Goodbye
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Abriu seu velho caderno, o perfume continuava impregnado nas páginas. Tirou uma folha, escreveu.
"Por mais que eu tente, não consigo ir direto ao ponto. É assim, não tem jeito. Juro que adoraria olhar nos teus olhos e dizer que está tudo bem, que voltei pra casa. Palavras são apenas palavras, mas juro que estou tentando me expressar. Não agüento mais. Chegou um momento em que meu sangue não é suficiente; acabou. Um simples corpo. Nada mais além de um amor demolidor, capaz de matar.
Te amo demais, tanto que minha alma sangra e meu coração se dilacera. Jamais me arrependi de te amar, jamais desejei outro alguém. Foi lindo enquanto durou. Foi enterno, foi verdadeiro. No fundo sei que minha vida não seria nada sem você. Você é minha alma, meu céu, meu inferno. É a única coisa que realmente me importou.
Sim, agora estou chorando e me sentindo estranha. Falar de sentimentos nunca foi meu forte. Lembro-me que você dizia que eu era fria, insensível, morta por dentro. Daria uma ótima assassina. Mas você jamais me permitiu pensar em exercer a profissão. Sempre colocou-me à frente de suas prioridades, matando seus desejos para realizar os meus. Jamais vi que estava te matando aos poucos e, conseqüentemente, me matando junto. Meu remédio era você, e seu remédio era a luz.
Sim, te mergulhei em trevas. Transformei-te em um vampiro, numa criatura das sombras, trouxe à vida seus desejos mais sombrios, seus pensamentos mais ocultos, suas ações mais estranhas. Arrependo-me por chegar a ponto de acabar com nossa vida. Não, não terminei.
Simplesmente não posso medir o tempo em que estivemos juntos, principalmente porque foi ótimo. Senti-me alguém, éramos completos. Sabe, sinto sua pele agora. Seu cheiro, a suavidade de suas mãos tocando minha pele, seu corpo perto do meu, seus lábios colados aos meus. Seus olhos observando cada detalhe meu, seu sorriso ao me ver chegar, meu sangue ao te ver partir. Minha vida foi mudando e tenho que confessar que meu amor aumentou.
É algo que não consigo controlar, algo obsessivo, compulsivo, selvagem. Tenho algo perigoso aqui, dentro dessa caverna chamada peito, e essa pedra que chamam de coração está mudando com isso. Por todo esse tempo eu venho morrendo. Por isso que faço o que faço. Abandonando tudo. Para o seu bem, para o nosso bem. Sinto muito se te farei sofrer, mas é o único caminho! Jamais te deixarei sozinho.
Te amo."
Deu uma última tragada em seu cigarro, colocou-o no cinzeiro. O sol batia nas janelas de todo o apartamento, iluminando-o. Estava com um vestido preto, contrastando com as paredes brancas do quarto. Abriu a porta do armário, pegou uma caixa, abriu-a. Desembrulhou o que tinha nas mãos... Uma arma.
Sentou-se na cama, a carta entre as mãos, apontou a pistola e, deixando as lágrimas lavarem seu rosto, atirou. Seu corpo caiu na cama, sujando os claros lençóis de vermelho-sangue. Os segundos passavam, o sangue encharcava o lugar. Horas depois, ele chegou.
Mais um tiro ecoou pela casa. Ambos mortos. Juntos eternamente.
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