Goodbye, my Love !
4 O que temer?
Notas iniciais
Depois de algumas horas de desespero, tudo parecia mais calmo. Ainda não havia encontrado meu amigo, Lys continuava sua busca incessante, nenhuma outra tentativa de assassinato havia acontecido...e eu? Bem, eu continuava sendo um peso, sem poder ajudar em nada, apenas escondida em um canto, para menores danos.
Mas este momento de solidão me fez pensar em várias coisas, minha maior descoberta foi sobre o meu medo, o que antes me angustiava, mas agora percebo que esse medo é o que me mantém viva, não é saudade de Jhon, a angústia que sentia ou o estranhamento de ver o quão forte uma pessoa pode ser (obviamente a Lys, não eu). Mas esse medo de saber que a qualquer minuto eu poderia morrer, me deu uma verdadeira vontade de viver, por mim, pela Lys, pelo Jhon e todos que me importavam.
O dia já estava para amanhecer, e tudo continuava tranquilo, exceto a ausência que meus pais fizeram, mas não dei tanta importância a isso. Lys resolveu que deveríamos ir a escola e depois pensarmos em nossa vingança e como uma boa “escrava”, obedeci.
Tudo estava absolutamente normal, por uma feliz (ou infeliz) coincidência hoje havia uma menina diferente na sala, aparentemente mais nova, com cabelos lindamente azuis e pouca estatura. Após a apresentação formal, ela se sentou no lugar que pertencia a Jhon, mas o estranho é que ninguém parecia se lembrar dele, para todos que perguntei a resposta era sempre a mesma “Jhon, quem é esse?”. Talvez estivessem me zoando.
Ao fim do primeiro período, Lys se aproximou de mim e disse baixinho:
– Há algo errado aqui, porque o Jhon só existe para nós ? E quem é essa pirralha ?
–Cof cof!
Virei-me de imediato e para minha surpresa, alguém de madeixas azuis estava parada ao meu lado.
– Hm, com licença, mas como você ousa me chamar de pirralha?
– A menina olhou diretamente para Lys.
– Algum problema com isso?
– Não, realmente não! – disse ela sorrindo alegremente- Sou Kate Kikyou .
– Lys e Rose, prazer! – disse Lys não gostando da situação.
–Seu braço deve estar doendo muito, cortes deveriam ser tratados não acha?
– Como...? Do que você está falando ?
–Haha! Bem eu vou indo, foi bom conhecer vocês e vá se tratar, essa ferida parece meio grave. Até mais!
Antes que uma de nós duas pudéssemos ter alguma reação a garotinha saiu correndo e se misturou a multidão de estudantes.
– EU VOU MATAR ESSA PIRRALHA!
–Lys, calma ela não fez nada...
–Cale a boca,ou você será a primeira!...Como ela sabia do meu ferimento? Quem é essa desgraçada?!
Acho que ainda não me acostumei com o medo, não totalmente.
Ao final do período escolar, voltamos para minha casa, meus pais estavam de volta, cozinhando e conversando. Mas havia alguém mais... Infelizmente, era a pequena Kikyou, a qual estava sentada assistindo televisão quando chegamos e como se nos conhecêssemos a séculos, pediu que nos juntássemos a ela.
– O que você faz aqui ? E como sabia meu endereço?
– Eu vim jantar, você me convidou não se lembra ?
– E como soube o endereço da Rose, pequena pirralha ?
– Eu olhei na ficha escolar dela já faz algum tempo...
– Sua put....
Antes que Lys pudesse terminar ela correu ao encontro dos meus pais, que abraçaram-na e de imediato a chamaram para ficar até o dia seguinte a qual prontamente aceitou, mas nada disso fazia sentido para mim ou para Mabel, resolvemos então observar a pequena invasora.
–Rose, vou embora, se ela tentar algo estranho me ligue.
– Não vá, por favor não...
– Quantos anos você tem ? Qualquer coisa quebre os dedos dela, um por um, até ela implorar perdão.
–Eu não posso...eu...não posso!
– Okay, okay. Eu vou ficar, mas não se acostume.
Estávamos prestes a dormir, para que a Kate ficasse bem acomodada deixei que ficasse no meu quarto, enquanto eu ficaria no mesmo que Lys. Sim, eu estava com pavor da garotinha, eu admito.
...
Com aparência de quem sentia muita dor, Lys deitou-se, apesar de não haver sangue escorrendo era óbvio que estava inflamado ou pelo menos dolorido.
–Lys, você tratou o machucado ?
–Melhor do que você, eu suponho.
– Deixe-me ver...
–Acho melhor não, doutora Husborn.
–Por favor!
–Estou dizendo que é melhor não, mas se insiste…
Ela observou o ambiente por uns segundos e logo tirou a blusa, ato que me deixaria constrangida em outra circunstância, já que a senhorita arrogância, era incrivelmente linda, o que me fazia sentir inferior, mas beleza a parte era um ato necessário. Para minha surpresa o lugar da ferida estava aparentemente fechado apesar de um pouco esbranquiçado, mas ao passar a mão, quase vomitei, haviam larvas no local, não sabia como ou porque e pelo olhar da minha amiga, não era nada bom.
–O que...por que?- falei com as mãos na boca.
Sem nada responder ela vestiu-se novamente e deitou-se, sem nem ao menos me olhar nos meus olhos. Depois de uns instantes disse calmamente:
– Eu não sei ao certo, mas esse desespero estampado em seus olhos...eu não entendo esse desespero miserável de sentimento, não entendo e nem quero. Nesse mundo há coisas que você não pode recuperar não importa o quanto se esforce. E também há desespero do qual você nunca vai poder se livrar... Talvez você nunca entenda.
– Mas eu...eu só queria o Jhon de volta...eu queria você de volta!
–Você não pode recuperá-lo, não importa o quanto se esforce. Agora vá dormir.
Instantes depois acordei com barulho de passos, mas ignorei mesmo sentindo que algo errado acontecia. De repente, ouvi um barulho seguido de um grito da minha mãe. Levantei, corri em direção a porta do quanto, mas não abria, alguém havia trancado por fora. Voltei-me para Lys e só então percebi que sua ferida estava um pouco maior e haviam lesões menores ao longo do braço esquerdo, depois de um certo trabalho ela abriu seus pequenos olhos.
Mais um grito, dessa vez mais intenso.
–MÃE! MÃE! O QUE ESTÁ HAVENDO ? — gritei sem pensar
– Não é nada. Vá dormir, EU TE AM... – respondeu minha mãe
O silêncio seguinte me atormentou, o que diabos estava acontecendo ?
– Olá garota, escute com atenção...está vindo, dessa vez você não tem ninguém para te proteger, pegue sua faca, posicione-se e não se desespere!
–Maebara-kun, quem é que fez aquilo ? O que está havendo ?
–Mais tarde garota, mais tarde, agora faça o que eu mandei e lembre-se, a vida da sua amiga está em suas mãos. Boa sorte e sobreviva!
Era tudo o que eu precisava ouvir para ficar mais nervosa, mas mesmo assim segui as ordens como uma cachorrinha indefesa, me concentrei nos barulhos dos passos, cada vez mais próximos.
Estava mentalmente pronta, até a porta se abrir e a primeira coisa que eu pude ver alguém com belos fios de cabelo azuis manchados de sangue vindo em minha direção.
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