançou a cabeça negativamente e respirou profundamente.
— Bom, não posso fazer nada. Tenho que continuar a minha caçada. Tome cuidado. — Disse se virando e balançando a mão.
— Espera! Vai me deixar aqui sozinho? Eu não sei nada sobre esse mundo. — Disse Lester assustado. — Me leve com você.
— Te levar comigo!? Estou indo caçar um demônio, não posso te levar comigo. Você não tem experiência nenhuma.
— Demônio? Do que você está falando? — Perguntou o garoto ainda mais assustado.
Coçando a cabeça, Gamiel ficou parado, pensando no que fazer.
— Ta certo, venha comigo. Não posso te deixar solto no mundo sem saber de nada. — Falou ele decidido.
— Espera, mas você não disse que estava indo atrás de um demônio? Sem chances! — Falou Lester com os olhos arregalados.
— Não se preocupe, ele é bem fraco. Só estou atrás dele por quero os seus recursos.
Lester não parecia nem um pouco convencido, por isso Gamiel foi para o seu lado e o incentivou a se mover.
— Vamos. Não quero perder o rastro dele.
Com essa fala, os dois foram caminhando pela estrada.
Em uma sala fechada, uma mulher observava um vidro. Nele, a imagem de um garoto e um homem conversando estava refletida. A mulher, que estava observando sorridente, se levantou quando os dois começaram a caminhar.
— Não precisa me agradecer, — falou a mulher — coloquei você na frente da melhor pessoa que você poderia encontrar. Agora me mostre, o que você pode fazer para me entreter. Anseio pelo momento que a sua surpresa passar.
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