Goodbye, Friends...
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Kyle, por favor, me peça o que quiser, menos que eu finja que não sei de nada disso! A Joh precisa de uma amiga agora... Me leva pra lá? — perguntou Zoey, mas a resposta, ela já sabia.
— Zoey, eu confio em você e é assim que me retribui?
— Amor, você é meu melhor amigo e eu te amo. Se não quer me levar, vou sozinha mesmo. Nos vemos depois! — E Zoey se levantou, deixando Kyle á beira de um ataque de nervos, pensando na bronca que ia tomar de Johana.
Chegando na casa de Johana, Zoey tocou a campainha e esperou que sua amiga atendesse. Enquanto esperava, Zoey pensava no quanto fora insensível com ela, e no quanto era uma péssima amiga. O que era uma paixonite infantil perto de um estupro? Se sentia um lixo. Ao abrir a porta, Johana pareceu confusa, olhou para Zoey, e entendeu pelo seu olhar, que "alguém" havia aberto o jogo.
— Zoey...
— Ah, Johana... Me perdoa — disse Zoey, interrompendo-a com um forte abraço. — Precisamos conversar... Me ajuda a entender o que aconteceu com você... o Kyle, ele...
— Ele sabe bem em quem eu confio. Mas por favor, só entre nós três... Entra.
Enquanto Johana contava tudo o que havia acontecido, Zoey caía em lágrimas e mergulhava em culpa. Johana chorava também e tentava aliviar o que sentia.
Diferente de Kyle, Johana não gostava de colecionar lembranças: ela cultivava fantasias. Seus desenhos eram lugares mágicos, criaturas inimagináveis e exalavam criatividade, nada que alguém se lembrasse, pois saia do fundo de sua alma, e era inspirados pelo vento, pelas árvores e pelas chuvas, nada de "baseado em tal filme, musica ou livro". Eram extritamente originais. Sua mãe, Lara Onair, sempre lhe contava histórias antes de dormir. Sua irmã, Diana, sempre preferia os contos de fadas, mas Johana gostava mesmo era dos contos dos irmãos Grimm, ou de histórias aleatórias que nada tinham a ver com finais felizes.
Johana amava ficar em casa, por isso nessas férias seus pais, sua irmã e o namorado dela (Josh) foram viajar, e ela implorou para que eles a deixassem em casa. Se soubesse o que teria de passar, teria ido sem pestanejar.
Depois de tudo esclarecido, Johana decidiu que o que realmente queria fazer era esquecer aquele acidente, não falar nele nunca mais.
— Você pode me ajudar nisso, sabia? — disse para Zoey.
— Ah é? É só falar Jo, farei qualquer coisa pra te ajudar.
— Me conta... O que houve na festa?
— Mas que droga Jo... Eu não... — Johana a olhou como se dissesse "você disse qualquer coisa, querida", e convenceu Zoey, apenas com um olhar. — Olha só, eu nem sei direito... Eu escolhi ir pra festa mesmo sabendo que não me encaixo com ninguém daquela turma. Eu escolhi me arrumar e tentar ficar bem gata pra impressionar alguém... Que todo mundo sabe quem é. Sabe, eu escolhi tudo isso, então qualquer consequência dessas burradas, é totalmente válida. Bem feito pra mim, sacou?
— Mas e o Brandon? Como vocês estão...?
— A gente não tá nada, Johana. Ele ta com o coração detonado, igual eu... Por causa do Robbie. Falando nisso... Tem notícias dela e da Hanna?
— Não... Você e o Kyle são as únicas pessoas que tive contato desde ontem...
— Sabe, vamos sair desse fundo de poço? Vamos marcar com as meninas no Ice Balloon pra gente... — Zoey foi interrompida pela campainha de Johana. — Deve ser o Kyle, ele está doido pra levar uma bronca de você, pode apostar.
Mas ao abrir a porta, Johana descobriu que era a pessoa mais improvável naquele momento: Brandon.
— Bran... O que você... Entra ai, cara.
— Desculpa, Jo... É que a Rob não fala comigo e eu não quero nem olhar pra cara da Hanna então eu... Vim conversar com você, tudo bem?
— Oh, certo. Nunca me foi tão claro nosso nível de amizade, senhor "sempre escolho a terceira opção".
— Qual é Jo... Preciso de você...
— Johana? É o Kyle mesmo? — gritou Zoeu já descendo as escadas e tirando sua própria conclusão. Brandon a olhou de cima á baixo, notando as mesmas roupas da festa, o mesmo penteado, mas não parecia a mesma garota.
— Zoey? Eu não sabia que você estava aqui...
— Ah. — foi tudo o que conseguiu dizer. Deu dois passos para trás e subiu correndo as escadas, pegou sua bolsa e foi para a porta. — Legal ver vocês. Até mais, Jo. Tchau, Brandon.
— Mas pera ai Zoey... Você já vai? — perguntou Brandon, fazendo um grande esforço para olhar para o rosto, e não para o corpo dela.
— Já estava por aqui a muito tempo mesmo, vou esticar as pernas... Até mais.
— Zoey — chamou-a Johana — Eu falo com as meninas... Nos vemos no Ice daqui a pouco, certo?
— Ta bom. — disse saindo e fechando a porta trás de si.
Brandon encarou os próprios pés por alguns minutos, até que Johana o convidou para sentar-se.
— Ahn... Jo, eu preciso conversar com ela...
— GRAÇAS Á DEUS! Esteja no Ice em uma hora, eu não vou chamar ninguém... Desde que seja seguro deixá-la a sós com você...
— Eu prometo que não vou fazer nada, nem ofendê-la... Obrigada, Jo. Eu sabia que era você quem ia me ajudar nessa.
— Tudo bem, Brandon. Só não seja um idiota dessa vez.
Assim que Brandon saiu, Johana mandou uma mensagem pedindo que Zoey "ficasse linda, para que os garotos nos olhem e pensem que só sendo muito idiota para fazer uma garota dessas sofrer". Ela não sabia se isso daria certo, mas não custava nada tentar. Mandou também uma mensagem para Kyle, o convidando para uma conversa séria. Dentro de alguns minutos, ele chegou à casa dela, com o semblante chateado, como se soubesse o que viria a seguir.
— Jo... Me desculpa pelo que eu fiz... Eu prometi guardar segredo e na primeira oportunidade eu fui logo... — Johana não o deixou falar, e roubou-lhe um beijo, do jeito que apenas ele conseguia tirar dela: um beijo quente e sem vergonha, coisa que, com toda a sua timidez, nunca havia se iniciado com uma atitude dela. Johana o puxou para dentro e trancou a porta. Kyle parecia não entender nada, mas pela sua cara era evidente que estava gostando e não seria o primeiro a pedir pra parar. Ela o fez sentar no sofá, e sentou-se em seu colo, sentia suas mãos em seu corpo e acariciava seus cabelos sem parar. Pararam de se beijar quando o ar foi necessário, e isso deu espaço para perguntas.
— Johana... O que você está fazendo? — perguntou Kyle com um sorriso sincero em seu rosto.
— Eu... Eu... Me desculpa se você não... — parecendo confusa, Johana saiu do colo de Kyle e sentou-se ao seu lado. Sem entender o que estava havendo, Kyle se aproximou e tocou sua mão, e desencadeou uma crise de choro em Johana.
— O quê? Jo você tá chorando? Para de chorar... me fala o que tá acontecendo...
— Kyle... Eu quero fazer isso com você... Tem que ser com você... Tem que ser nessa casa, num sofá ou numa cama... Menos no meio da rua.. com um estranho, sem consentimento...
— O quê você está dizendo, Johana? — Kyle se levantou furioso do sofá — Ta dizendo que só quer transar comigo... por medo de ser estuprada virgem?
— O quê? Não, Kyle, não foi isso que eu disse, eu só...
— Foi sim, Johana! Você acabou de falar isso! Com tantos motivos pra transar com alguém, você escolhe por conveniência de pessoa e lugar?
— Kyle o que deu em você? Por que você ta falando essas coisas, por que está gritando comigo?
— Quer saber, Johana. Vou embora daqui. Encontre outra pessoa que durma com você por conveniência, por que eu não faço isso, eu não sou assim.
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