Goodbye

1 Aquela casa...


Notas iniciais
~EDITADO~ Oi *u*Eu sei que disse que estava atolada em lições e tal, e é verdade, mas essa lindíssima história aqui, já estava pronta a muito tempo, mas eu não sabia se valia a pena postar. Me resolvi e vou postar. Quem não arrisca, não petisca, certo? Já que eu estava passeando pelos meus arquivos e achei essa história dando sopa, por que não? Espero que gostem, porque eu estou insegura. Comentem *w*

Devo me descrever? Hum... Manoela. Sou mediana... Na altura, claro. Tenho os cabelos loiros e olhos verdes, como a minha mãe. Dizem que somos muito parecidas. Moro com a mesma, Lidia, e meus irmãos, Guilherme e Yasmin. Eles são gêmeos e têm seis anos de idade, os cabelos castanhos mais escuros que os meus e os olhos são mais cor de mel, como os do meu pai. Também são irritantes igualmente. Meu pai... Ele morreu há três anos de uma doença no coração. Nunca tentei entender a fundo, nunca quis, mas sei que ele teve um ataque cardíaco durante uma madrugada de uma sexta feira e morreu na hora. Minha mãe passou a cuidar de nós sozinha e eu me orgulho dela por isso. Sempre está com um sorriso no rosto apesar de tudo. Sempre tentando ser forte, mas eu me lembro bem que meus ombros ficaram molhados naquela mesma madrugada de sexta feira.

Tudo começou quando estava no começo do ano que eu estaria fazendo o nono ano escolar, consequentemente eu teria quatorze anos. Estudava em uma escola da prefeitura desde a primeira série e tinha amigos por lá.

Sempre levava os meus irmãos para uma creche uns oito quarteirões depois da minha casa, e eu costumava reparar em uma casa onde o muro ia até a altura da minha cintura e subia o resto com algumas grades, havia um pequeno portão na altura do muro baixo no mesmo formato das grades. Dentro, tinha um pequeno jardim muito bonito e a casa, um pouco afastada, era muito bonita também. O que me incomodava, era não ver ninguém na casa e ela ser tão bem cuidada.

Na volta às aulas, das férias de julho, a escola que eu estudava acabou entrando em greve. Os professores preguiçosos estavam se recusando a dar aulas e pediam aumento de salário, como se protestos fossem de fato melhorar algo. Como boa estudante, eu não estava nem ligando. Ficava em casa assistindo desenhos e mofando no sofá.

Por volta do final de agosto, minha mãe recebeu a visita de uma amiga dela. Essa amiga disse que tinha uma sobrinha que também estava estudando na prefeitura, mas que a mesma não teria previsão de volta e queria uma companhia para a garota ir estudar em uma escola do estado que, por sinal, não estava em greve.

E a minha mãe disse:

– É claro que a Manoela vai. – e sorriu.

A princípio eu não me importei, achei que ela estava brincando. Eu não ia deixar os meus amigos e ir para uma escola no final do ano onde eu não conhecia ninguém com uma garota que eu conheço menos ainda.

– Você está brincando, né, mãe? – protestei na cola dela enquanto a mesma lavava a louça.

– Você que ser uma zé-ninguém no futuro? – ela começou um jogo psicológico.

– Não, eu acho.

– Então seque essa louça. – me entregou o pano de pratos, secou as mãos no mesmo, deu duas batidinhas na minha cabeça, sorriu e saiu da cozinha.

– O que isso tem a ver, mãe? – choraminguei começando a secar a louça.

– Você precisa estudar.

Eu não discuti mais. Não daria em nada e no fundo eu sabia que precisava mesmo estudar se não quisesse repetir o ano.

No outro dia, minha mãe foi à escola que eu iria estudar com a garota que eu ainda não conhecia. A escola era enorme. Parecia uma prisão para pobres crianças. Tinha um aspecto antigo e era praticamente toda feita em tijolinhos vermelhos. Por sorte, e para minha tristeza, ainda havia vagas na escola e eu consegui entrar junto com a sobrinha da amiga da minha mãe.

– Você não pode me obrigar! – reclamei.

Já estava arrumada e batia o pé em frente à porta de casa. Meus irmãos davam risadinhas, como se aquilo fosse hilariante, no banco de trás do carro. Minha mãe me olhou e arqueou uma sobrancelha. Ela estava do lado do motorista, com a porta aberta e me olhava para que eu fosse logo para o banco do carona.

– Manu, vamos chegar atrasadas no primeiro dia de aula. – ela disse calmamente, mas ela queria me tacar um tijolo, certeza.

Depois de muito insistir, eu aceitei ir com eles – mentira. Ela quase me arrancou da porta e me acorrentou no carro. Eu queria muito mais assistir meus desenhos a ir emburrada para a escola. Que coisa chata!

Pegamos um caminho oposto ao do colégio para levar os meus irmãos para escolinha. Passei observando a casa bonita. Na volta, vi umas pessoas com o mesmo uniforme que eu, indo para a escola. Chegamos depois de alguns minutos e vimos duas pessoas que nos esperavam.

– Oi, Gabriela. – minha mãe sorriu para a garota e ela retribuiu timidamente. Ela me cutucou com o cotovelo, eu estava olhando para uns garotos que perturbavam outro pobre garoto.

– Ãnh, oi. – falei e a garota acenou sorrindo.

Gabriela era mais baixa que eu e mais encorpada. Eu sou uma magrela sem causa, então... Cabelos lisos escorridos e ruivos. Olhos castanhos claros. Bem peculiar.

Entramos juntas na escola sem falar muito, digo, eu não falava nada. A menina era bem tagarela e tinha gostado de mim. Ficamos na mesma sala e ela estava alegre por isso também, dizendo que pelo menos conheceria alguém na sala. Tá, mas não nos conhecemos.

– Essa escola me dá arrepios. – ela esfregou os braços. Concordei – Você acha que tem algum fantasma por aqui? – eu olhei bem para ela para certificar-me de que ela não estava tirando uma com a minha cara. Parecia convicta.

– É claro que não. – comecei a rir e ela me acompanhou.

Dei uma de corajosa, mas a verdade era que a escola era uma construção antiga e úmida, realmente passava um ar assustador, mas eu passei a ter medo de ter medo. Mantinha em mente que ter medo seria impor um limite a mim mesma e, esse limite, eu não queria.

Entramos na classe e fomos encaradas por quem já estava nela. A classe tinha mapa de sala e eu ficava na terceira carteira da fileira da janela, paralela a porta. Minha classe era no andar de cima. Gabriela ficou ao meu lado.

Na hora da chamada um garoto, Murilo Fernandes, foi chamado e disseram que ele havia faltado de novo. Ouvi alguns cochichos sobre ele ser doente e só viver faltando.

– Assim ele vai acabar repetindo o ano. – uma garota comentou com a garota ao seu lado e a mesma concordou.

Ele é doente...? Comecei a formular várias perguntas na minha cabeça enquanto observa o pátio da frente pela janela, com o queixo apoiado em uma das mãos. O que será que ele tem? Alguma deficiência? Será que falta por querer matar os outros? Talvez um psicopata que atira tijolos nos outros, como a minha mãe? Ei, não deixem ela ler isso!

Minha mãe sempre me diz que a curiosidade matou o gato, mas eu não sou um gato e, se eu for, tenho sete vidas mesmo.

Durante a primeira semana de aula que eu fui, o garoto da questão não apareceu nenhuma vez. Eu decidi veemente que procuraria saber mais sobre ele. E como boa investigadora, olhei seus dados no diário da classe, mas não consegui descobrir muito mais que sua idade e seu nome completo. Procurei pelo representante da sala e, como quem não quer nada e querendo, tentei persuadi-lo a me dizer algo de útil, mas ele não sabia muito mais que o diário e pareceu meio sem graça em falar sobre o garoto, o que me deixou ainda mais confusa.

Enquanto isso, Gabriela fez algumas amigas e deu um jeito de me encaixar na panelinha. Eu fiz um amigo chamado Victor, o tal representante, alto e também ruivo. Os cabelos meio cacheados eram sempre rebeldes e ele era bem inteligente, fazendo jus ao clichê de representante.

Depois de quase um mês, eu perdia minhas esperanças de saber do tal garoto e me estranhava por estar tão curiosa em relação à ele, mas eu sentia algo diferente quando as pessoas falavam dele como se fosse alguém com quem gente normal não se relacionasse.

Em uma manhã normal, eu encarava as folhas caindo das árvores do pátio da frente pela janela, não prestando nem um pouco de atenção na aula de história do professor que dava a louca muitas vezes e começava a cantar no meio da aula, da explicação ou da cópia.

A porta se abriu e a inspetora anunciou que déssemos as boas vindas para o nosso colega de classe que finalmente tinha voltado. O garoto que, eu associei ser de quem tanto falavam, entrou e vários cochichos nada discretos rolaram.

Minha excitação era óbvia. Eu o encarava como um biólogo encararia um espécime novo. Arregalei levemente os olhos quando esse passou mais perto de mim.

Dizem que a primeira impressão é a que fica...

Notas finais
E então? Terá bastante drama aqui (adoro ¬u¬) e espero que gostem também, ein? Então, para me informarem, comentem aí. Digam o que acharam, mas torno a repetir que não sou boa com começos, então esperem até o terceiro capítulo mais ou menos, certo? Obrigada ♡